terça-feira, 29 de março de 2016

PODE UM CRISTÃO PERMANECER NO PECADO? ROMANOS 6: 1-2

Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?

Por Rogério Bernini Junior

Já estudamos o capitulo cinco de Romanos, e está mais do que constatado à necessidade de descansarmos nas verdades aqui aplicadas sobre a garantia da nossa justificação. A maior benção que todos os eleitos salvos em Cristo Jesus desfrutam é a certeza de que foram reconciliados com o Pai, obtiveram o perdão de todos os seus pecados na morte de cruz de nossos Senhor Jesus e que A salvação nos é garantida pela habitação do Espirito Santo. 

Veja que na segunda sessão deste capítulo (dos versículos 12 ao 21) Paulo nos dá uma constatação histórica através de uma comparação ou contraste entre Adão, o nosso primeiro pai e representante da raça humana e Jesus Cristo, o segundo representante e aquele que é superior a todo o legado do pecado de Adão sobre todos os seus descendentes.

Paulo nos deixa claro nos versos 20 e 21 que a graça superabundou sobre os efeitos da lei do domínio do pecado e da morte. Em outros termos, a graça anulou a acusação e a culpa de nossas transgressões em relação a lei como também anulou o domínio do pecado sobre todos os que foram justificados.

Estes versículos fazem uma conexão com o início do capitulo seis demonstrando claramente que Paulo não encerrou o assunto já iniciado no capitulo cinco. Na verdade, estamos falando do mesmo tema até o capitulo oito. É como se Paulo desse uma pausa para fazer algumas considerações importantes sobre o que foi dito nos versos 20 e 21 e evitar qualquer mal-entendido sobre a doutrina ali exposta.

É comum sermos acusados de estimular nossos membros a negligência com a sua santificação quando expomos a doutrina da certeza da salvação. Possivelmente, após o apóstolo Paulo ter dito que os eleitos não perdem a salvação, isto daria subsídio suficiente aos que negavam esta doutrina.

Paulo está precavendo seus leitores exatamente deste raciocínio equivocado e perigoso. O fato de não perdermos a salvação não anula a necessidade de obediência a lei de Deus. Pelo contrário, Paulo nos mostra que a obediência a lei de Deus é boa quando a graciosamente somos atraídos a Cristo. 

Portanto, o capitulo seis, é a continuidade do que foi desenvolvido no capitulo cinco. Antes de tudo, o capitulo seis nos fala da santificação dos eleitos como o processo que não apenas mortifica os nossos desejos pecaminosos, mas, que também, confirmam, ou, evidenciam a salvação aplicada em nós pelo Espirito Santo.

A ideia aqui de Paulo não era interromper um assunto e começar outro. Pelo contrário, esta carta foi escrita com o propósito de estabelecer um raciocínio contínuo e lógico de todas as doutrinas do evangelho. Paulo está nos mostrando que a santificação é uma consequência da justificação.[1]

O assunto santificação não está separado da doutrina da justificação. Existe aqui uma continuidade no raciocínio aplicado por ele sobre os assuntos pertinentes ao evangelho. Mesmo que venhamos a tratar de um novo ponto em relação a doutrina da salvação, não se esqueça que estamos seguindo uma sequência lógica e ininterrupta.

Sendo assim, nos vem de imediato uma pergunta crucial no verso um do capitulo seis: QUE DIREMOS, POIS? PERMANECEREMOS NO PECADO PARA QUE A GRAÇA SEJA MAIS ABUNDANTE? Bom, o sermão de hoje começa exatamente aqui. Comecemos com esta pergunta que é crucial. Nos parece aqui que Paulo está antecipando uma pergunta. Provavelmente uma pergunta que os seus leitores mais atentos fariam a ele após as suas palavras conclusivas em todo o capitulo cinco.

Creio ser importante considerar que Paulo também se antecipa a esta pergunta no intuito de ajudar aos seus leitores que poderiam ter dificuldades de entender o que fora dito nos versos 20 e 21 do capitulo cinco. Esta declaração de Paulo poderia levar muitos judeus que se converteram sinceramente ao cristianismo a não entender com clareza a relação da lei com a graça.

Contudo, ainda considero o fato de Paulo se precaver de dois grupos que nos parece ter exercido uma influência negativa sobre os cristãos daquela época. O que ambos tinham em comum era a negação da suficiência da graça na justificação dos eleitos. Mas cada um daqueles grupos o aborda de maneira diferente.

Enquanto o primeiro grupo pergunta: Será que quanto mais eu pecar, mais a graça de Deus vai se manifestar em mim? O segundo questionava: Se a graça anula os efeitos da lei sobre nós, então devemos desconsiderar a lei? A lei não tem mais nenhuma utilidade?

É possível que nestes dois grupos existissem aqueles que de alguma forma se opunham aos ensinamentos de Paulo. Entre eles os que poderíamos chamar de liberais ou libertinos (gentios que se diziam cristãos, mas, não abandonavam seus hábitos pecaminosos e seu paganismo) e os legalistas ou judaizantes (judeus que se diziam cristãos, mas, que afirmavam ser necessário a obediência restrita a lei para serem salvos).

