Publicações de sermões expositivos semanalmente pregados na Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho aos domingos além de textos relacionados a teologia da pregação em uma perspectiva calvinista reformada.
sábado, 20 de dezembro de 2014
DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – A FORMAÇÃO DO PASTOR: Exposição de II Timóteo 3: 10-13
No último sermão analisamos os versículos 8 e 9 deste capitulo. Verificamos a necessidade de discernirmos o que é falso e verdadeiro. Quem são os falsos e os verdadeiros pastores. Você sabe discernir isto? Sabe o que eles tem ensinado? O falso ou verdadeiro evangelho? Pois bem, agora temos uma outra pergunta dentro do contexto do capítulo 3. Onde nossos pastores aprendem a serem pastores? Onde eles são formados e instruídos? Provavelmente você me responderia: "No Seminário teológico. É claro!"
Sua resposta não está exatamente correta. Eles não são formados apenas no seminário. Não que as nossas escolas teológicas não tenham algum peso de influência sobre os nossos eles, mas, a questão é: qual é a base teológica destes pastores? Quem foram os seus pastores na infância? Quem foram os seus professores de Escola Dominical? Quem foram os seus conselheiros em tempos de crise? Quem são aqueles que o instruíram desde pequeno em sua formação teológica?
Creio que agora você esteja entendendo onde quero chegar. A formação de um pastor começa em seu discipulado e instrução constante da liderança de sua igreja local como também de sua própria família. Mas, por que digo isto. Ora! A formação de um pastor pesa e muito em sua vida principalmente em dias de grande provação e de decisões difíceis. Veja que Paulo relaciona a instrução de Timóteo com o a provação de seu sofrimento na cadeia.
O que mais poderia incomodar Paulo, senão o fato de que ele estava sendo impedido de pegar o evangelho a outras pessoas, como também, que Timóteo fosse tentado a não prosseguir em seu ministério. Apenas estas duas coisas neste momento o deixava angustiado e preocupado. Anteriormente, Paulo havia chamado a atenção de Timóteo quanto as atitudes e os ensinamentos dos falsos mestres e a necessidade da igreja, principalmente seus pastores terem a habilidade de discernir quem são estes falsos mestres.
Qual é o contraste disto? Qual é a postura de um verdadeiro pastor? Comecemos pela sua formação e instrução. A escola em que ele estudou faz muita diferença. Timóteo e Tito aprenderam com Paulo. Cada um de nós temos a nossa escola. Inicialmente, a minha escola foi em casa mesmo. Algumas pessoas já me disseram o quanto eu me pareço com o meu pai no modo de agir e de pastorear, de falar, de subir ao púlpito. Talvez, alguém já tenha lhe perguntado o quanto você se parece com o seu pastor? Ou, com os seus pastores?
O tom com que Paulo escreve suas palavras nos versículos 10 e 11 é exatamente com esta intenção. Observe o que ele diz: "Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra" Vamos analisar as palavras de Paulo.
Em contraste com os falsos mestres, Timóteo não era como eles. Uns moribundos, forasteiros, homens que apareciam sem qualquer referência entre os cristãos e simplesmente usavam de suas habilidades de liderança e de boa eloquência para seduzir e aliciar pessoas as suas palavras venenosas e destrutivas. Geralmente esta é a característica de um falso mestre. Não sabemos de onde vem e nem para onde ele vai. A única certeza é que eles simplesmente chegam até nós e tentam se estabelecer e legitimar suas doutrinas.
Timóteo tinha referência e boa procedência. Não foi atoa que Paulo inicialmente o havia lembrado de sua mãe e de sua avó como as principais responsáveis pela sua formação cristã. As irmãs Loide e Eunice (2Tm 1: 5). Que diferença faz na vida de um homem a influencia de uma mulher desde a sua infância. Que privilégio tem aqueles que podem contar com a boa instrução e educação de sua mãe aos pés do Senhor. Em minha infância, minha mãe teve forte influência no desejo que alimentava em meu coração de exercer o pastorado.
Ela não nos deixava entregues a atividades fúteis, mas, fazia questão de nos contar histórias e mais histórias de pastores e missionários. Parece-me que minha mãe sempre foi um pouco mais habilidosa em falar do que até mesmo o meu próprio pai que é pastor. Mas eu tenho a impressão de que ela não se importou com outra coisa na igreja a não ser apenas usar toda esta habilidade para nos instruir.
Bom, eu estou falando de mim mesmo aqui. Mas, analise a sua própria vida e as suas origens. Dirijo estas palavras neste momento a você que teve este privilégio de ser instruído desde pequeno nos caminhos do Senhor. Onde começa a sua formação seja ela acadêmica, filosófica, moral, espiritual, profissional e relacional? Começa em casa e se estende na igreja. Aos que não tiveram este privilégio, não são diferentes dos outros. Vocês têm o privilégio de serem formados e instruídos na família da aliança a começar de seus pastores, presbíteros, professores, homens e mulheres idôneas e fieis a Palavra de Deus. Vocês têm agora o privilégio de concederem aos seus filhos aquilo que agora recebem do Senhor Jesus por meio do ensino do evangelho.
E é neste ponto que Paulo agora chama a atenção de Timóteo. Tu porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. Observe o contraste estabelecido nesta expressão inicial: Tu porém. Isto tem um significado muito forte para um cristão, especialmente aqueles que exercem o presbiterato. Significa nada mais nada menos que: você deve ser diferente deles.
O cristão não pode se assemelhar ao padrão do mundo. Sua vida está em oposição as coisas do mundo. Os ímpios são como são e viverão do jeito que são. Já vimos inclusive a lista de como eles vivem e o que realmente amam (2Tm 3: 2-4). Mas, o cristão vive totalmente contrário aos ímpios. Você deve analisar a sua vida e averiguar se realmente tens vivido diferente dos ímpios. Mais ainda os pastores de nossos dias. Quantos não são vencidos pela tentação de se render aos modismos de nossos tempos. Se fazem isso, ou se ao menos consentem tais práticas e estilo de vida contrário as Escrituras são como ímpios. Se confundem com estes perversos e correm o risco de se tornarem um deles.
Agora observe que Paulo pontua em quais aspectos Timóteo era diferente dos seus oponentes. Em primeiro lugar no ensino. Tens seguido de perto o meu ensino. A palavra "seguir" não se aplica a ideia de apenas se submeter aos ensinamentos de um mestre. A ideia originalmente é de alguém que sempre aferiu e testou aquilo que tem aprendido e ouvido de seu mestre. É como se Paulo dissesse: "Timóteo, você sabe o que eu tenho ensinado e você tem testado os meus ensinamentos para saber se são verdadeiros ou falso."
Paulo chama de certo modo desafia Timóteo a constatar se suas palavras são falsas ou verdadeiras. O que Timóteo sempre ouviu de Paulo era falso ou verdadeiro? O que podemos aqui aprender é que tudo o que nos é entregue seja do púlpito, da sala de aula, das conversas informais e formais devem ser testadas e provadas a luz das escrituras. A verdade sempre prevalece. É apenas com isto que podemos contar. E contamos com isto a partir do que é ensinado em nossas igrejas locais. Devemos averiguar se o que nos é passado é correto.
Timóteo viveu tanto tempo com Paulo. Desde o inicio de seu ministério. Timóteo era de Listra e conhecia Paulo de lá. Não seria possível que Paulo estivesse contradizendo em algum ensinamento? Ou, será que sempre ensinou as mesmas verdades. Que nunca as substituiu por qualquer outra teologia, teoria espiritualista, método de crescimento de igreja ou práticas litúrgicas estranhas ao princípio regulador do culto?
E mais, veja que não é apenas o que Paulo ensinou a Timóteo, o verdadeiro ensino é acompanhado de exemplos. Tens seguido o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. A experiência de vida de Paulo era uma prova clara de que seus ensinos eram coerentes com o que vivia.
É como se Paulo estivesse olhando retrospectivamente para o seu ministério. Veja bem, ele sabia que a morte era uma realidade muito próxima. Ao mesmo tempo que instrui Timóteo, parece que ele mesmo sente a necessidade de ser lembrado em sua consciência até onde ele pode aguentar e suportar todo o sofrimento por causa do evangelho. Aliás, não é este o contexto deste capitulo de 2Timóteo? A presente exortação é exatamente está: Suporte as provações e os sofrimentos por causa do evangelho.
Quando Paulo usou as palavras propósito, fé longanimidade, amor e perseverança estava se referindo a sua firmeza em nunca mudar de direção em relação ao evangelho. Inclusive são estas as evidências, as virtudes que evidenciam o fruto do Espirito. Suas decisões, resoluções ministeriais e pessoais não oscilavam. Paulo não era levado por ventos de doutrinas. Suas convicções eram equilibradas e pautadas no evangelho. Veja como as palavras propósito e fé estão relacionadas entre si. As suas decisões eram muito bem definidas em sua convicção no evangelho de Cristo.
Como as pessoas oscilam. Muitos membros de igreja mudam suas convicções teológicas e bíblicas como uma criança que troca um brinquedo pelo outro apenas por uma questão de gosto pessoal. Muitos pastores trocam o ensino do genuíno evangelho por qualquer outra doutrina que seja mais funcional e lhes de mais resultado em sua carreira ministerial. Negociam princípios para obterem prestigio e elogios de seus seguidores. Quem assim procede não há outra coisa a constatar senão que no mínimo estas pessoas possuem um grave problema de caráter.
Agora observe ainda as outras virtudes mencionadas por Paulo. Firmeza em suas convicções no evangelho o levam a demonstrar uma pessoa paciente em seu juízo. A longanimidade é a virtude que expressa a lentidão de uma pessoa em fazer qualquer juízo vingativo contra alguém. Aquele que espera em seus pensamentos e julgamentos apenas pela verdade. A sua sobriedade espiritual é alimentada pelas duas virtudes anteriores: a firmeza e a fé.
