domingo, 23 de novembro de 2014

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – PORQUE OS DIAS SÃO MAUS (2Timóteo 3: 1-5)

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Estamos diante da terceira exortação do apóstolo Paulo a Timóteo. Paulo escreveu esta carta com o intuito de estimular e encorajar o jovem pastor Timóteo a não ser persuadido por heresias disseminadas pelos gnósticos e principalmente, manter-se firme no evangelho.

    Cada capítulo desta carta nos leva a um grupo de exortações. As duas primeiras levam Timóteo a refletir sobre o problema da vergonha e timidez em relação ao evangelho como também o risco enfraquecer suas convicções nas questões essenciais da fé cristã. Ou seja, a ideia é que Timóteo não se esquecesse do evangelho, de que, não o abandonasse. A terceira exortação torna a situação mais crítica do que já estava para Timóteo. Um alerta ao que estava por vir contra ele e a Igreja de Cristo. Se a situação não estava boa, ia ficar muito pior.


    As palavras do apóstolo Paulo aumentam mais ainda carga de tensão no decorrer destas exortações. Eu considero esta terceira exortação o pico de toda a nervura das mais difíceis e tenras palavras de um mestre ao seu pupilo. A mais pesada de todas as lições que um pastor poderia deixar a sua ovelha. Em vez de um pastor, como em nossos dias dizer: "tenha fé, se você está com Cristo não vai passar por problemas", a escritura nos ordena a dizer: "Você vai sofrer!"


Portanto, o que basicamente vamos analisar neste momento em relação ao capítulo três é a necessidade de suportarmos o sofrimento pelo evangelho. Quanto mais o evangelho é disseminado pela sua pregação mais as pessoas são provocadas e instigadas a terem duas reações apenas. Ou são irresistivelmente traídas pelo seu anúncio e se curvam a Cristo, ou, elas se levantam com todo furor provocadas a mais intensa de todas as formas de violência e crueldade contra a Igreja.


    Sendo assim, começo com um alerta. Prepare-se! Se você é cristão você vai sofrer! Pra que você não confunda as coisas, sofrimento não é inevitável apenas ao cristão, mas, é uma ordenança de Deus como evidência clara do verdadeiro evangelho sendo anunciado a pecadores. Penso ser este o primeiro ponto deste capítulo. O alerta. O despertar para que possamos abrir os nossos olhos espirituais e enxergar a realidade ensinada nas escrituras sobre a vida cristã.


Então, observe comigo o versículo inicial deste capítulo pra analisarmos esta primeira questão. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).


    Em primeiro lugar, todo cristão deve sempre saber desta que considero uma inevitável realidade dos propósitos soberanos de Deus. É como Cristo nos falando. Vocês devem passar por aflições. O sofrimento não é apenas algo inevitável, mas, ela é necessário para nos deixar ágeis e precavidos.

    Em outras palavras, "fique ciente, atento, vigilante!" Este é o chamado de Paulo com o qual inicia e também define o tema da terceira exortação. A diligência deve ser para a alma o que os olhos são para o corpo. Cristãos desatentos a esta realidade são equiparados a soldados despreparados. São como cegos.

    O chamado de Paulo para nos tornarmos mais diligentes quanto a realidade do sofrimento é uma demonstração clara do quanto nós somos tão alienados e dispersos, e, por muitas vezes, a perseguição se torna a necessidade, o mal necessário para ficarmos alertas. Alertas o modo como aplicamos o evangelho em nossa vida. Alguns meses antes do comunismo ter sido instaurado no Vietnã, missionários de diversas igrejas que atuavam naquele país se encontravam em uma conferência sobre futuro da igreja quanto a realidade daquele país.   

  
    Um pequeno grupo da Aliança Cristã Missionária se manifestou dizendo que a igreja vietnamita não estava preparada para a crise política que estava por estourar e perseguir os cristãos. As tensões e os ânimos aflorados no cenário político em Hanói misturado as declarações de promessas do partido comunista em meio ao descontentamento por parte da população já eram sinais claros do que iria acontecer.

    A maioria dos que se encontravam no plenário não concordaram e simplesmente não deram importância a fala desses missionários. Alguns meses depois inesperadamente, o partido comunista inicia uma revolução no norte do Vietnã e a partir daquele momento, muitos cristãos foram pegos de surpresa em suas casas, templos, escolas, escritórios, inicialmente sendo detidos, presos, interrogados, os missionários estrangeiros sendo deportados, outros detidos, interrogados, torturados, mortos.