Ambos os dois segmentos tinham o mesmo objetivo, se opor a doutrina da suficiência da graça na justificação. Mas, me parece que os que mais se opuseram a Paulo foram os libertinos que desejavam encontrar algum respaldo para alimentarem seus vícios pecaminosos.

Assim Paulo então pergunta: Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? E então, eu devo pecar mais para que a graça aumente em mim? Se quisermos mais a graça de Deus, devemos pecar mais? Interessante verificar na história, o monge russo chamado Hasputin que dizia: quanto mais uma pessoa peca, mais graça ela receberá. Então, peque à vontade.

Um detalhe que devemos considerar aqui é a expressão “permanecer” que pode ser traduzida também como “demorar” no pecado, ou, ainda; “perseverar” na prática do pecado. Alguém que persiste fervorosamente no pecado. Alguém que não apenas peca mecanicamente, mas, ele ama, estima o pecado.

Veja aqui algo importante em relação a esta expressão. Paulo está sendo muito claro e objetivo em sua pergunta. Ele não está usando a palavra “permanecer” para dizer que, a partir da conversão a pessoa deixa de pecar contra Deus. Não é preciso lembra-los de que todos os dias nós infelizmente pecamos contra Deus. Mesmo depois de nossa conversão a Cristo, ainda temos que lidar com a nossa natureza pecaminosa e ainda corruptível.

Mas, o que me chama a atenção na expressão “permanecer” é a disposição em que uma pessoa se encontra em relação a esta condição natural do homem. A pergunta de Paulo é simplesmente clara: PODE UM VERDADEIRO CRISTÃO ESTIMAR COM TODA SUA ALMA E CONVICÇÃO O PECADO? 

No entanto, veja a resposta de Paulo no versículo 2: De modo nenhum! Em outras palavras: mais do que não é permitido, isto é impossível! A tradução feita pelo reformador João Calvino e que também foi usada durante muito tempo pela versão King James está da seguinte forma: que Deus nos livre! Ou então, Que Deus não permita isso! Não devemos sequer pensar em uma coisa desta.

A ideia do apóstolo Paulo é claramente de repudiar com grande indignação uma atitude tão irracional e fútil (Calvino, pg. 202). A tentativa de muitos membros de igreja justificar a prática de nutrirem seus vícios e hábitos pecaminosos nada mais é do que rejeitarem o único modo de sermos conduzidos a justiça divina: justificação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. 

Por isso, Paulo nos lança uma segunda pergunta como resposta a primeira: Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos (verso 2)? Em outras palavras: é possível que morreu para o pecado continue vivo na prática do pecado? Se a graça de Deus nos concede uma nova vida, se ressuscitamos com Cristo, como então podemos ao mesmo tempo ainda viver e desejar compulsivamente o pecado?

Se morremos para o pecado, ou seja, se em nossa consciência já não há mais o domínio do pecado, se fomos regenerados, se a mentalidade ou a forma de vida pecaminosa não mais governa a minha mente e a minha forma de ver o mundo, como posso então ainda desejar e viver no pecado?

Observe bem que estamos diante de uma pergunta retórica, ou seja, Paulo está provocando os seus leitores não apenas a lógica desta doutrina, mas também, os perigos que rondam a consciência de muitos “crentes” que desejariam justificarem seus vícios pecaminosos na ideia de que “a graça é tão abundante em nós que não importa a quantidade de vezes que você peque, Deus sempre vai perdoar, não é mesmo? ” 

Isto é o que historicamente chamamos de Antinomianismo, ou, antinominiano. Quer dizer: contra a lei de Deus. Esta foi uma heresia que surgiu no século dezesseis em meio a reviravolta da reforma protestante na Alemanha. Os antinominianos claramente diziam que se a justificação era somente pela fé, então o cristão estaria desobrigado da sua obediência a lei de Deus. Apenas para que fique registrado, Martinho Lutero ficou extremamente irritado tanto com a acusação que lhe fora feito por parte da Igreja Católica Romana, e mais ainda de um de seus seguidores que defendia e disseminava esta doutrina.

Infelizmente esta mentalidade herética e demoníaca tem se perpetuado, mesmo que de forma pragmática. Esta mentalidade está visivelmente enxertada em nossas igrejas. Como tem se tornado comum igrejas inteiras que se consideram tradicionais e até mesmo conservadoras em suas convicções teológicas, mas, desprezam a necessidade de seus membros zelarem por uma vida ética, moral e piedosa diante de Deus.

O resultado disto está mais do que evidente até mesmo na estrutura social em que vivemos. Igrejas que não se preocupam com a busca pela santidade e piedade são mais do que desviados, são pedras de tropeço para a sociedade vigente de sua época. Não são apenas motivo de vergonha, mas, servem de sinais do peso da mão de Deus sobre aquela sociedade e geração.

