domingo, 23 de novembro de 2014

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – PORQUE OS DIAS SÃO MAUS (2Timóteo 3: 1-5)

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Estamos diante da terceira exortação do apóstolo Paulo a Timóteo. Paulo escreveu esta carta com o intuito de estimular e encorajar o jovem pastor Timóteo a não ser persuadido por heresias disseminadas pelos gnósticos e principalmente, manter-se firme no evangelho.

    Cada capítulo desta carta nos leva a um grupo de exortações. As duas primeiras levam Timóteo a refletir sobre o problema da vergonha e timidez em relação ao evangelho como também o risco enfraquecer suas convicções nas questões essenciais da fé cristã. Ou seja, a ideia é que Timóteo não se esquecesse do evangelho, de que, não o abandonasse. A terceira exortação torna a situação mais crítica do que já estava para Timóteo. Um alerta ao que estava por vir contra ele e a Igreja de Cristo. Se a situação não estava boa, ia ficar muito pior.


    As palavras do apóstolo Paulo aumentam mais ainda carga de tensão no decorrer destas exortações. Eu considero esta terceira exortação o pico de toda a nervura das mais difíceis e tenras palavras de um mestre ao seu pupilo. A mais pesada de todas as lições que um pastor poderia deixar a sua ovelha. Em vez de um pastor, como em nossos dias dizer: "tenha fé, se você está com Cristo não vai passar por problemas", a escritura nos ordena a dizer: "Você vai sofrer!"


Portanto, o que basicamente vamos analisar neste momento em relação ao capítulo três é a necessidade de suportarmos o sofrimento pelo evangelho. Quanto mais o evangelho é disseminado pela sua pregação mais as pessoas são provocadas e instigadas a terem duas reações apenas. Ou são irresistivelmente traídas pelo seu anúncio e se curvam a Cristo, ou, elas se levantam com todo furor provocadas a mais intensa de todas as formas de violência e crueldade contra a Igreja.


    Sendo assim, começo com um alerta. Prepare-se! Se você é cristão você vai sofrer! Pra que você não confunda as coisas, sofrimento não é inevitável apenas ao cristão, mas, é uma ordenança de Deus como evidência clara do verdadeiro evangelho sendo anunciado a pecadores. Penso ser este o primeiro ponto deste capítulo. O alerta. O despertar para que possamos abrir os nossos olhos espirituais e enxergar a realidade ensinada nas escrituras sobre a vida cristã.


Então, observe comigo o versículo inicial deste capítulo pra analisarmos esta primeira questão. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).


    Em primeiro lugar, todo cristão deve sempre saber desta que considero uma inevitável realidade dos propósitos soberanos de Deus. É como Cristo nos falando. Vocês devem passar por aflições. O sofrimento não é apenas algo inevitável, mas, ela é necessário para nos deixar ágeis e precavidos.

    Em outras palavras, "fique ciente, atento, vigilante!" Este é o chamado de Paulo com o qual inicia e também define o tema da terceira exortação. A diligência deve ser para a alma o que os olhos são para o corpo. Cristãos desatentos a esta realidade são equiparados a soldados despreparados. São como cegos.

    O chamado de Paulo para nos tornarmos mais diligentes quanto a realidade do sofrimento é uma demonstração clara do quanto nós somos tão alienados e dispersos, e, por muitas vezes, a perseguição se torna a necessidade, o mal necessário para ficarmos alertas. Alertas o modo como aplicamos o evangelho em nossa vida. Alguns meses antes do comunismo ter sido instaurado no Vietnã, missionários de diversas igrejas que atuavam naquele país se encontravam em uma conferência sobre futuro da igreja quanto a realidade daquele país.   

  
    Um pequeno grupo da Aliança Cristã Missionária se manifestou dizendo que a igreja vietnamita não estava preparada para a crise política que estava por estourar e perseguir os cristãos. As tensões e os ânimos aflorados no cenário político em Hanói misturado as declarações de promessas do partido comunista em meio ao descontentamento por parte da população já eram sinais claros do que iria acontecer.

    A maioria dos que se encontravam no plenário não concordaram e simplesmente não deram importância a fala desses missionários. Alguns meses depois inesperadamente, o partido comunista inicia uma revolução no norte do Vietnã e a partir daquele momento, muitos cristãos foram pegos de surpresa em suas casas, templos, escolas, escritórios, inicialmente sendo detidos, presos, interrogados, os missionários estrangeiros sendo deportados, outros detidos, interrogados, torturados, mortos.


Tenho a forte impressão de que, em nosso país isso também possa com o tempo acontecer. O nosso contexto parece não ser diferente do que foi em outros tempos e lugares como na União soviética, China, Sudeste Asiático, Leste Europeu, Oriente Médio, Coreia do Norte, Indonésia, Peru, Colômbia e México.


    A igreja brasileira está dispersa. A causa disto tudo são os desvios doutrinários que substituem a fiel pregação do evangelho e abrem lacunas que são aos poucos preenchidas por outras ideais, práticas, ritos, costumes, hábitos, modificação na linguagem que não são cristãs.