Tenho a forte impressão de que, em nosso país isso também possa com o tempo acontecer. O nosso contexto parece não ser diferente do que foi em outros tempos e lugares como na União soviética, China, Sudeste Asiático, Leste Europeu, Oriente Médio, Coreia do Norte, Indonésia, Peru, Colômbia e México.


    A igreja brasileira está dispersa. A causa disto tudo são os desvios doutrinários que substituem a fiel pregação do evangelho e abrem lacunas que são aos poucos preenchidas por outras ideais, práticas, ritos, costumes, hábitos, modificação na linguagem que não são cristãs.

Contudo, em segundo lugar, Paulo declara como serão os dias que se sucedem. Leia atentamente o que ainda diz o primeiro versículo: Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).

    Duas coisas precisam ser explicadas em relação a declaração de Paulo. Inicialmente, o que são os "últimos dias." Por seguinte em que sentido estes últimos dias serão difíceis. A ocorrência desta expressão nas escrituras se dá por pelo menos 20 vezes sendo 14 no Antigo Testamento e 6 no Novo Testamento. Esta expressão pode significar literalmente dias recentes ou fatos que ocorreram no dia anterior. Mas, especialmente no Novo Testamento e que é similar a expressão "ultima hora" indica o período em que vivemos na nova aliança da primeira à segunda vinda de Jesus Cristo.


    Tudo já foi consumado pela morte e ressurreição de Cristo. O reino de Deus está inaugurado. Só resta uma última coisa a ser feita. Jesus Cristo julgar todos os povos e consumar totalmente a sua vitória sobre satanás condenando e os sentenciando ao lago de fogo.


Observe o que nos diz alguns textos bíblicos.



2 Pedro 3:3-4 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.

1Timóteo 4: 1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,

1 João 2:18 Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

Entretanto, as expressões "última hora", ou, "os últimos dias" sinalizam tempos conturbados e de dias maus como afirmou o apóstolo Paulo Em Efésios 5: 16: remindo o tempo, porque os dias são maus. E aqui vem o porquê do termo tempos difíceis. Serão dias insuportáveis. Dias de muita tribulação e angústia para o povo de Deus.

    Não apenas os dias, mas, os próprios homens serão mais cruéis, pervertidos, depravados, insanos, violentos e sem qualquer resquício de misericórdia. Não haverá limites para a maldade e depravação do homem se hoje nos assustamos com o que tem acontecido, imagine para os próximos dias. Se você acha que já pode ter visto de tudo o que o homem é capaz, espere o dia de amanhã.


    É comum em nossos dias atribuir como injusto e intolerante o próprio Deus ter ordenado matar e destruir os povos que circuncidavam o povo de Israel na terra prometida. Talvez~, você questione o fato de Deus ter estabelecido pena de morte para quase todos os pecados mencionados em Êxodo e Levítico. Parece muita crueldade Deus ter inundado a terra com dilúvio e ter destruído Sodoma e Gomorra com fogo.


Se analisarmos bem, aqueles dias não eram como os nossos. A severidade com que Deus agiu naqueles tempos não se compara com os dias de hoje. Deus tem sido implacável de modo que, naquela época, o povo de Israel estava autorizado a usar da espada para preservar a igreja da antiga aliança da malignidade dos povos pagãos. A igreja hoje, não pode usar outra arma a não ser a pregação do evangelho. Observe bem a lista mencionada nos versículos seguintes:



2 Timóteo 3:2-4 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,     
    
    Veja a preocupação de Paulo. Não era o sofrimento físico, mas, a mais terrível de todas as angústias é ver o homem descontroladamente imerso à corrupção e imoralidade. É vê-lo desenfreado em sua própria maldade.Quem são esses que Paulo diz nos afligir? Não são os de fora, mas, os que estão dentro da Igreja. Eles estão no nosso meio, se passam por crentes, falam a mesma linguagem que nós, parecem exercer grande piedade cristã, mas, na verdade, o caráter deles se revela maléfico conforme descrita nos versículos 2 e 3.