E mais, uma igreja que não zela pela santidade e a piedade de seus membros, simplesmente demonstra que não leva a sério a doutrina da justificação pela fé.  Uma igreja que não considera a necessidade de santificação na vida de seus membros é uma igreja que considera a doutrina da justificação como um elemento descartável e útil apenas quando lhe convém.

Eu pergunto a você, como pode alguém que se diz cristão viver sem a santificação? Como é possível um verdadeiro cristão receber a fé em Cristo sem que a coloque em prática na sua obediência a ele? A aplicação aqui é muito simples. Se você se considera um cristão, mas, ama e flerta com o seu pecado. Se você brinca com os seus pecados, então você não é genuinamente cristão.

Se você, mesmo sendo membro da igreja há muito ou pouco tempo não abandonou os seus pecados, então você não recebeu a fé e o arrependimento. Se você se encontra a tanto tempo na prática de seu pecado e vive dando desculpas usando como argumento fútil de que pela graça Deus sempre vai te perdoar, a única coisa que posso lhe dizer é que você não é salvo em Cristo Jesus.

Pode alguém que morreu para o pecado, viver na prática do pecado? Não! Categoricamente, não! Isto não é possível. Ou você se arrepende de seus pecados e passe a ter uma novidade de vida, ou, então, você não é um cristão. Como veremos nos versos posteriores, ou, você morre com Cristo e para o pecado, ou, você está entregue aos seus pecados e não ressuscitou com Cristo.

Neste exato instante, gostaria de perguntar se falo com vivos ou mortos? Quem são os ouvintes de hoje? Vivos ou mortos? Estão mortos para o pecado e vivos em cristo, ou, estão mortos e apenas mortos? Amém! 

Sermão Pregado no culto vespertino do dia 27 de março de 2016.



[1] SPROUL, R. C. Romanos. Cultura Cristã. Pagina 167.

terça-feira, 15 de março de 2016

A BELEZA DA GLORIA DE CRISTO NO REINO DA GRAÇA - Exposição de Romanos 5: 21

O que verificamos no sermão anterior foi que, QUANTO MAIS CLARO E MAIS NÍTIDO É O ENTENDIMENTO DA LEI, MAIS SOMOS NEGLIGENTES E DISPOSTOS A TRANSGRESSÃO DELA. Quanto mais a lei se torna clara ao nosso entendimento e compreensão, mais nos tornamos perceptível a desobediência dela.

Entretanto, a lei não tem nenhum efeito salvífico sobre nós. Mas, Cristo é superior a Adão por ter ele, ao contrário de nosso primeiro pai, obedecido toda a lei. E mais, pelos efeitos da lei, o próprio Senhor Jesus ter sido conduzido à morte por causa de nossos pecados. Por isso, em Cristo é que a nossa obediência a lei é aceita por Deus.

Não é a lei que nos salva, mas, pela graça que é infinitamente superior a lei é que somos conduzidos a obediência a Deus. Ainda, é importante lembrar que, pela expiação de Cristo a graça nos alcança com imensurável poder em expurgar de nossa mente toda a mentalidade pecaminosa que nos escravizava antes da nossa conversão.

Você se lembra das perguntas que foram feitas na aplicação do sermão anterior? Quem pode mudar os nossos pensamentos? Quem pode alterar a nossa maneira de ver a condição humana em que nos encontramos? Quem nos faz enxergar a redenção de nossa alma além dos preceitos da lei? Quem pode reverter a nossa condição diante da lei de Deus?

Pois bem, agora iremos analisar o verso 21 que nos diz: a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

De imediato, é simples a reposta aqui a ser dada. Sabemos claramente que Cristo por meio da graça superabundante, ou seja, infinitamente superior aos efeitos da lei, é quem nos conduz a justificação para a vida eterna. Contudo, vamos a análise completa do verso.

Um enredo triunfal sobre a história da redenção

Estamos diante de uma belíssima e extraordinária conclusão[1] que o apóstolo Paulo faz nesta segunda sessão (do verso 12 ao 21). Paulo usa as expressões chaves aqui de toda esta sessão como se estivesse poetizando o resumo de uma magnânima, histórica e triunfal vitória de um rei sobre seus inimigos. Cada uma destas expressões aponta para uma cena e estabelece o ato final de toda a atuação do seu personagem principal: Jesus Cristo.

O 1) pecado, 2) o verbo reinar, 3) a morte, 4) a graça, 5) justiça, 6) a vida eterna, 7) e Jesus Cristo. Todas elas nos conduzem a ver o resultado final da obra de Cristo em nosso favor, nos garantindo a reconciliação, a paz (que nos é descrita no verso 1 deste mesmo capitulo) com Deus.Vejamos  como seria em breve palavras este pequeno, mas extraordinário roteiro histórico como uso destas palavras, e que, ao mesmo tempo, aponta para todo um resumo de tudo o que já aprendemos em todo o capitulo 5 sobre a certeza da salvação.

