domingo, 28 de dezembro de 2014

A ESPERANÇA NÃO É A ÚLTIMA QUE MORRE MAS É O QUE NOS MANTEM VIVOS... Exposição de Romanos 5: 5


    O sermão anterior a este, verificamos como desfrutamos da paz com Deus em meio ao sofrimento. Creio que ficou bem claro a todos nós o que Paulo afirma sobre gloriar-se na esperança da glória de Deus e principalmente nas tribulações. Antes mesmo de continuarmos a exposição no versículo 5, lembre-se do que se trata o capitulo cinco de Romanos: A justificação pela fé produz paz com Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo.

    Não teriam dias mais oportunos para averiguarmos que realmente fomos reconciliados com Deus do que as provações. O sofrimento não apenas faz parte da nossa vida como é necessário que passemos por dias difíceis, de perdas, de dores, de tristezas afim de sermos testados em nossa fé. Já havia dito e repito: Cristo nos ordena o sofrimento como parte da vida cristã. 'Quem não tomar a sua cruz e segui-lo não é digno de ser seu discípulo'.


    Para que você não se esqueça do que aplicamos, o sofrimento não deve ser oportunidade para se vitimizar, mas, para regozijar-se na esperança da gloria de Deus (Rm 5: 2). O verdadeiro cristão entende isto quando sabe que Deus usa a provação para produzir em nós a resistência ao pecado e ao mundo, a aprovação de nossa fé em meio a um teste e isto fortalece a nossa esperança (Rm 5: 3-4).

    E, a propósito desta última (a esperança), vamos continuar a exposição deste capítulo a partir do versículo 5 que nos diz: 'Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado'.

    Apesar do versículo 5 ser uma extensão dos versículos 3 e 4 e uma transição para o próximo ponto do versículo 6, creio ser muito rico o que podemos extrair como aplicação sobre como experimentamos a paz com Deus. É de extrema importância e necessidade falar o que vem a ser a esperança cristã a luz da Escritura.

    Creio que pela providencia divina seja necessário e oportuno falar deste tema já que estamos no último domingo do ano de 2014. Se você veio na expectativa de ouvir um sermão, ou, uma palavra que lhe traga um conforto, animo, encorajamento e esperança, então chegou o dia para isto.

Fico pensando em como o mundo e satanás são sutis em suas estratégias de engano. Veja que a forma de "sabedoria" do mundo sempre tende a se apresentar com afirmações ou ditados positivos, mas, na verdade, são em seu recheio destrutivos. Veja a forma mais absurda de se concluir o que é esperança. Como diz o ditado "A esperança é a última que morre".

    Na verdade, isto contraria totalmente o significado correto da palavra esperança. Se temos esperança em alguma coisa ou em alguém, significa que estamos vivos e não morreremos. Quem não tem esperança, não tem motivos para viver.

Ao contrário do que nos diz o ditado popular, a esperança ensinada nas Escrituras nos mantem vivos em Cristo Jesus. Não há esperança sem Cristo. Portanto, gostaria neste momento de analisar com os irmãos o que vem a ser a esperança cristã e por que ela não nos confunde e muito menos nos frustras.

    O modo como o apóstolo Paulo nos apresenta esta terceira tese no capitulo 5 é muito interessante. No versículo 2 ele já havia dito que devemos nos gloriar na esperança da glória de Deus, em seguida, no versículo 4 diz que nas provações, a aprovação da nossa fé produz a esperança.

    Agora, veja que temos aqui a sequência completa de como a obra redentora de Cristo imputada em nós. São basicamente três palavras chaves neste momento: fé, esperança e amor. Paulo usa a mesma tríade em 1Co 13: 13 e 1Ts 1: 3. Observe:



'Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor (1Co 13: 13).'

'Recordando- nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, (1Ts 1: 3)'

Percebe que este não é um ponto simplesmente aleatório ou isolado nas Escrituras e que a Bíblia enfatiza com precisão a necessidade do crente ter esperança? Ela faz parte da obra da salvação em nós. Sem a esperança, a obra salvífica não está completa no crente. Mas, vamos primeiro verificar o seu significado aqui no texto bíblico.

Vamos primeiro ao Antigo Testamento. A palavra 'esperança' tem sua ocorrência pelo menos mais de 146 vezes. 73 vezes ela se refere a esperança em Javé, ou seja, a esperança na salvação e na libertação do Povo de Israel através da vinda do Messias prometido. Veja alguns exemplos:


'Pois tu és a minha esperança, SENHOR Deus, a minha confiança desde a minha mocidade (Salmo 71: 5).'