Que podemos dizer do amor? Desejar o bem. Fazer o bem. Promover a benevolência em vez da contenda. Proceder com a misericórdia de Deus sobre aqueles que rejeitam a Cristo para que ao menos eles tenham uma singela percepção do que é viver sob o jugo da verdade.
Não te parece estranho Paulo dizer que sempre procedia assim em relação aos seus adversários. Quantos deles não difamavam e caluniavam contra Paulo? Quantos deles não abandonaram Paulo? Quantos não o traíram e o delataram para as autoridades romanas e do sinédrio? Como proceder contra eles através da longanimidade e do amor? Simples a resposta. Porque é assim que eles são ao menos constrangidos, incomodados, afligidos, indignados com o evangelho.
O que mais os nossos oponentes fazem é nos provocar a ira, a discórdia, nos induzem a insensatez, a irracionalidade, a mentira, a promover a violência, o ódio. Eles são espertos e perspicazes. Paulo simplesmente mostra que aqueles que procedem como Cristo são perseverantes e não oscilam, não fraquejam e não se entregam a qualquer heresia propagada ao sabor dos ventos que sopram seja deque lado for.
Por último, Paulo menciona a perseguição e o sofrimento em seu ministério. Creio que quanto a isto é mais do que claro o lugar do sofrimento neste contexto. Este é o propósito do capitulo 3 de segunda Timóteo. Alertar-nos quanto ao sofrimento por causa de Cristo.
Mas, observe o que Paulo menciona sobre isto. Primeiro ele lembra Timóteo das perseguições sofridas em Icônio, Listra e Antioquia. O que estes lugares têm de tão especial assim para Paulo? Lembre-se de onde era Timóteo. De Listra. Estes são lugares muito familiarizados com o passado de Timóteo. A sua residência de origem. Uma forma de trazer a mente de Timóteo o que ele testemunhou e até mesmo vivenciou em relação a perseguição contra os cristãos.
Em segundo lugar, atente-se para a sua reflexão pessoal. É como se Paulo estivesse pensando alto. É como se seus pensamentos fossem projetados pra que todos possam sentir e ver o quanto ele tem sofrido e se desgastado fisicamente e mentalmente pelo evangelho. Mas a sua declaração final é conclusiva: De todas, entretanto, me livrou o Senhor.
Como alguém preso, sabendo que iria ser executado a pena de morte poderia dizer que de todas as perseguições o Senhor o livrou? Não se trata de ser libertado de uma cadeia com foi em Tessalónica junto com Silas. Mas, se trata do cuidado providencial e gracioso de Cristo como o seu conforto espiritual. Mesmo que Deus não nos livre de uma execução a morte teria o Senhor nos abandonado? É claro que não!
Aquelas crianças, jovens e adultos que são fuzilados nos países islâmicos foram por acaso abandonados por Deus? Não! Definitivamente Não! Cristo sempre esteve com eles como o consolo para suas almas mesmo diante da morte. Assim como foi com Daniel, Sadraque Mesaque Abdenego, assim como foi com Estevão no momento de sua execução por apedrejamento, também é assim com todos os servos de Deus.
Se você não sabe, a igreja de Cristo sempre foi perseguida de forma agressiva na história. Ela nunca deixou de ser violentada por causa do evangelho. Por ano morrem em média 115 mil cristãos por causa de sua fé em Cristo. Estes são dados divulgados pelo jornal Estadão e pela organização internacional Portas Abertas. Você tem noção do que vem a ser isto? A morte de pelo menos cem mil pessoas por ano por causa do evangelho?
Agora nos vem a exortação de Paulo: 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
Espante-se! Mas o que Paulo nos diz aqui é profundamente estarrecedor. Todos quanto querem viver o cristianismo autentico serão perseguidos. A perseguição é inevitável. Seja em qual nível for. A perseguição é a credencial do verdadeiro cristão. Não deveríamos nos espantar com esta afirmação de Paulo.
Se não vemos a perseguição com bons olhos então estamos com sérios problemas em relação a nossa fé cristã. É possível que você esteja em sua consciência negociando, fraquejando, barganhando a suas convicções para não ser perseguido. Até onde você está disposto a chegar com essa conversa de ser cristão? Até onde você suportaria as consequências de se declarar seguidor de Jesus Cristo? Se a perseguição em nosso país fosse um pouco mais intensa e dura desconfio que muitas igrejas estariam vazias.
Mas, o que isto tem a ver com diligencia no ministério? Qual a relação entre a formação de um pastor e o sofrimento na vida cristã? A resposta é simples. Sito é um teste. Uma prova. Somos testados por Deus a todo momento. Aquilo que aprendemos é o que usamos em situações como esta de Paulo. Veremos quem realmente foi instruído no evangelho quando for colocado a prova. E a prova é o sofrimento, a perseguição.
Os falsos mestres não suportam o teste e por isso são arrancados para fora do rebanho do Senhor. Entenda que o sofrimento e a perseguição sobre a Igreja de Cristo não são para a sua destruição, mas, para a sua purificação. Como disse Paulo: Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
A perseguição sana toda dúvida em relação aqueles que realmente amam Jesus Cristo. Os que estão na igreja por interesse serão expelidos porque não suportam a ideia de perderem suas vidas. Eles amam a si mesmos mais do que o próprio Senhor Jesus Cristo. A prova que podemos dar de devotarmos toda a nossa fé em Cristo é renunciando a nós mesmos e até mesmo ao nosso próprio corpo para que Cristo seja glorificado.
Eis o teste do que temos aprendido. Quantos pastores passariam no teste de sua fé em Cristo? Quantos presbíteros e diáconos seriam aprovados por sua perseverança e fé em Cristo Jesus? E você? Passaria no teste? Qual tem ido a sua postura diante do evangelho em relação à estão questão? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto matinal de domingo em outubro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
ONDE PODEMOS TER CERTEZA DA PAZ COM DEUS SENÃO NAS TRIBULAÇÕES? - ROMANOS 5: 3-4
Acesse este sermão também em audio
Já verificamos nos sermões anteriores alguns aspectos que envolvem o assunto tratado no capitulo 5. Creio que você deve se lembrar o tema deste capitulo: Quais são os benefícios da justificação pela fé. Lembrando também que toda a epístola de Romanos é a exposição de todo o conteúdo do evangelho de Cristo e que o seu tema central é: a manifestação da justiça de Deus por meio de Cristo para sua glória.
Já vimos que a justiça de Deus atinge os ímpios de forma devastadora quando a sua ira e o seu juízo caem sobre eles e que ninguém está isento disto. Mas, especialmente nos eleitos, Deus manifesta a sua justiça graciosamente os salvando de sua condenação lhes dando a fé por meio de Cristo Jesus para que, agora, passem a viver de conformidade com a Sua justa vontade. E ASSIM DEUS FAZ JUSTIÇA.
Quanto aos benefícios da justificação pela fé, já sabemos o que é a paz com Deus por meio de Cristo Jesus. Paz significa reconciliação. Reconciliação com o Pai por meio de Cristo Jesus, o nosso mediador, o nosso intercessor. É Cristo que tem a autoridade, a habilidade e a competência de nos conduzir até o Pai, é Cristo quem nos assegura por meio de sua morte e ressurreição a reconciliação e a certeza de que estamos livres do pecado e perdoados por Deus.
Mas, me chama muito a atenção a parte final do versículo 2 quando ele diz: "e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." De certa forma, este trecho do versículo 2 cativou a minha atenção especial em todo este contexto. Primeiro veja que Paulo nos mostra ser todo o crente que foi justificado pela mediação de Cristo não ter outra reação diante de qualquer circunstância o regozijo, o imenso prazer de expressar toda a sua confiança e o descanso de sua alma no Senhor.
Aqui existe uma grande diferença entre o que é sagrado e o que é profano em nossa vida cristã. Só podemos nos gloriar na glória de Deus em nada mais do que isto. Você já reparou como é a vida de um crente e de um ímpio em relação a isto? O ímpio se gloria em suas obras, em suas habilidades, em uma falsa segurança seja, em pessoas, objetos, posses e as circunstancias. O ímpio se deleita em sua própria arrogância. Chega a satisfazer apenas quando derrama sangue de inocentes, age com violência, não tem limites em suas depravações e imoralidade.
Sabe como ele faz isto, nega o seu Criador conscientemente, o despreza por meio de sua incredulidade e idolatria, e mais ainda ostenta aos olhos de Deus todo seu atrevimento e ousadia com seus escárnios e com as suas ofensas mais agressivas. O ímpio não tem receio ou medo de Deus e de sua ira, pelo contrário, ele profana de todas as formas possíveis e criativas aquilo que é santificado ao Senhor. Quanto mais ele profana o nome do Senhor mais ele o odeia.
Mas, o crente entende algumas coisas básicas. 1) O Crente regozija-se com o ideal da bondade manifesta em sua vida: a providência de Deus. 2) ele se regozija com a graça e o amor de Deus incondicional aos eleitos. 3) ele reconhece que neste mundo são inevitáveis as tribulações e quanto maiores forem elas, mais seremos aperfeiçoados a semelhança de Cristo. 4) ele pressente os perigos e as fraquezas de sua pecaminosidade e luta contra elas confiante e seguro em Cristo.
Você consegue entender que, naquilo que o ímpio se esbalda de alegria, o crente sente profundo pesar e nojo e Aquele que o ímpio considera insuportável é o que satisfaz o coração do crente? E é a partir desta colocação de Paulo no versículo 2 que seguimos para os versículos 3 e 4 que nos diz assim: "3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e 1a experiência, esperança (Rm 5: 3-4)." Em suma, o que também nos diferencia dos ímpios são as circunstancias em que nos encontramos em relação a Deus e o mundo.