Contudo, em segundo lugar, Paulo declara como serão os dias que se sucedem. Leia atentamente o que ainda diz o primeiro versículo: Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).

    Duas coisas precisam ser explicadas em relação a declaração de Paulo. Inicialmente, o que são os "últimos dias." Por seguinte em que sentido estes últimos dias serão difíceis. A ocorrência desta expressão nas escrituras se dá por pelo menos 20 vezes sendo 14 no Antigo Testamento e 6 no Novo Testamento. Esta expressão pode significar literalmente dias recentes ou fatos que ocorreram no dia anterior. Mas, especialmente no Novo Testamento e que é similar a expressão "ultima hora" indica o período em que vivemos na nova aliança da primeira à segunda vinda de Jesus Cristo.


    Tudo já foi consumado pela morte e ressurreição de Cristo. O reino de Deus está inaugurado. Só resta uma última coisa a ser feita. Jesus Cristo julgar todos os povos e consumar totalmente a sua vitória sobre satanás condenando e os sentenciando ao lago de fogo.


Observe o que nos diz alguns textos bíblicos.



2 Pedro 3:3-4 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.

1Timóteo 4: 1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,

1 João 2:18 Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

Entretanto, as expressões "última hora", ou, "os últimos dias" sinalizam tempos conturbados e de dias maus como afirmou o apóstolo Paulo Em Efésios 5: 16: remindo o tempo, porque os dias são maus. E aqui vem o porquê do termo tempos difíceis. Serão dias insuportáveis. Dias de muita tribulação e angústia para o povo de Deus.

    Não apenas os dias, mas, os próprios homens serão mais cruéis, pervertidos, depravados, insanos, violentos e sem qualquer resquício de misericórdia. Não haverá limites para a maldade e depravação do homem se hoje nos assustamos com o que tem acontecido, imagine para os próximos dias. Se você acha que já pode ter visto de tudo o que o homem é capaz, espere o dia de amanhã.


    É comum em nossos dias atribuir como injusto e intolerante o próprio Deus ter ordenado matar e destruir os povos que circuncidavam o povo de Israel na terra prometida. Talvez~, você questione o fato de Deus ter estabelecido pena de morte para quase todos os pecados mencionados em Êxodo e Levítico. Parece muita crueldade Deus ter inundado a terra com dilúvio e ter destruído Sodoma e Gomorra com fogo.


Se analisarmos bem, aqueles dias não eram como os nossos. A severidade com que Deus agiu naqueles tempos não se compara com os dias de hoje. Deus tem sido implacável de modo que, naquela época, o povo de Israel estava autorizado a usar da espada para preservar a igreja da antiga aliança da malignidade dos povos pagãos. A igreja hoje, não pode usar outra arma a não ser a pregação do evangelho. Observe bem a lista mencionada nos versículos seguintes:



2 Timóteo 3:2-4 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,     
    
    Veja a preocupação de Paulo. Não era o sofrimento físico, mas, a mais terrível de todas as angústias é ver o homem descontroladamente imerso à corrupção e imoralidade. É vê-lo desenfreado em sua própria maldade.Quem são esses que Paulo diz nos afligir? Não são os de fora, mas, os que estão dentro da Igreja. Eles estão no nosso meio, se passam por crentes, falam a mesma linguagem que nós, parecem exercer grande piedade cristã, mas, na verdade, o caráter deles se revela maléfico conforme descrita nos versículos 2 e 3.

    Bom, nos uma outra pergunta importante. Quer dizer que lideres e pastores que possuem estas características mencionadas por Paulo devem ser considerados falsos profetas? Exato!

    Mas, se eles se declaram cristãos e pertencem a uma denominação cristã respeitada? Como posso considerar alguém que, por exemplo sendo batista, ou, se declara um pastor presbiteriano, uma pessoa de possui prestigio, respeito, notoriedade, cargos, pode ser um falso profeta?
    Esse é o grande problema que enfrentamos hoje dentro das igrejas. A falta de entendimento e discernimento para lidar com esse tipo de gente tem nos feito ignorar os alertas que são anunciados pelo próprio evangelho. O engano se dá por duas coisas. Ignorância doutrinária ou, e, também por falta de maturidade cristã, discernimento e sabedoria.

Eu repito, mais uma vez: A igreja de hoje não está preparada para lidar com o que virá contra ela no decorrer dos anos. Até mesmo, me aproprio das palavras de Paulo no final do versículo 5 com respeito a isso: foge também desses. Em outras palavras, evitem a presença deles. Não seja atraído pela aparência externa deles, muitas vezes pelo desejo de ter mais pessoas agregadas a nossa congregação, não sendo criteriosos, acabamos por abrigar mal feitores, lobos vorazes, ladrões, em nossa casa.


    Eu preciso reiterar, não se trata da bagagem de conhecimento doutrinário e de como você é habilidoso no manejo da Bíblia. Trata-se da sua maturidade, da sua percepção, discernimento em relação ao que está acontecendo a nossa volta e como determinadas ideias e doutrinas sutilmente vão criando formas através de determinadas práticas, modismos, que, inicialmente parecem inofensivos, mas, é veneno mortal.