    Bom, nos uma outra pergunta importante. Quer dizer que lideres e pastores que possuem estas características mencionadas por Paulo devem ser considerados falsos profetas? Exato!

    Mas, se eles se declaram cristãos e pertencem a uma denominação cristã respeitada? Como posso considerar alguém que, por exemplo sendo batista, ou, se declara um pastor presbiteriano, uma pessoa de possui prestigio, respeito, notoriedade, cargos, pode ser um falso profeta?
    Esse é o grande problema que enfrentamos hoje dentro das igrejas. A falta de entendimento e discernimento para lidar com esse tipo de gente tem nos feito ignorar os alertas que são anunciados pelo próprio evangelho. O engano se dá por duas coisas. Ignorância doutrinária ou, e, também por falta de maturidade cristã, discernimento e sabedoria.

Eu repito, mais uma vez: A igreja de hoje não está preparada para lidar com o que virá contra ela no decorrer dos anos. Até mesmo, me aproprio das palavras de Paulo no final do versículo 5 com respeito a isso: foge também desses. Em outras palavras, evitem a presença deles. Não seja atraído pela aparência externa deles, muitas vezes pelo desejo de ter mais pessoas agregadas a nossa congregação, não sendo criteriosos, acabamos por abrigar mal feitores, lobos vorazes, ladrões, em nossa casa.


    Eu preciso reiterar, não se trata da bagagem de conhecimento doutrinário e de como você é habilidoso no manejo da Bíblia. Trata-se da sua maturidade, da sua percepção, discernimento em relação ao que está acontecendo a nossa volta e como determinadas ideias e doutrinas sutilmente vão criando formas através de determinadas práticas, modismos, que, inicialmente parecem inofensivos, mas, é veneno mortal.


    Se você acha que as grandes seitas surgiram fora da igreja, está redondamente enganado. Elas foram desenvolvidas por pessoas que tinha respeitabilidade e eram prestigiadas pelos seus membros. Pelo menos no mundo moderno, algumas destas seitas surgiram entre presbiterianos. Charles Finney, por exemplo, era pastor presbiteriano, mas ensinava a doutrina semi pelagiana.


    E é neste ponto que isso tem a ver conosco. De onde eles saíram? Ora! Antes de serem pastores, lideres, mestres, eles eram membros de suas respectivas igrejas. Mas, como permitiram homens como esses serem eleitos ou conduzidos a liderança? Esta é a questão. Os oficiais e os líderes da igreja são eleitos e confirmados pela própria igreja. Se em nossos dias estamos elegendo e aprovando falsos pastores e mestres, lembre-se, eles saíram do seio da igreja, do nosso meio. Nós os aprovamos e os confirmamos. Entregamos a eles o poder de exercerem autoridade sobre nós por meio dos seus ensinamentos.


    O que está em jogo em toda esta situação? É a pregação fiel do evangelho. Por isso que inicialmente, Paulo em sua segunda exortação declarou que Timóteo para não se esquecer do evangelho, se apropriasse dele por meio do ensino. Não existe outro meio de sermos precavidos e preservados desses homens, se não houver o ensino puro e sistemático do evangelho.


    Mas, isto nos leva a outro grande problema. Temo que os membros de nossas igrejas, muitos deles, não estão preparados para isso. Não são maduros os suficientes. Outros, não receberam o ensinamento correto e coerente do evangelho. São neófitos! O que pode me dar mais desgosto e forte agitação, perturbação e terror a minha alma é o modo como muitos cristãos, especialmente os jovens e adolescentes de hoje que estão na igreja desperdiçam suas vidas e o seu futuro em coisas viciosas, perniciosas, supérfluas, imorais e destrutivas a sua saúde espiritual e a dos outros também.


    Na metade do século XX, especificamente, na década de cinquenta e sessenta, as igrejas americanas enviaram milhares de missionários ao redor do mundo especialmente nas regiões mais perigosas e de grandes conflitos políticos e armados. Surgiram várias organizações missionárias que atuavam em áreas específicas. Eram chamados de especialistas porque eram médicos, enfermeiros, pilotos de aviões, mecânicos, construtores de casas, engenheiros, administradores, tradutores e linguistas.

