Vamos começar com esta pergunta. POR QUE PRECISAMOS DE OFICIAIS NA IGREJA? QUAL A NECESSIDADE DE PRESBÍTEROS E DIÁCONOS? Você que talvez é membro desta igreja há algum tempo saberia responder esta pergunta? Devo levar em conta que, por você estar habituado a lidar com a figura dos pastores, presbíteros e diáconos pelo menos uma vez por semana isto já lhe daria algumas respostas.
Mas, esta pergunta não pode ser respondida com base em sua opinião ou visão particular. questões que envolvem as coisas da Igreja devem ser respondidas pelo próprio Dono da Igreja. E, se você respondê-la por opinião própria, está correndo um grande risco quanto uma visão errada e antibíblica sobre a necessidade de oficiais na Igreja.
Contudo, mesmo que você não a vocalize, sua resposta é dada todos os dias no modo como interagimos com a figura do presbítero e do diácono. No modo como cada um de nós tratamos, falamos, respondemos as suas deliberações, resoluções, ordens, instruções já é suficiente para se ter a resposta que está em seu coração. Mas, agora, atentê-se as Escrituras. Verifique Nela, a própria Escritura a resposta dada pelo próprio Deus em Sua Palavra. De ante mão, as duas cartas enviadas a Timóteo já nos dão a devida resposta sobre esta questão. Em especial, a primeira carta, Toda ela está estruturada em três temáticas: 1) A saúde espiritual da Igreja de Deus; 2) O culto solene e; 3) O governo e o pastoreio da Igreja.
Para que você confirme com clareza isto, basta verificar cada temática dos seis capítulos de 1a Timóteo. Por exemplo: 1) O Capitulo 1, Paulo fala da ameaça que a igreja de Éfeso se encontra por causa dos falsos mestres e de suas heresias. 2) No capitulo 2, Paulo chama a atenção para a ordem no culto e, em especial o lugar da mulher seja na Igreja como no culto solene,3) Capitulo 3, quais os critérios para a eleição de presbíteros e diáconos. Quem realmente está apto para exercer o governo sobre a Igreja, 4) Capitulo 4, como deve proceder o bom ministro de Cristo e os cuidados que ele eve ter no ensino da sã doutrina, 5) e os capítulos 5 e 6, como ele deve tratar e instruir seja em publico como em particular cada membro de sua igreja local.
Em todas elas é perceptível a preocupação de Paulo em tratar destes três temas na vida cristã e no ministério de Timóteo e os três giram em torno dos presbíteros e diáconos. A necessidade de se ter oficiais na Igreja não por outra coisa senão preservar a Igreja de duas coisas: 1) Dos ladrões, salteadores e os lobos vorazes; 2) preservá-la de si mesma, de seu coração que muitas vezes tende a se inclinar para os desejos de seu coração pecaminoso e rebelde.
E esta preservação se dá por meio do ensino, pregação, governo, pastoreio, disciplina, a ordem e a administradão do culto e a assistência as diversas necessidades espirituais e materiais de todos os membros da Igreja de Deus. Todos os membros da Igreja devem passar por este processo, até mesmo os seus oficiais, porque antes mesmo de serem pastores, presbíteros e diáconos, também são membros da Igreja.
Agora, observe no versículo um exatamente a sequência que Paulo estabelece do assunto tratado no capitulo dois para o capítulo três. Antes, ele havia mostrado a sua preocupação com duas coisas: a ordem do culto solene e o lugar da mulher na Igreja e no culto. Paulo deixa claro que a mulher está proibida de exercer os ofícios de presbítero e diácono.
A título de esclarecimento, em primeiro lugar, não é Paul oque determina esta proibição, mas, o próprio Deus. Em segundo lugar, tal determinação não é uma mera pretensão machista de Paulo, mas, o seu desejo é que a mulher assuma suas funções como mãe e esposa. Deus não a criou para exercer governo, mas, para completar e auxiliar seu esposo na educação e ensino de seus filhos.
Mas, veja como Paulo faz a conexão deste assunto tratado no capitulo dois com o capitulo três. Sua primeira declaração foi: Fiel é a palavra:se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja (1a Tm 3: 1).
Após uma determinação clara sobre a necessidade de homens assumirem o seu lugar no governo da Igreja, agora Paulo diz: Fiel é a Palavra! por cinco vezes usou esta expressão para mostrar que aquela não eram suas palavras ou conclusões particulares, mas, estas eram as Palavras do próprio Deus reveladas à Timóteo.
