Sobreveio a lei para que avultasse a
ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o
pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a
vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Romanos 5: 20-21
No sermão anterior verificamos sobre o quanto Cristo é
superior a ofensa e o pecado de Adão em relação ao juízo e a morte. Vimos a
extensão o efeito quantitativo da desobediência de um homem só sobre todos os seres
humanos, mas, vimos a eficácia e a expiação de Cristo como uma obra
infinitamente superior as consequências do pecado sobre todos nós.
Tão certo de que a morte atingiu em seu domínio todos os
seres vivos da criação e que todos os homens estão debaixo do juízo de Deus.
Qualitativamente, a obra redentora na cruz nos é suficiente em conceder o
perdão de todos os nossos pecados. Não sei se lembram, mas a última pergunta
foi: SE CRISTO É SUPERIOR A MORTE E AOS EFEITOS DO JUÍZO, POR QUE TER MEDO DE
CONFESSÁ-LO?
Portanto, vamos seguir agora na exposição dos versículos
finais (20 e 21). Talvez eu não encerre neste sermão a exposição dos dois versos.
Mas, mesmo assim vamos ao ponto inicial. Aqui encontramos Paulo concluindo a
sua tese aqui no capitulo 5 sobre a certeza da salvação. Não podemos esquecer
que nesta segunda sessão (dos versos 12 à 21) Paulo está fazendo uma
comparação, ou, um paralelo entre Adão e Cristo.
Uma forma muito simplória (ou como definiu Calvino, muito
pobre), para descrever como Cristo em sua obra expiatória é superior a qualquer
elemento que nos remete a realidade do pecado e as suas consequências. Mesmo
que simplória, as palavras de Paulo são de uma riqueza e profundidade em seu
conteúdo.
Talvez, Paulo tenha usado uma linguagem muito simples
propositalmente para evidenciar com toda riqueza da descrição que ele faz da
pessoa e obra de Cristo a nosso favor. Uma maneira de demonstrar o quanto somos
pequenos diante da grandeza e a gloria de Cristo.
Uma maneira muito sutil de nos dizer: Não deposite
esperança ou confiança em outra pessoa senão apenas em Jesus Cristo. Qualquer um
que confiar seja em governos, pessoas, instituições, métodos que sejam
meramente humanos está enganosamente depositando confiança em ídolos.
Em suma, podemos desfrutar da certeza da salvação porque
Cristo é superior a todo o legado de Adão, nosso primeiro representante sobre a
raça humana. Cristo é superior ao próprio Adão, a ofensa, culpa, os efeitos do
juízo e da morte e por fim, é superior aos efeitos da lei.
A lei como instrumento da extensão e o domínio do
pecado no mundo
Agora, inicialmente, observe o que nos diz o versículo
20: Sobreveio a lei para que avultasse a
ofensa; em outras palavras, a lei intensifica,
aumenta, o pecado. Para a análise desta primeira parte é necessário
relembrarmos do que já foi dito por Paulo no início desta sessão (versos 13 –
14).
Observe que Paulo começou a sua segunda sessão de
argumentos sobre a extensão do pecado mencionando um fato histórico. Ele diz
que: até ao regime da lei havia pecado no
mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou
a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança
da transgressão de Adão.
O que ele simplesmente afirma, é que, o pedado já existia
mesmo antes da lei codificada ao povo de Israel. Desta forma, não há desculpa
para aqueles que argumentam que não havia pecado antes de Moises.
Você
deve se lembrar quando verificamos aqui nestes versículos que Deus já havia dado a sua
lei ao homem mesmo antes da queda. Mas, a lei era muito simples: não coma do fruto da arvore do conhecimento
do bem e do mal. Se dela comeres, certamente morrerás (Gn. 2: 16-17).
As
implicações disto nós já vimos aqui, mas, é necessário lembrarmos que tanto
Adão como todos os seus descendentes até Moises tinham a lei e o censo de
justiça cravados em seu coração. Creio que um exemplo disto é rememorar a
situação em que Caim se envolveu quando assassinou seu irmão Abel. Mesmo que
ele não tivesse os dez mandamentos codificados em suas mãos, ainda assim, ele
havia transgredido o sexto mandamento: Não
matarás.
O
que quero dizer é que, se já era grave e sério a situação daqueles que pecavam
mesmo antes de terem recebido a lei codificada, que dirá daqueles que a
receberam por escrito! Se a maldade e a destruição provocada pelo pecado já haviam
predominado sobre toda a terra, que dirá depois que a própria lei de Deus foi
entregue toda detalhada e escrita ao seu povo!
