Já verificamos nos sermões anteriores alguns aspectos que envolvem o assunto tratado no capitulo 5. Creio que você deve se lembrar o tema deste capitulo: Quais são os benefícios da justificação pela fé. Lembrando também que toda a epístola de Romanos é a exposição de todo o conteúdo do evangelho de Cristo e que o seu tema central é: a manifestação da justiça de Deus por meio de Cristo para sua glória. Já vimos que a justiça de Deus atinge os ímpios de forma devastadora quando a sua ira e o seu juízo caem sobre eles e que ninguém está isento disto. Mas, especialmente nos eleitos, Deus manifesta a sua justiça graciosamente os salvando de sua condenação lhes dando a fé por meio de Cristo Jesus para que, agora, passem a viver de conformidade com a Sua justa vontade. E ASSIM DEUS FAZ JUSTIÇA.
Quanto aos benefícios da justificação pela fé, já sabemos o que é a paz com Deus por meio de Cristo Jesus. Paz significa reconciliação. Reconciliação com o Pai por meio de Cristo Jesus, o nosso mediador, o nosso intercessor. É Cristo que tem a autoridade, a habilidade e a competência de nos conduzir até o Pai, é Cristo quem nos assegura por meio de sua morte e ressurreição a reconciliação e a certeza de que estamos livres do pecado e perdoados por Deus.
Mas, me chama muito a atenção a parte final do versículo 2 quando ele diz: "e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." De certa forma, este trecho do versículo 2 cativou a minha atenção especial em todo este contexto. Primeiro veja que Paulo nos mostra ser todo o crente que foi justificado pela mediação de Cristo não ter outra reação diante de qualquer circunstância o regozijo, o imenso prazer de expressar toda a sua confiança e o descanso de sua alma no Senhor.
Aqui existe uma grande diferença entre o que é sagrado e o que é profano em nossa vida cristã. Só podemos nos gloriar na glória de Deus em nada mais do que isto. Você já reparou como é a vida de um crente e de um ímpio em relação a isto? O ímpio se gloria em suas obras, em suas habilidades, em uma falsa segurança seja, em pessoas, objetos, posses e as circunstancias. O ímpio se deleita em sua própria arrogância. Chega a satisfazer apenas quando derrama sangue de inocentes, age com violência, não tem limites em suas depravações e imoralidade.
Sabe como ele faz isto, nega o seu Criador conscientemente, o despreza por meio de sua incredulidade e idolatria, e mais ainda ostenta aos olhos de Deus todo seu atrevimento e ousadia com seus escárnios e com as suas ofensas mais agressivas. O ímpio não tem receio ou medo de Deus e de sua ira, pelo contrário, ele profana de todas as formas possíveis e criativas aquilo que é santificado ao Senhor. Quanto mais ele profana o nome do Senhor mais ele o odeia.
Mas, o crente entende algumas coisas básicas. 1) O Crente regozija-se com o ideal da bondade manifesta em sua vida: a providência de Deus. 2) ele se regozija com a graça e o amor de Deus incondicional aos eleitos. 3) ele reconhece que neste mundo são inevitáveis as tribulações e quanto maiores forem elas, mais seremos aperfeiçoados a semelhança de Cristo. 4) ele pressente os perigos e as fraquezas de sua pecaminosidade e luta contra elas confiante e seguro em Cristo.
Você consegue entender que, naquilo que o ímpio se esbalda de alegria, o crente sente profundo pesar e nojo e Aquele que o ímpio considera insuportável é o que satisfaz o coração do crente? E é a partir desta colocação de Paulo no versículo 2 que seguimos para os versículos 3 e 4 que nos diz assim: "3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e 1a experiência, esperança (Rm 5: 3-4)." Em suma, o que também nos diferencia dos ímpios são as circunstancias em que nos encontramos em relação a Deus e o mundo.
O que vamos analisar nestes versículos hoje é Em que momentos realmente podemos experimentar a paz com Deus. Quais circunstancias na nossa vida constatam se realmente desfrutamos da verdadeira paz com Deus? De que modo Deus confirma que realmente somos reconciliados com Ele?
