Publicações de sermões expositivos semanalmente pregados na Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho aos domingos além de textos relacionados a teologia da pregação em uma perspectiva calvinista reformada.
sábado, 20 de dezembro de 2014
DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – A FORMAÇÃO DO PASTOR: Exposição de II Timóteo 3: 10-13
No último sermão analisamos os versículos 8 e 9 deste capitulo. Verificamos a necessidade de discernirmos o que é falso e verdadeiro. Quem são os falsos e os verdadeiros pastores. Você sabe discernir isto? Sabe o que eles tem ensinado? O falso ou verdadeiro evangelho? Pois bem, agora temos uma outra pergunta dentro do contexto do capítulo 3. Onde nossos pastores aprendem a serem pastores? Onde eles são formados e instruídos? Provavelmente você me responderia: "No Seminário teológico. É claro!"
Sua resposta não está exatamente correta. Eles não são formados apenas no seminário. Não que as nossas escolas teológicas não tenham algum peso de influência sobre os nossos eles, mas, a questão é: qual é a base teológica destes pastores? Quem foram os seus pastores na infância? Quem foram os seus professores de Escola Dominical? Quem foram os seus conselheiros em tempos de crise? Quem são aqueles que o instruíram desde pequeno em sua formação teológica?
Creio que agora você esteja entendendo onde quero chegar. A formação de um pastor começa em seu discipulado e instrução constante da liderança de sua igreja local como também de sua própria família. Mas, por que digo isto. Ora! A formação de um pastor pesa e muito em sua vida principalmente em dias de grande provação e de decisões difíceis. Veja que Paulo relaciona a instrução de Timóteo com o a provação de seu sofrimento na cadeia.
O que mais poderia incomodar Paulo, senão o fato de que ele estava sendo impedido de pegar o evangelho a outras pessoas, como também, que Timóteo fosse tentado a não prosseguir em seu ministério. Apenas estas duas coisas neste momento o deixava angustiado e preocupado. Anteriormente, Paulo havia chamado a atenção de Timóteo quanto as atitudes e os ensinamentos dos falsos mestres e a necessidade da igreja, principalmente seus pastores terem a habilidade de discernir quem são estes falsos mestres.
Qual é o contraste disto? Qual é a postura de um verdadeiro pastor? Comecemos pela sua formação e instrução. A escola em que ele estudou faz muita diferença. Timóteo e Tito aprenderam com Paulo. Cada um de nós temos a nossa escola. Inicialmente, a minha escola foi em casa mesmo. Algumas pessoas já me disseram o quanto eu me pareço com o meu pai no modo de agir e de pastorear, de falar, de subir ao púlpito. Talvez, alguém já tenha lhe perguntado o quanto você se parece com o seu pastor? Ou, com os seus pastores?
O tom com que Paulo escreve suas palavras nos versículos 10 e 11 é exatamente com esta intenção. Observe o que ele diz: "Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra" Vamos analisar as palavras de Paulo.
Em contraste com os falsos mestres, Timóteo não era como eles. Uns moribundos, forasteiros, homens que apareciam sem qualquer referência entre os cristãos e simplesmente usavam de suas habilidades de liderança e de boa eloquência para seduzir e aliciar pessoas as suas palavras venenosas e destrutivas. Geralmente esta é a característica de um falso mestre. Não sabemos de onde vem e nem para onde ele vai. A única certeza é que eles simplesmente chegam até nós e tentam se estabelecer e legitimar suas doutrinas.
Timóteo tinha referência e boa procedência. Não foi atoa que Paulo inicialmente o havia lembrado de sua mãe e de sua avó como as principais responsáveis pela sua formação cristã. As irmãs Loide e Eunice (2Tm 1: 5). Que diferença faz na vida de um homem a influencia de uma mulher desde a sua infância. Que privilégio tem aqueles que podem contar com a boa instrução e educação de sua mãe aos pés do Senhor. Em minha infância, minha mãe teve forte influência no desejo que alimentava em meu coração de exercer o pastorado.
