terça-feira, 15 de março de 2016

A BELEZA DA GLORIA DE CRISTO NO REINO DA GRAÇA - Exposição de Romanos 5: 21

O que verificamos no sermão anterior foi que, QUANTO MAIS CLARO E MAIS NÍTIDO É O ENTENDIMENTO DA LEI, MAIS SOMOS NEGLIGENTES E DISPOSTOS A TRANSGRESSÃO DELA. Quanto mais a lei se torna clara ao nosso entendimento e compreensão, mais nos tornamos perceptível a desobediência dela.

Entretanto, a lei não tem nenhum efeito salvífico sobre nós. Mas, Cristo é superior a Adão por ter ele, ao contrário de nosso primeiro pai, obedecido toda a lei. E mais, pelos efeitos da lei, o próprio Senhor Jesus ter sido conduzido à morte por causa de nossos pecados. Por isso, em Cristo é que a nossa obediência a lei é aceita por Deus.

Não é a lei que nos salva, mas, pela graça que é infinitamente superior a lei é que somos conduzidos a obediência a Deus. Ainda, é importante lembrar que, pela expiação de Cristo a graça nos alcança com imensurável poder em expurgar de nossa mente toda a mentalidade pecaminosa que nos escravizava antes da nossa conversão.

Você se lembra das perguntas que foram feitas na aplicação do sermão anterior? Quem pode mudar os nossos pensamentos? Quem pode alterar a nossa maneira de ver a condição humana em que nos encontramos? Quem nos faz enxergar a redenção de nossa alma além dos preceitos da lei? Quem pode reverter a nossa condição diante da lei de Deus?

Pois bem, agora iremos analisar o verso 21 que nos diz: a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

De imediato, é simples a reposta aqui a ser dada. Sabemos claramente que Cristo por meio da graça superabundante, ou seja, infinitamente superior aos efeitos da lei, é quem nos conduz a justificação para a vida eterna. Contudo, vamos a análise completa do verso.

Um enredo triunfal sobre a história da redenção

Estamos diante de uma belíssima e extraordinária conclusão[1] que o apóstolo Paulo faz nesta segunda sessão (do verso 12 ao 21). Paulo usa as expressões chaves aqui de toda esta sessão como se estivesse poetizando o resumo de uma magnânima, histórica e triunfal vitória de um rei sobre seus inimigos. Cada uma destas expressões aponta para uma cena e estabelece o ato final de toda a atuação do seu personagem principal: Jesus Cristo.

O 1) pecado, 2) o verbo reinar, 3) a morte, 4) a graça, 5) justiça, 6) a vida eterna, 7) e Jesus Cristo. Todas elas nos conduzem a ver o resultado final da obra de Cristo em nosso favor, nos garantindo a reconciliação, a paz (que nos é descrita no verso 1 deste mesmo capitulo) com Deus.Vejamos  como seria em breve palavras este pequeno, mas extraordinário roteiro histórico como uso destas palavras, e que, ao mesmo tempo, aponta para todo um resumo de tudo o que já aprendemos em todo o capitulo 5 sobre a certeza da salvação.

 Primeiro, O PECADO: O nosso primeiro pai, Adão desobedecendo a Deus corrompe toda a raça humana e todos os nossos pecados pessoais são testemunhas de toda depravação e corrupção humana. Este é o primeiro aspecto do domínio do pecado. Segundo, o verbo REINAR e o substantivo MORTE: apontam para o domínio do pecado que é estendido e fortalecido pelo poder da morte. O pecado personifica a morte, primeiro física (e ninguém pode se livrar dela), mas também, estendendo para a realidade espiritual e culminando na morte eterna. 

Veja que em primeiro plano, o nosso vice-rei (como Adão é chamado na teologia do pacto) é vencido pela extensão e o poder do pecado. Talvez, passando a aparente ideia de que o pecado e a morte se estabeleceram de uma vez por todas sobre toda a criação, em especial um domínio absoluto sobre o homem.