Se
toda esta maldade e destruição do homem já havia provocado a ira de Deus sobre
toda a humanidade (como foi o caso histórico dos dias de Noé) que dirá agora em
que os homens já tem acesso a toda lei codificada em suas sessões morais,
cerimoniais e civis!
O
que de imediato já é possível constatar aqui é, QUANTO MAIS CLARO E MAIS NÍTIDO
É O ENTENDIMENTO DA LEI, MAIS SOMOS NEGLIGENTES E DISPOSTOS A TRANSGRESSÃO
DELA. Quanto mais a lei se torna clara ao nosso entendimento e compreensão,
mais nos tornamos perceptível a desobediência dela. Quanto mais somos
esclarecidos da lei, mais somos conduzidos a rebeldia e a desobediência dela.
E
é bom que se diga, que o problema não é a lei. A culpa de tudo este processo
pecaminoso e destrutivo não é a lei em si, mas é o coração do homem já disposto
e entregue ao pecado. Em outros termos, a lei torna mais visível a gravidade e
as consequências de nossos pecados contra Deus. Quanto mais compreendemos a
lei, mais claro fica a nossa pecaminosidade.
Historicamente,
o que Paulo nos mostra tanto nos versos 13 e 14 como agora no verso 20 é que a
lei agravou mais ainda a imputação do pecado. A percepção de que não é possível
escapar das consequências de nossas desobediências nos é mais clara e tão certa
como a luz do sol. E isto não serve apenas para os que são eleitos, mas, a
todos os homens da terra.
Isto
nos é bem ilustrado em relação a uma criança. A cada faixa etária dela mais ela
vai compreendendo e entendo o sentido das regras e leis que lhes são impostas.
A medida que ela cresce e o seu discernimento também se expande mais ela está
propensa e disposta a pecados e atos desagradáveis na medida de seu
entendimento.
Você talvez não se lembra, mas eu tenho certeza de que, alguns de
vocês, quando era um bebezinho que apenas engatinhava ouviu sua mãe dizer: “Não
pode! Não pode!” mas, a vontade de colocar o dedinho na tomada era muito mais
forte do que a ordem de sua mãe. Talvez você se lembre de quando a sua mãe
claramente lhe proibia de alguma coisa, mais a curiosidade em relação aquela
situação aumentava e mais era a vontade de desobedece-la.
Isso
nos dá uma pequena demonstração de como somos tão estúpidos em nosso raciocínio
pecaminoso. Quantas vezes Deus já lhe disse: “Não faça isso! Não vá por esse
caminho! Não ande com essa pessoa! Não minta para os seus pais! Não traia a
confiança de sua esposa ou de seu marido! Não deseje isto! Não se envolva com
esse tipo de negócio! ” Mas, quanto mais somos avisados, mais nos envolvemos
com o desejo de simplesmente desobedecer a lei de Deus.
Desde
pequenos eles sabem que não podem quebrar o oitavo mandamento (“não furtaras”)
em apenas ouvir; “devolva o brinquedo do seu coleguinha, ele não é seu!” Até
mesmo quando ela aprende as expressões; “ De quem é esta caneta? Coloque no
lugar onde você achou! Não cole na prova! Não mexa na carteira de seu pai! Não
mexa nas gavetas e na cômoda de sua irmã! Se pegar emprestado devolva! Extorsão
e corrupção passiva é crime! ”
Desde
pequeninos já sabíamos o que era o sexto mandamento quando ouvíamos: “não pode
beliscar ou morder o coleguinha!” ou quando ouvíamos: “não se envolva em
brigas! Quando crescem descobrem as palavras: “homicídio, assassinato,
latrocínio.”
Quantos
de nós nos vimos enrascados em situações desse tipo. E quanto mais grave era a
desobediência, mais tínhamos temor e medo do que poderia nos acontecer. O temor
o medo são o claro medidor de nossa compreensão e entendimento das leis que nos
é revelada. Por isso não apenas o medo, mas também a gravidade e as devidas
penalidades aumentam contra nós.
A
grande questão nisto tudo é que, mesmo que a lei aparece como um instrumento de
repressão e censura de toda corrupção e depravação humana, ainda assim, na
mesma intensidade o pecado é mais e mais estimulado em nós. Quanto mais
consciência se tem da condenação por causa de nossa desobediência, mais próximo
da morte nos encontramos.