Ela não nos deixava entregues a atividades fúteis, mas, fazia questão de nos contar histórias e mais histórias de pastores e missionários. Parece-me que minha mãe sempre foi um pouco mais habilidosa em falar do que até mesmo o meu próprio pai que é pastor. Mas eu tenho a impressão de que ela não se importou com outra coisa na igreja a não ser apenas usar toda esta habilidade para nos instruir.
Bom, eu estou falando de mim mesmo aqui. Mas, analise a sua própria vida e as suas origens. Dirijo estas palavras neste momento a você que teve este privilégio de ser instruído desde pequeno nos caminhos do Senhor. Onde começa a sua formação seja ela acadêmica, filosófica, moral, espiritual, profissional e relacional? Começa em casa e se estende na igreja. Aos que não tiveram este privilégio, não são diferentes dos outros. Vocês têm o privilégio de serem formados e instruídos na família da aliança a começar de seus pastores, presbíteros, professores, homens e mulheres idôneas e fieis a Palavra de Deus. Vocês têm agora o privilégio de concederem aos seus filhos aquilo que agora recebem do Senhor Jesus por meio do ensino do evangelho.
E é neste ponto que Paulo agora chama a atenção de Timóteo. Tu porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. Observe o contraste estabelecido nesta expressão inicial: Tu porém. Isto tem um significado muito forte para um cristão, especialmente aqueles que exercem o presbiterato. Significa nada mais nada menos que: você deve ser diferente deles.
O cristão não pode se assemelhar ao padrão do mundo. Sua vida está em oposição as coisas do mundo. Os ímpios são como são e viverão do jeito que são. Já vimos inclusive a lista de como eles vivem e o que realmente amam (2Tm 3: 2-4). Mas, o cristão vive totalmente contrário aos ímpios. Você deve analisar a sua vida e averiguar se realmente tens vivido diferente dos ímpios. Mais ainda os pastores de nossos dias. Quantos não são vencidos pela tentação de se render aos modismos de nossos tempos. Se fazem isso, ou se ao menos consentem tais práticas e estilo de vida contrário as Escrituras são como ímpios. Se confundem com estes perversos e correm o risco de se tornarem um deles.
Agora observe que Paulo pontua em quais aspectos Timóteo era diferente dos seus oponentes. Em primeiro lugar no ensino. Tens seguido de perto o meu ensino. A palavra "seguir" não se aplica a ideia de apenas se submeter aos ensinamentos de um mestre. A ideia originalmente é de alguém que sempre aferiu e testou aquilo que tem aprendido e ouvido de seu mestre. É como se Paulo dissesse: "Timóteo, você sabe o que eu tenho ensinado e você tem testado os meus ensinamentos para saber se são verdadeiros ou falso."
Paulo chama de certo modo desafia Timóteo a constatar se suas palavras são falsas ou verdadeiras. O que Timóteo sempre ouviu de Paulo era falso ou verdadeiro? O que podemos aqui aprender é que tudo o que nos é entregue seja do púlpito, da sala de aula, das conversas informais e formais devem ser testadas e provadas a luz das escrituras. A verdade sempre prevalece. É apenas com isto que podemos contar. E contamos com isto a partir do que é ensinado em nossas igrejas locais. Devemos averiguar se o que nos é passado é correto.
Timóteo viveu tanto tempo com Paulo. Desde o inicio de seu ministério. Timóteo era de Listra e conhecia Paulo de lá. Não seria possível que Paulo estivesse contradizendo em algum ensinamento? Ou, será que sempre ensinou as mesmas verdades. Que nunca as substituiu por qualquer outra teologia, teoria espiritualista, método de crescimento de igreja ou práticas litúrgicas estranhas ao princípio regulador do culto?
E mais, veja que não é apenas o que Paulo ensinou a Timóteo, o verdadeiro ensino é acompanhado de exemplos. Tens seguido o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. A experiência de vida de Paulo era uma prova clara de que seus ensinos eram coerentes com o que vivia.