 Primeiro, O PECADO: O nosso primeiro pai, Adão desobedecendo a Deus corrompe toda a raça humana e todos os nossos pecados pessoais são testemunhas de toda depravação e corrupção humana. Este é o primeiro aspecto do domínio do pecado. Segundo, o verbo REINAR e o substantivo MORTE: apontam para o domínio do pecado que é estendido e fortalecido pelo poder da morte. O pecado personifica a morte, primeiro física (e ninguém pode se livrar dela), mas também, estendendo para a realidade espiritual e culminando na morte eterna. 

Veja que em primeiro plano, o nosso vice-rei (como Adão é chamado na teologia do pacto) é vencido pela extensão e o poder do pecado. Talvez, passando a aparente ideia de que o pecado e a morte se estabeleceram de uma vez por todas sobre toda a criação, em especial um domínio absoluto sobre o homem.

Mas, em terceiro, temos a GRAÇA: de forma surpreendente e plena, a graça atua em anular todo o poder do pecado e da morte sobre os que são da linhagem deste vice-rei. E aqui, me faz lembrar de que esta linhagem é claramente descrita desde Sete até o nosso Senhor Jesus Cristo. E esta linhagem e perpetua na nova aliança através daqueles que confiam sua própria vida ao seu Rei e Libertador o Senhor Jesus Cristo.

Em quarto lugar, é importante destacar a JUSTIÇA e a VIDA ETERNA em CRISTO JESUS. Veja que este reino triunfante e gentil é personificado em Jesus Cristo. Ele é quem estabelece historicamente e espiritualmente a obra completa de justiça em nosso favor. Cristo vencendo a morte e o pecado estabelece a justiça deste reino.

Inevitavelmente, o resultado final é recebermos a recompensa generosa da graça que é a vida eterna. O prêmio que nos é prometido e garantido e que aguardamos no dia da consumação final de nossa salvação. Lembremos de novo, a salvação já nos é garantida e não a perdemos.

O Reino do pecado manifesta-se pela presença da morte

Mas, veja que, em resumo, o reino do pecado pela morte se reportam a Adão e todo o seu fracasso como o primeiro representante da raça humana. Descendemos dele e a nossa condição humana é a evidencia clara do pecado e da morte presentes sobre toda a criação.

É importante lembrar que o pecado demonstra o seu poder e o seu domínio sobre o homem pela presença da morte. A manifestação deste reino obscuro e opressor se faz presente por meio da morte. Todos os dias a morte revela a presença do pecado sobre todos os homens. Todos eles morrem. Não há quem possa vencer a morte.

R. C. Sproul conta que o desejo de sua mãe, já idosa, era ver o nome de sua família perpetuar. Naquele dia, seu segundo filho havia nascido. E sua mãe lhe havia dito que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Ela se deitou e dormiu deixando ao lado de sua cama o vestido que usaria na ordenação de Sproul.

Logo pela manhã a sua filha de 3 anos chamava a sua avó por diversas vezes na tentativa de acorda-la. Sproul foi até o quarto e logo em seguida por um ou dois minutos havia percebido que sua mãe estava morta. Um dia depois do nascimento de seu filho, um dia em que celebraram a vida, no outro, de forma súbita, simplesmente tudo acaba com a morte. Não há como escapar dela. A morte sempre foi e será a nossa última inimiga (Sproul. Pg. 167).[2]

O reino da graça se manifesta contra o pecado

Mas, de forma hábil e com toda a sutileza, Paulo mais uma vez nos leva a contemplar a beleza da gloria de Deus em todo o processo redentivo do seu povo. A beleza da glória de Cristo que manifesta o reino da graça de Deus sobre cada eleito, cada coração convertido a ele. O que Paulo nos revela aqui não é um reinado qualquer. Tendemos a pensar um governo monárquico como um instrumento de opressão, de peso, de escravidão.

Mas, não é isto que Paulo nos propõe aqui. Se na história da humanidade reis e rainhas foram déspotas, cruéis e opressores, este não é o caso da graça. Veja como a frase de Paulo neste verso harmoniza com precisão o conceito de reino com o poder que a graça exerce sobre aqueles que foram reconciliados com Deus.

Mais uma vez veja aqui o contraste que nos é proposto nesta belíssima ilustração. Se há algum reino déspota e cruel sobre a humanidade não é outra coisa senão o domínio do pecado que exerce poder por causa dos efeitos que a morte traz ao homem. É o pecado que escraviza, oprime, e age com terrível violência sobre toda a raça humana.

Mas, a graça de Deus estabelece um outro domínio. Ela é libertadora, nos conduz a paz com Deus por meio de Cristo e nos concede a vida eterna. O domínio da graça de Deus se dá pelos efeitos da Sua justiça manifesta sobre Cristo e por meio Dele a nosso favor. 

Ao contrário do domínio do pecado, o reino da graça é generoso. Enquanto o pecado sempre nos tira algo, a graça sempre nos concede os benefícios da justiça de Deus. Creio que, a exemplo da parábola que Jesus contou do filho pródigo, é bem nítido que todos os supostos amigos daquele rapaz lhe tiraram tudo o que ele tinha. E mais, ao esbanjar e gastar toda a sua herança. Nenhum de seus falsos amigos lhe deram nada. Lhe sobrou apenas as comidas dos porcos.  