    Se você acha que as grandes seitas surgiram fora da igreja, está redondamente enganado. Elas foram desenvolvidas por pessoas que tinha respeitabilidade e eram prestigiadas pelos seus membros. Pelo menos no mundo moderno, algumas destas seitas surgiram entre presbiterianos. Charles Finney, por exemplo, era pastor presbiteriano, mas ensinava a doutrina semi pelagiana.


    E é neste ponto que isso tem a ver conosco. De onde eles saíram? Ora! Antes de serem pastores, lideres, mestres, eles eram membros de suas respectivas igrejas. Mas, como permitiram homens como esses serem eleitos ou conduzidos a liderança? Esta é a questão. Os oficiais e os líderes da igreja são eleitos e confirmados pela própria igreja. Se em nossos dias estamos elegendo e aprovando falsos pastores e mestres, lembre-se, eles saíram do seio da igreja, do nosso meio. Nós os aprovamos e os confirmamos. Entregamos a eles o poder de exercerem autoridade sobre nós por meio dos seus ensinamentos.


    O que está em jogo em toda esta situação? É a pregação fiel do evangelho. Por isso que inicialmente, Paulo em sua segunda exortação declarou que Timóteo para não se esquecer do evangelho, se apropriasse dele por meio do ensino. Não existe outro meio de sermos precavidos e preservados desses homens, se não houver o ensino puro e sistemático do evangelho.


    Mas, isto nos leva a outro grande problema. Temo que os membros de nossas igrejas, muitos deles, não estão preparados para isso. Não são maduros os suficientes. Outros, não receberam o ensinamento correto e coerente do evangelho. São neófitos! O que pode me dar mais desgosto e forte agitação, perturbação e terror a minha alma é o modo como muitos cristãos, especialmente os jovens e adolescentes de hoje que estão na igreja desperdiçam suas vidas e o seu futuro em coisas viciosas, perniciosas, supérfluas, imorais e destrutivas a sua saúde espiritual e a dos outros também.


    Na metade do século XX, especificamente, na década de cinquenta e sessenta, as igrejas americanas enviaram milhares de missionários ao redor do mundo especialmente nas regiões mais perigosas e de grandes conflitos políticos e armados. Surgiram várias organizações missionárias que atuavam em áreas específicas. Eram chamados de especialistas porque eram médicos, enfermeiros, pilotos de aviões, mecânicos, construtores de casas, engenheiros, administradores, tradutores e linguistas.

    A média de jovens que sendo criados na igreja se desviavam dos caminhos de Cristo aumentava assustadoramente, mas, ao mesmo tempo muitos deles que retornavam de sua insanidade espiritual engajavam-se em missões de risco em suas profissões. Muitos deles morreram ou desapareceram no sudeste da Ásia e África.


    Meus pais são missionários. Minha vinda a Porto Velho providencialmente foi pela instrumentalidade do trabalho deles com povos indígenas. Durante sete anos trabalharam entre os Masthanawas na divisa com o Brasil e o Peru. Posteriormente foram para o Timor Leste.

Meu pai foi como construtor de casas para refugiados enquanto minha mãe e minha irmã entraram como agentes de saúde. Minha irmã Camila que está se graduando em enfermagem foi indaga quanto a sua perspectiva profissional. Ela respondeu: "Gostaria de trabalhar como enfermeira no Timor Leste."

    A missionária Elizabete Vencio, ainda jovem e graduada em linguística pela Universidade de Campinas pagou o preço de não se casar para evangelizar e traduzir a Bíblia para os Jarawaras, no interior do Amazonas, durante vinte e cinco anos de sua vida. Recentemente faleceu acometido de um câncer e solteira sendo assistida pelos seus amigos e irmãos em Cristo.


    A minha pergunta é a seguinte. Eles desperdiçaram o tempo e investimento de toda uma vida pelas escolhas que fizeram? Uma jovem linguista que poderia ter prestigio profissional em sua área, mas preferiu a selva amazônica entre os índios perdeu tempo? Pense nisto! Mas em relação à você? O que você tem feito da sua vida em prol do evangelho?


Você está disposto até que ponto pela propagação do evangelho? Se a sua preocupação tem sido apenas o fato de correr riscos em sua careira cristã talvez ainda você não entendeu que ser cristão implica automaticamente em correr riscos. Ser cristão significa que os dias serão de mal a pior. Seja por causa da perseguição como também o sofrimento de ter de lutar contra você mesmo por causa da sua natureza pecaminosa.


    Inevitavelmente os dias são de mal a pior. A única coisa que você precisa se perguntar é como você vai encarar isto. Como você vai seguir? Vai desperdiçar sua vida com futilidades, ou, vai seguir a carreira cristã que Deus lhe determinou? Qual será a sua postura diante do evangelho de Cristo? Amém!



Pr. Rogério Bernini Junior


(sermão pregado em setembro de 2014 no culto matinal de domingo)