O que vamos analisar nestes versículos hoje é Em que momentos realmente podemos experimentar a paz com Deus. Quais circunstancias na nossa vida constatam se realmente desfrutamos da verdadeira paz com Deus? De que modo Deus confirma que realmente somos reconciliados com Ele?
Veja, então, como Paulo continua o seu raciocínio a partir do versículo 3: E não somente isto. Ou seja, a obra salvívica, especialmente a nossa santificação pela qual nos asseguramos de que fomos alcançados pela graça de Deus, não estaria completa se não passássemos pelas mesmas provações e tentações que Cristo também passou. A expressão "e não somente isto" nos revela um Paulo realista e avisado ao seu tempo. Alguém muito sábio e cheio do Espirito Santo.
Para que você possa entender melhor a intenção de Paulo entre os versículos 2 e 3, ele em primeiro lugar nos revela que a nossa alegria está na esperança do porvir. Os que são crentes seguramente olham para o céu. Não criam expectativas nas coisas deste mundo, mas, se deslumbra com o seu futuro glorioso.
Contudo, ele não fecha os seus olhos para os dias em que vive. O crente sabe que não pode escapar dos males do presente. Não tem como evitar ou fugir do sofrimento. Todos os dias, mais ou menos vezes lidamos com as tribulações. Um dia mais terríveis do que outros, as vezes dias que são mais insuportáveis do que outros passados.
Tragédias que nos surpreendem e que nos deixam sem direção e desnorteados, mas também, angustias e desgostos que nos consomem pouco a pouco que são prolongadas até mesmo por anos e lentamente vai consumindo o nosso vigor físico, mental e psicológico. Se tem algo que neste primeiro momento precisamos saber é que o sofrimento na vida do crente não é apenas algo inevitável, mas é uma normativa acrescida nas bênçãos que desfrutamos na salvação.
Jesus mesmo disse isto aos seus discípulos de forma imperativa: "e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á (Mt. 10: 38-39)." Não foi ele mesmo que também declarou ser uma bem aventurança ser perseguido por causa da justiça? O sofrimento é uma normativa como uma benção na vida do cristão.
Imagine você perder seu filho, ou marido, ou esposa de forma trágica, e não bastasse a consternação ainda ser proibido de lamentar a morte deles? Olha o que Deus disse ao profeta Ezequiel:
Esta é uma lição importante para que o crente não se vitime diante das provações. Nãos se considere um coitado que não tem culpa de nada e que não merece sofrer. Se existe alguma tribulação na sua vida que expresse a mais intensa dor e sofrimento que você possa sentir isso não é nada perto do modo como Deus justamente fere seus inimigos. A dor mais forte todas as dores na vida do crente, na verdade revela a intensidade da bondade e da benignidade de Deus em sua vida.
Mais ainda, a tribulação é o bendito remédio contra o orgulho ferido e a infantilidade. Somos conduzidos a maturidade cristã quando sofremos. Deus nos faz cair em terra. Nos tira aquilo que mais nos dá conforto para buscar refugio no Senhor. Ao contrário do ímpio que se afoga em seu próprio orgulho, o crente quando sofre, é quebrantado e Deus baixa sua servis para que ele se gloria na gloria de Deus.
Você não apenas vai sofrer como se faz necessário o sofrimento em sua vida. E veja o porquê. 1) Deus é bom e justo, 2) Não sofrimento em nossa vida que diminua um pecado ou transgressão da lei de Deus contra nós 3) o nosso sofrimento nos leva a entender nas escrituras que o sofrimento, a humilhação de Cristo e a sua morte de Cruz tanto é suficiente como eficaz para a nossa reconciliação com Deus.
Veja que isto também tem a ver com o seu caráter e a do ímpio. Os filhos de Deus são moldados conforme o caráter de Cristo e nada melhor do que as diversidades e as provações para isto. É a grande oportunidade de sermos mais parecidos com Cristo. Diferente do ímpio se não passamos por tribulações não progredimos na fé cristã. Ficamos estagnados e isto é um problema. Como é possível experimentar a paz com Cristo se não suportamos os ataques do mundo contra nós? Como fazer progresso na fé cristã se não passamos por testes e provações?
Por isso, observe como as tribulações na vida do crente nos levam a desfrutar da paz com Deus. Em primeiro lugar ele diz que devemos nos gloriar também nas tribulações. Em outras palavras, devemos nos alegrar quando passarmos pelo sofrimento. Jesus disse a mesma coisa em Mateus 5: 12: "Regozijai- vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."
Tiago também reafirma de maneira que suas palavras mesmo proferidas em outra época e local se harmoniza perfeitamente com as palavras de Paulo neste texto. Ele diz: "2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1: 2-4)."
Em primeiro lugar, temos a ordem de regozijarmos, de nos alegrarmos nas tribulações. Não soa meio que estranho esta ordem da Bíblia? Alegria e sofrimento não são duas palavras opostas em seus significados? Estas duas coisas aos nossos olhos parecem não combinarem.
Como é possível se alegrar quando se está enfermo, com um câncer terminal, com a perda de alguém que você tanto ama, com a perda do emprego, quando você é desprezado e perseguido, quando pais perdem seus filhos, quando esposas perdem seus maridos, quando maridos perdem a sua esposa, quando a sua empresa está quebrada e falida?
Veja bem, não é o sofrimento o objeto da nossa alegria. Paulo não disse que deveríamos gloriarmos por causa dos sofrimentos, ele disse gloriarmos NO SOFRIMENTO. A nossa alegria está na esperança DA GLORIA DE DEUS como diz o versículo 2. As tribulações são apenas o meio pelo qual recebemos os seguintes benefícios desta segurança em Cristo: perseverança, experiência e esperança.
O que vem a ser cada uma delas? A perseverança de forma mais direta aponta para a paciência. Mas, me deixe analisar o sentido mais amplo desta palavra. Originalmente os gregos usavam esta palavra para referir-se aos últimos sobreviventes de uma batalha ou guerra. Aqueles que não caíram e ainda permanecem em pé com suas espadas em punho, prontos para resistir o inimigo quantas vezes for necessário.
A palavra paciência na Bíblia tem este sentido meus irmãos, paciência não significa ser cordato ou alguém calmo ou sereno, mas, significa ser forte, resistir, esperar, aguardar quanto tempo for necessário a nossa vez. Após intensas batalhas, os soldados romanos que sobreviviam porque eram os mais fortes e os mais habilidosos na guerra, sabiam que deveriam ficar a postos e aguardar as próximas batalhas que se seguiriam até alcançarem o objetivo de sua conquista. Perseverança é aguardar aquilo que ainda não vemos.
A tribulação na vida do crente produz esta persistência, a espera. Ele não se vê cansado ou entregue pelas provações, mas, se vê cada vez mais atento e resistente. Ele fica mais habilidoso quanto as táticas do inimigo e a destreza de sua fé em Cristo. Você é assim? Você tem resistido? Tem aguardado o dia da consumação final de nossa conquista? Tem depositado a sua fé em Cristo? Você tem exercido a arte de esperar em Cristo? Você espera por Cristo ou a sua espera se limita apenas com o fim dos problemas e das tribulações?
Agora veja que a perseverança, ou seja, a paciência, a espera produz experiência. A ideia aqui é de alguém que é experimentado, ou provado. Uma palavra muito comum no meio jurídico romano. Nos tribunais quando alguém deveria provar a sua inocência de alguma acusação ou crime ele era experimentado por este tribunal.
Quem disse que não somos experimentados todos os dias quando somos acusados de tantas mentiras? O próprio Senhor Jesus nos disse que: "quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós (Mt 5: 11)". Não será o caso de no futuro bem próximo os nossos tribunais serem frequentados por muitos cristãos e pregadores que serão acusados de tantos absurdos porque a sociedade simplesmente normatizará comportamentos e ideias iníquas.
Por que é necessário todo este constrangimento e desgaste? Você está sendo experimentado meu caro irmão. Veja bem, você está sendo experimentado não pelos homens e seus tribunais, mas, você está sendo experimentado pelo supremo juiz de toda a terra. Somos testados em nossa fé em cristo Jesus. Quem nos julga é Deus e é Ele quem sonda o nosso coração. Ele sabe até que ponto você é capaz de resistir.
As pessoas nascem na época certa. Não sei se muitos de nós seriamos capaz de suportar as severas perseguições contra a Igreja seja nos primeiros séculos, seja no período da reforma, nos dias da cortina de ferro e porque não dizer em nossos dias em países ou lugares onde os islâmicos radicais e governos totalitários não admitem qualquer ideia sobre Deus.
Se somos crentes, Deus nos experimenta para confirmar em cada um de nós e a todos que somos aprovados por meio de Cristo. A lista de satanás contra cada um de nós no dia do Senhor é extensa e tensa. Mas, Cristo sendo o nosso propiciatório nos cobrirá com o seu sangue e nenhuma acusação poderá nos condenar diante de Deus porque fomos justificados e garantidos por Cristo.
É Por vezes que as tribulações são também chamadas de tentações. Somos testados quanto a nossa real intensão de servir a Cristo. Se você julga no direito de não sofrer lembre-se de uma coisa apenas: São nos dias mais difíceis da vida é que somos experimentados quanto a nossa fidelidade a Deus.