Lembremos que a primeira coisa que o filho pródigo perde é a sua relação filial com o seu pai. Perde todos os privilégios e direitos de um filho. Mas, graciosamente, depois de todos ter lhe tirado tudo que ele tinha, ele lembra de sua casa e para ela retorna. Veja o que é o reino da graça em contraste com o domínio do pecado. O moço, mesmo em pecado de rebeldia e perdendo todos os privilégios de filho, não deixou de ser filho. Seu pai estava a sua espera.

Eis aqui meus irmãos uma importante aplicação. As pessoas são sempre iludidas com a ideia de que o pecado sempre tem algo a nos oferecer. Por vezes, muitos crentes são tomados por ideias como esta. De que o pecado é algo bom. Em geral, pessoas assim, SEMPRE TENDEM A JUSTIFICAR SEU PECADO. Em geral tendem a racionalizar o seu pecado. Por vezes usando até mesmo a própria Escritura.

Não  negocie com o pecado! Não se iluda com a ideia de que uma vida de pecado e de situações pecaminosas mal resolvidas lhe darão alguma vantagem. Não se esqueça que o pecado anda de mãos dadas com a morte. Todo e qualquer pecado nos conduz a morte, de uma forma ou de outra.

Contudo, aqui está o ponto que envolve a manifestação  (o exercício de sua autoridade sobre o pecado e a morte) e os efeitos da graça em nós. Somente por esta graça é que nos é devolvido a visão real que o pecado havia distorcido. Somente pela graça é que somos libertados de nossas falsas perspectivas sobre nossos pecados. A graça nos devolve a visão do horror e dos estragos provocados pelas nossas faltas diante de Deus.

Isto nos lembra que a experiência do sofrimento por causa do pecado não pode ser comparada com a gloria que nos espera quando passarmos deste mundo. A morte para nós cristãos não pode ser encarada com um ponto final em nossa vida. Mas, é apenas mais uma etapa a ser vencida em todo o sofrimento que estamos expostos. Está na verdade é a última etapa de todo o sofrimento a ser vencido em toda a nossa caminhada aqui neste mundo. 

E, em último lugar, somente aqueles que foram alcançados pela manifestação desta graça é que podem contemplar a beleza da gloria de Deus. E, aguardam o dia em todos os eleitos verão ao Senhor dos senhores, o Rei dos reis em gloria e majestade e todos reinarão com ele sobre toda a Terra. Esta é a nossa esperança que Paulo nos fala no versículo 2 e 3.

Sendo assim, a única pergunta que tenho a você é: QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA SITUAÇÃO E CONDIÇÃO? Após ouvir toda a análise deste capitulo em relação a garantia da nossa justificação, de saber que só temos paz se Cristo nos reconcilia com o Pai, de saber que a nossa alegria e regozijo não está nas circunstancias já que elas são instáveis, de saber que Cristo é superior a todo o legado de Adão, QUAL É A SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA VIDA DAQUI PARA FRENTE?

A sua esperança está em Cristo? Ou está em pessoas, amigos, métodos, em suas convicções pessoais e humanas? Está no reino da graça ou nos prazeres do mundo que o pecado nos oferece? Se você entende que Cristo é a sua esperança e salvação, Você realmente tem certeza dela? Você tem certeza de que realmente está salvo? Amém!


[1] HENDRIKSEN, William. Romanos, Cultura Cristã. Pag. 235.
[2] SPROUL. R. C. Romanos. Cultura Cristã. Pg. 167





sexta-feira, 4 de março de 2016

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - TESTE O QUE TENS OUVIDO E APRENDIDO! Exposição de 2ª Timóteo 3: 10-11

No último sermão analisamos os versículos 8 e 9 deste capitulo. Verificamos a necessidade de discernirmos o que é falso e verdadeiro. Quem são os falsos e os verdadeiros pastores? Você sabe discernir isto? Sabe o que eles têm ensinado? O falso ou verdadeiro evangelho? Pois bem, agora temos uma outra pergunta dentro do contexto do capítulo 3. Onde nossos pastores aprendem a serem pastores? Onde eles são formados e instruídos? Provavelmente você me responderia: “No Seminário teológico. É claro!”

            Sua resposta não está exatamente correta. Eles não são formados apenas no seminário. Não que as nossas escolas teológicas não tenham algum peso de influência sobre eles, mas, a questão é: qual é a base teológica destes pastores? Quem foram os seus pastores na infância? Quem os discipulou? Quem foram os seus professores de Escola Dominical? Quem foram os seus conselheiros em tempos de crise? Quem são aqueles que o instruíram desde pequeno em sua formação cristã?

