No último sermão analisamos os versículos
8 e 9 deste capitulo. Verificamos a necessidade de discernirmos o que é falso e
verdadeiro. Quem são os falsos e os verdadeiros pastores? Você sabe discernir
isto? Sabe o que eles têm ensinado? O falso ou verdadeiro evangelho? Pois bem,
agora temos uma outra pergunta dentro do contexto do capítulo 3. Onde nossos
pastores aprendem a serem pastores? Onde eles são formados e instruídos?
Provavelmente você me responderia: “No Seminário teológico. É claro!”
Sua resposta não está exatamente
correta. Eles não são formados apenas no seminário. Não que as nossas escolas
teológicas não tenham algum peso de influência sobre eles, mas, a questão é:
qual é a base teológica destes pastores? Quem foram os seus pastores na
infância? Quem os discipulou? Quem foram os seus professores de Escola Dominical? Quem foram os
seus conselheiros em tempos de crise? Quem são aqueles que o instruíram desde
pequeno em sua formação cristã?
Creio que agora você esteja
entendendo onde quero chegar. A formação de um pastor começa em seu discipulado
e instrução constante da liderança de sua igreja local como também de sua
própria família. Mas, por que digo isto? Ora! A formação de um pastor pesa e
muito para a igreja e sua vida principalmente em dias de grande provação e de
decisões difíceis a serem tomadas. E estes dias já tem sido uma realidade para
nós tendendo a piorar cada vez mais. Veja que Paulo relaciona a instrução de
Timóteo com a provação e seu sofrimento na cadeia.
O que mais poderia incomodar Paulo, senão
o fato de que ele estava sendo impedido de pegar o evangelho a outras pessoas,
como também, que Timóteo fosse tentado a não prosseguir em seu ministério.
Apenas estas duas coisas neste momento o deixava angustiado e preocupado.
Anteriormente, Paulo havia chamado a atenção de Timóteo quanto as atitudes e os
ensinamentos dos falsos mestres e a necessidade da igreja, principalmente seus
pastores terem a habilidade de discernir quem são estes.
Qual é o contraste disto? Qual é a postura
de um verdadeiro pastor? Comecemos pela sua formação e instrução. A escola em
que ele estudou faz muita diferença. Timóteo e Tito aprenderam com Paulo. Cada
um de nós temos a nossa escola. Inicialmente, a minha escola foi em casa mesmo.
Algumas pessoas já me disseram o quanto eu me pareço com o meu pai no modo de
agir e de pastorear, de falar, de subir ao púlpito. Talvez, alguém já tenha lhe
perguntado o quanto você se parece com o seu pastor? Ou, com os seus pastores?
O tom com que Paulo escreve suas palavras
nos versículos 10 e 11 é exatamente com esta intenção. Observe o que ele diz: “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu
ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as
minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia,
Icônio e Listra” Vamos analisar as palavras de Paulo.
Em contraste com os falsos mestres,
Timóteo não era como eles. Uns moribundos, forasteiros, homens que apareciam
sem qualquer referência entre os cristãos e simplesmente usavam de suas
habilidades de liderança e de boa eloquência para seduzir e aliciar pessoas as
suas palavras venenosas e destrutivas. Geralmente esta é a característica de um
falso mestre. Não sabemos de onde vem e nem para onde ele vai. A única certeza é
que eles simplesmente aparecem como as baratas que saem de seus ninhos e tentam
se estabelecer e legitimar suas doutrinas.
Timóteo tinha referência e boa
procedência. Não foi atoa que Paulo inicialmente o havia lembrado de sua mãe e
de sua avó como as principais responsáveis pela sua formação cristã. As irmãs
Loide e Eunice (2ªTm 1: 5). Permita-me um adentro neste momento.
Que diferença faz na vida de um homem a influência
de uma mulher desde a sua infância. Que privilégio tem aqueles que podem contar
com a boa instrução e educação de sua mãe aos pés do Senhor. Em minha infância,
minha mãe teve forte influência no desejo que alimentava de exercer o
pastorado.