Eu sei que Deus muitas vezes não apenas permite, mas, envia e ordena que situações trágicas, difíceis e pavorosas nos abatem, nos deixem de cócoras, em estado de luto, curvados, afligidos, por vezes até mesmo desesperados e entregues a uma profunda depressão de nossa alma. É bem verdade que em determinadas situações as tribulações nos deixam amargurados, abatidos e feridos, mas veja o salmo 57 como a prova clara de um homem abatido, mas, experimentado e aprovado por Deus quanto a sua fé:
Mas, a esperança aqui é a convicção na gloria eterna em Cristo Jesus. O que aguardamos e esperamos é a vinda de Cristo Jesus como o nosso Rei e juiz sobre toda terra para que por completo, sua justiça seja manifesta para sua gloria. Esta é a nossa esperança. Alguém que foi aprovado em um teste agora sossega a sua alma em receber a recompensa. Entende isto? Esperança significa aguardar a recompensa.
Você sabe o que é ter esperança? É um homem com um câncer maligno em seu corpo e que ao logo do tempo mesmo que orando para que Deus o cure e o livre daquela moléstia, mesmo que Deus não o cure fisicamente ele se regozija e se contenta em contar apenas com a graça de Deus em sua vida.
Mesmo que você perca tudo o que se pode desfrutar neste mundo, mas se apenas conta com a graça de Deus em sua vida você tem tudo o que precisa. A graça de Deus te basta. Mas, se você tem tudo o que o mundo pode te oferecer e não conta com a graça de Deus em sua vida, você está perdido. Eis um motivo para você se desesperar!
Como sempre tenho feito, minha pergunta final é muito simples e tenho feito ela desde o início da exposição deste capitulo. Você está em paz com Deus? Você realmente desfruta destes benefícios? Você realmente tem resistido e esperado no Senhor? Você tem sido experimentado em sua fé em Cristo? Sua confiança está na gloria eterna ou nas coisas do mundo? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto vespertino
Dia do Senhor, 07 de dezembro de 2014
Já verificamos nos sermões anteriores alguns aspectos que envolvem o assunto tratado no capitulo 5. Creio que você deve se lembrar o tema deste capitulo: Quais são os benefícios da justificação pela fé. Lembrando também que toda a epístola de Romanos é a exposição de todo o conteúdo do evangelho de Cristo e que o seu tema central é: a manifestação da justiça de Deus por meio de Cristo para sua glória. Já vimos que a justiça de Deus atinge os ímpios de forma devastadora quando a sua ira e o seu juízo caem sobre eles e que ninguém está isento disto. Mas, especialmente nos eleitos, Deus manifesta a sua justiça graciosamente os salvando de sua condenação lhes dando a fé por meio de Cristo Jesus para que, agora, passem a viver de conformidade com a Sua justa vontade. E ASSIM DEUS FAZ JUSTIÇA.
Quanto aos benefícios da justificação pela fé, já sabemos o que é a paz com Deus por meio de Cristo Jesus. Paz significa reconciliação. Reconciliação com o Pai por meio de Cristo Jesus, o nosso mediador, o nosso intercessor. É Cristo que tem a autoridade, a habilidade e a competência de nos conduzir até o Pai, é Cristo quem nos assegura por meio de sua morte e ressurreição a reconciliação e a certeza de que estamos livres do pecado e perdoados por Deus.
Mas, me chama muito a atenção a parte final do versículo 2 quando ele diz: "e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." De certa forma, este trecho do versículo 2 cativou a minha atenção especial em todo este contexto. Primeiro veja que Paulo nos mostra ser todo o crente que foi justificado pela mediação de Cristo não ter outra reação diante de qualquer circunstância o regozijo, o imenso prazer de expressar toda a sua confiança e o descanso de sua alma no Senhor.
Aqui existe uma grande diferença entre o que é sagrado e o que é profano em nossa vida cristã. Só podemos nos gloriar na glória de Deus em nada mais do que isto. Você já reparou como é a vida de um crente e de um ímpio em relação a isto? O ímpio se gloria em suas obras, em suas habilidades, em uma falsa segurança seja, em pessoas, objetos, posses e as circunstancias. O ímpio se deleita em sua própria arrogância. Chega a satisfazer apenas quando derrama sangue de inocentes, age com violência, não tem limites em suas depravações e imoralidade.
Sabe como ele faz isto, nega o seu Criador conscientemente, o despreza por meio de sua incredulidade e idolatria, e mais ainda ostenta aos olhos de Deus todo seu atrevimento e ousadia com seus escárnios e com as suas ofensas mais agressivas. O ímpio não tem receio ou medo de Deus e de sua ira, pelo contrário, ele profana de todas as formas possíveis e criativas aquilo que é santificado ao Senhor. Quanto mais ele profana o nome do Senhor mais ele o odeia.
Mas, o crente entende algumas coisas básicas. 1) O Crente regozija-se com o ideal da bondade manifesta em sua vida: a providência de Deus. 2) ele se regozija com a graça e o amor de Deus incondicional aos eleitos. 3) ele reconhece que neste mundo são inevitáveis as tribulações e quanto maiores forem elas, mais seremos aperfeiçoados a semelhança de Cristo. 4) ele pressente os perigos e as fraquezas de sua pecaminosidade e luta contra elas confiante e seguro em Cristo.
Você consegue entender que, naquilo que o ímpio se esbalda de alegria, o crente sente profundo pesar e nojo e Aquele que o ímpio considera insuportável é o que satisfaz o coração do crente? E é a partir desta colocação de Paulo no versículo 2 que seguimos para os versículos 3 e 4 que nos diz assim: "3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e 1a experiência, esperança (Rm 5: 3-4)." Em suma, o que também nos diferencia dos ímpios são as circunstancias em que nos encontramos em relação a Deus e o mundo.
O que vamos analisar nestes versículos hoje é Em que momentos realmente podemos experimentar a paz com Deus. Quais circunstancias na nossa vida constatam se realmente desfrutamos da verdadeira paz com Deus? De que modo Deus confirma que realmente somos reconciliados com Ele?
Veja, então, como Paulo continua o seu raciocínio a partir do versículo 3: E não somente isto. Ou seja, a obra salvívica, especialmente a nossa santificação pela qual nos asseguramos de que fomos alcançados pela graça de Deus, não estaria completa se não passássemos pelas mesmas provações e tentações que Cristo também passou. A expressão "e não somente isto" nos revela um Paulo realista e avisado ao seu tempo. Alguém muito sábio e cheio do Espirito Santo.
Para que você possa entender melhor a intenção de Paulo entre os versículos 2 e 3, ele em primeiro lugar nos revela que a nossa alegria está na esperança do porvir. Os que são crentes seguramente olham para o céu. Não criam expectativas nas coisas deste mundo, mas, se deslumbra com o seu futuro glorioso.
Contudo, ele não fecha os seus olhos para os dias em que vive. O crente sabe que não pode escapar dos males do presente. Não tem como evitar ou fugir do sofrimento. Todos os dias, mais ou menos vezes lidamos com as tribulações. Um dia mais terríveis do que outros, as vezes dias que são mais insuportáveis do que outros passados.
Tragédias que nos surpreendem e que nos deixam sem direção e desnorteados, mas também, angustias e desgostos que nos consomem pouco a pouco que são prolongadas até mesmo por anos e lentamente vai consumindo o nosso vigor físico, mental e psicológico. Se tem algo que neste primeiro momento precisamos saber é que o sofrimento na vida do crente não é apenas algo inevitável, mas é uma normativa acrescida nas bênçãos que desfrutamos na salvação.
Jesus mesmo disse isto aos seus discípulos de forma imperativa: "e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á (Mt. 10: 38-39)." Não foi ele mesmo que também declarou ser uma bem aventurança ser perseguido por causa da justiça? O sofrimento é uma normativa como uma benção na vida do cristão.
Imagine você perder seu filho, ou marido, ou esposa de forma trágica, e não bastasse a consternação ainda ser proibido de lamentar a morte deles? Olha o que Deus disse ao profeta Ezequiel:
"16 Filho do homem, eis que, às súbitas, tirarei a delícia dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. 17 Geme em silêncio, não faças lamentação pelos mortos, prende o teu turbante, mete as tuas sandálias nos pés, não cubras os bigodes e não comas o pão que te mandam. 18 Falei ao povo pela manhã, e, à tarde, morreu minha mulher; na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado (Ez. 24: 16-18)".
Esta é uma lição importante para que o crente não se vitime diante das provações. Nãos se considere um coitado que não tem culpa de nada e que não merece sofrer. Se existe alguma tribulação na sua vida que expresse a mais intensa dor e sofrimento que você possa sentir isso não é nada perto do modo como Deus justamente fere seus inimigos. A dor mais forte todas as dores na vida do crente, na verdade revela a intensidade da bondade e da benignidade de Deus em sua vida.
Mais ainda, a tribulação é o bendito remédio contra o orgulho ferido e a infantilidade. Somos conduzidos a maturidade cristã quando sofremos. Deus nos faz cair em terra. Nos tira aquilo que mais nos dá conforto para buscar refugio no Senhor. Ao contrário do ímpio que se afoga em seu próprio orgulho, o crente quando sofre, é quebrantado e Deus baixa sua servis para que ele se gloria na gloria de Deus.
Você não apenas vai sofrer como se faz necessário o sofrimento em sua vida. E veja o porquê. 1) Deus é bom e justo, 2) Não sofrimento em nossa vida que diminua um pecado ou transgressão da lei de Deus contra nós 3) o nosso sofrimento nos leva a entender nas escrituras que o sofrimento, a humilhação de Cristo e a sua morte de Cruz tanto é suficiente como eficaz para a nossa reconciliação com Deus.
Veja que isto também tem a ver com o seu caráter e a do ímpio. Os filhos de Deus são moldados conforme o caráter de Cristo e nada melhor do que as diversidades e as provações para isto. É a grande oportunidade de sermos mais parecidos com Cristo. Diferente do ímpio se não passamos por tribulações não progredimos na fé cristã. Ficamos estagnados e isto é um problema. Como é possível experimentar a paz com Cristo se não suportamos os ataques do mundo contra nós? Como fazer progresso na fé cristã se não passamos por testes e provações?