            Creio que agora você esteja entendendo onde quero chegar. A formação de um pastor começa em seu discipulado e instrução constante da liderança de sua igreja local como também de sua própria família. Mas, por que digo isto? Ora! A formação de um pastor pesa e muito para a igreja e sua vida principalmente em dias de grande provação e de decisões difíceis a serem tomadas. E estes dias já tem sido uma realidade para nós tendendo a piorar cada vez mais. Veja que Paulo relaciona a instrução de Timóteo com a provação e seu sofrimento na cadeia.

O que mais poderia incomodar Paulo, senão o fato de que ele estava sendo impedido de pegar o evangelho a outras pessoas, como também, que Timóteo fosse tentado a não prosseguir em seu ministério. Apenas estas duas coisas neste momento o deixava angustiado e preocupado. Anteriormente, Paulo havia chamado a atenção de Timóteo quanto as atitudes e os ensinamentos dos falsos mestres e a necessidade da igreja, principalmente seus pastores terem a habilidade de discernir quem são estes.

Qual é o contraste disto? Qual é a postura de um verdadeiro pastor? Comecemos pela sua formação e instrução. A escola em que ele estudou faz muita diferença. Timóteo e Tito aprenderam com Paulo. Cada um de nós temos a nossa escola. Inicialmente, a minha escola foi em casa mesmo. Algumas pessoas já me disseram o quanto eu me pareço com o meu pai no modo de agir e de pastorear, de falar, de subir ao púlpito. Talvez, alguém já tenha lhe perguntado o quanto você se parece com o seu pastor? Ou, com os seus pastores?

O tom com que Paulo escreve suas palavras nos versículos 10 e 11 é exatamente com esta intenção. Observe o que ele diz: “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra” Vamos analisar as palavras de Paulo.

Em contraste com os falsos mestres, Timóteo não era como eles. Uns moribundos, forasteiros, homens que apareciam sem qualquer referência entre os cristãos e simplesmente usavam de suas habilidades de liderança e de boa eloquência para seduzir e aliciar pessoas as suas palavras venenosas e destrutivas. Geralmente esta é a característica de um falso mestre. Não sabemos de onde vem e nem para onde ele vai. A única certeza é que eles simplesmente aparecem como as baratas que saem de seus ninhos e tentam se estabelecer e legitimar suas doutrinas.

Timóteo tinha referência e boa procedência. Não foi atoa que Paulo inicialmente o havia lembrado de sua mãe e de sua avó como as principais responsáveis pela sua formação cristã. As irmãs Loide e Eunice (2ªTm 1: 5). Permita-me um adentro neste momento.

Que diferença faz na vida de um homem a influência de uma mulher desde a sua infância. Que privilégio tem aqueles que podem contar com a boa instrução e educação de sua mãe aos pés do Senhor. Em minha infância, minha mãe teve forte influência no desejo que alimentava de exercer o pastorado.

Ela não nos deixava entregues a atividades fúteis, mas, fazia questão de nos contar histórias e mais histórias de pastores e missionários. Parece-me que minha mãe sempre foi um pouco mais habilidosa em falar do que até mesmo o meu próprio pai que é pastor. Mas eu tenho a impressão de que ela não se importou com outra coisa na igreja a não ser apenas usar toda esta habilidade para nos instruir.
Bom, eu estou falando de mim mesmo aqui. Mas, analise a sua própria vida e as suas origens. Dirijo estas palavras neste momento a você que teve este privilégio de ser instruído desde pequeno nos caminhos do Senhor. Onde começa a sua formação seja ela acadêmica, filosófica, moral, espiritual, profissional e relacional?

Começa em casa e se estende na igreja. Aos que não tiveram este privilégio, não são diferentes dos outros. Vocês têm o privilégio de serem formados e instruídos na família da aliança a começar de seus pastores, presbíteros, professores, homens e mulheres idôneas e fieis a Palavra de Deus. Vocês têm agora o privilégio de concederem aos seus filhos aquilo que agora recebem do Senhor Jesus por meio do ensino do evangelho.

Jovens e adolescentes que não tiveram o privilegio de serem instruídos pelos seus pais e que ainda não podem contar com eles porque ainda não são cristãos. Você tem os seus pastores, presbíteros, diáconos, homens e mulheres piedosas que podem lhes instruir no evangelho. A família é grande e você deve usufruir desta instrução. Busque-a! não despreze o conhecimento do evangelho.

E é neste ponto que Paulo agora chama a atenção de Timóteo. Tu porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. Observe o contraste estabelecido nesta expressão inicial: Tu porém. Isto tem um significado muito forte para um cristão, especialmente aqueles que exercem o presbiterato. Significa nada mais nada menos que: você deve ser diferente deles.