Por
isso, por mais que você se esforce a obediência aos seus pais, autoridade, por
mais que você procure ser cuidadoso com a sua vida religiosa isto não pode te
livrar da culpa e da condenação à morte. Lembre-se,
a lei é instrumento de acusação e imposição e não de salvação!
A graça se
plenificou permanentemente sobre o pecado.
Agora,
POR QUE A LEI SE TORNA OBJETO DE COMPARAÇÃO EM RELAÇÃO A CRISTO? Está a é a
pergunta que nos leva ao restante do versículo 20 e ao verso 21. Mas onde abundou o pecado, superabundou a
graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a
graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Para
que sejamos objetivos nesta segunda parte, Paulo nos mostra que a lei não
apenas nos revela a intensidade com que estamos envolvidos com os nossos
pecados o quanto somos indesculpáveis diante de Deus, mas, ela também nos
revela Cristo como a nossa única opção de salvação.
Para
que nos fosse mais nítido a compreensão da graça de Deus foi necessária que a
lei nos revelasse com mais clareza o quão destrutivo são os nossos pecados. Por
isso, Paulo usou a expressão; mas onde
abundou o pecado, superabundou a graça.
Mais
uma vez nos é revelado aqui a comparação entre a quantidade e a extensão do
legado de Adão em relação a qualidade e a eficácia da expiação de Cristo a
nosso favor. Aqui devemos mais uma vez perguntar: QUEM TEM MAIS PODER? A LEI OU
CRISTO? Quem é superior? Os efeitos da lei ou a graça por meio de Cristo Jesus?
A
resposta está muito clara aqui no verso 20: onde abundou o pecado, ou seja,
observe a forma como Paulo diz esta frase. “onde” dá ideia de extensão. Não há
um lugar em que o pecado não tenha provocado a destruição e a morte. Veja
também a expressão “abundou”, ou seja, “aumentou”, “agravou”, ou, podemos
também dizer “dominou” (no grego é pleonazo
– que dá origem ao termo pleonasmo – aquilo que é reforçado ou dito
repetidas vezes com termos diferentes: ele
via tudo com os seus próprios olhos).
Na
sequência nos vem a outra parte do verso 20: “superabundou a graça”, ou seja, e
se me permitem a colocação aqui; “superalimentou”, “se sobrepôs”. Se a lei
impôs com toda sua força o pecado seja no seu entendimento como em suas
consequências, a graça superou em força e poder o domínio do pecado sobre nós. A
graça tem incomparavelmente mais força e poder do que o pecado.
Veja
bem a minha colocação aqui. A graça não anulou a lei. O texto nos é bem claro
quando diz: onde abundou O PECADO,
superabundou A GRAÇA. A graça de Deus atua não com efeito e poder
temporário, mas, é permanente. A graça é eterna, ao contrário do pecado que,
apesar de estender seu domínio sobre todo o mundo, terá o seu fim no devido
tempo.
É
aqui que podemos verificar e constatar que pela expiação de Cristo a graça nos
alcança com imensurável poder em expurgar de nossa mente toda a mentalidade
pecaminosa que nos escravizava antes da nossa conversão.
Quem
pode mudar os nossos pensamentos? Quem pode alterar a nossa maneira de ver a
condição humana em que nos encontramos? Quem pode dobrar a servis do homem e
faze-lo se curvar diante de Cristo e se render a Ele como seu Salvador e, com
profunda tristeza e humildade confessar todos os seus pecados e suplicar pela
remissão de sua alma?
Quem
pode nos fazer ouvir a repreensão e a exortação em situações de perigos? Quem
pode nos dar entendimento e discernimento para enxergar o mal que nos espreita
em diversas situações e assim fugir da aparência dela? Quem nos faz ter
profundo temor de desobedecer a lei de Deus e amar não a lei em si mesma, mas,
amar o autor e consumador desta Lei?
Quem
nos faz ver a Lei de Deus como proteção, benefício e bem estar para a nossa
vida, família e sociedade? Quem nos faz enxergar a redenção de nossa alma além
dos preceitos da lei? A
resposta está no verso 21: a fim de que,
como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça
para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!
Continuaremos no próximo sermão a analise do verso 21.
Sermão pregado no dia 28 de fevereiro de 2016
No culto vespertino
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