Por isso, observe como as tribulações na vida do crente nos levam a desfrutar da paz com Deus. Em primeiro lugar ele diz que devemos nos gloriar também nas tribulações. Em outras palavras, devemos nos alegrar quando passarmos pelo sofrimento. Jesus disse a mesma coisa em Mateus 5: 12: "Regozijai- vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."
Tiago também reafirma de maneira que suas palavras mesmo proferidas em outra época e local se harmoniza perfeitamente com as palavras de Paulo neste texto. Ele diz: "2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1: 2-4)."
Em primeiro lugar, temos a ordem de regozijarmos, de nos alegrarmos nas tribulações. Não soa meio que estranho esta ordem da Bíblia? Alegria e sofrimento não são duas palavras opostas em seus significados? Estas duas coisas aos nossos olhos parecem não combinarem.
Como é possível se alegrar quando se está enfermo, com um câncer terminal, com a perda de alguém que você tanto ama, com a perda do emprego, quando você é desprezado e perseguido, quando pais perdem seus filhos, quando esposas perdem seus maridos, quando maridos perdem a sua esposa, quando a sua empresa está quebrada e falida?
Veja bem, não é o sofrimento o objeto da nossa alegria. Paulo não disse que deveríamos gloriarmos por causa dos sofrimentos, ele disse gloriarmos NO SOFRIMENTO. A nossa alegria está na esperança DA GLORIA DE DEUS como diz o versículo 2. As tribulações são apenas o meio pelo qual recebemos os seguintes benefícios desta segurança em Cristo: perseverança, experiência e esperança.
O que vem a ser cada uma delas? A perseverança de forma mais direta aponta para a paciência. Mas, me deixe analisar o sentido mais amplo desta palavra. Originalmente os gregos usavam esta palavra para referir-se aos últimos sobreviventes de uma batalha ou guerra. Aqueles que não caíram e ainda permanecem em pé com suas espadas em punho, prontos para resistir o inimigo quantas vezes for necessário.
A palavra paciência na Bíblia tem este sentido meus irmãos, paciência não significa ser cordato ou alguém calmo ou sereno, mas, significa ser forte, resistir, esperar, aguardar quanto tempo for necessário a nossa vez. Após intensas batalhas, os soldados romanos que sobreviviam porque eram os mais fortes e os mais habilidosos na guerra, sabiam que deveriam ficar a postos e aguardar as próximas batalhas que se seguiriam até alcançarem o objetivo de sua conquista. Perseverança é aguardar aquilo que ainda não vemos.
A tribulação na vida do crente produz esta persistência, a espera. Ele não se vê cansado ou entregue pelas provações, mas, se vê cada vez mais atento e resistente. Ele fica mais habilidoso quanto as táticas do inimigo e a destreza de sua fé em Cristo. Você é assim? Você tem resistido? Tem aguardado o dia da consumação final de nossa conquista? Tem depositado a sua fé em Cristo? Você tem exercido a arte de esperar em Cristo? Você espera por Cristo ou a sua espera se limita apenas com o fim dos problemas e das tribulações?
Agora veja que a perseverança, ou seja, a paciência, a espera produz experiência. A ideia aqui é de alguém que é experimentado, ou provado. Uma palavra muito comum no meio jurídico romano. Nos tribunais quando alguém deveria provar a sua inocência de alguma acusação ou crime ele era experimentado por este tribunal.
Quem disse que não somos experimentados todos os dias quando somos acusados de tantas mentiras? O próprio Senhor Jesus nos disse que: "quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós (Mt 5: 11)". Não será o caso de no futuro bem próximo os nossos tribunais serem frequentados por muitos cristãos e pregadores que serão acusados de tantos absurdos porque a sociedade simplesmente normatizará comportamentos e ideias iníquas.
Por que é necessário todo este constrangimento e desgaste? Você está sendo experimentado meu caro irmão. Veja bem, você está sendo experimentado não pelos homens e seus tribunais, mas, você está sendo experimentado pelo supremo juiz de toda a terra. Somos testados em nossa fé em cristo Jesus. Quem nos julga é Deus e é Ele quem sonda o nosso coração. Ele sabe até que ponto você é capaz de resistir.
As pessoas nascem na época certa. Não sei se muitos de nós seriamos capaz de suportar as severas perseguições contra a Igreja seja nos primeiros séculos, seja no período da reforma, nos dias da cortina de ferro e porque não dizer em nossos dias em países ou lugares onde os islâmicos radicais e governos totalitários não admitem qualquer ideia sobre Deus.
Se somos crentes, Deus nos experimenta para confirmar em cada um de nós e a todos que somos aprovados por meio de Cristo. A lista de satanás contra cada um de nós no dia do Senhor é extensa e tensa. Mas, Cristo sendo o nosso propiciatório nos cobrirá com o seu sangue e nenhuma acusação poderá nos condenar diante de Deus porque fomos justificados e garantidos por Cristo.
É Por vezes que as tribulações são também chamadas de tentações. Somos testados quanto a nossa real intensão de servir a Cristo. Se você julga no direito de não sofrer lembre-se de uma coisa apenas: São nos dias mais difíceis da vida é que somos experimentados quanto a nossa fidelidade a Deus.
Eu sei que Deus muitas vezes não apenas permite, mas, envia e ordena que situações trágicas, difíceis e pavorosas nos abatem, nos deixem de cócoras, em estado de luto, curvados, afligidos, por vezes até mesmo desesperados e entregues a uma profunda depressão de nossa alma. É bem verdade que em determinadas situações as tribulações nos deixam amargurados, abatidos e feridos, mas veja o salmo 57 como a prova clara de um homem abatido, mas, experimentado e aprovado por Deus quanto a sua fé:
"Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. 2 Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. 3 Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem. Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade. 4 Acha- se a minha alma entre leões, ávidos de devorar os filhos dos homens; lanças e flechas são os seus dentes, espada afiada, a sua língua. 5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória. 6 Armaram rede aos meus passos, a minha alma está abatida; abriram cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. 7 Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. 8 Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. 9 Render- te- ei graças entre os povos; cantar- te- ei louvores entre as nações. 10 Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. 11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória."
Só nos resta um outro efeito. Paulo nos diz que a paciência e a experiência produzem a esperança. Esperança cristã não se limita a um otimismo qualquer. Se for assim nós não confiamos em Cristo e sim nas circunstâncias. Os ímpios é que são assim. Pensam em dias melhores sem o preço do devido sacrifício e renúncia. Eles não buscam paz, mas querem apenas manter a conveniência de seus pecados uns com os outros. É esse tipo de paz que eles buscam. Mas, a esperança aqui é a convicção na gloria eterna em Cristo Jesus. O que aguardamos e esperamos é a vinda de Cristo Jesus como o nosso Rei e juiz sobre toda terra para que por completo, sua justiça seja manifesta para sua gloria. Esta é a nossa esperança. Alguém que foi aprovado em um teste agora sossega a sua alma em receber a recompensa. Entende isto? Esperança significa aguardar a recompensa.
Você sabe o que é ter esperança? É um homem com um câncer maligno em seu corpo e que ao logo do tempo mesmo que orando para que Deus o cure e o livre daquela moléstia, mesmo que Deus não o cure fisicamente ele se regozija e se contenta em contar apenas com a graça de Deus em sua vida.
Mesmo que você perca tudo o que se pode desfrutar neste mundo, mas se apenas conta com a graça de Deus em sua vida você tem tudo o que precisa. A graça de Deus te basta. Mas, se você tem tudo o que o mundo pode te oferecer e não conta com a graça de Deus em sua vida, você está perdido. Eis um motivo para você se desesperar!
Como sempre tenho feito, minha pergunta final é muito simples e tenho feito ela desde o início da exposição deste capitulo. Você está em paz com Deus? Você realmente desfruta destes benefícios? Você realmente tem resistido e esperado no Senhor? Você tem sido experimentado em sua fé em Cristo? Sua confiança está na gloria eterna ou nas coisas do mundo? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto vespertino
Dia do Senhor, 07 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
A NOBREZA DOS QUE PREGAM A PALAVRA: SERMÃO INTRODUTÓRIO EM ISAÍAS 52: 7 EM OCASIÃO AO CULTO DOS 130 ANOS DA SOCIEDADE AUXILIADORA FEMININA - SAF
Confesso que nossas irmãs foram corajosas na escolha deste texto bíblico e, para mim um tanto difícil pregar nele. Primeiro, se você espera que eu pregue um sermão motivacional sobre a evangelização e missões não irei fazer isto aqui. Não posso. Se eu fizer isto, estarei indo contra o texto e enganando as minhas queridas irmãs. Logo vocês verão do que se trata realmente este texto e por providencia divina, apesar do assunto tratar da nobreza dos que exercem o ofício de pregadores, este é um tema relevante para as nossas mulheres cristãs especialmente nos dias em que vivemos.
Segundo, O sermão de hoje será introdutório do capitulo 52 e apenas uma explicação do que vem a ser o versículo 7 neste contexto. Há muita coisa para aplicar e pregar neste capítulo. Ele é muito rico quanto aos preceitos do evangelho no Antigo Testamento. Se a epístola aos Romanos é o que chamaríamos de o livro do Evangelho no Novo Testamento, Eu me arrisco a dizer que Isaías é o evangelho do Antigo Testamento. Por isso, eu me comprometo a expor todo este capítulo no decorrer do ano de 2015 caso continue como secretário da federação de SAFs de nosso presbitério.
