No
sermão anterior verificamos dos versos 15 a 17 a superioridade de Cristo em
favor dos eleitos em relação ao legado de Adão sobre toda a raça humana. As
palavras que estavam em contraste e análise aqui eram “ofensa” e “graça. ”
Sendo assim, o que Paulo nos mostra
aqui é a superioridade e a eficácia da graça sobre o pecado de Adão como de
todos os pecados dos eleitos cometidos contra Deus. A graça, por meio de Cristo
anulou o domínio e os efeitos da morte sobre o seu povo.
Portanto, o raciocínio de Paulo
segue na mesma perspectiva nos versos 18 e 19. Ele ainda continua a sua
comparação entre as duas pessoas mais importantes da história da humanidade.
Seu objetivo é mostrar que o legado de Adão mesmo que
tendo efeito terrível sobre a humanidade, ainda assim, Cristo pela sua expiação
concedeu aos eleitos o livramento de todos os efeitos do pecado, da ofensa, da
morte e do juízo sobre todos nós.
Agora vamos verificar o que Paulo nos revela sobre a
superioridade de Cristo em relação as obras e o legado de Adão a partir do
versículo 18 e finalizando no 19. Veja o que ele nos diz:
“Pois
assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também,
por um só ato de justiça,
veio a graça sobre
todos os homens para a justificação
que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também,
por meio da obediência
de um só, muitos se tornarão justos”
Observe inicialmente as palavras que se encontram em
contraste agora nestes dois versículos. No verso 18 você tem o contraste entre
a palavra “juízo” e “graça”. A palavra “ofensa” com a expressão “ato
de justiça” E, a palavra “condenação”
com a expressão “justificação que dá a
vida”.
Mais uma vez, como se pode também verificar nos
versículos 15 a 17 temos a graça sendo contrastada aqui com os efeitos das
obras de Adão sobre a raça humana. Veja que mais uma vez, Paulo enfatiza no
verso 18 que todos os homens receberam
o juízo para a condenação.
Que se esclareça mais uma vez que aqui existe também o
contraste da quantidade e da qualidade dos efeitos de cada uma das duas obras.
Seja a de Adão como a de Cristo. A obra de Adão, o pecado, produziu a ofensa
que por sua vez o levou ao juízo de Deus para a condenação de todos os homens.
Veja o efeito numérico da ofensa de Adão. Todos os seres humanos receberam o
juízo.
Não preciso me deter a este ponto porque o já fizemos
quando estudamos todo o capitulo dois e o capitulo 3 desta epistola. Mas, para
que você apenas rememore aqui, lembre-se do que Paulo disse:
“Que se conclui?
Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado
que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está
escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a
Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem,
não há nem um sequer (Romanos 3: 9-12).”
Todos os homens de todas as tribos e povos, todos eles
que estão divididos apenas em dois grupos universais – judeus e gentios, todos
eles estão sob o juízo de Deus por causa de suas ofensas. Sendo assim, qual
motivo eles teriam para serem salvos?
Tanto o gentio como o judeu possuem perspectivas, ou
ideias diferentes sobre a necessidade de salvação. De modo geral, há gentios
(quero dizer aqui os pagãos), que a remissão de sua alma é conquistada por meio
de sua devoção aos seus deuses. Há aqueles pagãos que preferem acreditar na
ideia de não necessitarem de redenção.
De alguma forma, os ateus modernos pensam assim. Ou
alguns deles preferem pensar que se há alguma necessidade de redenção (por vias
de regra, eles não acreditam na necessidade de redenção) ela é concedida pelo
esforço de suas próprias conquistas e moralidade nata.
Pense agora no judeu, os religiosos. Eles por advirem de
uma religião que outrora tinha a sua validade, também distorcem a necessidade
de sua redenção. Confiavam cegamente na ideia de serem salvos por serem judeus,
por terem a lei de Moises e por causa de sua religião (por meio da circuncisão)
Pelo fato de serem judeus? Por causa da lei? Ou, por causa da circuncisão, sua
religião e os seus ritos? Já vimos a resposta que Paulo nos dá sobre este ponto
no capitulo 2.
Portanto quando Paulo diz que “veio o juízo sobre
TODOS”, em outras palavras, o que você acha que pode lhe dar redenção? O fato de ser judeu, ou de ser gentio (já que
ambos se gabam de sua nacionalidade, de usa intelectualidade, cultura, estilo
de vida, história, etc)? Como poderiam ostentar tal superioridade racial ou étnica?
Seria isto evidência de que são livres do pecado e do juízo de Deus?
Cristo, não é desta estirpe, desta humanidade decaída
e desgastada pelo pecado. Mas, mesmo não se contaminando, ou, nem mesmo se
tornando em sua natureza igual a dos gentios e a dos judeus (serem pecadores de
nascença), Ele se fez um de nós para conceder a “todos” (aqueles que são
eleitos como pode ser identificado no verso 18) a redenção de nossos pecados. E
esta é uma das características que torna válido a obra redentora de Cristo por
nós.