    A média de jovens que sendo criados na igreja se desviavam dos caminhos de Cristo aumentava assustadoramente, mas, ao mesmo tempo muitos deles que retornavam de sua insanidade espiritual engajavam-se em missões de risco em suas profissões. Muitos deles morreram ou desapareceram no sudeste da Ásia e África.


    Meus pais são missionários. Minha vinda a Porto Velho providencialmente foi pela instrumentalidade do trabalho deles com povos indígenas. Durante sete anos trabalharam entre os Masthanawas na divisa com o Brasil e o Peru. Posteriormente foram para o Timor Leste.

Meu pai foi como construtor de casas para refugiados enquanto minha mãe e minha irmã entraram como agentes de saúde. Minha irmã Camila que está se graduando em enfermagem foi indaga quanto a sua perspectiva profissional. Ela respondeu: "Gostaria de trabalhar como enfermeira no Timor Leste."

    A missionária Elizabete Vencio, ainda jovem e graduada em linguística pela Universidade de Campinas pagou o preço de não se casar para evangelizar e traduzir a Bíblia para os Jarawaras, no interior do Amazonas, durante vinte e cinco anos de sua vida. Recentemente faleceu acometido de um câncer e solteira sendo assistida pelos seus amigos e irmãos em Cristo.


    A minha pergunta é a seguinte. Eles desperdiçaram o tempo e investimento de toda uma vida pelas escolhas que fizeram? Uma jovem linguista que poderia ter prestigio profissional em sua área, mas preferiu a selva amazônica entre os índios perdeu tempo? Pense nisto! Mas em relação à você? O que você tem feito da sua vida em prol do evangelho?


Você está disposto até que ponto pela propagação do evangelho? Se a sua preocupação tem sido apenas o fato de correr riscos em sua careira cristã talvez ainda você não entendeu que ser cristão implica automaticamente em correr riscos. Ser cristão significa que os dias serão de mal a pior. Seja por causa da perseguição como também o sofrimento de ter de lutar contra você mesmo por causa da sua natureza pecaminosa.


    Inevitavelmente os dias são de mal a pior. A única coisa que você precisa se perguntar é como você vai encarar isto. Como você vai seguir? Vai desperdiçar sua vida com futilidades, ou, vai seguir a carreira cristã que Deus lhe determinou? Qual será a sua postura diante do evangelho de Cristo? Amém!



Pr. Rogério Bernini Junior


(sermão pregado em setembro de 2014 no culto matinal de domingo)


 


 


 

sábado, 11 de outubro de 2014

HISTÓRICO DO REVERENDO OZEAS MACIEL PEREIRA – ALUSIVO A SUA JUBILAÇÃO COMO PASTOR PRESBITERIANO


 
A pedido do Rev. Ewerton, fui designado a escrever um breve histórico do ministério do Rev. Ozeas que atualmente faz parte da nossa equipe pastoral desde 2013. Me adianto a dizer que este nobre ministro do evangelho é o mais velho de todos os pastores presbiterianos ainda em atividade em nossa região Acre - Rondônia. 

Por uma questão obvia de idade e experiência, não seria o mais cotado para a nobre tarefa, mas ainda assim, me disponho a relatar a vida e o ministério do nobre irmão e colega de ministério. Faço no temor do Senhor e a Deus toda honra e glória pela vida deste servo Dele. Segue abaixo com as devidas palavras a sua biografia.   

"Reverendo Ozeas Maciel Pereira, filho de Teodoro Gaspar Pereira e de Dna Inês Maciel Pereira, nasceu aos dez dias de outubro de 1944 no município de Morros – MA. Com um ano de idade foi batizado pelo Reverendo Benedito Aguiar na mesma cidade. Fez sua publica profissão de fé na cidade de Cordata-MA em novembro de 1964 quando tinha 21 anos de idade sendo que, quatro anos mais tarde, no dia 31 de dezembro, já como membro comungante na Igreja Presbiteriana de Parnaíba é reconhecido pelo conselho daquela igreja como aspirante ao sagrado ministério.

    Em 1968 o jovem aspirante conhece a sua futura esposa, a Dna Maria do Socorro Costa Pereira, casando-se em 26 de junho de 1970 na cidade de Parnaíba. Após ser reconhecido como candidato ao sagrado ministério, em 18 de janeiro de 1970, o presbitério do Piauí o envia para estudar no Seminário Presbiteriano do Norte na cidade de Recife-PE. Na 6ª Reunião Ordinária do Presbitério do Piauí na cidade de Terezina, Pr. Ozeas foi examinado e ordenado ao sagrado ministério em 02 de novembro de 1975.

