sábado, 24 de janeiro de 2015

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - A Centralidade da Escritura Primeiramente no Lar. Exposição de II Timóteo 3. 15



Rapidamente, anteriormente analisamos o restante do versículo 14 desta que consideramos ser a terceira exortação de Paulo a Timóteo. Na verdade estamos inseridos nas palavras finais (do versículo 14 ao 16) desta terceira exortação. A mensagem do apóstolo Paulo a Timóteo no capítulo 3 é: suporte o sofrimento por causa do evangelho!


    Em resumo, a igreja corre sérios perigos quando a Palavra de Deus é deixada de lado. O grande desafio dos presbíteros e pastores é defender e lutar pela Palavra. Fazendo isto, primeiro, estão se dispondo para uma longa guerra contra o mundo. Segundo, estão defendendo a Igreja de Cristo.

    Veja que o ponto áureo aqui desta terceira exortação, não está no sofrimento e perseguição seja de Timóteo como de Paulo, mas, está na Centralidade da Escritura. A relação entre a questão do sofrimento e o Evangelho é a demanda de todo um esforço e risco que devemos assumir em prol da propagação e preservação da verdade na Igreja.

    Agora veja a diferença entre os hereges e os verdadeiros pastores da Igreja de Cristo. Quando são submetidos a tribulação, ou, ao sofrimento, os hereges não aguentam e fogem. Os verdadeiros pastores não oscilam em seus pensamentos e convicções. Eles se mantem firmes e não são volúveis aos modismos e as variedades de tantas falsas doutrinas que permeia o nosso meio.

    Por seguinte, a segunda distinção clara entre os falsos e os verdadeiros obreiros está no que assimilam em relação ao anuncio do evangelho. Os verdadeiros pastores aprendem, fixam os princípios tanto na teoria como na pratica diária. Eles não negociam com princípios com Deus, mas são fiéis.

    Você percebe aqui a diferença entre os que são falsos e os verdadeiros pastores? Os verdadeiros mestres são os que realmente APRENDERAM. Eles são discípulos de Cristo. Eles conhecem a Cristo. Ouvem a voz de seu Mestre. Cristo os instrui pela Escritura. E em nome do próprio Cristo, eles instruem outros discípulos a seguirem fielmente o seu Mestre.
    Falando em seguir e aprender com o Mestre, vamos seguir a análise do versículo 15 agora. Para melhor captarmos a ideia estabelecida por Paulo, vou me adiantar em uma pergunta simples.

Qual é o futuro da Igreja em nosso país? Qual é o futuro da Igreja Presbiteriana do Brasil? Que perspectiva temos para os próximos, talvez, 20 anos da igreja evangélica em solo brasileiro? Quer saber? Faça uma análise da sua própria vida e a da sua família. Então, você saberá qual será o futuro da igreja.

E aqui aprendemos uma coisa muito simples. A Igreja é o que você e sua família também é. A Igreja sempre será o reflexo de nossa casa. Mas, onde entra a Centralidade da Escritura neste ponto? A questão é se toda a Escritura faz parte da sua casa assim como aparentemente ela é tão enfatizada e usada em nossos cultos.

Voltando a pergunta inicial, um pastor muito conhecido em nosso meio nos deu uma singela e preocupante resposta. Veja o que ele diz:

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo "evangélica" de maneira ampla – confesso que sou incapaz de prever o que vem pela frente, Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja (Nicodemus, pg. 30)

    Quando a falta de alguma referência e identidade vai se perdendo na igreja, a única certeza que temos e de que estamos diante de um futuro duvidoso e incerto. Você sabe o que isto significa? Uma igreja sem perspectiva de futuro está em sérios apuros, ameaçada e também se torna uma grande ameaça a outras igrejas.

    Este era um dos grandes perigos que o apóstolo Paulo havia detectado em relação ao desânimo de Timóteo. A Igreja de Éfeso estava ameaça e também poderia ameaçar muitas outras igrejas porque, em primeiro lugar, ela era uma referência, um modelo, um ponto de apoio para muitas outras igrejas na região da Ásia Menor.

    Mas, em segundo lugar, A igreja de Éfeso estava em crise espiritual por causa da escassez de presbíteros, já que Timóteo deveria escolher urgente outros homens que fossem fieis a Cristo e os treinasse para que pudessem ensinar regularmente a igreja (II Tm 2: 1). Os gnósticos estavam se aproveitando a oportunidade para ocuparem os espaços vazios.

    Agora veja o perigo desta situação. Éfeso, uma igreja modelo para as outras. Mas, naquela circunstância, que modelo ela poderia ser? Atente-se ao grande perigo que diversas igrejas naquela região corriam. Observe atentamente a relação disto que estou frisando com o versículo 15: e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

    No primeiro momento, versículo 14, Paulo já havia dito que a Timóteo era diferente dos falsos mestres porque havia sido instruído na verdade. A sua instrução é propositalmente mencionada como mestre, o próprio apóstolo Paulo. E a razão é muito simples. Paulo não fala de si mesmo como autor de todos os ensinamentos entregues a Timóteo, mas, fala como o instrumento da revelação de Deus ao seu povo naquele momento.

    Na verdade, Paulo destaca a própria Palavra de Deus como sendo a razão em que Timóteo fora habilitado pregador e presbítero. Mas, me chama a atenção o devido valor que Paulo agora acrescenta a instrução que Eunice e Loide (mãe e avó) haviam dado a Timóteo. Paulo aqui é de uma sabedoria e didática em nos lembrar o processo ordinário para a instrução de uma pessoa na Igreja.

    Antes que Timóteo chegasse a Paulo, passou primeiro pela instrução de sua casa. Pode não ser tão importante assim, mas, veja que a palavra usada por Paulo para referir-se a sua infância é brephos que originalmente significa embrião humano, ou, um feto em formação no útero de uma mulher gestante.


    NA verdade, Paulo estava se referindo, claro que não se pode falar com precisão, mas a idade de uma criança antes dos seus cinco anos de idade. Talvez, quando Timóteo ainda era uma criança de uns dois ou três anos. Quem sabe um bebê. De qualquer forma, Paulo lembra a importância de uma pessoa passar pela instrução de sua fé desde seu nascimento.

