sábado, 24 de janeiro de 2015

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - A Centralidade da Escritura Primeiramente no Lar. Exposição de II Timóteo 3. 15



Rapidamente, anteriormente analisamos o restante do versículo 14 desta que consideramos ser a terceira exortação de Paulo a Timóteo. Na verdade estamos inseridos nas palavras finais (do versículo 14 ao 16) desta terceira exortação. A mensagem do apóstolo Paulo a Timóteo no capítulo 3 é: suporte o sofrimento por causa do evangelho!


    Em resumo, a igreja corre sérios perigos quando a Palavra de Deus é deixada de lado. O grande desafio dos presbíteros e pastores é defender e lutar pela Palavra. Fazendo isto, primeiro, estão se dispondo para uma longa guerra contra o mundo. Segundo, estão defendendo a Igreja de Cristo.

    Veja que o ponto áureo aqui desta terceira exortação, não está no sofrimento e perseguição seja de Timóteo como de Paulo, mas, está na Centralidade da Escritura. A relação entre a questão do sofrimento e o Evangelho é a demanda de todo um esforço e risco que devemos assumir em prol da propagação e preservação da verdade na Igreja.

    Agora veja a diferença entre os hereges e os verdadeiros pastores da Igreja de Cristo. Quando são submetidos a tribulação, ou, ao sofrimento, os hereges não aguentam e fogem. Os verdadeiros pastores não oscilam em seus pensamentos e convicções. Eles se mantem firmes e não são volúveis aos modismos e as variedades de tantas falsas doutrinas que permeia o nosso meio.

    Por seguinte, a segunda distinção clara entre os falsos e os verdadeiros obreiros está no que assimilam em relação ao anuncio do evangelho. Os verdadeiros pastores aprendem, fixam os princípios tanto na teoria como na pratica diária. Eles não negociam com princípios com Deus, mas são fiéis.

    Você percebe aqui a diferença entre os que são falsos e os verdadeiros pastores? Os verdadeiros mestres são os que realmente APRENDERAM. Eles são discípulos de Cristo. Eles conhecem a Cristo. Ouvem a voz de seu Mestre. Cristo os instrui pela Escritura. E em nome do próprio Cristo, eles instruem outros discípulos a seguirem fielmente o seu Mestre.
    Falando em seguir e aprender com o Mestre, vamos seguir a análise do versículo 15 agora. Para melhor captarmos a ideia estabelecida por Paulo, vou me adiantar em uma pergunta simples.

Qual é o futuro da Igreja em nosso país? Qual é o futuro da Igreja Presbiteriana do Brasil? Que perspectiva temos para os próximos, talvez, 20 anos da igreja evangélica em solo brasileiro? Quer saber? Faça uma análise da sua própria vida e a da sua família. Então, você saberá qual será o futuro da igreja.

E aqui aprendemos uma coisa muito simples. A Igreja é o que você e sua família também é. A Igreja sempre será o reflexo de nossa casa. Mas, onde entra a Centralidade da Escritura neste ponto? A questão é se toda a Escritura faz parte da sua casa assim como aparentemente ela é tão enfatizada e usada em nossos cultos.

Voltando a pergunta inicial, um pastor muito conhecido em nosso meio nos deu uma singela e preocupante resposta. Veja o que ele diz:

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo "evangélica" de maneira ampla – confesso que sou incapaz de prever o que vem pela frente, Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja (Nicodemus, pg. 30)

    Quando a falta de alguma referência e identidade vai se perdendo na igreja, a única certeza que temos e de que estamos diante de um futuro duvidoso e incerto. Você sabe o que isto significa? Uma igreja sem perspectiva de futuro está em sérios apuros, ameaçada e também se torna uma grande ameaça a outras igrejas.