Ela não nos deixava entregues a atividades
fúteis, mas, fazia questão de nos contar histórias e mais histórias de pastores
e missionários. Parece-me que minha mãe sempre foi um pouco mais habilidosa em
falar do que até mesmo o meu próprio pai que é pastor. Mas eu tenho a impressão
de que ela não se importou com outra coisa na igreja a não ser apenas usar toda
esta habilidade para nos instruir.
Bom, eu estou falando de mim mesmo aqui.
Mas, analise a sua própria vida e as suas origens. Dirijo estas palavras neste
momento a você que teve este privilégio de ser instruído desde pequeno nos
caminhos do Senhor. Onde começa a sua formação seja ela acadêmica, filosófica,
moral, espiritual, profissional e relacional?
Começa em casa e se estende na igreja. Aos
que não tiveram este privilégio, não são diferentes dos outros. Vocês têm o
privilégio de serem formados e instruídos na família da aliança a começar de
seus pastores, presbíteros, professores, homens e mulheres idôneas e fieis a
Palavra de Deus. Vocês têm agora o privilégio de concederem aos seus filhos
aquilo que agora recebem do Senhor Jesus por meio do ensino do evangelho.
Jovens e adolescentes que não tiveram o
privilegio de serem instruídos pelos seus pais e que ainda não podem contar com
eles porque ainda não são cristãos. Você tem os seus pastores, presbíteros,
diáconos, homens e mulheres piedosas que podem lhes instruir no evangelho. A
família é grande e você deve usufruir desta instrução. Busque-a! não despreze o
conhecimento do evangelho.
E é neste ponto que Paulo agora chama a
atenção de Timóteo. Tu porém, tens
seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade,
amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. Observe o
contraste estabelecido nesta expressão inicial: Tu porém. Isto tem um significado muito forte para um cristão,
especialmente aqueles que exercem o presbiterato. Significa nada mais nada
menos que: você deve ser diferente deles.
O cristão não pode se assemelhar ao padrão
do mundo. Sua vida está em oposição as coisas do mundo. Os ímpios são como são
e viverão do jeito que são. Já vimos inclusive a lista de como eles vivem e o
que realmente amam (2Tm 3: 2-4). Mas, o cristão vive totalmente contrário aos
ímpios. Você deve analisar a sua vida e averiguar se realmente tens vivido
diferente dos ímpios. Mais ainda os pastores de nossos dias. Quantos não são
vencidos pela tentação de se render aos modismos de nossos tempos. Se fazem
isso, ou se ao menos consentem tais práticas e estilo de vida contrário as
Escrituras são como ímpios. Se confundem com estes perversos e correm o risco
de se tornarem um deles.
Agora observe que Paulo pontua em que
quais aspectos Timóteo era diferente dos seus oponentes. Em primeiro lugar no
ensino. Tens seguido de perto o meu
ensino. A palavra “seguir” não se aplica a ideia de apenas se submeter aos
ensinamentos de um mestre. A ideia originalmente é de alguém que sempre aferiu
e testou aquilo que tem aprendido e ouvido de seu mestre. É como se Paulo
dissesse: “Timóteo, você sabe o que eu tenho ensinado e você tem testado os
meus ensinamentos para saber se são verdadeiros ou falso.”
Paulo chama de certo modo desafia Timóteo
a constatar se suas palavras são falsas ou verdadeiras. O que Timóteo sempre
ouviu de Paulo era falso ou verdadeiro? O que podemos aqui aprender é que tudo
o que nos é entregue seja do púlpito, da sala de aula, das conversas informais
e formais devem ser testadas e provadas a luz das escrituras. A verdade sempre
prevalece. É apenas com isto que podemos contar. E contamos com isto a partir
do que é ensinado em nossas igrejas locais. Devemos averiguar se o que nos é
passado é correto.
Timóteo viveu tanto tempo com Paulo. Desde
o início de seu ministério. Timóteo era de Listra e conhecia Paulo de lá. Não
seria possível que Paulo estivesse contradizendo em algum ensinamento? Ou, será
que sempre ensinou as mesmas verdades. Que nunca as substituiu por qualquer
outra teologia, teoria espiritualista, método de crescimento de igreja ou
práticas litúrgicas estranhas ao princípio regulador do culto?
E mais, veja que não é apenas o que Paulo
ensinou a Timóteo, o verdadeiro ensino é acompanhado de exemplos. Tens seguido o meu ensino, procedimento,
propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os
meus sofrimentos. A experiência de vida de Paulo era uma prova clara de que
seus ensinos eram coerentes com o que vivia.