No período em que o casal residiu na cidade de Recife, Deus lhes concedeu dois filhos. Ozeas Junior que nasceu no dia 20 de maio de 1971 e Roberto nascido em 27 de setembro de 1972. Após sua ordenação em 02 de fevereiro de 1975, O Rev. Ozeas foi cedido à Junta de Missões da IPB por um período inicial de dois anos. A família então muda-se para a cidade de Rio Branco – capital do Estado do Acre iniciando o trabalho presbiteriano na Avenida Ceará onde posteriormente foi organizada a Primeira Igreja Presbiteriana de Rio Branco que mais tarde se desmembrou e deu origem as duas igrejas locais – A Igreja Presbiteriana do Aviário e a Igreja Presbiteriana da Floresta. Atualmente, nas instalações da Av. Ceara funcionam apenas o Colégio Presbiteriano Joao Calvino. Ali eles permaneceram por um período de apenas um ano sendo designados em março de 1976 a assumirem o campo de Porto Velho.

Já em 1978, O Rev. Ozeas mudou-se com a família para a cidade de Pimenta Bueno, sendo designado pela JMN a assistir os trabalhos e as congregações do cone sul de nosso estado especialmente nas cidades de Cacoal, Espigão do Oeste e Rolim de Moura. Por diversas vezes foi requisitado a dar atos pastorais em outras cidades de nosso estado até porque a região carecia de pastores e missionários. Havia muitas congregações espalhadas nas linhas e nas áreas rurais que demandava um grande esforço para que todos os campos e trabalhos em nosso estado fossem assistidos pelos pastores que aqui se encontravam.

Em 1979, o Pr Ozeas foi eleito vice-presidente do Presbitério do Piauí sendo este o último período em que atuou sob a jurisdição eclesiástica daquele presbitério. Ainda, no mesmo ano, no dia 15 de setembro na cidade de Porto Velho, participou da organização do Presbitério de Porto Velho sendo eleito como o primeiro secretário executivo deste concílio. Quando este presbitério pertencia ao Sínodo Setentrional, em sua reunião ordinária entre os dias 15 a 19 de julho de 1981, o Rev. Ozeas participou como representante deste presbitério sendo eleito por aquele sínodo vice presidente. Em 22 de julho de 1983, na ocasião da trigésima quinta reunião do Sínodo Setentrional na Primeira Igreja Presbiteriana de Manaus, Rev. Ozeas foi eleito presidente para o mandato bienal entre 1983 e 1984.

    Na quarta Reunião Ordinária do PPVH realizada no dia 15 de dezembro de 1984, o Rev. Ozeas foi designado por este presbitério como pastor titular da então Igreja Presbiteriana de Porto Velho sendo posteriormente eleito para o biênio de 1990 – 1991. Em 1994, O Rev. Ozeas foi designado pela Junta de Missões a assistir a Congregação de Candeias do Jamari denominado pela JMN de Campos do Jamari. No ano de 1995 até 1996 foi representante do Presbitério de Porto Velho junto ao Conselho Deliberativo do Instituto Bíblico de Rondônia (IBRO). E 1996 foi designado pastor evangelista na Congregação do Bairro JK em Porto Velho, período em que também, já licenciado em letras pela Universidade de Federal de Rondônia iniciou a sua atuação como educador no quadro de professores do Estado de Rondônia e posteriormente foi nomeado diretor da Escola Paulo Nunes Leal na cidade de Porto Velho. Permaneceu neste campo até o ano de 2001.

    Já em 2002 o PPVH o designou para assumir a Igreja Presbiteriana de Guajará-Mirim até o ano de 2006. Posteriormente para o ano de 2007 retornou aos campos de Candeias do Jamari e da congregação do JK em Porto Velho onde permaneceu como relator até o ano de 2012. Em 2013 o Rev. Ozeas foi convidado pelo conselho da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho a integrar a equipe pastoral auxiliando o Rev. Ewerton na assistência ao campo especialmente nas escalas de pregações e os atos pastorais nas congregações de Jaci-Paraná e União Bandeirante. É importante destacar que O Pr. Ozeas atuou junto ao nosso presbitério assistindo às nossas Federações de SAFs e UPHs de 1999 até 2012 como secretário presbiterial.