    Algumas informações nos são muito interessantes aqui. Primeiro, aqui se tem uma forte evidência de que Timóteo era mesmo judeu. O era por causa de sua mãe e sua avó. Seu pai era um gentio. Tendo a pensar que, talvez, o pai de Timóteo não fosse crente. De qualquer forma, Timóteo recebeu a instrução de um menino judeu. Veja que o texto nos revela qual era a fonte de sua mãe e avó: AS SAGRADAS LETRAS.


    Paulo mencionou o Antigo Testamento. É importante frisar que eles não tinham o Novo Testamento, mas, apenas o Antigo Testamento. Algumas cartas apostólicas ainda estavam sendo escritas, e, sendo assim, o único texto inspirado e sagrado a fé cristã era o Antigo Testamento.

    Mas, considero extremamente precioso o que Paulo registra em suas palavras no versículo 15. Como foi de extrema importância Timóteo ter sido educado desde pequeno através do Antigo Testamento. Como foi importante para a sua formação até alcançar a juventude ser preparado a fé cristã a partir do entendimento da lei de Deus, da história do Seu povo e das profecias sobre Jesus Cristo.

    Sabemos que Paulo claramente considera o Antigo Testamento como parte da Escritura porque ele mesmo disse: sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Atente-se as suas palavras: As sagradas letras (O Antigo Testamento) tem o poder de tornar-te habilitado à salvação em Cristo Jesus.

    Em outras palavras: Timóteo, foi de grande importância sua mãe e avó lhe ensinar todo o Antigo Testamento porque é também a Palavra de Deus que anuncia a salvação em Cristo Jesus. Veja Timóteo, os gnósticos não apreciam estes textos sagrados. Eles o rejeitam. Baseiam seus ensinamentos em mitos, fábulas, imaginações, em magias, encantamentos e toda forma supersticiosa ou mística de religiosidade.

    Seria o mesmo que dizer: Timóteo você tem base, eles não. Você tem a pedra angular. Eles contam com as suas próprias imaginações e sofismo. São hábeis, mas, não na verdade. São hábeis na mentira. Sabem mentir como ninguém. Não obstante, no versículo 16, Paulo ressalta o que acabara de dizer: Toda a Escritura é útil. Em outras palavras, Tanto o antigo como futuramente seria completado a Palavra de Deus o novo testamento.

    Você já percebeu que as seitas em geral fazem questão de selecionarem determinados trechos, livros e porções da Bíblia para criarem suas heresias? Em geral rejeitam e distorcem diversas passagens bíblicas para contraditoriamente simularem uma espécie de "coerência" e "sabedoria" humana que, na verdade eles não tem.

    Mas, o pior de tudo isto, é que muitos crentes são influenciados a fazerem o mesmo. Denominações cristãs inteiras estão em sérios apuros e a beira de sua extinção justamente porque estão rejeitam o conteúdo, a hermenêutica correta, a pregação e aplicação fiel de toda Escritura. Eles estão imitando as mesmas fabulas, mitos, imaginações, visões, sonhos, certos milagres que disfarçam as suas magias e encantamentos. As gritarias e as palavras de ordem que disfarçam seus encantamentos ocultos.

    Sobre isto deixe-me dar mais uma informação. Tem se tornado comum o crescimento de determinadas seitas "evangélicas" que misturam a religião cristã com as práticas, danças, cantos e ritos do candomblé e da Umbanda. Os católicos já não estão mais sozinhos nesta empreitada. Já faz um certo tempo em que os evangélicos agora também são sincréticos e pluralistas em sua religião.

    Mas, e a Igreja Presbiteriana em nosso país? Temo que também esteja correndo os mesmos riscos. É notório nos presbitérios, sínodos e na IPB de forma geral a dissidência de grupos já bem nomenclaturados. De ideias nitidamente bem divergentes. De práticas anti-bíblicas escancaradas ao público, mas que em nada causam algum efeito na maioria dos que são os responsáveis por estes grupos, pastores e igrejas.

    Mas, onde tudo isto começa? Simples. Começa em casa. Veja que Paulo ressalta ser Timóteo instruído desde a sua infância. Desde pequeno. Talvez, desde quando era um bebe. Entre os judeus, os pais tinham a obrigação de educarem seus filhos até os 12 anos em casa. Em seguida, quando havia a possibilidade, eram conduzidos a um mestre ou escola que lhes proporcionassem um ensino mais avançado nas Escrituras. E, foi assim que aconteceu com Timóteo.

    Vejam aqui a importância e a necessidade da Palavra de Deus ser constantemente e exaustivamente ensinada aos nossos filhos. A Centralidade da Escritura em uma igreja começa na família. Não se enganem! O mundo tem caminhado para um declínio intelectual sem medidas. A cada dia que passa, a ignorância tem tomado conta da consciência das pessoas.

    Quando falo que a irracionalidade e a ignorância têm aumentado, me refiro a desconstrução de princípios e conceitos básicos em diversas áreas. Determinadas atrocidades como o aborto sendo pouco a pouco considerado não uma questão ética mas de saúde publica.

A sexualidade precoce sendo estimulada nas crianças a partir de 6 anos sendo tratado como liberdade de expressão em vez de ser tratado como uma questão moral. A correção com o uso da vara e do chinelo é considerado uma violência contra criança em vez de ser tratado como uma questão necessária na educação familiar. A sociedade quer tirar qualquer possibilidade de limites na formação das pessoas. É isto que chamo de irracionalidade.

Por isso Paulo havia dito que a irracionalidade dos hereges o distinguia de Timóteo porque as sagradas letras lhe habilitariam ao entendimento e a vivência da salvação em Cristo. Ele era um homem sábio comparados aos outros homens de seu tempo. Como o apóstolo já havia dito desde o capitulo 2, a única coisa que nos resta e que produz o efeito necessário para uma igreja fiel a Cristo é o ensino sistemático da Palavra.

Outra questão importante a ser aqui aplicado. O ensino da Palavra de Deus no lar deve ser estendido a todas as esferas da vida humana. A Bíblia deve ser aplicada em todos os temas possíveis. Nossos filhos devem ser preparados em qualquer ciência, profissão que irão seguir, a mentalidade que desenvolverão sobre a sociedade, comportamento, ética com fundamentação bíblica.

Se temos experimentado uma intensa crise intelectual e literária que já perdura mais de 40 anos em nosso país, infelizmente os evangélicos tem contribuído para esta decadência. Se experimentamos uma decadência moral e ética nas instituições e organizações de nossa sociedade é porque a igreja brasileira também a igreja tem feito parte disto.

