quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - SERMÃO INTRODUTÓRIO DE 2a TIMÓTEO

Por esta razão, pois, te admoesto... 2a Timóteo 1: 6a

Este é apenas um sermão introdutório e teremos muito tempo para analisar passo a passo, sem pressa esta que é considerada uma das cartas pastorais do apóstolo Paulo. Por isso, necessariamente, não entrarei de imediato na análise de algum texto ou versículo. Vamos primeiro entender todo o enredo que nos leva ao conteúdo da segunda epístola de Paulo a Timóteo. 

Penso ser oportuno, sem a intenção de forçar o versículo mencionado acima, mas, destacá-lo já que Paulo inicia de forma mais explícita a sua pastoral ao seu destinatário logo de imediato e sem qualquer rodeio. Ele mesmo em suas palavras disse: por esta razão e te admoesto. E é por esta razão que também somos neste momento admoestado por Cristo quanto ao que ele nos propõe mediante este livro do Novo Testamento. 

Portanto, não espere muita análise teológica mais aprofundada. Contudo, também não estou dizendo que este livro não tenha doutrinas a serem ensinadas. É claro que tem e as veremos nos momentos oportunos Mas, tenha em mente que aqui, Paulo tende a ser mais prático em suas palavras. Ou seja, não quer dizer que ele foi superficial, pelo contrário, foi muito didático e relevante em suas palavras, mas, agora age como um pastor que deve cuidar de outro pastor que se encontra em grande perigo. Na verdade, vamos analisar as orientações de um conselheiro cristão. 

Não é atoa que estamos diante da carta mais comovente que o apóstolo Paulo escreveu. Se você não sabe, mas, esta provavelmente foi a última carta escrita por Paulo antes de morrer na cidade de Roma. Talvez, esta seja a epístola que nos dá uma percepção maior de quem era o apóstolo Paulo em seu momento privado. Estranho falar assim, mas, é como se descobríssemos o lado "humano" dele. Bom, é obvio que não devemos pensar desta forma em relação a Paulo, mas, quando digo, o seu lado "humano" é exatamente o seu especto emocional e íntimo.

Sendo assim, esta é uma carta muito pessoal. É uma pastoral à um jovem pastor. Digo ainda jovem pastor devido a sua relativa experiência no ministério comparado a de Paulo e até mesmo a de muitos outros presbíteros que trabalhavam junto com ele. Refiro-me aqui a Timóteo, é claro! Mas, veja bem, como havia dito, esta é uma série de exortações ao jovem Timóteo em relação a sua vida ministerial, pessoal e espiritual. Timóteo precisava urgentemente ser alertado de diversos perigos em seu ministério. Precisava ser fortalecido diante de um possível desânimo e medo. 

Uma série de fatos que se sucederam naqueles dias levaram tanto Paulo como Timóteo a serem afligidos por preocupações, tristezas e angústias em relação ao ministério de cada um e a situação em que ambos se encontravam não era a das melhores. Veja a situação de Paulo por exemplo. Encontrava-se pela segunda em uma prisão. Só que, agora estava recluso em Roma. Já era de uma certa idade avança, talvez, tivesse entre 68 a 70 anos. Não tinha contato com ninguém. Provavelmente o imperador romano teria determinado que Paulo não tivesse contato com ninguém e que ficasse totalmente isolado até mesmo dos soldados que guardavam a prisão. 

Tenho a forte impressão de que não bastasse as suas limitações físicas por causa da idade e por causa de enfermidades que o afligiam, do ambiente impróprio, sendo muito úmido, sem calor e claridade suficiente, exposto a animais peçonhentos e a imundície de suas necessidades fisiológicas, veio a agravar mais ainda a sua saúde. Não bastasse isto, também poderia sofrer algum tipo tortura seja psicológica e porque não dizer física também. Um método muito comum na tentativa de convencê-lo pelo medo e pela dor. 

Mas, e Timóteo? Era pastor, digamos que, o titular da igreja de Éfeso. Uma cidade muito importante na região da Ásia Menor (hoje é a cidade de Stambul, a capital da Turquia). É interessante notar que aquela cidade era um dos principais pontos estratégicos do império romano. Devido a sua localização, Éfeso era a porta de entrada tanto para a Europa como para a Ásia. Tinha um grande porto e um canal marítimo onde era possível a passagem de grandes navios dos dois lados. 

A cidade de Èfeso também seria de grande importância para a expansão do cristianismo. É provável que Paulo também tivesse enviado Timóteo aquela cidade com a intensão de preparar aquela igreja como uma espécie de base missionária. Tanto poderiam treinar e enviar missionários de lá para a Europa ou para a Ásia como também, dariam apoio logístico e espiritual aos missionários que por ali passassem. Realmente esta era uma excelente estratégia. Mas aquela igreja enfrentava sérios problemas de ordem doutrinária e estrutural. 

Timóteo foi enviado por Paulo como um representante apostólico. Isso nos fica claro na primeira carta destinada e ele (1Tm 1: 3). Timóteo deveria tratar de duas questões importantes naquela igreja. Primeiro, era estruturar e organizar a igreja de Éfeso. Isso envolvia a doutrinação dos seus membros, e a eleição de presbíteros e diáconos para ensinar e governar. Mas, em segundo lugar, e, creio ser o mais urgente, era confrontar um grupo de hereges gnósticos que persuadiam muitos cristãos efésios a sua falsa doutrina. Não é preciso dizer que Timóteo mexeu em casa de vespeiro.