Mas, em que sentido nestes versículos Cristo é
superior a Adão? Retomemos aqui a nossa atenção aos efeitos da ofensa que
provocou o juízo de Deus sobre todos, contudo, mais uma vez a graça tem muito
mais efeito do que o juízo provocado pela ofensa.
A graça nos foi comunicada como um poder superior ao
pecado e ao juízo por ser a obra de Cristo um ATO DE JUSTIÇA. Vamos nos deter
um pouco sobre este ponto. O que Cristo fez por nós na cruz, ou seja, todo o
seu sofrimento aqui na terra e no percurso do seu ministério, sua morte e a ira
de Deus sobre ele é o que valida os efeitos da graça a nosso favor.
É extremamente importante o que Paulo fala aqui. A
precisão com que ele usou esta colocação, esta única expressão faz toda
diferença em todo este capitulo; UM SÓ ATO DE JUSTIÇA. Isto significa algumas
coisas importantes aqui sobre a nossa salvação.
A superioridade de Cristo está na validade de seu
sacrifício. O que quero dizer é que toda a sua vida, ministério como ato
sacrificial só tem a sua total validade no momento em que ele voluntariamente
se entrega a morte de cruz. Eu pergunto a você, o que poderia ser maior do que
todas as nossas obras malignas para nos conceder a redenção de nossos pecados?
Se todos estão condenados e nenhum de seus atos tem
algum valor sacrificial para salvar ao menos a si mesmo, temos alguma saída? Há
salvação para nós? Paulo nos revela Cristo como aquele que recebeu a justiça
divina para transferir de nós à si mesmo todos os nossos pecados como todos os
efeitos deles.
Era necessário que Cristo, o único habilitado para tal
expiação, recebesse todo o peso e a intensidade desta justiça punitiva para
abrandar todos os efeitos punitivos de nossos pecados. E, a nós, esta justiça é
revertida em redenção e perdão. Por isso a expressão – “por um só ato de justiça. ”
Eu pergunto a você, do que adiantaria, Jesus ter
nascido em uma estrebaria, passar por todas as humilhações, constrangimentos,
suportar os efeitos do pecado daqueles que lhes cercavam, ter de suportar as
dores, os sofrimentos, as tentações, mesmo que não tivesse pecado algum, mas,
de tudo isto não se submeter ao ponto central de toda a sua obra redentora que
era sofrer a morte e a punição de todos os nossos pecados?
Se ele não tivesse passado por esse processo
expiatório (de sacrifício e morte) não haveria justificação. Se é que podemos
assim dizer, sua obra redentora estaria incompleta, e, por implicação, não
teria validade alguma.
O requisito a ser cumprido nos é
revelado aqui nesta expressão; UM SÓ ATO DE JUSTIÇA. Ele deveria passar por
todo este processo de humilhação por completo. Se ele não cumprisse todos estes
requisitos seria como o primeiro Adão, um representante falível. Aliás, seria
mais um representante falível.
Me chama a atenção o que nos diz a
pergunta 27 do Breve Catecismo. Veja o que ela nos ensina sobre este ponto. Em que constituiu a humilhação de Cristo? Resposta:
Constituiu em (1) ele nascer de condição
baixa, (2) feito sujeito a lei, (3) em sofrer as misérias desta vida, (4) a ira
de Deus e a amaldiçoada morte na cruz,(5) em ser sepultado e debaixo do poder
da morte durante certo tempo.
Isto reflete um Filho integralmente,
totalmente obediente ao seu Pai. Sua obediência é completa e sublime porque o
Filho de Deus voluntariamente acatou os desígnios de seu Pai a nosso favor. Por
isso dependemos totalmente de Cristo. Sem ele não podemos nos ver livres de
nossos pecados contra Deus.
Aqui nos é apresentado mais um
motivo para se ter a certeza da nossa salvação e de que não a perdemos. A
aplicação que Deus tem a nós em relação a esta verdade nos é muito simples,
mas, de extrema importância quanto ao modo como devemos lidar com os nossos
pecados.
Por um só ato de justiça recebemos o
perdão de todos os nossos pecados. Todos eles. Sendo assim, a maneira como
devemos alimentar esta certeza da salvação é simplesmente, mas, verdadeiramente
confessando todos estes pecados cometidos.
O verdadeiro eleito e salvo em Cristo ele todos os
dias é consciente de que sempre deve contar com a misericórdia de Deus para
vencer o pecado em sua vida. Mesmo que cada um de seus pecados lhe cause
vergonha, tristeza, constrangimento, humilhação diante das pessoas e diante de
Deus, não se cale, não tenha medo de confessar os seus pecados.
Seja um pecado individual ou
coletivo, seja um pecado íntimo do seu coração, ou, um pecado público. Seja um
pecado mais grave ou simples, Seja qual for os seus pecados, apenas confesse
todos eles diante de Deus.
Todos os nossos pecados diante de
Deus por um só ato de justiça foram perdoados. Este é o sentido que nos leva a
verificar a validade da obediência de Cristo como o versículo 19 nos mostra.