Caso contrário, seriamos intensamente perseguidos. Sofreríamos mais por causa da nossa convicção e amor pelo evangelho. A seleção para ser parte da igreja seria bem mais rigorosa. O problema talvez, não seja mais o que estamos ensinando as nossas crianças, mas, a minha maior preocupação é se realmente estão ensinando a Escritura a elas. Mais ainda, tenho a forte impressão de que os pais de modo geral, estão transferindo esta responsabilidade pesadamente a igreja, as escolas e ao Estado.

 Entenda uma coisa. O governo e as escolas não irão fazer por você aquilo que é de sua responsabilidade. O próprio Estado de modo geral já tem experimentado uma extensa crise na educação formal desde o ensino fundamental até as universidades. Os governos já estão pedindo socorro seja a quem for para suprir a demanda de uma educação praticamente falida. 

Ouvir esta semana de um governante em nosso Estado de Rondônia algo muito simples. O problema não é dinheiro, ou, verba. Mas, o nosso problema na educação são os nossos alunos e a sua relação com a necessidade de levarem a sério os seus estudos. As escolas são do século dezenove, os professores do século vinte e estes alunos são do século vinte e um.

Eu pergunto a você. A boa formação de nossas crianças e jovens dependem de que e de quem? Do Estado? O Estado brasileiro não tem preocupação de ensinar a Bíblia aos seus filhos. É da escola que ele estuda? Com algumas exceções, até mesmo as escolas particulares e que se dizem confessionais já estão secularizadas. A responsabilidade é da igreja? Em parte e o que cabe a ela, sim. Mas ela é a tutora primaria na educação de seus filhos?

De quem e do que depende a formação de seus filhos? A responsabilidade direta não é dos seus pastores, dos seus presbíteros, muito menos do governo e da escola que ele estuda, mas, a responsabilidade é de vocês senhores pais. Ainda espero pelo dia em que não serão mais os pastores os responsáveis pelo discipulado de nossos adolescentes e jovens que desde pequenos foram criados na igreja. Ainda tenho a esperança de que eles sejam continuamente discipulados pelos seus pais desde pequenos até o dia da sua publica profissão de fé. Você tem discipulado seus filhos?

Qual será o futuro da Igreja Presbiteriana em nosso país? Como vai ser a Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho daqui 20 anos? A resposta está exatamente na sua casa. A Escritura é o centro de nossa consciência e formação familiar? A Palavra de Deus tem sido o texto base na formação de nossa família? Eles realmente leem e aprendem a Escritura? Temos ensinado sistematicamente a eles a Palavra de Deus? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior

Sermão pregado no culto matutino do dia 18 de janeiro de 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A RAZÃO DA NOSSA ESPERANÇA É O AMOR DE DEUS – Exposição de Romanos 5: 6-8.

Ouça o sermão em áudio aqui

Analisamos anteriormente a razão de se ter esperança na vida cristã e antes mesmo de continuar a exposição do capitulo cinco de romanos, é bom lembrarmos qual é o contexto do que temos aprendido até o momento. Primeiro, o próprio livro de Romanos que nos revela todo o conteúdo do evangelho de Cristo. E basicamente, o tema de todo o evangelho é a manifestação da justiça de Deus sobre a raça humana por meio de Cristo para sua própria glória. E, este tema fica bem esclarecido e fundamentado a cada assunto, perícope e capitulo aqui da epístola aos romanos.

Mas, especificamente, o capitulo cinco, nos revela a manifestação da justiça de Deus nos eleitos. Aqueles que foram justificados, aqueles que Deus lhes imputou a Sua justiça, estes foram reconciliados e assegurados, ou, preservados do juízo e da ira de Deus por causa e por meio de Jesus Cristo que é o nosso conciliador, o nosso mediador, intercessor, o nosso redentor. Em suma, isto é desfrutar da paz com Deus.

Contudo, aqui no capitulo cinco, verificamos que Jesus é quem nos assegura esta paz e que a única coisa que nos é cobrado por isso é gloriar-se na esperança da gloria de Deus, ou seja, devemos regozijar-nos porque a justiça divina nos alcançou e experimentamos de certo modo a glória de Deus. Isto nos faz lembrar do que nos é guardado e garantido: a glória eterna.

Mas, não podemos esquecer do que somos avisados nos versículos 3 e 4. A nossa esperança deve ser exercida especialmente por causa dos dias maus em que vivemos. As tribulações são inevitáveis e a esperança que temos em Cristo Jesus é assegurada pelo amor de Deus e preservada, mantida pelo Seu Santo Espirito. Foi aqui que paramos na exposição anterior.

    Lembre-se do que foi aplicado aqui? A esperança não é meramente à espera de que as coisas vão melhorar. Muito menos o anseio de que tudo vai dar certo em sua vida. Mas, a esperança cristã é a certeza de que não são as pessoas e as circunstâncias que nos garantem a salvação, mas é o próprio Deus por meio do Espirito Santo que nos dá esta maravilhosa certeza.

    Você espera pelo que? Por uma vida melhor? Prestígio por ser cristão? Espera que o mundo se importe com o fato de seguir a Jesus? Espera não passar por problemas? Sem perdas e dores? Não é isto que Deus nos promete em seu evangelho. A promessa em que baseamos a nossa certeza é de que quanto mais sofrermos por causa de Cristo, a garantia de que fomos justificados é cada vez mais clara, nítida, e mais próxima de nós em sua consumação final.

    Por isso Paulo havia dito aos romanos que a nossa esperança não decepciona, não confunde e não frustra porque o Seu amor para conosco é incondicional, não podemos dimensiona-lo. Ninguém pode medir com precisão a intensidade do amor de Deus pelos seus filhos e filhas.

Só sabemos que Deus derramou, ou seja, Deus não economizou a conta gotas o seu favorecimento a nós, mas, ele despejou um grande balde sobre nós. Ele fez transbordar todo o seu beneplácito a cada um dos seus pela morte do seu Filho Jesus Cristo como penhor da nossa justificação. E neste sentido, isto é impagável, é incalculável.