Portanto, eu início este sermão fazendo um breve panorama histórico deste livro. Primeiro, de todas as informações que poderíamos obter deste livro, é importante mencionar a época em que esta profecia foi proferida por Isaías. Vamos retornar aos meados de 700 à 735 antes de Cristo.
Foram dias conturbados e difíceis naquela época.
Isaías desenvolveu seu ministério profético em meados destes anos no reinado de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Especialmente, seu ministério se inicia no ano em que o rei Uzias havia morrido. Mais do que a morte do próprio rei, pairava sobre a nação de Judá a tensão política de uma simples pergunta: quem vai assumir o trono de Israel?
Veja que este era um problema de cunho interno. Mas, existiam as complicações externas. A Assíria já havia invadido e massacrado o reino do norte cuja a capital era Samaria, o reino do Norte composta pelas dez tribos de Israel que se dissentiram das duas tribos do sul; Judá e Benjamim.
A Assíria agora estava apostas as fronteiras do reino de Judá. Dias após dias, a todo momento chegavam mensageiros do rei assírio ameaçando Judá e coagindo-os agressivamente a se renderem por completo. Se acham que isto aconteceu em poucos dias, engano nosso. Na verdade, os monarcas assírios que ao longo do tempo causavam ameaças a Israel eram Tiglate-Pileser III, Salmaneser IV, Sargão e Senaqueríbe
De tempos em tempos, pouco a pouco, meses, e até alguns anos, a Assíria por meio destes reis provocavam uma espécie de guerra de nervos, de um terrorismo psicológico, provocando uma espécie de desestabilização política e social no reino de Judá.
Por dias e mais dias a pressão e o cerco aumentava, até que o exército de Senaqueribe sitiou toda a cidade de Jerusalém a postos para atacar a cidade. Imagine uma cidade cercada por um forte exército. Ninguém entrava e saia. A comida e a agua já estavam acabando e em breve eles morreriam de fome ou se renderiam aos seus inimigos. Foram nesses dias tensos e difíceis que Isaías foi convocado a exercer o oficio de profeta.
Deus livrou o povo de do reino do Sul das mãos do império assírio. Quando Senaqueribe sitiou Jerusalém, Deus enviou um anjo que matou pelo menos cento e oitenta e cinco mil homens e os que dormiam em suas tendas, fugiram pela manhã quando acordaram e viram seus companheiros mortos (Is. 37: 36-37).
Mas, duas questões devem ser consideradas mais sérias do que a situação que Judá enfrentou com o império assírio. A primeira era o anúncio de que Judá seria esmagada e escravizada pelo império babilônico. Os exércitos dos caldeus eram muito mais violentos, agressivos, perversos, cruéis do que foram os assírios. Se Senaqueribe causou pavor e medo, imaginem qual seria as impressões que o mundo de sua época teria de Nabucodonosor.
Eu resumiria a mensagem de Deus ao povo de Israel pelo profeta Isaías em pelo menos três pontos. Primeiro: a denúncia de seus graves pecados seja na esfera social, política, familiar, moral e religiosa. Segundo: O anuncio de uma má notícia. Deus iria punir severamente o seu povo. Toda Israel seria entregue nas mãos de seus inimigos. Atrocidades iriam acontecer com eles. Mas, o terceiro: A promessa de que Deus resgataria o seu povo da escravidão e da opressão de seus inimigos.
Veja algumas das evidencias claras de que Deus falara ao povo de Israel sobre o seu futuro. Primeiro, Deus anuncia o seu abandono, virar as costas para o seu próprio povo, entrega-los ao seu próprio coração perverso (Is. 2: 6). Segundo, Deus entregará este povo a um governo opressor e cruel (Is. 3: 4-5). Terceiro, Deus usará os seus inimigos como a força de sua mão contra o seu povo. Não haverá nenhuma outra reação senão correr, fugir, se desesperar, se esconder. Mas, isto não adiantará em nada (Is. 2: 19-21) .
Quarto e o mais terrível de todos, depois que os homens em condições de levantar sua espada caírem, as mulheres serão o alvo da crueldade dos caldeus (Is. 3: 16-26). Agora, vejam aqui as palavras claras do próprio Deus por meio de seu profeta. Vejam como elas são duras, pesadas o próprio Deus tratando com o peso de sua forte mão contra o seu povo:
Pois, tu, SENHOR, desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque os seus se encheram da corrupção do Oriente e são agoureiros como os filisteus e se associam com os filhos dos estranhos (Is. 2: 6).
Então, os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do SENHOR e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. 20 Naquele dia, os homens lançarão às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que fizeram para ante eles se prostrarem, 21 e meter- se- ão pelas fendas das rochas e pelas cavernas das penhas, ante o terror do SENHOR e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. (Is. 2: 19-21)
Dar- lhes- ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles. 5 Entre o povo, oprimem uns aos outros, cada um, ao seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil, contra o nobre. (Is. 3: 4-5)
Diz ainda mais o SENHOR: Visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes, andam a passos curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés, 17 o Senhor fará tinhosa a cabeça das filhas de Sião, o SENHOR porá a descoberto as suas vergonhas. 18 Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos anéis dos tornozelos, e as toucas, e os ornamentos em forma de meia- lua; 19 os pendentes, e os braceletes, e os véus esvoaçantes; 20 os turbantes, as cadeiazinhas para os passos, as cintas, as caixinhas de perfumes e os amuletos; 21 os sinetes e as jóias pendentes do nariz; 22 os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas; 23 os espelhos, as camisas finíssimas, os atavios de cabeça e os véus grandes. 24 Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura. 25 Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes, na guerra. 26 As suas portas chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará em terra (Is. 3: 16-26).
Mas, a segunda coisa terrível sobre o povo de Deus foi o que causou tudo isto: o pecado. Se observarmos com atenção a quantidade de vezes que o profeta Isaías denuncia os diversos pecados cometidos pelo povo de Deus a começar do que registra com muito propriedade o capitulo um:
Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. 11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios?-- diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. 12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? 13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. 14 As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. 15 Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16 Lavai- vos, purificai- vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. 17 Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas. (Is. 1: 10-17).
Por quantas vezes Deus repreendeu e advertiu o seu povo. Chamou-os de a esposa infiel que se comportou como uma meretriz. Os denominou de povo de Gomorra e Sodoma. Ser chamado assim era a pior de todas as ofensas que alguém poderia proferir contra um israelita. Disse tudo isto inicialmente para lembrar qual a necessidade do capitulo 52 de Isaías. Por que Deus proferiu estas palavras no capitulo 52? Porque agora este povo precisava ser salvo não apenas da assolação de seus inimigos, mas, principalmente de si mesmos, de seus pecados.
Você já se perguntou por que Deus fez tudo isto com o povo de Israel? Será que havia necessidade de Deus fazer tudo isto com os judeus? O povo de Israel precisava entender claramente o que significava salvação. Qual a necessidade de ser resgatado de uma escravidão. A essência do capitulo 52 está exatamente neste ponto. O povo de Israel precisava saber da necessidade de salvação. Precisavam perceber a sua condição de escravos não apenas de um outro povo, mas, uma escravidão muito pior, escravidão do pecado e de sua própria maldade.
De forma muito objetiva. O capítulo 52 nos remete ao terceiro ponto que havia mencionado no início: a promessa de que Deus resgataria o seu povo da escravidão de seus inimigos para que o nome do Senhor fosse honrado por meio deste povo. Antes mesmo de passarmos pelo versículo 7 deste capitulo, é importante saber que o capitulo 52 resume toda a mensagem do evangelho. Você sabe o que é o evangelho? Lembre-se daquelas três partes que mencionei sobre o livro de Isaias. 1) denuncia do pecado; 2) a ira de Deus e o seu castigo sobre o povo rebelde 3) o anúncio da promessa de libertação.
Tenho aqui uma outra pergunta. Onde encontramos o evangelho nas Escrituras? Não são apenas os quatros livros iniciais do Novo Testamento, mas, o evangelho está em toda a Palavra de Deus seja no Antigo e no Novo Testamento. Inclusive, o evangelho é pregado pelos profetas, especialmente Isaias. O capitulo 52 é parte de todo o conteúdo do evangelho de Cristo.
Se você talvez não sabe, o povo de Israel também cria no evangelho anunciado a eles. Portanto, agora podemos entender a essência do versículo 7 neste capítulo. Sem medo de errar, a atribuição dos profetas não era meramente anunciarem suas visões e previsões sobre o que aconteceria com o povo de Israel, mas todo o seu trabalho envolvia anunciar a vinda de Jesus Cristo e a sua obra redentora. O versículo 7, fala daqueles que Deus concedeu o ofício de serem portadores, embaixadores, pregadores, arautos do Rei Jesus Cristo. Quão preciosos são aqueles que são chamados para esta sublime tarefa. Quão importante é este ofício e aqueles que o ocupam na transmissão do evangelho.
Observem então o todo deste capitulo. O conteúdo e o anúncio deste evangelho sendo propagado ao povo de Deus. Em primeiro lugar, todo o capitulo 52 é uma conclamação do Rei a se levantarem de sua condição de miseráveis e forasteiros sob a opressão de seus cruéis dominadores.
Veja a linguagem que Isaías usa para este despertamento, ou podemos dizer avivamento no meio do povo de Deus (destaque do versículo 1: desperta, desperta e reveste-se...). Observe com atenção todo o cenário e circunstancia em que o povo de Deus é chamado a se levantarem, a acordarem de seu coma. De se libertarem de suas vestes rasgadas, de seus trapos imundos, de seus apetrechos inúteis e de seu pranto carregado de cantos sombrios e de luto.