'Aguardo o SENHOR, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra (Salmo 130: 5)'
'Perto está a minha justiça, aparece a minha salvação, e os meus braços dominarão os povos; as terras do mar me aguardam e no meu braço esperam (Isaías 51: 5)'

'Assim, há esperança para o pobre, e a iniquidade tapa a sua própria boca. Bem- aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo- Poderoso (Jó 15-16)'

'Quero trazer à memória o que me traz esperança' (Lamentações 3: 21)

Não se falou tanto de se ter esperança na história do povo de Deus como no Antigo Testamento especialmente quando o povo ou era acometido de grandes calamidades e sofrimentos, ou, quando o próprio Deus os castigava severamente para que abandonassem suas falsas esperanças em outros deuses e em si mesmos. Não é tão diferente o que o próprio apostolo Paulo faz aqui no capitulo 5 sendo ele um exímio conhecedor e intérprete do Antigo Testamento.

Mas, os autores dos livros vétero testamentário não falaram de esperança referindo-se as tribulações e os castigos divinos, mas, apontavam para uma pessoa. O Messias, o Salvador, o Redentor de nossas almas. A esperança do povo de Deus estava baseada e alimentada na vinda de Jesus Cristo como o redentor da Igreja.

Portanto a ideia que Paulo aplica de 'esperança' não se trata de uma mera expectativa ou anseio de dias melhores, ou, de situações futuras que possam ser mais prósperas, com mais alegria, mais fartura, sem sofrimento, sem perdas, mas a nossa ESPERA está na pessoa e obra do REDENTOR DE NOSSAS ALMAS.

Paulo usa a palavra 'esperança' não como uma espera humana ou circunstancial, mas de um desejo, ou, de um anseio, de um beneficio que nos é dado como garantia de nossa justificação pela fé em Cristo Jesus.

Neste caso, a esperança aqui mencionada no capitulo 5 é o benefício que Deus nos dá por meio de Cristo Jesus de sermos todos os dias alimentados, nutridos em nossa alma quanto a certeza, a segurança da nossa salvação. Isto é esperança aqui em Romanos. Esta é a esperança cristã.

Eu pergunto a você neste primeiro momento. É esta a esperança que habita em seu coração? De todos os dias, semanas e meses que se passaram até agora neste exato segundo, minuto e hora tem sido esta a esperança que te alimenta em relação as suas convicções, seus problemas, suas lutas, seus momentos de fraquezas e limitações, pecados, como também de alegrias, ganhos e regozijos?

Aqui vem uma constatação muito triste em nossos dias. Tendemos a demonstrar, ou, se interessar pela necessidade de alimentar alguma esperança quando estamos em perigo, ou, quando provocamos o perigo. Não é à toa que muitos tendem a procurar, ou, a frequentar as igrejas exatamente nesta época do ano.

Aqui temos um grande, mas grande problema! Pessoas assim depositam falsas esperanças. Elas não estão preocupadas em alimentar a certeza de que Cristo deve ser tudo na vida delas, mas, elas se apegam aos cultos, a igreja, e as pregações como um meio de serem favorecidas naquilo que lhes interessam. Usam a própria Bíblia como o seu amuleto, ou uma espécie de talismã.

Se você age assim, na verdade, ou, não tem esperança, ou então, você simplesmente depositou falsas esperanças. De todo modo, você ainda não recebeu Cristo como seu salvador e por isso, você não está seguro, não tem garantia de nada, está exposto, sozinho, entregue a pior de todas as situações, você está entregue a si mesmo e aos seus desejos pecaminosos.

Por isso, Paulo havia dito que algo extremamente importante sobre a esperança cristã. Ela não nos confunde e muito menos nos frustra. Este é o sentido de sua colocação no versículo 5. A palavra aqui usada é 'não confunde'. Ou seja, a esperança cristã antes de mais nada é verdadeira porque é alicerçada e fundamentada nas promessas de Deus em Sua Palavra.

Em seguida, a verdadeira esperança, sendo ela fundamentada no cumprimento da Palavra de Deus ao seu povo não traz vergonha, não humilha, não desonra e muito menos desanima, frustra, fracassa, e até mesmo não provoca a morte. Pessoas sem esperanças são pessoas mortas em suas almas. Podem até mesmo com seus desgostos pessoais e existenciais tirar literalmente a própria vida.