    Este era um dos grandes perigos que o apóstolo Paulo havia detectado em relação ao desânimo de Timóteo. A Igreja de Éfeso estava ameaça e também poderia ameaçar muitas outras igrejas porque, em primeiro lugar, ela era uma referência, um modelo, um ponto de apoio para muitas outras igrejas na região da Ásia Menor.

    Mas, em segundo lugar, A igreja de Éfeso estava em crise espiritual por causa da escassez de presbíteros, já que Timóteo deveria escolher urgente outros homens que fossem fieis a Cristo e os treinasse para que pudessem ensinar regularmente a igreja (II Tm 2: 1). Os gnósticos estavam se aproveitando a oportunidade para ocuparem os espaços vazios.

    Agora veja o perigo desta situação. Éfeso, uma igreja modelo para as outras. Mas, naquela circunstância, que modelo ela poderia ser? Atente-se ao grande perigo que diversas igrejas naquela região corriam. Observe atentamente a relação disto que estou frisando com o versículo 15: e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

    No primeiro momento, versículo 14, Paulo já havia dito que a Timóteo era diferente dos falsos mestres porque havia sido instruído na verdade. A sua instrução é propositalmente mencionada como mestre, o próprio apóstolo Paulo. E a razão é muito simples. Paulo não fala de si mesmo como autor de todos os ensinamentos entregues a Timóteo, mas, fala como o instrumento da revelação de Deus ao seu povo naquele momento.

    Na verdade, Paulo destaca a própria Palavra de Deus como sendo a razão em que Timóteo fora habilitado pregador e presbítero. Mas, me chama a atenção o devido valor que Paulo agora acrescenta a instrução que Eunice e Loide (mãe e avó) haviam dado a Timóteo. Paulo aqui é de uma sabedoria e didática em nos lembrar o processo ordinário para a instrução de uma pessoa na Igreja.

    Antes que Timóteo chegasse a Paulo, passou primeiro pela instrução de sua casa. Pode não ser tão importante assim, mas, veja que a palavra usada por Paulo para referir-se a sua infância é brephos que originalmente significa embrião humano, ou, um feto em formação no útero de uma mulher gestante.


    NA verdade, Paulo estava se referindo, claro que não se pode falar com precisão, mas a idade de uma criança antes dos seus cinco anos de idade. Talvez, quando Timóteo ainda era uma criança de uns dois ou três anos. Quem sabe um bebê. De qualquer forma, Paulo lembra a importância de uma pessoa passar pela instrução de sua fé desde seu nascimento.

    Algumas informações nos são muito interessantes aqui. Primeiro, aqui se tem uma forte evidência de que Timóteo era mesmo judeu. O era por causa de sua mãe e sua avó. Seu pai era um gentio. Tendo a pensar que, talvez, o pai de Timóteo não fosse crente. De qualquer forma, Timóteo recebeu a instrução de um menino judeu. Veja que o texto nos revela qual era a fonte de sua mãe e avó: AS SAGRADAS LETRAS.


    Paulo mencionou o Antigo Testamento. É importante frisar que eles não tinham o Novo Testamento, mas, apenas o Antigo Testamento. Algumas cartas apostólicas ainda estavam sendo escritas, e, sendo assim, o único texto inspirado e sagrado a fé cristã era o Antigo Testamento.

    Mas, considero extremamente precioso o que Paulo registra em suas palavras no versículo 15. Como foi de extrema importância Timóteo ter sido educado desde pequeno através do Antigo Testamento. Como foi importante para a sua formação até alcançar a juventude ser preparado a fé cristã a partir do entendimento da lei de Deus, da história do Seu povo e das profecias sobre Jesus Cristo.

    Sabemos que Paulo claramente considera o Antigo Testamento como parte da Escritura porque ele mesmo disse: sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Atente-se as suas palavras: As sagradas letras (O Antigo Testamento) tem o poder de tornar-te habilitado à salvação em Cristo Jesus.