É como se Paulo estivesse olhando retrospectivamente para o seu ministério. Veja bem, ele sabia que a morte era uma realidade muito próxima. Ao mesmo tempo que instrui Timóteo, parece que ele mesmo sente a necessidade de ser lembrado em sua consciência até onde ele pode aguentar e suportar todo o sofrimento por causa do evangelho. Aliás, não é este o contexto deste capitulo de 2Timóteo? A presente exortação é exatamente está: Suporte as provações e os sofrimentos por causa do evangelho.
Quando Paulo usou as palavras propósito, fé longanimidade, amor e perseverança estava se referindo a sua firmeza em nunca mudar de direção em relação ao evangelho. Inclusive são estas as evidências, as virtudes que evidenciam o fruto do Espirito. Suas decisões, resoluções ministeriais e pessoais não oscilavam. Paulo não era levado por ventos de doutrinas. Suas convicções eram equilibradas e pautadas no evangelho. Veja como as palavras propósito e fé estão relacionadas entre si. As suas decisões eram muito bem definidas em sua convicção no evangelho de Cristo.
Como as pessoas oscilam. Muitos membros de igreja mudam suas convicções teológicas e bíblicas como uma criança que troca um brinquedo pelo outro apenas por uma questão de gosto pessoal. Muitos pastores trocam o ensino do genuíno evangelho por qualquer outra doutrina que seja mais funcional e lhes de mais resultado em sua carreira ministerial. Negociam princípios para obterem prestigio e elogios de seus seguidores. Quem assim procede não há outra coisa a constatar senão que no mínimo estas pessoas possuem um grave problema de caráter.
Agora observe ainda as outras virtudes mencionadas por Paulo. Firmeza em suas convicções no evangelho o levam a demonstrar uma pessoa paciente em seu juízo. A longanimidade é a virtude que expressa a lentidão de uma pessoa em fazer qualquer juízo vingativo contra alguém. Aquele que espera em seus pensamentos e julgamentos apenas pela verdade. A sua sobriedade espiritual é alimentada pelas duas virtudes anteriores: a firmeza e a fé.
Que podemos dizer do amor? Desejar o bem. Fazer o bem. Promover a benevolência em vez da contenda. Proceder com a misericórdia de Deus sobre aqueles que rejeitam a Cristo para que ao menos eles tenham uma singela percepção do que é viver sob o jugo da verdade.
Não te parece estranho Paulo dizer que sempre procedia assim em relação aos seus adversários. Quantos deles não difamavam e caluniavam contra Paulo? Quantos deles não abandonaram Paulo? Quantos não o traíram e o delataram para as autoridades romanas e do sinédrio? Como proceder contra eles através da longanimidade e do amor? Simples a resposta. Porque é assim que eles são ao menos constrangidos, incomodados, afligidos, indignados com o evangelho.
O que mais os nossos oponentes fazem é nos provocar a ira, a discórdia, nos induzem a insensatez, a irracionalidade, a mentira, a promover a violência, o ódio. Eles são espertos e perspicazes. Paulo simplesmente mostra que aqueles que procedem como Cristo são perseverantes e não oscilam, não fraquejam e não se entregam a qualquer heresia propagada ao sabor dos ventos que sopram seja deque lado for.
Por último, Paulo menciona a perseguição e o sofrimento em seu ministério. Creio que quanto a isto é mais do que claro o lugar do sofrimento neste contexto. Este é o propósito do capitulo 3 de segunda Timóteo. Alertar-nos quanto ao sofrimento por causa de Cristo.
Mas, observe o que Paulo menciona sobre isto. Primeiro ele lembra Timóteo das perseguições sofridas em Icônio, Listra e Antioquia. O que estes lugares têm de tão especial assim para Paulo? Lembre-se de onde era Timóteo. De Listra. Estes são lugares muito familiarizados com o passado de Timóteo. A sua residência de origem. Uma forma de trazer a mente de Timóteo o que ele testemunhou e até mesmo vivenciou em relação a perseguição contra os cristãos.