    E eu gostaria de continuar exatamente deste ponto. Vamos aproveitar a oportunidade que o texto, mais uma vez nos proporciona. Vamos falar do amor de Deus. Se devemos ter esperança, certeza, segurança de nossa salvação em Cristo nas tribulações é porque Deus nos amou antes da fundação do mundo e o seu amor nos atingiu como prova da manifestação da Sua justiça em nós por meio de seu Filho Jesus Cristo.
    Sei que você tanto quanto outras pessoas apreciam sem moderação este assunto. Como é bom ouvir sobre o amor de Deus. Se fizéssemos uma pesquisa de qual tema você desejaria ouvir com mais frequência, talvez as grandes maiorias de vocês decidiriam em ouvir sobre o amor de Deus.

Mas, muitos ainda não entendem o seu significado correto nas Escrituras. Apreciam uma ideia distorcida do amor de Deus. Permita-me ser direto aqui. O amor de Deus nas Escrituras não é uma mera demonstração de afetividade emocional. Deu não nos ama como um pai desastroso que mima seu filho. Amar não significa fazer todas as vontades de uma pessoa. Não significa que Deus simplesmente deixará de agir com sua justiça retributiva só porque sente pena da raça humana.

    Por favor, também não confunda o amor de Deus com a sua bondade manifesta a todos os seres humanos. Deus não ama o ímpio como verificamos nos capítulos um e dois. E nos é bem claro isto também no versículo 6. Deus ama os seus eleitos apenas. A bondade de Deus que se estende a todos os homens é a demonstração de sua providencia e principalmente justiça. Deus é bom não porque sente pena dos homens, mas, porque é justo.

Amor segundo o apóstolo Paulo é a demonstração da sua misericórdia e graça sobre o seu povo. O amor de Deus é a Sua livre e soberana vontade em destinar para a vida através da morte de Cristo todos nós que nos encontrávamos mortos em nossos delitos e pecados. O amor de Deus está relacionado com a justificação. Podemos dizer que nesta relação, o amor de Deus é a declaração judicial e moral de que somos absolvidos de nossos pecados e por Ele perdoados por causa e por meio de Cristo Jesus.

A partir do versículo 6 ao 10, Paulo nos leva a ter uma pequena, mas precisa noção do que vem a ser o amor de Deus para conosco. Como Deus manifestou esse amor para que pudéssemos ser reconciliados com Ele. O versículo 6 nos diz: 'Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

De início, Paulo nos diz que que quando éramos "fracos". Veja que primeiro Ele nos faz saber que antes de tudo, éramos "fracos". Originalmente significa que éramos 'frágeis'. Significa que não tínhamos e ainda não temos força alguma.

Quando nos encontrávamos como aquele tetraplégico em Cafarnaum que não podia se aproximar de Jesus Cristo e só pode restaurar as forças de seus nervos, músculos e ossos por causa de Cristo. A primeira de todas as coisas que você precisa saber sobre o amor de Deus é que você era como um "tetraplégico" espiritual. Alguém que não tinha forças suficiente para realizar algo ao seu favor.
Alguém que estava entregue à própria sorte de seus pecados e que por isso, não tinham e não tem forças para reverter a sua situação ou condição diante de Deus. Impotentes, inúteis, incultos, quanto a todas as possíveis tentativas de nos vermos livres da inimizade e o juízo de Deus sobre nós.

Esta é primeira coisa que todos nós precisamos saber. Que somos incapazes de qualquer esforço para sermos reconciliados e perdoados por Deus. Nossas obras de nada valem e nenhum efeito possui se por nós mesmos tentamos nos aproximar de Deus. Se fosse assim, Deus seria injusto e seria um mentiroso.
E mais, no final do versículo 6, somos chamados de ímpios. É isso mesmo. Somos todos nós, os que já experimentaram o amor de Deus, chamados de ímpios porque era exatamente esta a nossa condição diante de Deus.
Você sabe o significado da palavra 'ímpio'? Aqueles que são destituídos de qualquer afeição, temor, reverência a Deus. Eles favorecem a maldade e a impiedade sobre a terra. Eles contribuem para a malignidade no mundo. Desejam como se satisfazem com o banho regado de sangue dos órfãos, viúvas, pobres, necessitados e carentes.

Você deve pensar: "Meu Deus! Como são horríveis estes que são chamados de ímpios!" Mas, o texto não fala de outra pessoa senão de você mesmo. Aqui está o seu retrato falado meu caro. É de você que Paulo fala aqui neste depoimento judicial. Além de incapacitado para qualquer tentativa de reconciliação com Deus, você constava na lista dos que eram tratados como inimigos Dele.

A minha pergunta é se você realmente se reconhece neste retrato falado? Ou mesmo com todas as evidências contra você ainda assim nega veemente a sua condição diante de Deus? fico aqui me perguntando: Quantos fugitivos estão neste momento assentados em algum destes bancos e de tantos outros lugares que se acham fora do alcance dos olhos de Deus.

Quanto aqui estão como aqueles criminosos que para se verem livres da justiça fogem para localidades bem distantes e se passam por outra pessoa, criam uma nova identidade, uma nova personalidade achando que não serão mais pegos.

Você é um deles em relação a sua condição espiritual? Você é um destes que se refugiam aqui em nosso meio achando que pelo fato de estarem na igreja, nos cultos, cumprindo todos os critérios ritualísticos, religiosos, eclesiásticos e normativos você está livre do juízo de Deus?

Deixe-me dizer algo importante. Enquanto Deus não lhe convencer de que você é um impotente e um ímpio, os olhos do Senhor Juiz estão voltados para você neste momento. Você não pode negociar com Ele.

Você não tem competência para isto. Não há livramento e salvação para aqueles que arrotam toda a sua soberba intelectual e religiosa. Aqueles que não baixam a sua servis e não se humilham diante do Rei são ímpios.

O salmo 12 chama aqueles que receberam o amor de Deus pelo Espírito Santo de pobres e necessitados. Leia o texto comigo. Veja o que nos diz o salmista:


Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. 2 Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. 3 Corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, 4 pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós? 5 Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira. 6 As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. 7 Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. 8 Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada (Salmo 12).

Veja aqui a conexão deste ponto com o os versículos 3 e 4 de Romanos 5. Quem são os pobres e necessitados? São os que recebem o amor de Deus pela expiação de Cristo Jesus. Eles são chamados de humildes em Mateus 5: 3. São aqueles que Jesus também mencionou como sendo aqueles pequeninos que tiveram fome, sede, não tinham roupas, eram peregrinos e forasteiros, pobres, despidos de qualquer bem terreno.

