O
que verificamos no sermão anterior foi que, QUANTO MAIS CLARO E MAIS NÍTIDO É O
ENTENDIMENTO DA LEI, MAIS SOMOS NEGLIGENTES E DISPOSTOS A TRANSGRESSÃO DELA.
Quanto mais a lei se torna clara ao nosso entendimento e compreensão, mais nos
tornamos perceptível a desobediência dela.
Entretanto,
a lei não tem nenhum efeito salvífico sobre nós. Mas, Cristo é superior a Adão
por ter ele, ao contrário de nosso primeiro pai, obedecido toda a lei. E mais, pelos
efeitos da lei, o próprio Senhor Jesus ter sido conduzido à morte por causa de
nossos pecados. Por isso, em Cristo é que a nossa obediência a lei é aceita por
Deus.
Não
é a lei que nos salva, mas, pela graça que é infinitamente superior a lei é que
somos conduzidos a obediência a Deus. Ainda, é importante lembrar que, pela
expiação de Cristo a graça nos alcança com imensurável poder em expurgar de
nossa mente toda a mentalidade pecaminosa que nos escravizava antes da nossa
conversão.
Você se lembra das
perguntas que foram feitas na aplicação do sermão anterior? Quem pode mudar os
nossos pensamentos? Quem pode alterar a nossa maneira de ver a condição humana
em que nos encontramos? Quem nos faz enxergar a redenção de nossa alma além dos
preceitos da lei? Quem pode reverter a nossa condição diante da lei de Deus?
Pois bem, agora iremos
analisar o verso 21 que nos diz: a fim de
que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela
justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!
De
imediato, é simples a reposta aqui a ser dada. Sabemos claramente que Cristo
por meio da graça superabundante, ou seja, infinitamente superior aos efeitos
da lei, é quem nos conduz a justificação para a vida eterna. Contudo, vamos a análise
completa do verso.
Um enredo triunfal sobre a história da redenção
Estamos
diante de uma belíssima e extraordinária
conclusão[1] que o apóstolo
Paulo faz nesta segunda sessão (do verso 12 ao 21). Paulo usa as expressões
chaves aqui de toda esta sessão como se estivesse poetizando o resumo de uma magnânima,
histórica e triunfal vitória de um rei sobre seus inimigos. Cada uma destas
expressões aponta para uma cena e estabelece o ato final de toda a atuação do
seu personagem principal: Jesus Cristo.
O
1) pecado, 2) o verbo reinar, 3) a morte, 4) a graça, 5) justiça, 6) a vida
eterna, 7) e Jesus Cristo. Todas elas nos conduzem a ver o resultado final da
obra de Cristo em nosso favor, nos garantindo a reconciliação, a paz (que nos é
descrita no verso 1 deste mesmo capitulo) com Deus.Vejamos como seria em
breve palavras este pequeno, mas extraordinário roteiro histórico como uso
destas palavras, e que, ao mesmo tempo, aponta para todo um resumo de tudo o
que já aprendemos em todo o capitulo 5 sobre a certeza da salvação.
Primeiro,
O PECADO: O nosso primeiro pai, Adão desobedecendo a Deus corrompe toda a raça
humana e todos os nossos pecados pessoais são testemunhas de toda depravação e
corrupção humana. Este é o primeiro aspecto do domínio do pecado. Segundo, o verbo REINAR e o substantivo MORTE: apontam para o
domínio do pecado que é estendido e fortalecido pelo poder da morte. O pecado
personifica a morte, primeiro física (e ninguém pode se livrar dela), mas
também, estendendo para a realidade espiritual e culminando na morte
eterna.
Veja
que em primeiro plano, o nosso vice-rei (como Adão é chamado na teologia do
pacto) é vencido pela extensão e o poder do pecado. Talvez, passando a aparente
ideia de que o pecado e a morte se estabeleceram de uma vez por todas sobre
toda a criação, em especial um domínio absoluto sobre o homem.