Em segundo lugar, atente-se para a sua reflexão pessoal. É como se Paulo estivesse pensando alto. É como se seus pensamentos fossem projetados pra que todos possam sentir e ver o quanto ele tem sofrido e se desgastado fisicamente e mentalmente pelo evangelho. Mas a sua declaração final é conclusiva: De todas, entretanto, me livrou o Senhor.
Como alguém preso, sabendo que iria ser executado a pena de morte poderia dizer que de todas as perseguições o Senhor o livrou? Não se trata de ser libertado de uma cadeia com foi em Tessalónica junto com Silas. Mas, se trata do cuidado providencial e gracioso de Cristo como o seu conforto espiritual. Mesmo que Deus não nos livre de uma execução a morte teria o Senhor nos abandonado? É claro que não!
Aquelas crianças, jovens e adultos que são fuzilados nos países islâmicos foram por acaso abandonados por Deus? Não! Definitivamente Não! Cristo sempre esteve com eles como o consolo para suas almas mesmo diante da morte. Assim como foi com Daniel, Sadraque Mesaque Abdenego, assim como foi com Estevão no momento de sua execução por apedrejamento, também é assim com todos os servos de Deus.
Se você não sabe, a igreja de Cristo sempre foi perseguida de forma agressiva na história. Ela nunca deixou de ser violentada por causa do evangelho. Por ano morrem em média 115 mil cristãos por causa de sua fé em Cristo. Estes são dados divulgados pelo jornal Estadão e pela organização internacional Portas Abertas. Você tem noção do que vem a ser isto? A morte de pelo menos cem mil pessoas por ano por causa do evangelho?
Agora nos vem a exortação de Paulo: 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
Espante-se! Mas o que Paulo nos diz aqui é profundamente estarrecedor. Todos quanto querem viver o cristianismo autentico serão perseguidos. A perseguição é inevitável. Seja em qual nível for. A perseguição é a credencial do verdadeiro cristão. Não deveríamos nos espantar com esta afirmação de Paulo.
Se não vemos a perseguição com bons olhos então estamos com sérios problemas em relação a nossa fé cristã. É possível que você esteja em sua consciência negociando, fraquejando, barganhando a suas convicções para não ser perseguido. Até onde você está disposto a chegar com essa conversa de ser cristão? Até onde você suportaria as consequências de se declarar seguidor de Jesus Cristo? Se a perseguição em nosso país fosse um pouco mais intensa e dura desconfio que muitas igrejas estariam vazias.
Mas, o que isto tem a ver com diligencia no ministério? Qual a relação entre a formação de um pastor e o sofrimento na vida cristã? A resposta é simples. Sito é um teste. Uma prova. Somos testados por Deus a todo momento. Aquilo que aprendemos é o que usamos em situações como esta de Paulo. Veremos quem realmente foi instruído no evangelho quando for colocado a prova. E a prova é o sofrimento, a perseguição.
Os falsos mestres não suportam o teste e por isso são arrancados para fora do rebanho do Senhor. Entenda que o sofrimento e a perseguição sobre a Igreja de Cristo não são para a sua destruição, mas, para a sua purificação. Como disse Paulo: Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
A perseguição sana toda dúvida em relação aqueles que realmente amam Jesus Cristo. Os que estão na igreja por interesse serão expelidos porque não suportam a ideia de perderem suas vidas. Eles amam a si mesmos mais do que o próprio Senhor Jesus Cristo. A prova que podemos dar de devotarmos toda a nossa fé em Cristo é renunciando a nós mesmos e até mesmo ao nosso próprio corpo para que Cristo seja glorificado.
Eis o teste do que temos aprendido. Quantos pastores passariam no teste de sua fé em Cristo? Quantos presbíteros e diáconos seriam aprovados por sua perseverança e fé em Cristo Jesus? E você? Passaria no teste? Qual tem ido a sua postura diante do evangelho em relação à estão questão? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto matinal de domingo em outubro de 2014
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