É possível que entre a primeira e a segunda carta, Timóteo tenha desabafado à Paulo por meio de outra correspondência as consequências de suas atitudes em relação aos hereges naquela cidade. Uma outra possibilidade, mas, que prefiro não considerar, pelo menos, não totalmente, é que Timóteo havia se inclinado ao medo de enfrentá-los. Mas, mesmo que Paulo revelasse a timidez de seu pupilo, ainda sim, penso que Timóteo tenha aplicado as instruções dadas por Paulo. 

O que podemos constatar com mais propriedade, é que Timóteo sofria uma forte oposição naquela igreja. Primeiro, um grupo de presbíteros mais velhos teriam estranhado o fato de Paulo ter designado um homem com menos de 40 anos de idade assumir a presidência de uma igreja como aquela. Havia homens ais experientes do que Timóteo. Entretanto, o mais difícil para esse jovem pastor era lidar com a forte oposição dos gnósticos que não apenas poderiam estar difamando e o desfiando, mas, também convencendo outras pessoas a se levantarem contra a liderança de Paulo e Timóteo. 

Agora, pense comigo. A situação não era favorável para nenhum dos dois. Paulo preso aguardando a sua sentença de morte e Timóteo exposto aos ataques e a fragilidade espiritual de muitos membros daquela igreja. Como lidar com esse tipo de gente? Como combatê-los? O que fazer com aqueles membros que estão convencidos de suas heresias? E aqueles que estão desanimados, frios espiritualmente, o que fazer com eles também? Pior ainda, muitos que você ensina, ensina, ensina, e, também prega, prega, e, prega domingo à domingo o evangelho a elas, mas, não mudam. O que fazer com pessoas assim? 

Mas, também vamos imaginar as preocupações de Paulo nesta carta. O que está em jogo? o qe está sendo ameaçado na igreja? Abro um breve espaço para dizer algo muito importante. Estas perguntas não foram pertinentes apenas no contexto histórico desta carta, mas, elas continuam ecoando aos nossos ouvidos. Elas ainda e continuarão ecoando aos nossos ouvidos a todo momento na história da Igreja. O que está sob ameaça em nosso meio? Se você não sabe, deveria saber. 

Não se trata apenas de Timóteo sendo ameaçado em seu ministério, de Paulo preso e prestes a morrer. Não se trata apenas de pessoas que vão se desviar da igreja. Mas, a ameaça está exatamente na negligência que anos após anos e séculos após seculos a Igreja tem em relação ao evangelho. O que é ameaçado é a genuína pregação do evangelho de Cristo na Igreja. Só podemos nos preocupar com a vida das pessoas se entendermos que elas precisam é do genuíno evangelho. Os crentes tendem a ter vergonha do evangelho, a não considerarem mais os princípios do evangelho, por seguinte, acabam que não suportando os sofrimentos e as responsabilidades do evangelho e acabam que por abandonarem o seu conteúdo como o seu anúncio. 

E aqui está a questão. A preocupação de Paulo em exortar Timóteo era de que ele não tivesse outra postura diante do evangelho a não ser que tivesse coragem, não se esquecesse, suportasse os sofrimentos e pregasse com ousadia constantemente o evangelho. Uma igreja que abandona o evangelho é como um moribundo entregue a morte prestes a dar o ultimo suspiro. Que diremos mais ainda de um pastor que se sente ameaçado pela pressão do mundo a negociar com o evangelho e progressivamente vai se entregando a omissão, ao descaso, a vergonha a ponto de não mais pregar com fidelidade as Escrituras? 

Esta é a essência de 2ª Timóteo. A pergunta chave é exatamente esta: Qual a sua postura diante do evangelho? Caro pastor, qual tem sido a sua postura em seu ministério diante do evangelho? Caros presbíteros qual tem sido a nossa postura em relação ao evangelho? Veja que as exortações contidas nesta epístola são primeiramente aos lideres da Igreja de Cristo. Esta carta nos mostra exatamente dois exemplos claros de liderança. Os que são obreiros aprovados e os que não são. A grande questão é se o verdadeiro evangelho tem sido pregado e vivido na Igreja em nossos dias. 

Não há relevância alguma se uma igreja local, mesmo que tenha uma excelente equipe pastoral, bons administradores, uma boa equipe de música, dinheiro, estratégias de crescimento e alto investimento no envio de missionários por todo o mundo se ela não se atenta para o principal: Não abandonar a sã doutrina que está no evangelho de Cristo. Deus por meio desta carta nos chama a sermos diligentes, atentos, precavidos, vigilantes em relação ao que está sendo entregue aos membros de nossas igrejas. 

Eles se alimentam de que? Será que não estão envenenando o rebanho que está sob os seus cuidados? Ou, será que não lhe venderam alimento estragado e por não averiguar que comida é esta aos poucos você também está matando as ovelhas que são de seu Senhor? Quem prepara o alimento a ser entregue? É você, caro nobre pastor, o dispenseiro (1Co 4: 1), ou, será que você está terceirizando a ração destas ovelhas? Elas se alimentam de que? Do evangelho de Cristo, ou, de alimento contaminado? 

Amém!  

Resumo do sermão pregado 
em um culto matinal de domingo
em outubro de 2013 


   

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