Talvez, esta fosse uma expressão poética, ou, em forma de provérbio muito comum em seus dias. Tais palavras, continham a sabedoria divina e por isso deveriam ser obedecidas. Seria como uma expressão de juramento ou confissão. Seria o mesmo que dizer: “Estas ordenanças devem ser aceitas e acatadas com toda devoção e reverência.”
Veja que a necessidade do governo por meio dos oficiais da Igreja de Deus não é mera invencionisse de homens, mas, é o próprio Deus quem estabelece esta necessidade por meio de Sua Palavra revelada e registrada nas Escrituras. O governo da Igreja e os seus ofícios não pode ser tratado como um assunto isolado de outras doutrinas bíblicas. Governo da Igreja é uma doutrina que deve ser tratada com a mesma seriedade que todas as outras doutrinas.
Portanto, é muito sério o assunto que adentraria o capítulo 3. Se a questão das mulheres não terem a prerrogativa de exercerem os ofícios na Igreja, mais sério ainda era tratar das qualificações e requisitos exigidos por Deus para ser considerado aprovado ao presbiterato e ao diaconato.
Então, aqui vai uma segunda aplicação. Nem todos os homens serão considerados aptos a exercerem governo sobre a Igreja. Não apenas pelo fato de ser homem é que todos eles estão habilitados para estes dois ofícios. Paulo, nos chama a atenção para o chamado especial de Deus à alguns destes homens piedosos.
Agora vem a segunda parte de sua declaração: “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.” Cuidado ao interpretar as palavras de Paulo aqui. Ele não está dizendo que qualquer um que desejar ser um oficial na Igreja será considerado apto automaticamente. Mas, preste bem atenção em alguns de suas palavras aqui.
Veja que, se alguém aspira ao episcopado, ou seja, dentre todos os homens piedosos da Igreja, se encontram aqueles que são conduzidos em suas intenções e pretensões ao governo da Igreja, em primeiro lugar, eles anseiam por uma excelente obra.
Em outras palavras, não é errado um homem crente desejar o presbiterato ou o diaconato. Aqueles que se sentem vocacionados ou chamados para exercer um destes ofícios devem entender que esta é a mais honrosa de todas as profissões. É o mais sublime de todos os trabalhos no mundo. Sem depreciar ou desmerecer as outras profissões, mas esta deveria ser a mais desejada pelos homens da Terra.
Bom seria se todos os homens piedosos desejassem sinceramente estes ofícios. Mas, me parece que estes são os que menos os homens procuram. Na verdade há uma serie de questões pessoais em jogo. Para alguns, não existe tanta nobreza assim em ser um presbítero ou um diácono, que dirá ser um pastor!
Portanto, não consideraria um erro se todos os homens da Igreja se prontificassem a participar das eleições como aspirantes à candidatos seja para o sagrado ministério, para o presbiterato, ou, para o diaconato. Se fizéssemos isto, estaríamos expressando o devido valor que estes ofícios ocupam em nosso serviço a Deus.
Talvez isso revele o quanto você compreende a necessidade deles. Talvez isso revele o quanto você se importa com os seus presbíteros e diáconos. Quem sabe isso revele o quanto você os reconhece como seus pastores. Provavelmente, você esteja demonstrando o quanto você se preocupa com a vida espiritual de sua igreja local. Provavelmente, isso revele o quanto você se preocupa com a sua vida espiritual.
Mas, realmente nem todos os homens são considerados habilitados para exercerem estes oficios. E, por isso, Paulo estabeleceu o primeiro critério, ou, o primeiro teste a sermos submetidos aqui. Não se trata apenas de uma função honrosa. Mas, agora vem o porque Paulo usou a expressão “excelente obra almeja”.
Foque sua atenção na palavra “obra” (em grego significa: ergon, ou trabalho duro, trabalho que exige muita resistência). Paulo não nos revela apenas o aspecto positivo dos oficios de presbítero e diácono. Mas, especialmente aqueles que são chamados ao presbiterato e a pregação da Palavra terão de sofrer as implicações negativas deste oficio.
Em outras palavras, “as coisas que são excelentes são igualmente árduas e difíceis” (Platão). Provavelmente, Paulo se apropriou de um proverbio dito pelo filósofo Platão. Nem todo homem por mais piedoso e crente que possa ser, não está qualificado, ou, preparado para exercer estes ministérios. Primeiro, porque trata-se de funções valiosíssimas aos olhos de Deus. Este é um trabalho de particular nobreza.
Segundo, Nem todo homem suportaria a pressão e as dificuldades destes ofícios. O presbiterato exige de seus vocacionados muito esforço e resistência para suportar as pressões, os assédios tanto de fora como de dentro da Igreja, as perseguições, as cobranças e as muitas inquietações da alma quanto as devidas cobranças que recebemos de nossas responsabilidades e fidelidade.