Mas, em terceiro, temos a GRAÇA: de forma surpreendente e plena, a graça atua em anular todo o poder do pecado e da morte sobre os que são da linhagem deste vice-rei. E aqui, me faz lembrar de que esta linhagem é claramente descrita desde Sete até o nosso Senhor Jesus Cristo. E esta linhagem e perpetua na nova aliança através daqueles que confiam sua própria vida ao seu Rei e Libertador o Senhor Jesus Cristo.

Em quarto lugar, é importante destacar a JUSTIÇA e a VIDA ETERNA em CRISTO JESUS. Veja que este reino triunfante e gentil é personificado em Jesus Cristo. Ele é quem estabelece historicamente e espiritualmente a obra completa de justiça em nosso favor. Cristo vencendo a morte e o pecado estabelece a justiça deste reino.

Inevitavelmente, o resultado final é recebermos a recompensa generosa da graça que é a vida eterna. O prêmio que nos é prometido e garantido e que aguardamos no dia da consumação final de nossa salvação. Lembremos de novo, a salvação já nos é garantida e não a perdemos.

O Reino do pecado manifesta-se pela presença da morte

Mas, veja que, em resumo, o reino do pecado pela morte se reportam a Adão e todo o seu fracasso como o primeiro representante da raça humana. Descendemos dele e a nossa condição humana é a evidencia clara do pecado e da morte presentes sobre toda a criação.

É importante lembrar que o pecado demonstra o seu poder e o seu domínio sobre o homem pela presença da morte. A manifestação deste reino obscuro e opressor se faz presente por meio da morte. Todos os dias a morte revela a presença do pecado sobre todos os homens. Todos eles morrem. Não há quem possa vencer a morte.

R. C. Sproul conta que o desejo de sua mãe, já idosa, era ver o nome de sua família perpetuar. Naquele dia, seu segundo filho havia nascido. E sua mãe lhe havia dito que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Ela se deitou e dormiu deixando ao lado de sua cama o vestido que usaria na ordenação de Sproul.

Logo pela manhã a sua filha de 3 anos chamava a sua avó por diversas vezes na tentativa de acorda-la. Sproul foi até o quarto e logo em seguida por um ou dois minutos havia percebido que sua mãe estava morta. Um dia depois do nascimento de seu filho, um dia em que celebraram a vida, no outro, de forma súbita, simplesmente tudo acaba com a morte. Não há como escapar dela. A morte sempre foi e será a nossa última inimiga (Sproul. Pg. 167).[2]

O reino da graça se manifesta contra o pecado

Mas, de forma hábil e com toda a sutileza, Paulo mais uma vez nos leva a contemplar a beleza da gloria de Deus em todo o processo redentivo do seu povo. A beleza da glória de Cristo que manifesta o reino da graça de Deus sobre cada eleito, cada coração convertido a ele. O que Paulo nos revela aqui não é um reinado qualquer. Tendemos a pensar um governo monárquico como um instrumento de opressão, de peso, de escravidão.

Mas, não é isto que Paulo nos propõe aqui. Se na história da humanidade reis e rainhas foram déspotas, cruéis e opressores, este não é o caso da graça. Veja como a frase de Paulo neste verso harmoniza com precisão o conceito de reino com o poder que a graça exerce sobre aqueles que foram reconciliados com Deus.

Mais uma vez veja aqui o contraste que nos é proposto nesta belíssima ilustração. Se há algum reino déspota e cruel sobre a humanidade não é outra coisa senão o domínio do pecado que exerce poder por causa dos efeitos que a morte traz ao homem. É o pecado que escraviza, oprime, e age com terrível violência sobre toda a raça humana.

Mas, a graça de Deus estabelece um outro domínio. Ela é libertadora, nos conduz a paz com Deus por meio de Cristo e nos concede a vida eterna. O domínio da graça de Deus se dá pelos efeitos da Sua justiça manifesta sobre Cristo e por meio Dele a nosso favor. 