Deixe-me dar um exemplo. Ao final da segunda guerra mundial, os alemães abandonaram os campos de concentração. Muitos prisioneiros que haviam sobrevividos, especialmente os judeus, se viram perdidos, temerosos, aterrorizados diante de tantas torturas físicas, psicológicas e emocionais que sofreram com os horrores e a crueldade dos alemães. De um dia para o outro, muitos perceberam que seus opressores não estavam mais ali, haviam fugidos.
Se você acha que a reação deles foi de fugirem também, está enganado. Eles estavam tão traumatizados com o que haviam sofrido que a única reação no momento foi de permanecerem ali. Não havia condições para discernirem se deveriam fugir, qual a direção mais segura, que medidas deveriam tomar para se defenderem. Estavam entregues à própria sorte. Não sabiam se estavam livres ou se morreriam.
Talvez ficassem nesta situação tensa por dias ou no máximo por semanas. Mas, logo, se aproximava um oficial de baixa patente em seu cavalo ou em sua moto. Os prisioneiros que se encontravam no lado de fora do campo de concentração não sabiam como reagir diante da chegada daquele soldado. Presumo que reagissem com muito medo de ser algum de seus carrascos. O pavor era intenso naquele lugar. Não havia condições de perceberem a real intensão daquele oficial. Estrategicamente, este soldado e aproximava e aos poucos ia chamando os que estavam do lado de fora, os menos feridos e que estavam em melhores condições que os outros. E de pronto ele se apresentavam e dizia:
"Não tenham medo! Eu sou um oficial mensageiro do exercito aliado. Estou aqui para anunciar a derrota dos seus opressores. Os nossos exércitos já avançaram e derrotaram nossos inimigos. Estou aqui também para dizer que vocês estão livres. Não são mais prisioneiros neste campo. Mas, não saiam daqui. Não vão embora! O nosso exército está chegando. Em breve eles chagarão para resgatar todos vocês como os que estão feridos e levá-los de volta para casa. Aguentem firmes! Esperem a chegada de nosso exército! Não saiam! Não saiam! Aguentem firmes! Aguentem firmes!"
A questão é se eles acreditariam ou não neste mensageiro. E se ele fosse um inimigo disfarçado de mensageiro? Mas, se desobedecermos suas ordens e sairmos daqui como ele mesmo disse, vamos morrer. O que fazer? Na verdade, a pergunta é também para você, e, ela reflete a essência da expressão usada por Isaías quando diz:
"Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas- novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! 8 Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz, juntamente exultam; porque com seus próprios olhos distintamente vêem o retorno do SENHOR a Sião (Is. 52: 7-8).
O profeta enobrece este ofício pelos seguintes motivos. Primeiro: a nobreza está no que eles representam. Eles são arautos, são mensageiros, anunciam com autoridade investida de seu Rei a sua mensagem. Eles não falam, ou, não devem falar por si mesmos, devem apenas anunciar o que o Rei lhes manda.
Segundo: o conteúdo do que anunciam. O evangelho nada mais é do que os decretos do Rei, as boas novas de nossa libertação da escravidão do pecado. O remédio e o alimento que nos cura e nos dá o vigor que necessitamos para sobreviver. Se eles anunciam com fidelidade estes decretos reais, então seremos curados e nutridos.
Terceiro: A nobreza deste ofício também está no risco que correm. O ofício de profeta como o de sacerdote na antiga aliança eram profissões de risco. Aqui há dois riscos. Primeiro, de serem censurados e rejeitados pelo que pregam e anunciam. O segundo risco, e este é o mais terrível de todos eles, se suas profecias e ensinos fossem mentirosos e destrutivos a fé e a vida do povo de Deus, eles deveriam morrer.
Deixe-me aplicar isto aos que são chamados para ESTE OFÍCIO. O texto aqui fala deles. Se nós pregadores corremos O RISCO DE SERMOS INFIÉIS A PREGAÇÃO DO EVANGELHO em nosso ministério, não se esqueça de quem é o seu juiz. Quem lhe julga não são os que ouvem, mas, o seu Senhor. O seu Rei. Eu conclamo encarecidamente aos pregadores de hoje: NÃO SEJAM OMISSOS! NÃO SEJAM COVARDES! NÃO ABUSEM DO PODER E AUTORIDADE QUE LHES FORAM DADOS POR CRISTO!
Se por aquilo que fielmente pregamos e anunciamos ao povo de Deus e por isso, sofremos alguma retaliação e perseguição, isto é uma honra aos servos do Senhor. Eles são obedientes ao chamado de Cristo, o seu Rei. Aqui está a nobreza de nosso ofício. Se corremos o risco de sermos até mesmo mortos ou trucidados pelo que pregamos ao povo de Deus, lembre-se do profeta Isaías no capitulo seguinte:
Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? 2 Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo- lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. 3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. 4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Posteriormente leia todo o capitulo 53, e se você deseja alguma motivação para o seu ministério, não se esqueça de uma coisa. VOCÊ VAI SER MOÍDO, VOCÊ VAI SOFRER, Você VAI SER PERSEGUIDO POR CAUSA DE CRISTO E COMO CRISTO! Quer motivação melhor do que esta? Não existe. Esta é a mais sublime e a mais nobre de todas as motivações que o evangelho nos dá.
Gostaria de encerrar este sermão dizendo duas coisas importantes. A primeira, é que este sermão é apenas um preambulo, uma introdução do que realmente este capítulo nos aplica. Caso por providencia do Senhor eu permanecer como secretário desta federação, me comprometo a expor este capitulo em todos os nosso momentos devocionais e estudos que faremos.
Segundo, talvez, por causa do que o texto nos propõe aqui neste versículo as nossas irmãs se sintam desestimuladas a não se debruçarem com deleite em seus estudos devocionais, seja em particular ou quando estiverem juntas neste quadriênio. Mas, por favor, este texto tem haver com o contexto de nossas mulheres cristãs, especialmente as nossas irmãs da SAF.
Eu temo que alguns falsos profetas em nosso meio evangélico em nosso país estejam estimulando as nossas mulheres cristãs a terem uma outra mentalidade sobre o que o versículo sete nos aplica aqui. Se determinadas funções quanto a propagação do evangelho que não são designadas as vocês porque tem se tornado uma forte tendência a covardia e a omissão dos homens em suas responsabilidades, eu temo que estejamos colocando as minhas queridas e amadas irmãs em risco.
Se elas ocuparem as responsabilidades que não lhes foram outorgadas, isto significa que estão desprotegidas e a culpa é nossa, os homens. Será que não nos basta o próprio exemplo do povo de Israel? Será que já esquecemos o que verificamos no contexto do livro de Isaías? Deus os entregou a um governo infantil, tolo e opressor depois que todos os homens foram mortos e trucidados, os seus inimigos atacaram, violentaram e mataram cruelmente as mulheres, crianças e idosos que estavam indefesos. Será que a Igreja vai repetir a mesma história?
Se tenho aqui pregado com fidelidade a Palavra do Senhor o que posso lhes dizer sobre tudo o que o evangelho nos anuncia e que com mais detalhes nós iremos estudar no decorrer do ano de 2015, a única coisa que posse lhes dizer como este oficial, este soldado, este mensageiro do Rei que aqui está diante de cada uma de vocês:
Eu rogo que não abandonem seus postos quanto ao chamado que Deus lhes concede enquanto servas do Senhor. Aguentem firmes! Atendam o chamado de seus verdadeiros pastores! Se eles têm seguidos com os pés fiel as Escrituras, ouçam o que eles lhes ensinam e fiquem firmes! Aguentem firmes até que o nosso redentor volte e nos leve de volta para casa, para o lar celestial. Aguentem firmes! Aguentem Firmes! Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
Culto em Ação de Graças pelos 130 anos da SAF – Sociedade Auxiliadora Feminina.
domingo, 23 de novembro de 2014
DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – PORQUE OS DIAS SÃO MAUS (2Timóteo 3: 1-5)
Você pode ouvir este sermão em audio. Clique aqui!
Estamos diante da terceira exortação do apóstolo Paulo a Timóteo. Paulo escreveu esta carta com o intuito de estimular e encorajar o jovem pastor Timóteo a não ser persuadido por heresias disseminadas pelos gnósticos e principalmente, manter-se firme no evangelho.
Cada capítulo desta carta nos leva a um grupo de exortações. As duas primeiras levam Timóteo a refletir sobre o problema da vergonha e timidez em relação ao evangelho como também o risco enfraquecer suas convicções nas questões essenciais da fé cristã. Ou seja, a ideia é que Timóteo não se esquecesse do evangelho, de que, não o abandonasse. A terceira exortação torna a situação mais crítica do que já estava para Timóteo. Um alerta ao que estava por vir contra ele e a Igreja de Cristo. Se a situação não estava boa, ia ficar muito pior.
As palavras do apóstolo Paulo aumentam mais ainda carga de tensão no decorrer destas exortações. Eu considero esta terceira exortação o pico de toda a nervura das mais difíceis e tenras palavras de um mestre ao seu pupilo. A mais pesada de todas as lições que um pastor poderia deixar a sua ovelha. Em vez de um pastor, como em nossos dias dizer: "tenha fé, se você está com Cristo não vai passar por problemas", a escritura nos ordena a dizer: "Você vai sofrer!"
Portanto, o que basicamente vamos analisar neste momento em relação ao capítulo três é a necessidade de suportarmos o sofrimento pelo evangelho. Quanto mais o evangelho é disseminado pela sua pregação mais as pessoas são provocadas e instigadas a terem duas reações apenas. Ou são irresistivelmente traídas pelo seu anúncio e se curvam a Cristo, ou, elas se levantam com todo furor provocadas a mais intensa de todas as formas de violência e crueldade contra a Igreja.