    O Rev. Ozeas como membro deste presbitério e do nosso Sínodo Noroeste do Brasil que ainda em tempo de seu vigor físico, mesmo com a idade de 71 anos, atua como o mais velho de todos os ministros de nossa região. Mesmo diante de adversidades e situações difíceis que possa ter enfrentado em seu ministério pastoral como as perdas que possam ter lhe causado tristeza, ainda assim, o Senhor Deus lhe preservou. Não apenas ele, mas a sua estimada esposa, querida irmã Socorro como também o seu precioso filho Ozeas Junior. O Rev. Ozeas é o exemplo claro de como Deus em qualquer tempo e situação guarda a vida daqueles que são verdadeiramente chamados ao ofício da pregação da Palavra.

     Em uma região que ainda carece de homens idôneos e fieis a Cristo na exposição da Palavra de Deus e no governo da Igreja de Cristo, o Rev. Ozeas é considerado um dos pioneiros na implantação da Igreja Presbiteriana do Brasil na Amazônia Ocidental. Que Deus ainda lhe conceda vigor necessário para prosseguir em sua caminhada cristã e no exercício de seu ofício dado por Cristo.

Em dezembro de 2004 na ocasião do meu exame para candidato ao sagrado ministério em que o Rev. Ozeas foi o relator daquela comissão especial,  após diversas perguntas quanto ao meu chamado, lembro-me de sua exortação muito clara e curta em 1º Corintios 4: 1-2 e, que agora com carinho e o devido respeito que um jovem pastor deve ter reitero ao nobre ministro do Senhor as mesmas palavras:"

    A igreja não deve lhe reconhecer por outra coisa senão que você apenas pregue a Palavra e seja fiel ao chamado de Cristo. Se você tem certeza de seu chamado, você não deve se preocupar com outra coisa na vida a não ser fazer o que Cristo lhe manda. Apenas fazer o que Cristo lhe manda e nada mais.

A Deus toda gloria e toda honra



 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - SERMÃO INTRODUTÓRIO DE 2a TIMÓTEO

Por esta razão, pois, te admoesto... 2a Timóteo 1: 6a

Este é apenas um sermão introdutório e teremos muito tempo para analisar passo a passo, sem pressa esta que é considerada uma das cartas pastorais do apóstolo Paulo. Por isso, necessariamente, não entrarei de imediato na análise de algum texto ou versículo. Vamos primeiro entender todo o enredo que nos leva ao conteúdo da segunda epístola de Paulo a Timóteo. 

Penso ser oportuno, sem a intenção de forçar o versículo mencionado acima, mas, destacá-lo já que Paulo inicia de forma mais explícita a sua pastoral ao seu destinatário logo de imediato e sem qualquer rodeio. Ele mesmo em suas palavras disse: por esta razão e te admoesto. E é por esta razão que também somos neste momento admoestado por Cristo quanto ao que ele nos propõe mediante este livro do Novo Testamento. 

Portanto, não espere muita análise teológica mais aprofundada. Contudo, também não estou dizendo que este livro não tenha doutrinas a serem ensinadas. É claro que tem e as veremos nos momentos oportunos Mas, tenha em mente que aqui, Paulo tende a ser mais prático em suas palavras. Ou seja, não quer dizer que ele foi superficial, pelo contrário, foi muito didático e relevante em suas palavras, mas, agora age como um pastor que deve cuidar de outro pastor que se encontra em grande perigo. Na verdade, vamos analisar as orientações de um conselheiro cristão. 

Não é atoa que estamos diante da carta mais comovente que o apóstolo Paulo escreveu. Se você não sabe, mas, esta provavelmente foi a última carta escrita por Paulo antes de morrer na cidade de Roma. Talvez, esta seja a epístola que nos dá uma percepção maior de quem era o apóstolo Paulo em seu momento privado. Estranho falar assim, mas, é como se descobríssemos o lado "humano" dele. Bom, é obvio que não devemos pensar desta forma em relação a Paulo, mas, quando digo, o seu lado "humano" é exatamente o seu especto emocional e íntimo.