Ao contrário do domínio do pecado, o reino da graça é generoso. Enquanto o pecado sempre nos tira algo, a graça sempre nos concede os benefícios da justiça de Deus. Creio que, a exemplo da parábola que Jesus contou do filho pródigo, é bem nítido que todos os supostos amigos daquele rapaz lhe tiraram tudo o que ele tinha. E mais, ao esbanjar e gastar toda a sua herança. Nenhum de seus falsos amigos lhe deram nada. Lhe sobrou apenas as comidas dos porcos.  

Lembremos que a primeira coisa que o filho pródigo perde é a sua relação filial com o seu pai. Perde todos os privilégios e direitos de um filho. Mas, graciosamente, depois de todos ter lhe tirado tudo que ele tinha, ele lembra de sua casa e para ela retorna. Veja o que é o reino da graça em contraste com o domínio do pecado. O moço, mesmo em pecado de rebeldia e perdendo todos os privilégios de filho, não deixou de ser filho. Seu pai estava a sua espera.

Eis aqui meus irmãos uma importante aplicação. As pessoas são sempre iludidas com a ideia de que o pecado sempre tem algo a nos oferecer. Por vezes, muitos crentes são tomados por ideias como esta. De que o pecado é algo bom. Em geral, pessoas assim, SEMPRE TENDEM A JUSTIFICAR SEU PECADO. Em geral tendem a racionalizar o seu pecado. Por vezes usando até mesmo a própria Escritura.

Não  negocie com o pecado! Não se iluda com a ideia de que uma vida de pecado e de situações pecaminosas mal resolvidas lhe darão alguma vantagem. Não se esqueça que o pecado anda de mãos dadas com a morte. Todo e qualquer pecado nos conduz a morte, de uma forma ou de outra.

Contudo, aqui está o ponto que envolve a manifestação  (o exercício de sua autoridade sobre o pecado e a morte) e os efeitos da graça em nós. Somente por esta graça é que nos é devolvido a visão real que o pecado havia distorcido. Somente pela graça é que somos libertados de nossas falsas perspectivas sobre nossos pecados. A graça nos devolve a visão do horror e dos estragos provocados pelas nossas faltas diante de Deus.

Isto nos lembra que a experiência do sofrimento por causa do pecado não pode ser comparada com a gloria que nos espera quando passarmos deste mundo. A morte para nós cristãos não pode ser encarada com um ponto final em nossa vida. Mas, é apenas mais uma etapa a ser vencida em todo o sofrimento que estamos expostos. Está na verdade é a última etapa de todo o sofrimento a ser vencido em toda a nossa caminhada aqui neste mundo. 

E, em último lugar, somente aqueles que foram alcançados pela manifestação desta graça é que podem contemplar a beleza da gloria de Deus. E, aguardam o dia em todos os eleitos verão ao Senhor dos senhores, o Rei dos reis em gloria e majestade e todos reinarão com ele sobre toda a Terra. Esta é a nossa esperança que Paulo nos fala no versículo 2 e 3.

Sendo assim, a única pergunta que tenho a você é: QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA SITUAÇÃO E CONDIÇÃO? Após ouvir toda a análise deste capitulo em relação a garantia da nossa justificação, de saber que só temos paz se Cristo nos reconcilia com o Pai, de saber que a nossa alegria e regozijo não está nas circunstancias já que elas são instáveis, de saber que Cristo é superior a todo o legado de Adão, QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA VIDA DAQUI PARA FRENTE?

A sua esperança está em Cristo? Ou está em pessoas, amigos, métodos, em suas convicções pessoais e humanas? Está no reino da graça ou nos prazeres do mundo que o pecado nos oferece? Se você entende que Cristo é a sua esperança e salvação, Você realmente tem certeza dela? Você tem certeza de que realmente está salvo? Amém!


[1] HENDRIKSEN, William. Romanos, Cultura Cristã. Pag. 235.
[2] SPROUL. R. C. Romanos. Cultura Cristã. Pg. 167





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