Quem são os pobres e os necessitados do salmo 12 e de tantos outros salmos em que são citados? São os eleitos de Deus. Davi, no Salmo 12 estava mencionando os crentes da antiga e também da nova aliança que eram e seriam tratados com desprezo, ódio, descaso, seriam difamados, caluniados, perseguidos, maltratados por causa da justiça que nos alcançou e nos transformou pelo Seu amor em filhos de Deus. 

Paulo, sendo hábil em sua compreensão da teologia do Antigo Testamento fez uma precisa relação dos que outrora eram ímpios e impotentes, sendo alcançados pela justiça graciosa de Deus agora não pertencem a ordem ou o sistema pecaminoso do mundo e que de ante mão ele disse: "vão passar por tribulações, vão sofrer por causa da justiça que agora se manifesta em vocês. E por isso, tenham esperança, aguentem firmes!"

Então que fique dito: A primeira demonstração do amor de Deus para conosco é revelar a nossa verdadeira identidade e realidade. Você não é uma boa pessoa. Pelo contrário, você é mau. É um depravado, era inimigo de Deus, considerado um criminoso, um condenado tentando fugir de sua presença. E mais, um impotente, um incapaz de se auto justificar ou negociar com Deus a sua rendição.

Parece para você estranho Deus demonstrar o seu amor simplesmente nos acusando da nossa impiedade e impotência espiritual? Mas, você deve pensar ao contrário disto. Imagine se Ele não nos confrontasse de nossa real situação e condição. O Senhor, de forma justa, estaria nos entregando a nossa própria maldade e crueldade. Estaríamos perdidos.

Como é bom saber que Deus sempre nos lembra da disposição do nosso coração pecaminoso. Como é bom saber que eu sou incapaz de fazer o bem especialmente nas provações e tentações. Isto me serve de alerta. Sempre ser lembrado de que sou fraco nas tribulações é o que também alimenta e fortifica a nossa esperança em Cristo. Sempre é importante ser lembrado de que sou impotente e ainda contaminado por uma natureza pecaminosa porque isto é a prova de que Deus me ama.

Este é o ponto em que muitos crentes tendem a se equivocarem sobre a doutrina do amor de Deus. Por isso, com ojá havia iniciado em minhas palavras aqui, Deus não mima seus filhos. Deus não faz todas as nossas vontades como se tivesse dó ou pena. Se Ele fizesse isto, na verdade isto não seria amor, mas indiferença e crueldade.

Até posso afirmar com toda segurança que se Ele nos entregasse as nossas vontades ainda assim não seria injusto. É isto mesmo que merecíamos. Ser destruídos pelas nossas próprias paixões e desejos do coração. Isto nos está bem claro no Capitulo um. Deus não estaria fazendo nada de errado se virasse as costas para nós. E com toda certeza, eu o louvo por isso. Deus seja louvado! Ele é justo! Ele é o Santo! Soberano e livre em seus desígnios e vontade.

No entanto um outro aspecto que nos revela o amor de Deus para conosco. Primeiro, que Ele demonstra o seu amor para conosco, nos revelando quem realmente somos. Nos faz enxergar a nossa condição de impotentes e entregues à própria malignidade.

Mas, agora ele faz com que a obra expiatória de Cristo seja o passaporte para passarmos na catraca da estação para o céu. Apenas uma coisa é o que nos conduz a salvação a morte de Cristo na cruz. Ele prova o seu amor fazendo uma coisa apenas, mas, que lhe custou a vida de seu próprio Filho. Entrega-lo ao mais terrível castigo de todos por causa dos nossos pecados.

Vamos a analise deste ponto. Ela se baseia na parte "b" do versículo 6 e nos versículos 7 e 8 que diz:


"Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores"

Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. A morte de Cristo na cruz foi algo extremamente cruel. Uma das mais barbaras e desumana forma de assassinato.

Tudo começa com um de seus discípulos lhe vendendo por uma merreca de trinta moedas de prata e dos outros covardemente fugindo com medo de serem penalizados como foi Jesus. Naquela madrugada de quinta para sexta, não houve um julgamento, mas, um complô contra um homem inocente. O seu próprio povo gritava com tamanho ódio e agressividade: 'crucifica-o, crucifica-o!' 

Ele foi torturado a todo momento. Não foram apenas os acoites, os esmurros, e tantas outras formas de violência física, mas, principalmente a humilhação, os deboches, as blasfêmias, as mais violentes ofensas contra ele.

Carregou sobre seus ombros um grande madeiro ao longo do caminho fora dos portões de Jerusalém, e isto debaixo de acoites, gritos, xingamentos, empurrões, cuspidas e tantas outras formas de violência contra ele. Foi fixado com pregos em suas mãos, e pés. Sua posição na cruz o fazia sofrer a mais agonizante de todas as dores e tortura. Levava dias para uma pessoa morrer naquelas condições.

A morte de cruz, mais do que uma pena capital, era uma forma de tortura. Aos poucos Jesus sentia câimbras em seus pés e não suportando o peso de seu corpo, se apoiava no madeiro, mas a medida que ele tentavam descansar deste peso, seus pulmões enchiam de água e começava a sufocar.

Quando o sufocamento era intenso, ele voltava a posição ereta, mas as dores sobre e a câimbra suas pernas e pés voltavam com toda intensidade. E por horas, em meio a blasfêmias e agressões verbais Jesus ficava entre as dores insuportáveis de seu corpo e o sufocamento agonizante e lento.

Até que deu seu último suspiro e já não suportando todo aquele sofrimento, apenas disse: Tudo está consumado! Pai, a ti entrego o meu espírito! E assim um de seus apóstolos diz: Cristo morreu pelo ímpio. Este é o contexto aqui nas poucas palavras de Paulo.

Quanto aos versículos 7 e 8, Você seria capaz de entregar o seu filho ou, até mesmo os seus filhos para salvar a vida dos apenados do presidio federal de Porto Velho. Você trocaria sua família em favor dos piores bandidos e assassinos presos nos diversos presídios de segurança máxima em nosso país?

Não precisa responder. Eu já tenho a resposta. Não. Você não faria isto. Nem mesmo Abraão mesmo que obedecendo a ordem do Anjo do Senhor de dispor seu filho Isaque ao holocausto, foi impedido de tal brutalidade. Isaque, e muito menos o sangue de nossos filhos podem salvar alguém, e muito menos a vida deles diante do juízo de Deus.