Mas,
em terceiro, temos a GRAÇA: de forma
surpreendente e plena, a graça atua em anular todo o poder do pecado e da morte
sobre os que são da linhagem deste vice-rei. E aqui, me faz lembrar de que esta
linhagem é claramente descrita desde Sete até o nosso Senhor Jesus Cristo. E
esta linhagem e perpetua na nova aliança através daqueles que confiam sua
própria vida ao seu Rei e Libertador o Senhor Jesus Cristo.
Em
quarto lugar, é importante destacar a JUSTIÇA e a VIDA ETERNA em CRISTO JESUS.
Veja que este reino triunfante e gentil é personificado em Jesus Cristo. Ele é
quem estabelece historicamente e espiritualmente a obra completa de justiça em
nosso favor. Cristo vencendo a morte e o pecado estabelece a justiça deste
reino.
Inevitavelmente,
o resultado final é recebermos a recompensa generosa da graça que é a vida
eterna. O prêmio que nos é prometido e garantido e que aguardamos no dia da
consumação final de nossa salvação. Lembremos de novo, a salvação já nos é
garantida e não a perdemos.
O Reino do pecado manifesta-se pela presença da morte
Mas,
veja que, em resumo, o reino do pecado pela morte se reportam a Adão e todo o
seu fracasso como o primeiro representante da raça humana. Descendemos dele e a
nossa condição humana é a evidencia clara do pecado e da morte presentes sobre
toda a criação.
É
importante lembrar que o pecado demonstra o seu poder e o seu domínio sobre o
homem pela presença da morte. A manifestação deste reino obscuro e opressor se
faz presente por meio da morte. Todos os dias a morte revela a presença do
pecado sobre todos os homens. Todos eles morrem. Não há quem possa vencer a
morte.
R.
C. Sproul conta que o desejo de sua mãe, já idosa, era ver o nome de sua
família perpetuar. Naquele dia, seu segundo filho havia nascido. E sua mãe lhe
havia dito que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Ela se deitou e dormiu
deixando ao lado de sua cama o vestido que usaria na ordenação de Sproul.
Logo
pela manhã a sua filha de 3 anos chamava a sua avó por diversas vezes na
tentativa de acorda-la. Sproul foi até o quarto e logo em seguida por um ou
dois minutos havia percebido que sua mãe estava morta. Um dia depois do
nascimento de seu filho, um dia em que celebraram a vida, no outro, de forma
súbita, simplesmente tudo acaba com a morte. Não há como escapar dela. A morte
sempre foi e será a nossa última inimiga
(Sproul. Pg. 167).[2]
O reino da graça se manifesta contra o pecado
Mas,
de forma hábil e com toda a sutileza, Paulo mais uma vez nos leva a contemplar
a beleza da gloria de Deus em todo o processo redentivo do seu povo. A beleza
da glória de Cristo que manifesta o reino da graça de Deus sobre cada eleito,
cada coração convertido a ele. O que Paulo nos revela aqui não é um reinado
qualquer. Tendemos a pensar um governo monárquico como um instrumento de
opressão, de peso, de escravidão.
Mas,
não é isto que Paulo nos propõe aqui. Se na história da humanidade reis e
rainhas foram déspotas, cruéis e opressores, este não é o caso da graça. Veja
como a frase de Paulo neste verso harmoniza com precisão o conceito de reino
com o poder que a graça exerce sobre aqueles que foram reconciliados com Deus.
Mais
uma vez veja aqui o contraste que nos é proposto nesta belíssima ilustração. Se
há algum reino déspota e cruel sobre a humanidade não é outra coisa senão o
domínio do pecado que exerce poder por causa dos efeitos que a morte traz ao
homem. É o pecado que escraviza, oprime, e age com terrível violência sobre
toda a raça humana.
Mas,
a graça de Deus estabelece um outro domínio. Ela é libertadora, nos conduz a
paz com Deus por meio de Cristo e nos concede a vida eterna. O domínio da graça
de Deus se dá pelos efeitos da Sua justiça manifesta sobre Cristo e por meio
Dele a nosso favor.