Veja, então, como Paulo continua o seu raciocínio a partir do versículo 3: E não somente isto. Ou seja, a obra salvívica, especialmente a nossa santificação pela qual nos asseguramos de que fomos alcançados pela graça de Deus, não estaria completa se não passássemos pelas mesmas provações e tentações que Cristo também passou. A expressão "e não somente isto" nos revela um Paulo realista e avisado ao seu tempo. Alguém muito sábio e cheio do Espirito Santo.
Para que você possa entender melhor a intenção de Paulo entre os versículos 2 e 3, ele em primeiro lugar nos revela que a nossa alegria está na esperança do porvir. Os que são crentes seguramente olham para o céu. Não criam expectativas nas coisas deste mundo, mas, se deslumbra com o seu futuro glorioso.
Contudo, ele não fecha os seus olhos para os dias em que vive. O crente sabe que não pode escapar dos males do presente. Não tem como evitar ou fugir do sofrimento. Todos os dias, mais ou menos vezes lidamos com as tribulações. Um dia mais terríveis do que outros, as vezes dias que são mais insuportáveis do que outros passados.
Tragédias que nos surpreendem e que nos deixam sem direção e desnorteados, mas também, angustias e desgostos que nos consomem pouco a pouco que são prolongadas até mesmo por anos e lentamente vai consumindo o nosso vigor físico, mental e psicológico. Se tem algo que neste primeiro momento precisamos saber é que o sofrimento na vida do crente não é apenas algo inevitável, mas é uma normativa acrescida nas bênçãos que desfrutamos na salvação.
Jesus mesmo disse isto aos seus discípulos de forma imperativa: "e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á (Mt. 10: 38-39)." Não foi ele mesmo que também declarou ser uma bem aventurança ser perseguido por causa da justiça? O sofrimento é uma normativa como uma benção na vida do cristão.
Imagine você perder seu filho, ou marido, ou esposa de forma trágica, e não bastasse a consternação ainda ser proibido de lamentar a morte deles? Olha o que Deus disse ao profeta Ezequiel:
"16 Filho do homem, eis que, às súbitas, tirarei a delícia dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. 17 Geme em silêncio, não faças lamentação pelos mortos, prende o teu turbante, mete as tuas sandálias nos pés, não cubras os bigodes e não comas o pão que te mandam. 18 Falei ao povo pela manhã, e, à tarde, morreu minha mulher; na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado (Ez. 24: 16-18)".
Esta é uma lição importante para que o crente não se vitime diante das provações. Nãos se considere um coitado que não tem culpa de nada e que não merece sofrer. Se existe alguma tribulação na sua vida que expresse a mais intensa dor e sofrimento que você possa sentir isso não é nada perto do modo como Deus justamente fere seus inimigos. A dor mais forte todas as dores na vida do crente, na verdade revela a intensidade da bondade e da benignidade de Deus em sua vida.
Mais ainda, a tribulação é o bendito remédio contra o orgulho ferido e a infantilidade. Somos conduzidos a maturidade cristã quando sofremos. Deus nos faz cair em terra. Nos tira aquilo que mais nos dá conforto para buscar refugio no Senhor. Ao contrário do ímpio que se afoga em seu próprio orgulho, o crente quando sofre, é quebrantado e Deus baixa sua servis para que ele se gloria na gloria de Deus.
Você não apenas vai sofrer como se faz necessário o sofrimento em sua vida. E veja o porquê. 1) Deus é bom e justo, 2) Não sofrimento em nossa vida que diminua um pecado ou transgressão da lei de Deus contra nós 3) o nosso sofrimento nos leva a entender nas escrituras que o sofrimento, a humilhação de Cristo e a sua morte de Cruz tanto é suficiente como eficaz para a nossa reconciliação com Deus.
Veja que isto também tem a ver com o seu caráter e a do ímpio. Os filhos de Deus são moldados conforme o caráter de Cristo e nada melhor do que as diversidades e as provações para isto. É a grande oportunidade de sermos mais parecidos com Cristo. Diferente do ímpio se não passamos por tribulações não progredimos na fé cristã. Ficamos estagnados e isto é um problema. Como é possível experimentar a paz com Cristo se não suportamos os ataques do mundo contra nós? Como fazer progresso na fé cristã se não passamos por testes e provações?