Você deseja o presbiterato? anseia por este ofício? anseia pelo diaconato? Então, veja o que disse o reformador João Calvino sobre este ponto: “Esta não é um profissão rentosa, e sim, uma obra. Este oficio não é qualquer obra e sim, uma excelente obra, e, portanto, espinhosa e saturada de dificuldades como na verdade, o é. Portanto, representar o Filho de Deus não é algo de pouco monta diante da gigantesca tarefa de erigir e expandir o reino de Deus, de cuidar da salvação das almas, as quais o Senhor mesmo condescendeu comprar com o seu próprio sangue, e de governar a igreja que é a herança de Deus.”
Penso que o maior de todos os fardos e riscos que corremos não é a desaprovação e a censura dos homens, apesar de que esta também nos causa grandes temores, tristezas, desânimo, as vezes o medo, o desejo de interromper o exercício deste ofício. Mas, o nosso maior fardo é saber que vamos prestar contas de nossa tarefa diante de Deus. Somos todos os dias cobrados de nossa fidelidade e competência em cuidar e governar um rebanho que não é nosso, mas de nosso Pai.
Agora, a pergunta é: POR QUE TANTOS HOMENS NÃO DESEJAM MAIS ESTES OFÍCIOS? Por que tem diminuído o número de candidatos ao ministério pastoral, ao presbiterato e ao diaconato? Por que você é um destes que ao menos deveria se considerar um aspirante, mesmo que alguns não sejam vocacionados, mas não tem se quer considerado a possibilidade de ser um destes candidatos?
Por que na lista de profissões e vocações não temos mais um numero expressivo de meninos e rapazes que considerem a possibilidade de colocar a sua vida a disposição para o sagrado ministério? Por que será que nós , os pais, não desejamos que nossos filhos pleiteiem uma vaga nestes ofícios? Se a Bíblia nos diz que esta é uma excelente obra, que é um honroso trabalho. A mais sublime de todas as profissões, então, por que não desejamos que nossos jovens e rapazes se prontifiquem pelo menos aos testes para saber se são ou não aptos para estes ofícios?
Será que a culpa não é nossa mesmo como pais de nossos filhos? Será que não estamos mais interessados em dispor no coração deles as coisas de Deus? Será que estamos treinando ganhadores de dinheiro e prestigio pessoal em vez de ganhadores de almas e modestos anunciadores das grandezas de Deus? Será que a nossa postura como membros da Igreja não tem refletido um bom testemunho com os nossos oficiais e por isso, eles não vêem com bons olhos o governo da Igreja?
Será que a culpa é nossa como homens? A omissão, a covardia, a imaturidade, a negligência, seria uma falsa espiritualidade? desvios doutrinários em nosso coração e consciência? Mau testemunho? Somos péssimos exemplos como homens, cidadãos, patrões, empregados. Será que a culpa é nossa senhores presbíteros e diáconos? Temos sido omissos em alguma área da nossa vida, família, santidade, vida pessoal e moral? será que temos pecado em negligenciar os preceitos a serem ensinados com fidelidade as Escrituras?
Será que temos governado bem a nossa própria família? Será que nós, que temos o privilégio de ter filhos homens, será que eles não desejam seguir nossos passos porque passamos uma ideia errada do que é o presbiterato e diaconato? Será que eles sentem vergonha de nossas mais grotescas faltas e pecados públicos. Das chacotas e piadas denigrindo a nossa imagem e muitas vezes por consentimento nosso e o pior de tudo provocados por nossas falhas?
O que é certo, é que todos nós estamos neste processo. Tanto aqueles que são chamados para estes ofícios como aqueles que participarão do pleito em confirmar por seu voto os eleitos de Deus para estes ministérios. E, o que posso dizer neste momento, é que ponderem todas estas palavras aqui proferidas por mim. Avaliem suas vidas diante de Deus com sinceridade, temor, zelo, reverência e profunda tristeza pelos seus pecados em relação a este assunto. Orem constantemente sobre a sua situação em relação ao chamado de Deus para aqueles que devem exercer estes ofícios.
Por fim, pense com toda atenção, piedade e modéstia sobre as suas reais intenções em relação ao governo da Igreja. Este é o momento para quebrantamento diante de Deus em relação a sua vida e ministério. Você deve responder a seguinte pergunta: ESTOU APTO PARA O GOVERNO DA IGREJA? ESTOU QUALIFICADO PARA EXERCER ESTES OFICIOS? Amém!
Nenhum comentário:
Postar um comentário