A verdade é que nunca estaremos preparados para uma tragédia dessa em nossa vida. Por mais que um filho nosso seja tão rebelde, indisciplinado, e que possa trazer tanto desgosto a nós seus pais, ainda assim, não suportaríamos a sua morte precoce. Nunca estaremos preparados para que nossos filhos partam antes de nós. Que dirá entrega-los como propiciação aos crimes de uma marginal e assassino!

Paulo diz que nem mesmo pelo justo seriamos capaz de dar a nossa própria vida. Que dirá aqueles que são a escória da sociedade. Mas, isto nos serve de consolo, como também de um grande alerta nas provações e tentações.

Nos dias em que vivemos não presenciamos mais os mártires e heróis que entregam sua vida pela preservação de outras. Se aqueles que morreram por alguma boa causa e são lembrados com honra por isto, mesmo assim a sua morte acaba que engavetado no arquivo de uma memória desbotada e que aos poucos vai perdendo a sua devida importância.

Por isso Paulo disse que a morte de Cristo pelos eleitos não fica no esquecimento ou na decepção. Ela gera esperança, firmeza de que estamos em paz com Deus. Todas as vezes que você estiver diante das oportunidades de pecar contra Deus, lembre-se o quanto custou a sua liberdade da escravidão do pecado e das garras de satanás. Todas as vezes que a soberba for incitada em seu coração seja por quais motivos forem, lembre-se do custo exato de seu resgate: a morte de um inocente e a humilhação de um justo.

Penso que se realmente em nossos dias compreendêssemos o amor de Deus em nossa vida com a Escritura nos ensina, seriamos mais criteriosos com o estilo de vida que levamos, o que falamos, o que pensamos, por onde andamos, seriamos mais cuidadosos com os nossos sentimentos, falaríamos menos. Não teríamos mais medo de Deus, mas teríamos medo de ofender ao nosso Deus.

Se realmente a doutrina do amor de Deus fosse ensinada conforme a Bíblia nos diz, o mundo seria um caos. A sociedade se levantaria com mais furor e incitação contra a Igreja de Cristo. Viveríamos em outros tempos. Se o amor de Deus fosse realmente vivido pelos crentes de hoje, seriamos mais odiados pelo mundo.

Minhas palavras finais são simples neste momento. Primeiro, você compreende o que é o amor de Deus? Veja bem, não estou perguntando se você entendeu o que acabei de explicar e aplicar, mas se você experimentalmente sabe o que é o amor de Deus em sua vida. Realmente você foi alcançado pelo amor de Deus?

Você compreende e reconhece que antes de tudo, você está impotente, inabilitado e sem qualquer possibilidade de negociar uma reconciliação com Deus? Você entende que só Deus por meio de seu Espírito Santo lhe convence de suas fugas e que você deve se entregar a Cristo?

Você entende que somente o sangue de Cristo é eficaz para nos reconciliar com o Pai? Você compreende que a prova cabal do amor de Deus para conosco é a ira do Pai sobre o seu único Filho, Jesus Cristo? Você compreende que só podemos ter alguma esperança se a nossa vida for entregue a Cristo? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior

Sermão pregado no culto vespertino no dia 11 de janeiro de 2015. 


 

domingo, 4 de janeiro de 2015

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO: A Centralidade da Escritura no Ministério Pastoral (Parte 2)


Você pode ouvir este sermão em áudio
 

A NECESSIDADE DO ENSINO SISTEMÁTICO DA ESCRITURA GERA FIRMEZA NA FÉ CRISTÃ
Em nosso último encontro iniciamos a exposição do versículo 14 em relação ao capitulo 3 de II Timóteo. Todo o contexto que envolve este capitulo é a terceira exortação de Paulo a Timóteo sobre a necessidade de suportar as perseguições e o sofrimento por causa do evangelho. E, ele começa isto com um grande alerta. Timóteo estava avisado do maior risco que a igreja corria em relação as grandes tribulações: as falsas doutrinas e os seus precursores.

Não há nada que possa prevenir, preservar, vacinar a Igreja de Cristo senão a centralidade de toda a Escritura especialmente na vida e ministério de seus pastores e presbíteros. É disto que trata os versículos 14 ao 17. A CENTRALIDADE DA ESCRITURA NO MINISTÉRIO PASTORAL.
Creio que a aplicação no início deste versículo nos foi bem clara. Analisamos apenas a expressão inicial que diz: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste. Pastores são diferentes dos hereges porque não mudam de opinião e de convicção como quem escolhe ou troca de roupa todos os dias. Os verdadeiros obreiros de Cristo não são volúveis, mas, são firmes, seguros, eles estão convictos do evangelho que lhes foi entregue.

Diferente dos falsos mestres que são apegados a mentiras e invencionices, os verdadeiros pastores devem acima de qualquer situação ou ameaça resistir, não sair de seu posto, não mudar sua posição, permanecer convicto das verdades da Palavra de Deus. Devem estar seguros do que creem. Não podem, não devem jamais abandonarem as verdades do evangelho.

Gostaria apenas de enfatizar o que talvez falei em pouco tempo em meu último sermão. Carecemos de homens assim em nossos dias. Temo que o número de líderes, pastores e pregadores em nossas igrejas que realmente sejam fieis a Palavra de Deus esteja diminuindo. Uma estatística trágica está para se estabelecer no meio cristão. As próximas gerações sofrerão com insegurança, a omissão, a falta de temor, de coragem e de zelo em relação aos seus futuros pastores.

Mas, sabe por que isto? Vocês sabem por que corremos o sério risco de chegarmos a esta realidade não muito distante de nós? A falha tem seu ponto de partida primeiro na no que a Igreja se fundamenta para seguir seu curso na história. Em que ela tem se centralizado. Muitas igrejas já não tem a Escritura centralizada em sua vida. Muitos pastores não adotam os princípios fundamentais do evangelho como sua base ministerial.

Em segundo lugar, sofremos com a falta de interesse por parte de muitas igrejas em relação ao ensino sistemático de toda a Palavra de Deus aos seus membros. Tendemos a ter mais pregadores negociando o que dizer em suas pregações do que pagando o preço de anunciarem o evangelho na íntegra. Sabem que o ensino sistematizado do evangelho e que a boa teologia não atrai muita gente. Sabem que ensinar fielmente a Escritura dá muito trabalho e desgasta não só o corpo, mas também a alma. Não faz sofrer apenas a saúde física, mas também desgasta o espírito.