É como se Paulo estivesse olhando
retrospectivamente para o seu ministério. Veja bem, ele sabia que a morte era
uma realidade muito próxima. Ao mesmo tempo que instrui Timóteo, parece que ele
mesmo sente a necessidade de ser lembrado em sua consciência até onde ele pode
aguentar e suportar todo o sofrimento por causa do evangelho. Alias, não é este
o contexto deste capitulo de 2Timóteo? A presente exortação é exatamente está:
Suporte as provações e os sofrimentos por causa do evangelho.
Quando Paulo usou as palavras propósito, fé longanimidade, amor e perseverança estava se referindo a sua
firmeza em nunca mudar de direção em relação ao evangelho. Inclusive são estas
as evidências, as virtudes que evidenciam o fruto do Espirito. Suas decisões,
resoluções ministeriais e pessoais não oscilavam. Paulo não era levado por
ventos de doutrinas. Suas convicções eram equilibradas e pautadas no evangelho.
Veja como as palavras propósito e fé estão relacionadas entre si. As suas
decisões eram muito bem definidas em sua convicção no evangelho de Cristo.
Como as pessoas oscilam. Muitos membros de
igreja mudam suas convicções teológicas e bíblicas como uma criança que troca
um brinquedo pelo outro apenas por uma questão de gosto pessoal. Muitos
pastores trocam o ensino do genuíno evangelho por qualquer outra doutrina que
seja mais funcional e lhes de mais resultado em sua carreira ministerial. Negociam
princípios para obterem prestigio e elogios de seus seguidores. Quem assim
procede não há outra coisa a constatar senão que no mínimo estas pessoas
possuem um grave problema de caráter.
Agora observe ainda as outras virtudes
mencionadas por Paulo. Firmeza em suas convicções no evangelho o levam a
demonstrar uma pessoa paciente em seu juízo. A longanimidade é a virtude que
expressa a lentidão de uma pessoa em fazer qualquer juízo vingativo contra
alguém. Aquele que espera em seus pensamentos e julgamentos apenas pela
verdade. A sua sobriedade espiritual é alimentada pelas duas virtudes
anteriores: a firmeza e a fé.
Que podemos dizer do amor? Desejar o bem.
Fazer o bem. Promover a benevolência em vez da contenda. Proceder com a
misericórdia de Deus sobre aqueles que rejeitam a Cristo para que ao menos eles
tenham uma singela percepção do que é viver sob o jugo da verdade.
Não te parece estranho Paulo dizer que
sempre procedia assim em relação aos seus adversários. Quantos deles não
difamavam e caluniavam contra Paulo? Quantos deles não abandonaram Paulo?
Quantos não o traíram e o delataram para as autoridades romanas e do sinédrio?
Como proceder contra eles através da longanimidade e do amor? Simples a
resposta. Porque é assim que eles são ao menos constrangidos, incomodados,
afligidos, indignados com o evangelho.
O que mais os nossos oponentes fazem é nos
provocar a ira, a discórdia, nos induzem a insensatez, a irracionalidade, a
mentira, a promover a violência, o ódio. Eles são espertos e perspicazes. Paulo
simplesmente mostra que aqueles que procedem como Cristo são perseverantes e
não oscilam, não fraquejam e não se entregam a qualquer heresia propagada ao
sabor dos ventos que sopram seja de que lado for.
Por último, Paulo menciona a perseguição e
o sofrimento em seu ministério. Creio que quanto a isto é mais do que claro o
lugar do sofrimento neste contexto. Este é o propósito do capitulo 3 de segunda
Timóteo. Alertar-nos quanto ao sofrimento por causa de Cristo.
Mas, observe o que Paulo menciona sobre
isto. Primeiro ele lembra Timóteo das perseguições sofridas em Icônio, Listra e
Antioquia. O que estes lugares têm de tão especial assim para Paulo? Lembre-se
de onde era Timóteo. De Listra. Estes são lugares muito familiarizados com o
passado de Timóteo. A sua residência de origem. Uma forma de trazer a mente de
Timóteo o que ele testemunhou e até mesmo vivenciou em relação a perseguição
contra os cristãos.