Sendo assim, esta é uma carta muito pessoal. É uma pastoral à um jovem pastor. Digo ainda jovem pastor devido a sua relativa experiência no ministério comparado a de Paulo e até mesmo a de muitos outros presbíteros que trabalhavam junto com ele. Refiro-me aqui a Timóteo, é claro! Mas, veja bem, como havia dito, esta é uma série de exortações ao jovem Timóteo em relação a sua vida ministerial, pessoal e espiritual. Timóteo precisava urgentemente ser alertado de diversos perigos em seu ministério. Precisava ser fortalecido diante de um possível desânimo e medo. 

Uma série de fatos que se sucederam naqueles dias levaram tanto Paulo como Timóteo a serem afligidos por preocupações, tristezas e angústias em relação ao ministério de cada um e a situação em que ambos se encontravam não era a das melhores. Veja a situação de Paulo por exemplo. Encontrava-se pela segunda em uma prisão. Só que, agora estava recluso em Roma. Já era de uma certa idade avança, talvez, tivesse entre 68 a 70 anos. Não tinha contato com ninguém. Provavelmente o imperador romano teria determinado que Paulo não tivesse contato com ninguém e que ficasse totalmente isolado até mesmo dos soldados que guardavam a prisão. 

Tenho a forte impressão de que não bastasse as suas limitações físicas por causa da idade e por causa de enfermidades que o afligiam, do ambiente impróprio, sendo muito úmido, sem calor e claridade suficiente, exposto a animais peçonhentos e a imundície de suas necessidades fisiológicas, veio a agravar mais ainda a sua saúde. Não bastasse isto, também poderia sofrer algum tipo tortura seja psicológica e porque não dizer física também. Um método muito comum na tentativa de convencê-lo pelo medo e pela dor. 

Mas, e Timóteo? Era pastor, digamos que, o titular da igreja de Éfeso. Uma cidade muito importante na região da Ásia Menor (hoje é a cidade de Stambul, a capital da Turquia). É interessante notar que aquela cidade era um dos principais pontos estratégicos do império romano. Devido a sua localização, Éfeso era a porta de entrada tanto para a Europa como para a Ásia. Tinha um grande porto e um canal marítimo onde era possível a passagem de grandes navios dos dois lados. 

A cidade de Èfeso também seria de grande importância para a expansão do cristianismo. É provável que Paulo também tivesse enviado Timóteo aquela cidade com a intensão de preparar aquela igreja como uma espécie de base missionária. Tanto poderiam treinar e enviar missionários de lá para a Europa ou para a Ásia como também, dariam apoio logístico e espiritual aos missionários que por ali passassem. Realmente esta era uma excelente estratégia. Mas aquela igreja enfrentava sérios problemas de ordem doutrinária e estrutural. 

Timóteo foi enviado por Paulo como um representante apostólico. Isso nos fica claro na primeira carta destinada e ele (1Tm 1: 3). Timóteo deveria tratar de duas questões importantes naquela igreja. Primeiro, era estruturar e organizar a igreja de Éfeso. Isso envolvia a doutrinação dos seus membros, e a eleição de presbíteros e diáconos para ensinar e governar. Mas, em segundo lugar, e, creio ser o mais urgente, era confrontar um grupo de hereges gnósticos que persuadiam muitos cristãos efésios a sua falsa doutrina. Não é preciso dizer que Timóteo mexeu em casa de vespeiro.

É possível que entre a primeira e a segunda carta, Timóteo tenha desabafado à Paulo por meio de outra correspondência as consequências de suas atitudes em relação aos hereges naquela cidade. Uma outra possibilidade, mas, que prefiro não considerar, pelo menos, não totalmente, é que Timóteo havia se inclinado ao medo de enfrentá-los. Mas, mesmo que Paulo revelasse a timidez de seu pupilo, ainda sim, penso que Timóteo tenha aplicado as instruções dadas por Paulo. 

O que podemos constatar com mais propriedade, é que Timóteo sofria uma forte oposição naquela igreja. Primeiro, um grupo de presbíteros mais velhos teriam estranhado o fato de Paulo ter designado um homem com menos de 40 anos de idade assumir a presidência de uma igreja como aquela. Havia homens ais experientes do que Timóteo. Entretanto, o mais difícil para esse jovem pastor era lidar com a forte oposição dos gnósticos que não apenas poderiam estar difamando e o desfiando, mas, também convencendo outras pessoas a se levantarem contra a liderança de Paulo e Timóteo. 