Você pode achar que estou exagerando em minha análise, mas o contexto que envolve as palavras de Paulo a Timóteo nestes versículos aponta exatamente para a mesma realidade. Uma igreja desinteressada no ensino fiel da Escritura abre um grande espaço para falsos mestres e as suas heresias.

Creio que seja importante lembrar o que já havia dito anteriormente. Nenhuma heresia ganha guarida no meio do povo de Deus se não deixarem alguma lacuna vazia. Nenhum falso profeta simplesmente toma o seu espaço e domina a consciência de seus ouvintes se a própria igreja não lhes der oportunidade para isto.

E como vocês acham que os efésios foram atacados pelas heresias dos gnósticos? Observe todo o enredo histórico na Bíblia da igreja de Éfeso e verá que Paulo os avisou por meio de uma carta, apelou por duas vezes ao seu pastor quanto ao perigo e as consequências de uma igreja que estava prestes a apostatar da fé.

Não mais do que isto, o próprio apóstolo João, 30 anos depois da epístola de Paulo aos Efésios, escreveu uma carta direta aquela igreja registrada em Apocalipse. Ela foi ou não foi alertada sobre as lacunas vazias no ensino da Palavra de Deus?

Quanto ao contexto destes versículos, Paulo chama a atenção de Timóteo quanto ao modo em que foi instruído nas sagradas letras. Se Deus o preservara firme e seguro em suas convicções na Escritura foi pela instrumentalidade do ensino sistematizado dela a este jovem pastor. A nossa análise será exatamente a partir da segunda parte do versículo 14. Leiamos toda a perícope.

    Atente-se ao que Paulo diz aqui: 'Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2Tm 3: 14-17).'     

    Antes de tudo, lembre-se que o nosso ponto de partida neste cenário aplicado por Paulo sempre será com base na expressão 'tu porem'. Ou seja, será inevitável as devidas comparações quanto aos gnósticos e a Timóteo. Eles representam nesta ordem, os falsos e os verdadeiros pastores.

    Portanto veja o que o apóstolo nos revela em relação a necessidade do ensino sistematizado da Escritura como requisito para que a Igreja seja fortificada e alicerçada no evangelho. Sua firmeza doutrinária está naquilo que ele aprendeu e de que foi inteirado, sabendo de quem ele o aprendeu. E mais ainda. Que desde a sua infância examinou as sagradas letras que o tornou sábio para a salvação em Cristo Jesus.


    Basicamente, o ensino sistematizado do evangelho se dá em duas partes bem claras aqui nos versículos 14 e 15. Primeiro, Timóteo recebeu toda a instrução do evangelho pela tutela direta do apóstolo Paulo. Segundo, desde pequeno, Timóteo era instruído pela sua mãe e avó a examinar a Escritura. Vamos inicialmente analisar apenas o primeiro ponto estabelecido no versículo 14.

    É importante que Paulo mencionasse primeiro a instrução de Timóteo por meio de sua tutela por ser ele não apenas o seu mentor espiritual, mas, isto também se reporta ao seu ofício apostólico. As instruções de Paulo não eram aleatórias, não provinham de ideias ou pensamentos particulares, mas, eram dadas por revelação e inspiração Divina. Uma grande oportunidade para enfatizar a Timóteo que seus ensinamentos eram a revelação continuada da Escritura. Eram também a Palavra de Deus.

    Uma grande oportunidade para mais uma vez comparar quem realmente ensinava a verdade. Se você deseja saber quem realmente está lhe dizendo a verdade e não está mentindo ou lhe conduzindo ao engano, verifica fonte de seus ensinamentos. Qual a fonte de sua doutrina. Quem foram os seus mestres? Qual a procedência de seus ensinamentos?

    Paulo estava aqui garantindo a Timóteo a fonte de sua instrução doutrinária. Veja mais uma diferença entre o falso e o verdadeiro mestre. Paulo está colocando em cheque as doutrinas dos gnósticos em relação ao que Timóteo havia recebido de Paulo. Homens que são impostores e mentirosos não conseguem sustentar suas doutrinas primeiro porque elas sempre estarão em choque com a Escritura. Diante da Palavra de Deus, suas deformações e distorções são visíveis. Não há como mascarar a mentira.

    Os gnósticos fizeram exatamente isto em relação a suas heresias. Uma delas foi negarem a autoridade canônica do Antigo Testamento. Eles afirmavam que o Deus do Antigo Testamento não era o mesmo que o do Novo Testamento. O Deus criador era mau porque havia criado a matéria que contém a maldade, a violência, as doenças, o pecado, e tudo que possa existir de ruim. Qual seria a conclusão mais lógica nesta absurda analise? Se Jesus era realmente puro sem pecado algum, então não tinha corpo era apenas espirito.

    Toda heresia tem seu ponto de partida na desconstrução da autoridade, a suficiência, a inerrância, inspiração, veracidade e revelação de toda a Escritura. Os gnósticos questionavam todos estes fundamentos que envolvem a Palavra de Deus. E isto pode acontecer de duas formas. Uma, a negação intelectual e racionalizada da Bíblia. A outra, a necessidade de receber outras revelações além daquelas que já estão reveladas na Escritura.

    A única pergunta neste momento que tenho a fazer é se, existe alguma semelhança em relação aos dias de hoje? Teólogos que questionam e negam a autoridade como todo o conteúdo da Palavra de Deus e grupos religiosos que enfatizam a necessidade de profecias e revelação extra bíblicas como se Deus fosse para eles apenas um grande oráculo de adivinhações aos seus seguidores. O que peço a você é que ao menos teste se o que temos ouvido e recebido é realmente a verdade. Vá a fonte! Averigue! Compare a Escritura com o que você tem ouvido seja de quem for.

   Aqui neste primeiro ponto, ainda nos cabe algumas observações e aplicações. Paulo declara que Timóteo não havia apenas recebido algum ensinamento, mas, que ele havia aprendido. Aprenda uma coisa simples. Existe uma grande diferença entre o que se ouve e o que se aprende. Paulo deixa claro a Timóteo: Você aprendeu!

