sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O LUGAR DA PREGAÇÃO NA IGREJA

A pergunta chave ainda a ser feita dentro de todo o contexto deste capitulo é: POR QUE DEVO LEVAR A SÉRIO A PREGAÇÃO? Já vimos no versículo 1, Primeiro, a necessidade da pregação da Palavra para a Igreja, e, em segundo lugar, a seriedade e o risco que esta atividade nos envolve. Portanto, seguiremos a analise agora do versículo 2.

            O que nos é proposto agora é sobre o lugar da pregação contidas neste versículo. Antes de tudo, nos concentramos a expressão inicial aqui do versículo: “pregue a Palavra”.

            A palavra “pregue” indica uma atividade que não é comum em relação as outras do seu ramo. Bom, a expressão “pregação” por vezes pode se confundir com a ideia de aula, preleção e palestra, etc. Mas, não é o caso aqui. O que Paulo está claramente dizendo é: anuncie ortodoxamente e solenemente o evangelho.

            Trata-se de anunciar formalmente ou solenemente do o conteúdo da Escritura, seja Antigo e Novo Testamentos. Realmente esta não é um método qualquer. Mas, é um serviço (de onde vem a palavra “liturgia”). Trata-se de um escravo de toda confiança do seu Senhor para servir-lhe a mesa aos todos os seus filhos. E, deve ser, mas uma vez insisto, de total confiança de seu Senhor. Não pode ser qualquer escravo porque em vez de alimentar pessoas, pode envenená-las e mata-las.

            Mas, ainda, o sentido original da palavra “pregar” nos aponta para um outro aspecto que completa o raciocínio e a natureza da pregação. No grego, a palavra pronunciada é “kerusso” que significa; “anunciar publicamente”. Basicamente a pregação não é uma atividade individual, particular, dirigida apenas a uma pessoa informalmente. Por vezes esta atividade pode ser confundida com a evangelização.

            Contudo veja que não é o caso aqui. Ao usar esta palavra, Paulo está sendo claro quanto ao que vem a ser a pregação. É anunciar publicamente e solenemente todo o evangelho. Aqui já podemos ter ciência do lugar em que a pregação deve estar na vida da Igreja. Se ela é um serviço realizado de maneira ortodoxa (ritualmente aplicada a cada domingo) e se é proferida publicamente, não á outra coisa a dizer senão que, a pregação deve ter o seu lugar de proeminência (de destaque) apenas no culto solene.

            E mais, se é um serviço litúrgico, solene e público pessoas habilitadas para isto é quem deve com temor e a devida responsabilidade assumir a condução desta atividade. Não é qualquer pessoa que deve ou pode subir no púlpito e anunciar autoritariamente a Escritura. Somente homens ordenados para tal função são os responsáveis para a pregação.

            A pregação é ou deve ser considerada a atividade cúltica mais importante na adoração a Deus. Ela tem o seu lugar de destaque é há uma razão plausível para isto. Se a pregação consiste em expor (explicar, aplicar e exortar) toda a Escritura, e neste caso, trata-se da revelação de Deus a nós, e se, a pregação é o próprio Deus falando por meio da Escritura com todos os presentes no culto solene, então, como não poderia ser a parte mais importante do culto?

            Se a própria Escritura no diz que o meio pelo qual a salvação é comunicada aos eleitos do Senhor é a pregação, por qual razão não deveríamos considerar a pregação importante? Se este é o momento em que todos nós nos aquietamos para ouvir a voz de Deus, por que não deveria ter a pregação como a parte principal do culto?

Eu pergunto: O QUE PODERIA SER MAIS IMPORTANTE QUE A PREGAÇÃO? A música? A oração pública? Estas atividades não têm nenhum efeito se em nosso coração não houver a disposição em ouvir a voz de Deus. Se oramos e cantamos no culto solene não é para outra coisa senão que sejamos envolvidos com a voz de Deus no momento da pregação.

Mas também pergunto, em quais momentos deve haver a pregação da Palavra? A resposta é simples. Todas as vezes que for convocado culto solene. Aliás, o culto só tem o seu efeito espiritual se houver a pregação da Palavra. Sem a pregação, o culto está incompleto, ou, em vários casos não é válido, ou não é aceitável a Deus.

Agora, atente-se para um detalhe aqui no versículo 2 quando ele diz: “prega a Palavra, insta, quer oportuna ou não.” As palavras de Paulo à Timóteo parecem dizer que a pregação é uma atividade que pode ser realizada fora da adoração pública. Ou seja, além da pregação como uma atividade regular no culto, muitos tem interpretado este versículo como se a pregação fosse uma oportunidade para evangelizar as pessoas individualmente.