Ao
contrário do domínio do pecado, o reino da graça é generoso. Enquanto o pecado sempre
nos tira algo, a graça sempre nos concede os benefícios da justiça de Deus. Creio
que, a exemplo da parábola que Jesus contou do filho pródigo, é bem nítido que
todos os supostos amigos daquele rapaz lhe tiraram tudo o que ele tinha. E
mais, ao esbanjar e gastar toda a sua herança. Nenhum de seus falsos amigos lhe
deram nada. Lhe sobrou apenas as comidas dos porcos.
Lembremos
que a primeira coisa que o filho pródigo perde é a sua relação filial com o seu
pai. Perde todos os privilégios e direitos de um filho. Mas, graciosamente,
depois de todos ter lhe tirado tudo que ele tinha, ele lembra de sua casa e
para ela retorna. Veja o que é o reino da graça em contraste com o domínio do
pecado. O moço, mesmo em pecado de rebeldia e perdendo todos os privilégios de
filho, não deixou de ser filho. Seu pai estava a sua espera.
Eis
aqui meus irmãos uma importante aplicação. As pessoas são sempre iludidas com a
ideia de que o pecado sempre tem algo a nos oferecer. Por vezes, muitos crentes
são tomados por ideias como esta. De que o pecado é algo bom. Em geral, pessoas
assim, SEMPRE TENDEM A JUSTIFICAR SEU PECADO. Em geral tendem a racionalizar o
seu pecado. Por vezes usando até mesmo a própria Escritura.
Não negocie com o
pecado! Não se iluda com a ideia de que uma vida de pecado e de situações
pecaminosas mal resolvidas lhe darão alguma vantagem. Não se esqueça que o
pecado anda de mãos dadas com a morte. Todo e qualquer pecado nos conduz a
morte, de uma forma ou de outra.
Contudo,
aqui está o ponto que envolve a manifestação (o exercício de
sua autoridade sobre o pecado e a morte) e os efeitos da graça em nós. Somente
por esta graça é que nos é devolvido a visão real que o pecado havia
distorcido. Somente pela graça é que somos libertados de nossas falsas
perspectivas sobre nossos pecados. A graça nos devolve a visão do horror e dos
estragos provocados pelas nossas faltas diante de Deus.
Isto
nos lembra que a experiência do sofrimento por causa do pecado não pode ser
comparada com a gloria que nos espera quando passarmos deste mundo. A morte
para nós cristãos não pode ser encarada com um ponto final em nossa vida. Mas,
é apenas mais uma etapa a ser vencida em todo o sofrimento que estamos
expostos. Está na verdade é a última etapa de todo o sofrimento a ser vencido
em toda a nossa caminhada aqui neste mundo.
E,
em último lugar, somente aqueles que foram alcançados pela manifestação desta
graça é que podem contemplar a beleza da gloria de Deus. E, aguardam o dia em
todos os eleitos verão ao Senhor dos senhores, o Rei dos reis em gloria e
majestade e todos reinarão com ele sobre toda a Terra. Esta é a nossa esperança
que Paulo nos fala no versículo 2 e 3.
Sendo
assim, a única pergunta que tenho a você é: QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO
A SUA SITUAÇÃO E CONDIÇÃO? Após ouvir toda a análise deste capitulo em relação
a garantia da nossa justificação, de saber que só temos paz se Cristo nos
reconcilia com o Pai, de saber que a nossa alegria e regozijo não está nas
circunstancias já que elas são instáveis, de saber que Cristo é superior a todo
o legado de Adão, QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA VIDA DAQUI PARA
FRENTE?
A
sua esperança está em Cristo? Ou está em pessoas, amigos, métodos, em suas
convicções pessoais e humanas? Está no reino da graça ou nos prazeres do mundo
que o pecado nos oferece? Se você entende que Cristo é a sua esperança e
salvação, Você realmente tem certeza dela? Você tem certeza de que realmente
está salvo? Amém!
[1]
HENDRIKSEN, William. Romanos, Cultura
Cristã. Pag. 235.
[2]
SPROUL. R. C. Romanos. Cultura
Cristã. Pg. 167
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