Veja o que Paulo nos mostra a luz das Escrituras. Que sendo a nossa esperança a pessoa de Cristo, o nosso redentor, em nenhum momento ele falha conosco. Não nos abandona, tira de nós o peso, o fardo, e até mesmo o cheiro da morte que estava sobre nós. Isto não é maravilhoso? Isto não te tranquiliza? Não lhe dá alguma expectativa ou vigor quanto ao seu futuro na eternidade?

Agora, você notou a época em que vivemos? Percebe como as pessoas estão tão saudosistas em relação a sua vida? Como elas sentem mais e mais a necessidade de se apegarem a alguma coisa ou em alguém? O sucesso das redes sociais em nosso país tem se explicado por dois motivos. O primeiro, a necessidade de rever pessoas, lugares, situações, história de infância. Sentem falta de coisas boas porque elas só querem coisas boas.

Em segundo lugar, a necessidade de mostrarem como elas são seguras em si mesmos. Postam fotos sempre sorrindo, em lugares que expressam um ambiente agradável. A quantidade de postagens com versículos bíblicos ou frases de efeito de algum pregador que na verdade, muitas vezes estão se auto afirmando de algo que não é verdadeiro.

Note uma outra questão interessante. Como as religiões místicas e esotéricas tem crescido em nossos dias. O Brasil é um prato cheio para estes grupos religiosos. O espiritismo é a religião que mais cresceu nos últimos 10 anos. Por incrível que pareça, no meio evangélico brasileiro, o segmento que mais recebeu novos adeptos foram os neo pentecostais.

Agora, se espante. Eles não mudaram de religião por convicção, mas, por necessidade pessoal. Na verdade, muitos estão apenas circulando de uma religião para outra. Não querem se comprometer com os seus ensinamentos, querem apenas conselhos, curas, orientação espiritual, ou mera curiosidade de terem uma nova experiência religiosa.

O que isto significa? Que elas depositam seus anseios, desejos, expectativas em relação a sua vida em uma falsa esperança. Como o ser humano gosta de mentiras! Como as pessoas tem um forte apego a convicções tolas e absurdas! Mas este é exatamente o perigo que elas correm.

Cedo ou tarde, serão desenganadas e cairão na decepção, no constrangimento, na humilhação de terem sido enganadas por tanto tempo, ou, até mesmo por quase toda a vida e, de repente, descobrem que tudo o que fizeram e porque fizeram foi em vão. Meu Deus! Quão terrível é esta situação para muitas pessoas!

Por isso que a esperança está entrelaçada com a fé. As vezes elas se confundem quanto ao seu significado. Ambas apontam para a ideia de convicção, de comprometimento e de firmeza. Entretanto, a fé é a capacidade intelectual e espiritual de não apenas compreender, como também de aceitar Cristo como o nosso salvador. A esperança é o ponto de partida para que esta fé, este conhecimento e comprometimento da verdade seja mantida e a cada dia acrescida em nós.

Veja como é triste o fato de que os ímpios não possuem esta benção. Eles não discernem, não sabem, não conhecem, não sentem a presença de Deus por meio de Cristo, não andam, não falam, não pensam seguramente e em Deus. Por isso elas correm, correm, andam e andam, procuram de porta em porta, de casa em casa, por alguma coisa que lhes deem alguma segurança, mas, em algum momento elas se dão por conta que estão enganadas e perdidas.

Aqui está o contraste. A esperança em Cristo não confunde e não frustra por causa da fé que nos foi dada. Temos o conhecimento, o acesso a verdade do evangelho que nos revela abundantemente o amor de Deus por nós. Esta é a diferença entre eles e nós e, como faz diferença a fé bíblica baseada na razão. Posso dizer aqui sem medo de errar que o cristianismo bíblico e histórico é a única religião que de fato expressa uma razão pela qual devemos viver.

Enquanto toda a outra forma de devoção exige de seus seguidores sacrifícios e penitências de si mesmo para alcançar algum favorecimento ou mérito, o cristianismo é a única religião que nos assegura alguém que já fez isto por nós e que apenas a nosso trabalho e descansar e aguardar firmemente pelo Senhor.

Enquanto as outras formas de devoção às suas divindades obrigam seus adeptos a dar prova de amor pelos seus deuses senão eles irão puni-los por mero capricho, a Bíblia é a única que nos ensina ser Deus quem nos amou antes de todas as coisas e antes mesmo da nossa existência. Por isso a esperança cristã é baseada seguramente no amor de Deus como o próprio Paulo nos justifica aqui no versículo 5.