ERRADO! Não é este aqui o sentido aplicado no versículo 2. Paulo não está indiciando que a pregação fosse realizada na informalidade como se faz ao evangelizar. Lembre-se do que eu disse no início deste sermão. Não confunda pregar com evangelizar. São duas atividades, mesmo que comuniquem o evangelho a pessoas, são distintas entre si.

Contudo, o que Paulo está dizendo é insta, quer seja oportuno ou não, em outras palavras é como se ele dissesse: esteja sempre preparado seja a tempo ou fora do tempo. Esteja preparado Timóteo, porque todas as vezes que você pregar muitos vão ouvir, mas muitos também não vão gostar do que estão ouvindo. Esteja preparado caro Timóteo, porque nem tudo o que você disser seus ouvintes vão gostar.

Para ser mais preciso, o versículo 2 está ligado aos versículos 3 e 4 que nos diz: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. ”

Ainda me faz lembrar do contexto, o capitulo 3 quando no versículo 1, Paulo havia exortado Timóteo a suportar as perseguições per causa do evangelho. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis. ”

Em resumo, estes dias difíceis mencionados por Paulo à Timóteo serão aqueles em que a frieza espiritual tomará conta da Igreja de Deus de tal forma que veementemente irão rejeitar a pregação da Palavra. No tempo de Timóteo apesar das dificuldades que Timóteo enfrentava e da perseguição severa a Igreja, Paulo deixa claro que estes dias escatologicamente ainda não eram tempos difíceis.

Quanto mais se aproxima a volta de Cristo, mais os dias se tornam difíceis, tenebrosos, dias perigosos de se viver e falar alguma coisa. A cada dia que torna breve a volta de Cristo, mais os dias vão se tornando inoportunos a pregação da Palavra. Quanto mais se aproxima a volta de Cristo, menos as pessoas querem ouvir a pregação da Palavra.

A questão a ser aplicada neste ponto é a necessidade de nós pastores e presbíteros sermos firmes em nossas convicções à Palavra e a necessidade dela ser regularmente pregada em nossos cultos. Este é o sentido de a tempo, ou fora do tempo.

Mesmo que os membros de nossas igrejas locais a cada dia que passa não se interessem mais pela pregação da Palavra, mesmo assim, continue a pregar com intrepidez a Palavra. Mesmo que haja desinteresse, mesmo que haja bocejos, mesmo que cochilem, mesmo que seus pensamentos devaneiam em outras coisas que não seja a Palavra de Deus, pregue a Palavra.

Mesmo que a sua pregação seja alvo de zombaria ou motivo de chacota, mesmo que você seja censurado, mesmo que a exposição fiel da Escritura lhe cause transtorno a sua vida pessoal, familiar e financeira, mesmo que você seja demitido da igreja em que você é pregador, pregue a Palavra.

Mas, a aplicação que trago aos que são ouvintes é muito simples. Você consegue fazer uma leitura correta do que está acontecendo em nossa volta. Você tem acompanhado a realidade das igrejas e denominações ao nosso redor? Por que muitas delas estão cheias de pessoas? Por que estão lotadas? Por que simplesmente estão indiferentes com a pregação fiel do evangelho.

Tudo começa com a sua disposição diária e semanal para ouvir a voz de Deus no dia do Senhor. Se em seu coração não há interesse para ouvir a pregação, então qual é o motivo pelo qual você vem ao culto no domingo? Se não há em seu coração a expectativa sincera e pujante de ouvir a voz de Deus pela exposição da Palavra, eu te pergunto: POR QUE ENTÃO VIR A IGREJA NO DIA DO SENHOR? Não seria melhor você ficar em casa?

Se a pregação é monótona, não lhe seria melhor assistir um programa de televisão ou ir ao cinema? Se a pregação lhe causa sono ou te faz cochilar, não seria melhor dormir mais e só acordar mais tarde, afinal, domingo é o único dia que você tem para isto. Se a pregação lhe causa tanto incômodo e te deixa muitas vezes irritado com a exortação anunciada, não seria melhor ler um livro de autoajuda ou passar o dia em um psicoterapeuta para massagear o seu ego?     

Mas ainda eu te pergunto, o que seria melhor? O que realmente seria proveitoso a sua vida? O que realmente seria o remédio para tratar suas feridas da alma? O que realmente seria melhor para tratar os seus sentimentos e pensamentos pecaminosos já alimentados no decorrer da semana? O entretenimento, a diversão, o lazer, ou, a pregação da Palavra no dia do Senhor? 

Amém!

               

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