Em segundo lugar, atente-se para a sua
reflexão pessoal. É como se Paulo estivesse pensando alto. É como se seus
pensamentos fossem projetados pra que todos possam sentir e ver o quanto ele
tem sofrido e se desgastado fisicamente e mentalmente pelo evangelho. Mas a sua
declaração final é conclusiva: De todas,
entretanto, me livrou o Senhor.
Como alguém preso, sabendo que iria ser
executado a pena de morte poderia dizer que de todas as perseguições o Senhor o
livrou? Não se trata de ser libertado de uma cadeia com foi em Tessalônica junto com Silas. Mas, se trata do cuidado providencial e gracioso de Cristo
como o seu conforto espiritual. Mesmo que Deus não nos livre de uma execução a
morte teria o Senhor nos abandonado? É claro que não!
Aquelas crianças, jovens e adultos que são
fuzilados nos países islâmicos foram por acaso abandonados por Deus? Não!
Definitivamente Não! Cristo sempre esteve com eles como o consolo para suas
almas mesmo diante da morte. Assim como foi com Daniel, Sadraque Mesaque
Abdenego, assim como foi com Estevão no momento de sua execução por
apedrejamento, também é assim com todos os servos de Deus.
Se você não sabe, a igreja de Cristo
sempre foi perseguida de forma agressiva na história. Ela nunca deixou de ser
violentada por causa do evangelho. Por ano morrem em media 115 mil cristãos por
causa de sua fé em Cristo. Estes são dados divulgados pelo jornal Estadão e
pela organização internacional Portas Abertas. Você tem noção do que vem a ser
isto? A morte de pelo menos cem mil pessoas por ano por causa do evangelho?
Agora nos vem a exortação de Paulo: 12 Ora, todos quantos querem viver
piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e
impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
Espante-se! Mas o que Paulo nos diz aqui é
profundamente estarrecedor. Todos quanto querem viver o cristianismo autentico
serão perseguidos. A perseguição é inevitável. Seja em qual nível for. A
perseguição é a credencial do verdadeiro cristão. Não deveríamos nos espantar
com esta afirmação de Paulo.
Se não vemos a perseguição com bons olhos
então estamos com sérios problemas em relação a nossa fé cristã. É possível que
você esteja em sua consciência negociando, fraquejando, barganhando a suas
convicções para não ser perseguido. Até onde você está disposto a chegar com
essa conversa de ser cristão? Até onde você suportaria as consequências de se
declarar seguidor de Jesus Cristo? Se a perseguição em nosso país fosse um
pouco mais intensa e dura desconfio que muitas igrejas estariam vazias.
Mas, o que isto tem a ver com diligencia
no ministério? Qual a relação entre a formação de um pastor e o sofrimento na
vida cristã? A resposta é simples. Sito é um teste. Uma prova. Somos testados
por Deus a todo momento. Aquilo que aprendemos é o que usamos em situações como
esta de Paulo. Veremos quem realmente foi instruído no evangelho quando for
colocado a prova. E a prova é o sofrimento, a perseguição.
Os falsos mestres não suportam o teste e
por isso são arrancados para fora do rebanho do Senhor. Entenda que o
sofrimento e a perseguição sobre a Igreja de Cristo não é para a sua
destruição, mas, para a sua purificação. Como disse Paulo: Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e
sendo enganados.
A perseguição sana toda dúvida em relação
aqueles que realmente amam Jesus Cristo. Os que estão na igreja por interesse
serão expelidos porque não suportam a ideia de perderem suas vidas. Eles amam a
si mesmos mais do que o próprio Senhor Jesus Cristo. A prova que podemos dar de
devotarmos toda a nossa fé em Cristo é renunciando a nós mesmos e até mesmo ao
nosso próprio corpo para que Cristo seja glorificado.
Eis o teste do que temos aprendido.
Quantos pastores passariam no teste de sua fé em Cristo? Quantos presbíteros e
diáconos seriam aprovados por sua perseverança e fé em Cristo Jesus? E você?
Passaria no teste? Qual tem ido a sua postura diante do evangelho em relação a
estão questão?
Amém!
Sermão pregado no culto matutino do dia 05 de outubro de 2015
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