Veja o que Paulo ainda nos revela neste versículo. A esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração. O que Paulo está enfatizando aqui é que o amor de Deus não é mesquinho. Deus nos ama abundantemente. Originalmente a expressão ficaria: Deus nos ama de sobra. Não há como medir o Seu amor para com aqueles que são seus filhos.

O amor de Deus aqui significa o quanto Ele, em qualquer situação, e, especialmente nas grandes tribulações ou quando Deus usa o próprio sofrimento como sua severa disciplina, nos favorece com a comunicação de Sua imensurável graça. A comunicação desta graça é infinita e não há como medir o seu estoque. Nunca acaba.

Deixe-me dar aqui uma rápida e simples ilustração disto. Ele não nos dá o seu amor com um frasco de "conta gotas", mas, ele ordenou ao Espirito Santo que derramasse um grande e imenso balde de seu amor sem medida sobre cada um de seus filhos e filhas. Seu o seu amor fosse condicionado a algum critério ou exigência isto não seria amor, e, teríamos todos os motivos para conjecturarmos Dele. Não haveria esperança, mas desconfiança. Só há motivos para esperarmos por Ele porque Ele nos ama.

Se nós não temos como medir a intensidade e a complexidade do amor que uma mãe tem pelos seus filhos que dirá tentar medir a grandeza do amor de Deus por nós pecadores regenerados.

Na verdade, quanto não experimentaram o genuíno amor de Deus! Quantos talvez dos que se encontram aqui não receberam o privilégio de serem amados por Deus! 

Agora veja como Deus demonstra o seu imenso amor por nós. Ele não nos tira dos perigos e dos apuros que nos encontramos, mas, Ele nos livra dos predadores que se aproveitam da oportunidade para nos devorar. É assim que Deus nos ama.

Mas, Não se engane! Aqui vai um recado. Somente pecadores arrependidos e contritos, humilhados, constrangidos e desenganados pelas suas falsas esperanças é que podem experimentar o amor de Deus em Cristo Jesus. Quem não é frustrado e envergonhado de suas falsas convicções nunca irá experimentar o amor de Deus que nos traz a verdadeira esperança.

E aqui ainda vai outro recado. O amor de Deus que é implantado em nós pela ação do Espirito Santo nos leva a ama-lo de toda nossa alma e de todo o nosso entendimento. Não depositar confiança, expectativa e segurança no amor de Deus, significa que ainda amamos o mundo e o pecado. 

Estamos no final de mais um ano. Não dá mais tempo para nada meus caros. O ano de 2014 se foi. O que tinha de ser feito, se não fez, o tempo se foi. Se este foi um ano muito difícil para você, aguarde 2015. Não crie falsas esperanças ou expectativas sobre o próximo ano que entra sem pedir licença ou bater à porta.

Lembre-se, falsas esperanças também nos levam a amargar o sabor da tolice e da ignorância. Se você tem Cristo como sua esperança, você não precisa de mais nada porque já tem tudo o que lhe é necessário. Se o amor de Deus foi derramado abundantemente em você não há necessidade de demonstrar isto usando roupas brancas, amarelas ou verdes na passagem de ano. Não precisamos ir a beira do mar de dar sete pulinhos na onda para ter sorte em 2015.

Não pense que os dias serão melhores. Jesus nos fala que eles irão de mal a pior. Os dias que se aproximam serão terríveis. Será pai contra filho, filho contra seu pai, irmão contra irmão, não contra nação, Deus estenderá com mais força o punho de sua espada e juízo sobre a Terra. Sejamos realistas. Não se engane quanto aos dias que se aproximam.  

Talvez você questione. Mas por que tudo isto? Se os dias que se aproximam não serão melhores, que razão temos para ter esperança? Meu irmão e minha irmã, será que até aqui você ainda não entendeu que a nossa esperança, nossos anseios, nossas expectativas devem ser depositadas na gloria eterna? Devemos esperar pelo nosso Salvador em vez de dias meramente melhores.

Pelo que você espera? Diante de tudo isto, e quem você tem depositado esperanças? Em suas habilidades, seu potencial humano, seus méritos e obras? Você deposita esperança na possibilidade de melhorar seu comportamento, de ser uma pessoa melhor no ano de 2015? Ou a sua esperança está em Cristo? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no último domingo do ano de 2014

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