Por isso, observe como as tribulações na vida do crente nos levam a desfrutar da paz com Deus. Em primeiro lugar ele diz que devemos nos gloriar também nas tribulações. Em outras palavras, devemos nos alegrar quando passarmos pelo sofrimento. Jesus disse a mesma coisa em Mateus 5: 12: "Regozijai- vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."
Tiago também reafirma de maneira que suas palavras mesmo proferidas em outra época e local se harmoniza perfeitamente com as palavras de Paulo neste texto. Ele diz: "2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1: 2-4)."
Em primeiro lugar, temos a ordem de regozijarmos, de nos alegrarmos nas tribulações. Não soa meio que estranho esta ordem da Bíblia? Alegria e sofrimento não são duas palavras opostas em seus significados? Estas duas coisas aos nossos olhos parecem não combinarem.
Como é possível se alegrar quando se está enfermo, com um câncer terminal, com a perda de alguém que você tanto ama, com a perda do emprego, quando você é desprezado e perseguido, quando pais perdem seus filhos, quando esposas perdem seus maridos, quando maridos perdem a sua esposa, quando a sua empresa está quebrada e falida?
Veja bem, não é o sofrimento o objeto da nossa alegria. Paulo não disse que deveríamos gloriarmos por causa dos sofrimentos, ele disse gloriarmos NO SOFRIMENTO. A nossa alegria está na esperança DA GLORIA DE DEUS como diz o versículo 2. As tribulações são apenas o meio pelo qual recebemos os seguintes benefícios desta segurança em Cristo: perseverança, experiência e esperança.
O que vem a ser cada uma delas? A perseverança de forma mais direta aponta para a paciência. Mas, me deixe analisar o sentido mais amplo desta palavra. Originalmente os gregos usavam esta palavra para referir-se aos últimos sobreviventes de uma batalha ou guerra. Aqueles que não caíram e ainda permanecem em pé com suas espadas em punho, prontos para resistir o inimigo quantas vezes for necessário.
A palavra paciência na Bíblia tem este sentido meus irmãos, paciência não significa ser cordato ou alguém calmo ou sereno, mas, significa ser forte, resistir, esperar, aguardar quanto tempo for necessário a nossa vez. Após intensas batalhas, os soldados romanos que sobreviviam porque eram os mais fortes e os mais habilidosos na guerra, sabiam que deveriam ficar a postos e aguardar as próximas batalhas que se seguiriam até alcançarem o objetivo de sua conquista. Perseverança é aguardar aquilo que ainda não vemos.
A tribulação na vida do crente produz esta persistência, a espera. Ele não se vê cansado ou entregue pelas provações, mas, se vê cada vez mais atento e resistente. Ele fica mais habilidoso quanto as táticas do inimigo e a destreza de sua fé em Cristo. Você é assim? Você tem resistido? Tem aguardado o dia da consumação final de nossa conquista? Tem depositado a sua fé em Cristo? Você tem exercido a arte de esperar em Cristo? Você espera por Cristo ou a sua espera se limita apenas com o fim dos problemas e das tribulações?
Agora veja que a perseverança, ou seja, a paciência, a espera produz experiência. A ideia aqui é de alguém que é experimentado, ou provado. Uma palavra muito comum no meio jurídico romano. Nos tribunais quando alguém deveria provar a sua inocência de alguma acusação ou crime ele era experimentado por este tribunal.
Quem disse que não somos experimentados todos os dias quando somos acusados de tantas mentiras? O próprio Senhor Jesus nos disse que: "quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós (Mt 5: 11)". Não será o caso de no futuro bem próximo os nossos tribunais serem frequentados por muitos cristãos e pregadores que serão acusados de tantos absurdos porque a sociedade simplesmente normatizará comportamentos e ideias iníquas.
Por que é necessário todo este constrangimento e desgaste? Você está sendo experimentado meu caro irmão. Veja bem, você está sendo experimentado não pelos homens e seus tribunais, mas, você está sendo experimentado pelo supremo juiz de toda a terra. Somos testados em nossa fé em cristo Jesus. Quem nos julga é Deus e é Ele quem sonda o nosso coração. Ele sabe até que ponto você é capaz de resistir.