O cristão não pode se assemelhar ao padrão do mundo. Sua vida está em oposição as coisas do mundo. Os ímpios são como são e viverão do jeito que são. Já vimos inclusive a lista de como eles vivem e o que realmente amam (2Tm 3: 2-4). Mas, o cristão vive totalmente contrário aos ímpios. Você deve analisar a sua vida e averiguar se realmente tens vivido diferente dos ímpios. Mais ainda os pastores de nossos dias. Quantos não são vencidos pela tentação de se render aos modismos de nossos tempos. Se fazem isso, ou se ao menos consentem tais práticas e estilo de vida contrário as Escrituras são como ímpios. Se confundem com estes perversos e correm o risco de se tornarem um deles.
Agora observe que Paulo pontua em que quais aspectos Timóteo era diferente dos seus oponentes. Em primeiro lugar no ensino. Tens seguido de perto o meu ensino. A palavra “seguir” não se aplica a ideia de apenas se submeter aos ensinamentos de um mestre. A ideia originalmente é de alguém que sempre aferiu e testou aquilo que tem aprendido e ouvido de seu mestre. É como se Paulo dissesse: “Timóteo, você sabe o que eu tenho ensinado e você tem testado os meus ensinamentos para saber se são verdadeiros ou falso.”

Paulo chama de certo modo desafia Timóteo a constatar se suas palavras são falsas ou verdadeiras. O que Timóteo sempre ouviu de Paulo era falso ou verdadeiro? O que podemos aqui aprender é que tudo o que nos é entregue seja do púlpito, da sala de aula, das conversas informais e formais devem ser testadas e provadas a luz das escrituras. A verdade sempre prevalece. É apenas com isto que podemos contar. E contamos com isto a partir do que é ensinado em nossas igrejas locais. Devemos averiguar se o que nos é passado é correto.

Timóteo viveu tanto tempo com Paulo. Desde o início de seu ministério. Timóteo era de Listra e conhecia Paulo de lá. Não seria possível que Paulo estivesse contradizendo em algum ensinamento? Ou, será que sempre ensinou as mesmas verdades. Que nunca as substituiu por qualquer outra teologia, teoria espiritualista, método de crescimento de igreja ou práticas litúrgicas estranhas ao princípio regulador do culto?

E mais, veja que não é apenas o que Paulo ensinou a Timóteo, o verdadeiro ensino é acompanhado de exemplos. Tens seguido o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. A experiência de vida de Paulo era uma prova clara de que seus ensinos eram coerentes com o que vivia.

É como se Paulo estivesse olhando retrospectivamente para o seu ministério. Veja bem, ele sabia que a morte era uma realidade muito próxima. Ao mesmo tempo que instrui Timóteo, parece que ele mesmo sente a necessidade de ser lembrado em sua consciência até onde ele pode aguentar e suportar todo o sofrimento por causa do evangelho. Alias, não é este o contexto deste capitulo de 2Timóteo? A presente exortação é exatamente está: Suporte as provações e os sofrimentos por causa do evangelho.

Quando Paulo usou as palavras propósito, fé longanimidade, amor e perseverança estava se referindo a sua firmeza em nunca mudar de direção em relação ao evangelho. Inclusive são estas as evidências, as virtudes que evidenciam o fruto do Espirito. Suas decisões, resoluções ministeriais e pessoais não oscilavam. Paulo não era levado por ventos de doutrinas. Suas convicções eram equilibradas e pautadas no evangelho. Veja como as palavras propósito e estão relacionadas entre si. As suas decisões eram muito bem definidas em sua convicção no evangelho de Cristo.

Como as pessoas oscilam. Muitos membros de igreja mudam suas convicções teológicas e bíblicas como uma criança que troca um brinquedo pelo outro apenas por uma questão de gosto pessoal. Muitos pastores trocam o ensino do genuíno evangelho por qualquer outra doutrina que seja mais funcional e lhes de mais resultado em sua carreira ministerial. Negociam princípios para obterem prestigio e elogios de seus seguidores. Quem assim procede não há outra coisa a constatar senão que no mínimo estas pessoas possuem um grave problema de caráter.

Agora observe ainda as outras virtudes mencionadas por Paulo. Firmeza em suas convicções no evangelho o levam a demonstrar uma pessoa paciente em seu juízo. A longanimidade é a virtude que expressa a lentidão de uma pessoa em fazer qualquer juízo vingativo contra alguém. Aquele que espera em seus pensamentos e julgamentos apenas pela verdade. A sua sobriedade espiritual é alimentada pelas duas virtudes anteriores: a firmeza e a fé.

Que podemos dizer do amor? Desejar o bem. Fazer o bem. Promover a benevolência em vez da contenda. Proceder com a misericórdia de Deus sobre aqueles que rejeitam a Cristo para que ao menos eles tenham uma singela percepção do que é viver sob o jugo da verdade.

Não te parece estranho Paulo dizer que sempre procedia assim em relação aos seus adversários. Quantos deles não difamavam e caluniavam contra Paulo? Quantos deles não abandonaram Paulo? Quantos não o traíram e o delataram para as autoridades romanas e do sinédrio? Como proceder contra eles através da longanimidade e do amor? Simples a resposta. Porque é assim que eles são ao menos constrangidos, incomodados, afligidos, indignados com o evangelho.