    Em outras palavras: Timóteo, foi de grande importância sua mãe e avó lhe ensinar todo o Antigo Testamento porque é também a Palavra de Deus que anuncia a salvação em Cristo Jesus. Veja Timóteo, os gnósticos não apreciam estes textos sagrados. Eles o rejeitam. Baseiam seus ensinamentos em mitos, fábulas, imaginações, em magias, encantamentos e toda forma supersticiosa ou mística de religiosidade.

    Seria o mesmo que dizer: Timóteo você tem base, eles não. Você tem a pedra angular. Eles contam com as suas próprias imaginações e sofismo. São hábeis, mas, não na verdade. São hábeis na mentira. Sabem mentir como ninguém. Não obstante, no versículo 16, Paulo ressalta o que acabara de dizer: Toda a Escritura é útil. Em outras palavras, Tanto o antigo como futuramente seria completado a Palavra de Deus o novo testamento.

    Você já percebeu que as seitas em geral fazem questão de selecionarem determinados trechos, livros e porções da Bíblia para criarem suas heresias? Em geral rejeitam e distorcem diversas passagens bíblicas para contraditoriamente simularem uma espécie de "coerência" e "sabedoria" humana que, na verdade eles não tem.

    Mas, o pior de tudo isto, é que muitos crentes são influenciados a fazerem o mesmo. Denominações cristãs inteiras estão em sérios apuros e a beira de sua extinção justamente porque estão rejeitam o conteúdo, a hermenêutica correta, a pregação e aplicação fiel de toda Escritura. Eles estão imitando as mesmas fabulas, mitos, imaginações, visões, sonhos, certos milagres que disfarçam as suas magias e encantamentos. As gritarias e as palavras de ordem que disfarçam seus encantamentos ocultos.

    Sobre isto deixe-me dar mais uma informação. Tem se tornado comum o crescimento de determinadas seitas "evangélicas" que misturam a religião cristã com as práticas, danças, cantos e ritos do candomblé e da Umbanda. Os católicos já não estão mais sozinhos nesta empreitada. Já faz um certo tempo em que os evangélicos agora também são sincréticos e pluralistas em sua religião.

    Mas, e a Igreja Presbiteriana em nosso país? Temo que também esteja correndo os mesmos riscos. É notório nos presbitérios, sínodos e na IPB de forma geral a dissidência de grupos já bem nomenclaturados. De ideias nitidamente bem divergentes. De práticas anti-bíblicas escancaradas ao público, mas que em nada causam algum efeito na maioria dos que são os responsáveis por estes grupos, pastores e igrejas.

    Mas, onde tudo isto começa? Simples. Começa em casa. Veja que Paulo ressalta ser Timóteo instruído desde a sua infância. Desde pequeno. Talvez, desde quando era um bebe. Entre os judeus, os pais tinham a obrigação de educarem seus filhos até os 12 anos em casa. Em seguida, quando havia a possibilidade, eram conduzidos a um mestre ou escola que lhes proporcionassem um ensino mais avançado nas Escrituras. E, foi assim que aconteceu com Timóteo.

    Vejam aqui a importância e a necessidade da Palavra de Deus ser constantemente e exaustivamente ensinada aos nossos filhos. A Centralidade da Escritura em uma igreja começa na família. Não se enganem! O mundo tem caminhado para um declínio intelectual sem medidas. A cada dia que passa, a ignorância tem tomado conta da consciência das pessoas.

    Quando falo que a irracionalidade e a ignorância têm aumentado, me refiro a desconstrução de princípios e conceitos básicos em diversas áreas. Determinadas atrocidades como o aborto sendo pouco a pouco considerado não uma questão ética mas de saúde publica.

A sexualidade precoce sendo estimulada nas crianças a partir de 6 anos sendo tratado como liberdade de expressão em vez de ser tratado como uma questão moral. A correção com o uso da vara e do chinelo é considerado uma violência contra criança em vez de ser tratado como uma questão necessária na educação familiar. A sociedade quer tirar qualquer possibilidade de limites na formação das pessoas. É isto que chamo de irracionalidade.