As pessoas nascem na época certa. Não sei se muitos de nós seriamos capaz de suportar as severas perseguições contra a Igreja seja nos primeiros séculos, seja no período da reforma, nos dias da cortina de ferro e porque não dizer em nossos dias em países ou lugares onde os islâmicos radicais e governos totalitários não admitem qualquer ideia sobre Deus.
Se somos crentes, Deus nos experimenta para confirmar em cada um de nós e a todos que somos aprovados por meio de Cristo. A lista de satanás contra cada um de nós no dia do Senhor é extensa e tensa. Mas, Cristo sendo o nosso propiciatório nos cobrirá com o seu sangue e nenhuma acusação poderá nos condenar diante de Deus porque fomos justificados e garantidos por Cristo.
É Por vezes que as tribulações são também chamadas de tentações. Somos testados quanto a nossa real intensão de servir a Cristo. Se você julga no direito de não sofrer lembre-se de uma coisa apenas: São nos dias mais difíceis da vida é que somos experimentados quanto a nossa fidelidade a Deus.
Eu sei que Deus muitas vezes não apenas permite, mas, envia e ordena que situações trágicas, difíceis e pavorosas nos abatem, nos deixem de cócoras, em estado de luto, curvados, afligidos, por vezes até mesmo desesperados e entregues a uma profunda depressão de nossa alma. É bem verdade que em determinadas situações as tribulações nos deixam amargurados, abatidos e feridos, mas veja o salmo 57 como a prova clara de um homem abatido, mas, experimentado e aprovado por Deus quanto a sua fé:
"Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. 2 Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. 3 Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem. Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade. 4 Acha- se a minha alma entre leões, ávidos de devorar os filhos dos homens; lanças e flechas são os seus dentes, espada afiada, a sua língua. 5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória. 6 Armaram rede aos meus passos, a minha alma está abatida; abriram cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. 7 Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. 8 Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. 9 Render- te- ei graças entre os povos; cantar- te- ei louvores entre as nações. 10 Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. 11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória."
Só nos resta um outro efeito. Paulo nos diz que a paciência e a experiência produzem a esperança. Esperança cristã não se limita a um otimismo qualquer. Se for assim nós não confiamos em Cristo e sim nas circunstâncias. Os ímpios é que são assim. Pensam em dias melhores sem o preço do devido sacrifício e renúncia. Eles não buscam paz, mas querem apenas manter a conveniência de seus pecados uns com os outros. É esse tipo de paz que eles buscam. Mas, a esperança aqui é a convicção na gloria eterna em Cristo Jesus. O que aguardamos e esperamos é a vinda de Cristo Jesus como o nosso Rei e juiz sobre toda terra para que por completo, sua justiça seja manifesta para sua gloria. Esta é a nossa esperança. Alguém que foi aprovado em um teste agora sossega a sua alma em receber a recompensa. Entende isto? Esperança significa aguardar a recompensa.
Você sabe o que é ter esperança? É um homem com um câncer maligno em seu corpo e que ao logo do tempo mesmo que orando para que Deus o cure e o livre daquela moléstia, mesmo que Deus não o cure fisicamente ele se regozija e se contenta em contar apenas com a graça de Deus em sua vida.
Mesmo que você perca tudo o que se pode desfrutar neste mundo, mas se apenas conta com a graça de Deus em sua vida você tem tudo o que precisa. A graça de Deus te basta. Mas, se você tem tudo o que o mundo pode te oferecer e não conta com a graça de Deus em sua vida, você está perdido. Eis um motivo para você se desesperar!
Como sempre tenho feito, minha pergunta final é muito simples e tenho feito ela desde o início da exposição deste capitulo. Você está em paz com Deus? Você realmente desfruta destes benefícios? Você realmente tem resistido e esperado no Senhor? Você tem sido experimentado em sua fé em Cristo? Sua confiança está na gloria eterna ou nas coisas do mundo? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto vespertino
Dia do Senhor, 07 de dezembro de 2014
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