    É curioso a palavra usada por Paulo aqui no grego. Matheo, derivado do substantivo Mathetai que significa 'discípulo'. Originalmente esta palavra acrescenta um conceito bem peculiar sobre o que é ensinar. Algo que somente é bem característico do cristianismo bíblico e histórico.

Sendo assim, a palavra matheo, traduzida por aprender sinaliza alguém que não recebeu um conhecimento superficial, mas que assimilou externa e internamente todos os princípios de seu mestre. Um aluno aplicado em todos os aspectos de seu intelecto e o seu estilo de vida. E suma isso é o que chamamos de discipulado.

    O próprio Senhor Jesus Cristo havia estabelecido este parâmetro de ensino aos seus seguidores no qual ele mesmo os chamava de Mathetai, ou, discípulos. Doze, separou para que prosseguissem na propagação revelacional de seus ensinamentos. O registro completo do Novo Testamento coube aos apóstolos.

    Isto faz uma diferença muito grande em relação a significado de ser cristão. Não é um mero adepto de uma filosofia ou devoção ao divino, mas, ser cristão é simplesmente tornar-se um discípulo, um seguidor pessoal de Jesus Cristo. Sito só se tornou real na vida da Igreja Primitiva porque eles assimilaram claramente não apenas a doutrina apostólica, mas, eram seguidores de Cristo.

A Reforma Protestante só provocou o seu real efeito e impacto sobre a história moderna não apenas porque detinham uma teologia, mas, esta teologia os levou a um encontro pessoal com Cristo. Eles caminharam junto com o seu Mestre Jesus Cristo. Abro aqui um parêntese para que você se sinta desafiado a conhecer não apenas a teologia dos reformadores, mas, procurem conhecer a sua história de vida. Veja se realmente estas questões se harmonizam.

Por isso, isto também cabe a mim e a você. Não é suficiente na sua religiosidade apenas se tornar adepto da teologia que lhes ensinamos, e, mesmo que ela esteja de conformidade com a Escritura, se ela não te levou a um encontro pessoal com Cristo, simplesmente você não aprendeu como Timóteo, Paulo, os apóstolos e tantos outros servos e servas de Deus.

Você pode achar que não, mas isto faz muita diferença na vida cristã. Aqueles que aprendem, aqueles que se tornam seguidores de Jesus Cristo não são enganados pelas heresias que os circundam. Eles possuem uma outra característica importante usada pelo apóstolo Paulo. Eles não só aprendem como são inteirados, ou seja, tornam se fieis a verdade.

A expressão usada por Paulo reflete alguém que foi persuadido, ou, convencido. Não confunda esta persuasão com ignorância ou com alguma forma de lavagem mental que comumente muitos falsos apóstolos, bispos, pastores e pastoras, realizadores de milagres e curas e falsos profetas fazem na mente de milhões de pessoas. Curiosamente, a palavra grega que contrapõe a Matheo e Mania. Seu significado é nada mais que estar sob efeito da loucura, estar fora de controle.

A palavra grega usada por Paulo na expressão 'estar inteirados' é o verbo 'pistow' que também significa 'fé' ou 'crer'. Você percebe a diferença entre a palavra 'pistow' e a palavra mania? Consegue compreender o que Paulo nos aplica aqui? Os seguidores de Cristo sempre são persuadidos pela verdade. Sua mente jamais será confundia, ou, atraída pela mentira. Sua consciência agora está presa, escravizada, cativa ao conhecimento e a prática da verdade.

Agora, vejam o contraste em relação aos falsos mestres e seus seguidores. Eles não estão persuadidos a verdade, mas, estão entregues as mentiras que lhes tornam tolos, loucos, fora de controle. São pessoas desprovidas de controle intelectual, emocional, psicológico e principalmente espiritual.

Isto nos mostra como a fé cristã é diferente das outras expressões religiosas no mundo. A fé em Cristo Jesus por meio do conhecimento da Palavra de Deus é uma fé inteligente. É uma convicção baseada na razão. Diferentemente de outras devoções que tendem ao fideísmo.

Permita-me diferenciar as duas coisas aqui. Fé se baseia no conhecimento e na argumentação lógica e racional das Escrituras. A palavra "fé" só pode ser aplicada a religião cristã. É o meio pelo qual Deus nos convence conscientemente, irresistivelmente e voluntariamente a seguir Jesus Cristo.

Fideísmo é uma outra forma de comprometimento a uma expressão religiosa. Ela se desvale de argumentos baseado na razão. Se torna uma espécie de crença irracional e totalmente subjetivo sem o compromisso de averiguar e testar se sua devoção é verdadeira ou um engano.

Os fideístas podem até mesmo se valerem de uma vida mais contida, regrada, assentada sobre valores éticos e morais, mas mesmo assim, vivem no engano porque não possuem a fé salvadora centralizada na Palavra de Deus.

Sabe por que, muitas pessoas em nossos dias tendem a repetir os mesmos pecados, a caírem nas mesmas ciladas do mundo e de satanás? Sabe por que muitos não compreendem o todo de uma vida cristã coerente com a Escritura? Sabe por que algumas pessoas dentro da igreja consideram exagero e radicalismo determinadas atitudes e comportamentos que são claramente ensinados na Escritura?

Mesmo que tenham recebido toda uma formação e educação moral, ética, religiosa e intelectual de sua família e de sua igreja local, ainda assim, são apenas fideístas em relação a Palavra de Deus. Fideísmo é apenas um disfarce para o ceticismo e a incredulidade no coração de muitos.

Mas, e quanto a você? Você recebeu a fé salvadora, ou, apenas é mais um adepto de uma religião? Você realmente crê no que tem aprendido no ensino de toda a Palavra de Deus nesta igreja, ou, apenas é mais um de tantos fideístas? Sua consciência é provida de uma fé baseada na razão, ou, você é mais um daqueles evangélicos cheios de manias e caqüetes que revelam uma pessoa no máximo mais doente e maníaca de uma falsa intelectualidade ou espiritualidade?

Você, está persuadido pela Palavra de Deus? Realmente você tem aprendido, ou, apenas ouve, ouve, é ciente a cada dia do que se tem pregado, mas, ainda não chegou a pleno conhecimento da verdade? Você é um seguidor de Jesus Cristo? Realmente o conhecimento que você tem recebido aqui tem levado todos os dias a andar com Cristo? A Escritura tem sido o fundamento lançado por Deus em seu coração? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior

Sermão pregado no culto matutino do dia 04 de janeiro de 2014