Por isso Paulo havia dito que a irracionalidade dos hereges o distinguia de Timóteo porque as sagradas letras lhe habilitariam ao entendimento e a vivência da salvação em Cristo. Ele era um homem sábio comparados aos outros homens de seu tempo. Como o apóstolo já havia dito desde o capitulo 2, a única coisa que nos resta e que produz o efeito necessário para uma igreja fiel a Cristo é o ensino sistemático da Palavra.

Outra questão importante a ser aqui aplicado. O ensino da Palavra de Deus no lar deve ser estendido a todas as esferas da vida humana. A Bíblia deve ser aplicada em todos os temas possíveis. Nossos filhos devem ser preparados em qualquer ciência, profissão que irão seguir, a mentalidade que desenvolverão sobre a sociedade, comportamento, ética com fundamentação bíblica.

Se temos experimentado uma intensa crise intelectual e literária que já perdura mais de 40 anos em nosso país, infelizmente os evangélicos tem contribuído para esta decadência. Se experimentamos uma decadência moral e ética nas instituições e organizações de nossa sociedade é porque a igreja brasileira também a igreja tem feito parte disto.

Caso contrário, seriamos intensamente perseguidos. Sofreríamos mais por causa da nossa convicção e amor pelo evangelho. A seleção para ser parte da igreja seria bem mais rigorosa. O problema talvez, não seja mais o que estamos ensinando as nossas crianças, mas, a minha maior preocupação é se realmente estão ensinando a Escritura a elas. Mais ainda, tenho a forte impressão de que os pais de modo geral, estão transferindo esta responsabilidade pesadamente a igreja, as escolas e ao Estado.

 Entenda uma coisa. O governo e as escolas não irão fazer por você aquilo que é de sua responsabilidade. O próprio Estado de modo geral já tem experimentado uma extensa crise na educação formal desde o ensino fundamental até as universidades. Os governos já estão pedindo socorro seja a quem for para suprir a demanda de uma educação praticamente falida. 

Ouvir esta semana de um governante em nosso Estado de Rondônia algo muito simples. O problema não é dinheiro, ou, verba. Mas, o nosso problema na educação são os nossos alunos e a sua relação com a necessidade de levarem a sério os seus estudos. As escolas são do século dezenove, os professores do século vinte e estes alunos são do século vinte e um.

Eu pergunto a você. A boa formação de nossas crianças e jovens dependem de que e de quem? Do Estado? O Estado brasileiro não tem preocupação de ensinar a Bíblia aos seus filhos. É da escola que ele estuda? Com algumas exceções, até mesmo as escolas particulares e que se dizem confessionais já estão secularizadas. A responsabilidade é da igreja? Em parte e o que cabe a ela, sim. Mas ela é a tutora primaria na educação de seus filhos?

De quem e do que depende a formação de seus filhos? A responsabilidade direta não é dos seus pastores, dos seus presbíteros, muito menos do governo e da escola que ele estuda, mas, a responsabilidade é de vocês senhores pais. Ainda espero pelo dia em que não serão mais os pastores os responsáveis pelo discipulado de nossos adolescentes e jovens que desde pequenos foram criados na igreja. Ainda tenho a esperança de que eles sejam continuamente discipulados pelos seus pais desde pequenos até o dia da sua publica profissão de fé. Você tem discipulado seus filhos?

Qual será o futuro da Igreja Presbiteriana em nosso país? Como vai ser a Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho daqui 20 anos? A resposta está exatamente na sua casa. A Escritura é o centro de nossa consciência e formação familiar? A Palavra de Deus tem sido o texto base na formação de nossa família? Eles realmente leem e aprendem a Escritura? Temos ensinado sistematicamente a eles a Palavra de Deus? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior

Sermão pregado no culto matutino do dia 18 de janeiro de 2015

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