O que mais os nossos oponentes fazem é nos provocar a ira, a discórdia, nos induzem a insensatez, a irracionalidade, a mentira, a promover a violência, o ódio. Eles são espertos e perspicazes. Paulo simplesmente mostra que aqueles que procedem como Cristo são perseverantes e não oscilam, não fraquejam e não se entregam a qualquer heresia propagada ao sabor dos ventos que sopram seja de que lado for.

Por último, Paulo menciona a perseguição e o sofrimento em seu ministério. Creio que quanto a isto é mais do que claro o lugar do sofrimento neste contexto. Este é o propósito do capitulo 3 de segunda Timóteo. Alertar-nos quanto ao sofrimento por causa de Cristo.

Mas, observe o que Paulo menciona sobre isto. Primeiro ele lembra Timóteo das perseguições sofridas em Icônio, Listra e Antioquia. O que estes lugares têm de tão especial assim para Paulo? Lembre-se de onde era Timóteo. De Listra. Estes são lugares muito familiarizados com o passado de Timóteo. A sua residência de origem. Uma forma de trazer a mente de Timóteo o que ele testemunhou e até mesmo vivenciou em relação a perseguição contra os cristãos.     

Em segundo lugar, atente-se para a sua reflexão pessoal. É como se Paulo estivesse pensando alto. É como se seus pensamentos fossem projetados pra que todos possam sentir e ver o quanto ele tem sofrido e se desgastado fisicamente e mentalmente pelo evangelho. Mas a sua declaração final é conclusiva: De todas, entretanto, me livrou o Senhor.

Como alguém preso, sabendo que iria ser executado a pena de morte poderia dizer que de todas as perseguições o Senhor o livrou? Não se trata de ser libertado de uma cadeia com foi em Tessalônica junto com Silas. Mas, se trata do cuidado providencial e gracioso de Cristo como o seu conforto espiritual. Mesmo que Deus não nos livre de uma execução a morte teria o Senhor nos abandonado? É claro que não!

Aquelas crianças, jovens e adultos que são fuzilados nos países islâmicos foram por acaso abandonados por Deus? Não! Definitivamente Não! Cristo sempre esteve com eles como o consolo para suas almas mesmo diante da morte. Assim como foi com Daniel, Sadraque Mesaque Abdenego, assim como foi com Estevão no momento de sua execução por apedrejamento, também é assim com todos os servos de Deus.

Se você não sabe, a igreja de Cristo sempre foi perseguida de forma agressiva na história. Ela nunca deixou de ser violentada por causa do evangelho. Por ano morrem em media 115 mil cristãos por causa de sua fé em Cristo. Estes são dados divulgados pelo jornal Estadão e pela organização internacional Portas Abertas. Você tem noção do que vem a ser isto? A morte de pelo menos cem mil pessoas por ano por causa do evangelho?  

Agora nos vem a exortação de Paulo: 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

Espante-se! Mas o que Paulo nos diz aqui é profundamente estarrecedor. Todos quanto querem viver o cristianismo autentico serão perseguidos. A perseguição é inevitável. Seja em qual nível for. A perseguição é a credencial do verdadeiro cristão. Não deveríamos nos espantar com esta afirmação de Paulo.

Se não vemos a perseguição com bons olhos então estamos com sérios problemas em relação a nossa fé cristã. É possível que você esteja em sua consciência negociando, fraquejando, barganhando a suas convicções para não ser perseguido. Até onde você está disposto a chegar com essa conversa de ser cristão? Até onde você suportaria as consequências de se declarar seguidor de Jesus Cristo? Se a perseguição em nosso país fosse um pouco mais intensa e dura desconfio que muitas igrejas estariam vazias.

Mas, o que isto tem a ver com diligencia no ministério? Qual a relação entre a formação de um pastor e o sofrimento na vida cristã? A resposta é simples. Sito é um teste. Uma prova. Somos testados por Deus a todo momento. Aquilo que aprendemos é o que usamos em situações como esta de Paulo. Veremos quem realmente foi instruído no evangelho quando for colocado a prova. E a prova é o sofrimento, a perseguição.

Os falsos mestres não suportam o teste e por isso são arrancados para fora do rebanho do Senhor. Entenda que o sofrimento e a perseguição sobre a Igreja de Cristo não é para a sua destruição, mas, para a sua purificação. Como disse Paulo: Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

A perseguição sana toda dúvida em relação aqueles que realmente amam Jesus Cristo. Os que estão na igreja por interesse serão expelidos porque não suportam a ideia de perderem suas vidas. Eles amam a si mesmos mais do que o próprio Senhor Jesus Cristo. A prova que podemos dar de devotarmos toda a nossa fé em Cristo é renunciando a nós mesmos e até mesmo ao nosso próprio corpo para que Cristo seja glorificado.


Eis o teste do que temos aprendido. Quantos pastores passariam no teste de sua fé em Cristo? Quantos presbíteros e diáconos seriam aprovados por sua perseverança e fé em Cristo Jesus? E você? Passaria no teste? Qual tem ido a sua postura diante do evangelho em relação a estão questão? 

Amém!      

Sermão pregado no culto matutino do dia 05 de outubro de 2015