Agora, pense comigo. A situação não era favorável para nenhum dos dois. Paulo preso aguardando a sua sentença de morte e Timóteo exposto aos ataques e a fragilidade espiritual de muitos membros daquela igreja. Como lidar com esse tipo de gente? Como combatê-los? O que fazer com aqueles membros que estão convencidos de suas heresias? E aqueles que estão desanimados, frios espiritualmente, o que fazer com eles também? Pior ainda, muitos que você ensina, ensina, ensina, e, também prega, prega, e, prega domingo à domingo o evangelho a elas, mas, não mudam. O que fazer com pessoas assim? 

Mas, também vamos imaginar as preocupações de Paulo nesta carta. O que está em jogo? o qe está sendo ameaçado na igreja? Abro um breve espaço para dizer algo muito importante. Estas perguntas não foram pertinentes apenas no contexto histórico desta carta, mas, elas continuam ecoando aos nossos ouvidos. Elas ainda e continuarão ecoando aos nossos ouvidos a todo momento na história da Igreja. O que está sob ameaça em nosso meio? Se você não sabe, deveria saber. 

Não se trata apenas de Timóteo sendo ameaçado em seu ministério, de Paulo preso e prestes a morrer. Não se trata apenas de pessoas que vão se desviar da igreja. Mas, a ameaça está exatamente na negligência que anos após anos e séculos após seculos a Igreja tem em relação ao evangelho. O que é ameaçado é a genuína pregação do evangelho de Cristo na Igreja. Só podemos nos preocupar com a vida das pessoas se entendermos que elas precisam é do genuíno evangelho. Os crentes tendem a ter vergonha do evangelho, a não considerarem mais os princípios do evangelho, por seguinte, acabam que não suportando os sofrimentos e as responsabilidades do evangelho e acabam que por abandonarem o seu conteúdo como o seu anúncio. 

E aqui está a questão. A preocupação de Paulo em exortar Timóteo era de que ele não tivesse outra postura diante do evangelho a não ser que tivesse coragem, não se esquecesse, suportasse os sofrimentos e pregasse com ousadia constantemente o evangelho. Uma igreja que abandona o evangelho é como um moribundo entregue a morte prestes a dar o ultimo suspiro. Que diremos mais ainda de um pastor que se sente ameaçado pela pressão do mundo a negociar com o evangelho e progressivamente vai se entregando a omissão, ao descaso, a vergonha a ponto de não mais pregar com fidelidade as Escrituras? 

Esta é a essência de 2ª Timóteo. A pergunta chave é exatamente esta: Qual a sua postura diante do evangelho? Caro pastor, qual tem sido a sua postura em seu ministério diante do evangelho? Caros presbíteros qual tem sido a nossa postura em relação ao evangelho? Veja que as exortações contidas nesta epístola são primeiramente aos lideres da Igreja de Cristo. Esta carta nos mostra exatamente dois exemplos claros de liderança. Os que são obreiros aprovados e os que não são. A grande questão é se o verdadeiro evangelho tem sido pregado e vivido na Igreja em nossos dias. 

Não há relevância alguma se uma igreja local, mesmo que tenha uma excelente equipe pastoral, bons administradores, uma boa equipe de música, dinheiro, estratégias de crescimento e alto investimento no envio de missionários por todo o mundo se ela não se atenta para o principal: Não abandonar a sã doutrina que está no evangelho de Cristo. Deus por meio desta carta nos chama a sermos diligentes, atentos, precavidos, vigilantes em relação ao que está sendo entregue aos membros de nossas igrejas. 

Eles se alimentam de que? Será que não estão envenenando o rebanho que está sob os seus cuidados? Ou, será que não lhe venderam alimento estragado e por não averiguar que comida é esta aos poucos você também está matando as ovelhas que são de seu Senhor? Quem prepara o alimento a ser entregue? É você, caro nobre pastor, o dispenseiro (1Co 4: 1), ou, será que você está terceirizando a ração destas ovelhas? Elas se alimentam de que? Do evangelho de Cristo, ou, de alimento contaminado? 

Amém!  

Resumo do sermão pregado 
em um culto matinal de domingo
em outubro de 2013