Apenas por um só ato de obediência recebemos a benção de agora sermos
declarados justificados, livres do pecado e da morte.
Não há outra conclusão a ser tirada
aqui a não ser que é uma benção quando confessamos os nossos pecados diante de
Deus e por vezes, ou quando necessário diante dos homens. Você não confessa
pecados para receber o perdão de Deus, mas, você os confessa todos os dias por
ter certeza de todos eles já perdoados pela obra expiatória de Cristo.
Então qual o motivo para você temer!
Se Cristo é superior a todo o legado terrível de Adão, e por meio Dele
recebemos a certeza de termos os nossos pecados apagados, por que você não a
confessa?
Infelizmente, por causa de nossa
natureza pecaminosa, somos dominados pelo medo. O medo não é um sentimento
adequado ao crente. Medo sempre deve ser tratado como um sentimento pecaminoso.
Adão teve medo e se escondeu de Deus após ter desobedecido a sua lei.
A pergunta que Deus fez a Adão, o representante
da raça humana teve seu efeito redentiva: “Adão,
onde estás?” O chamado que irresistivelmente atraiu Adão e sua esposa Eva a
presença de Deus. O próprio Adão respondeu - “Ouvi
a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.”
Como alguém poderia ter medo de Deus
só porque estava nú? Didaticamente Deus mostra que o problema do medo de Adão
não era a sua nudez e sim a sua desobediência. Todo o medo que sentimos está
direta ou indiretamente associado com os nossos pecados.
É interessante o exemplo de Jacó ao
saber que seu irmão, Esaú estava a caminho para encontra-lo. Você deve se
lembrar o motivo que levou Jacó a fugir da casa de seu pai Isaque e se refugiar
na casa de seu tio Labão – Esaú havia prometido lhe matar por ter lhe roubado a
benção do primogênito.
A reação de Jacó não foi outra senão
que teve medo e se perturbou; O texto
bíblico é claro em dizer que Jacó dividiu
em dois bandos o povo que com ele estava, e os rebanhos, e os bois, e os
camelos. Suas palavras aqui expressam o pavor na medida das consequências de
seus pecados contra seu irmão. Ele sabia que a morte poderia atingir não apenas
a sua vida, mas, Esaú poderia matar toda a sua família: Se vier Esaú a um bando e o ferir, o outro bando escapará.
Eu não poderia me esquecer de Saul que depois de seu
pecado e rebelião foi deposto de seu trono pelo próprio Deus. Daquele momento
em diante, não houve outra reação por parte dele senão ser oprimido por
espirito maligno e inevitavelmente ter medo. Aliás, o medo lhe dominava de tal
forma que no desejo compulsivo de procurar a morte como seu alento, ele
realmente a encontrou.
O medo de Saul era tão grande que
por seis vezes atentou contra a vida de seu próprio genro, Davi, se antecipou em
várias batalhas perdendo todas elas, consultou uma feiticeira médium pensando
falar com o espirito de Samuel. Mas, a todo o momento era a morte lhe cercando
e o conduzindo a um encontro inevitável e trágico.
A título destes exemplos, não podemos esquecer que o
medo sempre anda de mãos dadas com a morte. E por que? Por causa do pecado. Mas,
o próprio apóstolo joão é quem nos diz:
“E
nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que
permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado
o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é,
também nós somos neste mundo. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor
lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é
aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1João 4:
16-19)
Não se esqueçam das palavras do
salmista: “O SENHOR é a minha luz e a
minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a
quem temerei?”
Eu pergunto a vocês, o que mais
poderia vencer o medo diante dos horrores que o pecado causa em nossa vida? O
que mais poderia nos trazer de volta o sossego da alma e a paz de espirito em
vez de sentir pavor dos perigos que nos rodeiam? O que mais poderia nos tirar o
medo da morte e do juízo que nossas ofensas provocaram a ira de Deus?
Aliás se tem algo realmente que você deve ter medo é
de Deus por ter lhe ofendido com os seus pecados. E por isso mesmo Adão
legitimamente teve medo. Não porque estava nú, mas a vergonha de sua nudez era
a constatação clara de seu pecado contra Deus. E, ele realmente teve medo de
Deus.
Mas, eu volto a pergunta de nossa aplicação. O que
pode vencer todo o medo provocado pelas nossas transgressões? Somente Cristo!
Cristo é superior aos efeitos de nossas ofensas contra Deus. Cristo nos cobre
com o seu sangue derramado na cruz para aplacar a ira de Deus contra nós.
Por um só ato de justiça, Cristo nos traz de volta a
paz que recebemos como comprovação clara de nossa reconciliação com Deus
(Romanos 5: 1). Então eu lhe pergunto novamente. Se você foi justificado
recebendo a fé em Cristo Jesus e agora sabendo mais uma vez que todos os nossos
pecados foram perdoados na morte de Cristo, POR QUE VOCÊ TEM MEDO?
Você realmente ama a Cristo? Se você o ama, então não
há motivo para ter medo de confessar os seus pecados e viver em conformidade
com a vontade de Deus. Amém!
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