Sendo assim, começo com um alerta. Prepare-se! Se você é cristão você vai sofrer! Pra que você não confunda as coisas, sofrimento não é inevitável apenas ao cristão, mas, é uma ordenança de Deus como evidência clara do verdadeiro evangelho sendo anunciado a pecadores. Penso ser este o primeiro ponto deste capítulo. O alerta. O despertar para que possamos abrir os nossos olhos espirituais e enxergar a realidade ensinada nas escrituras sobre a vida cristã.
Então, observe comigo o versículo inicial deste capítulo pra analisarmos esta primeira questão. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).
Em primeiro lugar, todo cristão deve sempre saber desta que considero uma inevitável realidade dos propósitos soberanos de Deus. É como Cristo nos falando. Vocês devem passar por aflições. O sofrimento não é apenas algo inevitável, mas, ela é necessário para nos deixar ágeis e precavidos.
Em outras palavras, "fique ciente, atento, vigilante!" Este é o chamado de Paulo com o qual inicia e também define o tema da terceira exortação. A diligência deve ser para a alma o que os olhos são para o corpo. Cristãos desatentos a esta realidade são equiparados a soldados despreparados. São como cegos.
O chamado de Paulo para nos tornarmos mais diligentes quanto a realidade do sofrimento é uma demonstração clara do quanto nós somos tão alienados e dispersos, e, por muitas vezes, a perseguição se torna a necessidade, o mal necessário para ficarmos alertas. Alertas o modo como aplicamos o evangelho em nossa vida. Alguns meses antes do comunismo ter sido instaurado no Vietnã, missionários de diversas igrejas que atuavam naquele país se encontravam em uma conferência sobre futuro da igreja quanto a realidade daquele país.
Um pequeno grupo da Aliança Cristã Missionária se manifestou dizendo que a igreja vietnamita não estava preparada para a crise política que estava por estourar e perseguir os cristãos. As tensões e os ânimos aflorados no cenário político em Hanói misturado as declarações de promessas do partido comunista em meio ao descontentamento por parte da população já eram sinais claros do que iria acontecer.
A maioria dos que se encontravam no plenário não concordaram e simplesmente não deram importância a fala desses missionários. Alguns meses depois inesperadamente, o partido comunista inicia uma revolução no norte do Vietnã e a partir daquele momento, muitos cristãos foram pegos de surpresa em suas casas, templos, escolas, escritórios, inicialmente sendo detidos, presos, interrogados, os missionários estrangeiros sendo deportados, outros detidos, interrogados, torturados, mortos.
Tenho a forte impressão de que, em nosso país isso também possa com o tempo acontecer. O nosso contexto parece não ser diferente do que foi em outros tempos e lugares como na União soviética, China, Sudeste Asiático, Leste Europeu, Oriente Médio, Coreia do Norte, Indonésia, Peru, Colômbia e México.
A igreja brasileira está dispersa. A causa disto tudo são os desvios doutrinários que substituem a fiel pregação do evangelho e abrem lacunas que são aos poucos preenchidas por outras ideais, práticas, ritos, costumes, hábitos, modificação na linguagem que não são cristãs.
Contudo, em segundo lugar, Paulo declara como serão os dias que se sucedem. Leia atentamente o que ainda diz o primeiro versículo: Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).
Duas coisas precisam ser explicadas em relação a declaração de Paulo. Inicialmente, o que são os "últimos dias." Por seguinte em que sentido estes últimos dias serão difíceis. A ocorrência desta expressão nas escrituras se dá por pelo menos 20 vezes sendo 14 no Antigo Testamento e 6 no Novo Testamento. Esta expressão pode significar literalmente dias recentes ou fatos que ocorreram no dia anterior. Mas, especialmente no Novo Testamento e que é similar a expressão "ultima hora" indica o período em que vivemos na nova aliança da primeira à segunda vinda de Jesus Cristo.
Tudo já foi consumado pela morte e ressurreição de Cristo. O reino de Deus está inaugurado. Só resta uma última coisa a ser feita. Jesus Cristo julgar todos os povos e consumar totalmente a sua vitória sobre satanás condenando e os sentenciando ao lago de fogo.
Observe o que nos diz alguns textos bíblicos.
Entretanto, as expressões "última hora", ou, "os últimos dias" sinalizam tempos conturbados e de dias maus como afirmou o apóstolo Paulo Em Efésios 5: 16: remindo o tempo, porque os dias são maus. E aqui vem o porquê do termo tempos difíceis. Serão dias insuportáveis. Dias de muita tribulação e angústia para o povo de Deus.
Não apenas os dias, mas, os próprios homens serão mais cruéis, pervertidos, depravados, insanos, violentos e sem qualquer resquício de misericórdia. Não haverá limites para a maldade e depravação do homem se hoje nos assustamos com o que tem acontecido, imagine para os próximos dias. Se você acha que já pode ter visto de tudo o que o homem é capaz, espere o dia de amanhã.
É comum em nossos dias atribuir como injusto e intolerante o próprio Deus ter ordenado matar e destruir os povos que circuncidavam o povo de Israel na terra prometida. Talvez~, você questione o fato de Deus ter estabelecido pena de morte para quase todos os pecados mencionados em Êxodo e Levítico. Parece muita crueldade Deus ter inundado a terra com dilúvio e ter destruído Sodoma e Gomorra com fogo.
Se analisarmos bem, aqueles dias não eram como os nossos. A severidade com que Deus agiu naqueles tempos não se compara com os dias de hoje. Deus tem sido implacável de modo que, naquela época, o povo de Israel estava autorizado a usar da espada para preservar a igreja da antiga aliança da malignidade dos povos pagãos. A igreja hoje, não pode usar outra arma a não ser a pregação do evangelho. Observe bem a lista mencionada nos versículos seguintes:
Veja a preocupação de Paulo. Não era o sofrimento físico, mas, a mais terrível de todas as angústias é ver o homem descontroladamente imerso à corrupção e imoralidade. É vê-lo desenfreado em sua própria maldade.Quem são esses que Paulo diz nos afligir? Não são os de fora, mas, os que estão dentro da Igreja. Eles estão no nosso meio, se passam por crentes, falam a mesma linguagem que nós, parecem exercer grande piedade cristã, mas, na verdade, o caráter deles se revela maléfico conforme descrita nos versículos 2 e 3.
Bom, nos uma outra pergunta importante. Quer dizer que lideres e pastores que possuem estas características mencionadas por Paulo devem ser considerados falsos profetas? Exato!
Mas, se eles se declaram cristãos e pertencem a uma denominação cristã respeitada? Como posso considerar alguém que, por exemplo sendo batista, ou, se declara um pastor presbiteriano, uma pessoa de possui prestigio, respeito, notoriedade, cargos, pode ser um falso profeta?
Esse é o grande problema que enfrentamos hoje dentro das igrejas. A falta de entendimento e discernimento para lidar com esse tipo de gente tem nos feito ignorar os alertas que são anunciados pelo próprio evangelho. O engano se dá por duas coisas. Ignorância doutrinária ou, e, também por falta de maturidade cristã, discernimento e sabedoria.
Eu repito, mais uma vez: A igreja de hoje não está preparada para lidar com o que virá contra ela no decorrer dos anos. Até mesmo, me aproprio das palavras de Paulo no final do versículo 5 com respeito a isso: foge também desses. Em outras palavras, evitem a presença deles. Não seja atraído pela aparência externa deles, muitas vezes pelo desejo de ter mais pessoas agregadas a nossa congregação, não sendo criteriosos, acabamos por abrigar mal feitores, lobos vorazes, ladrões, em nossa casa.
Eu preciso reiterar, não se trata da bagagem de conhecimento doutrinário e de como você é habilidoso no manejo da Bíblia. Trata-se da sua maturidade, da sua percepção, discernimento em relação ao que está acontecendo a nossa volta e como determinadas ideias e doutrinas sutilmente vão criando formas através de determinadas práticas, modismos, que, inicialmente parecem inofensivos, mas, é veneno mortal.
Se você acha que as grandes seitas surgiram fora da igreja, está redondamente enganado. Elas foram desenvolvidas por pessoas que tinha respeitabilidade e eram prestigiadas pelos seus membros. Pelo menos no mundo moderno, algumas destas seitas surgiram entre presbiterianos. Charles Finney, por exemplo, era pastor presbiteriano, mas ensinava a doutrina semi pelagiana.
E é neste ponto que isso tem a ver conosco. De onde eles saíram? Ora! Antes de serem pastores, lideres, mestres, eles eram membros de suas respectivas igrejas. Mas, como permitiram homens como esses serem eleitos ou conduzidos a liderança? Esta é a questão. Os oficiais e os líderes da igreja são eleitos e confirmados pela própria igreja. Se em nossos dias estamos elegendo e aprovando falsos pastores e mestres, lembre-se, eles saíram do seio da igreja, do nosso meio. Nós os aprovamos e os confirmamos. Entregamos a eles o poder de exercerem autoridade sobre nós por meio dos seus ensinamentos.
O que está em jogo em toda esta situação? É a pregação fiel do evangelho. Por isso que inicialmente, Paulo em sua segunda exortação declarou que Timóteo para não se esquecer do evangelho, se apropriasse dele por meio do ensino. Não existe outro meio de sermos precavidos e preservados desses homens, se não houver o ensino puro e sistemático do evangelho.
Mas, isto nos leva a outro grande problema. Temo que os membros de nossas igrejas, muitos deles, não estão preparados para isso. Não são maduros os suficientes. Outros, não receberam o ensinamento correto e coerente do evangelho. São neófitos! O que pode me dar mais desgosto e forte agitação, perturbação e terror a minha alma é o modo como muitos cristãos, especialmente os jovens e adolescentes de hoje que estão na igreja desperdiçam suas vidas e o seu futuro em coisas viciosas, perniciosas, supérfluas, imorais e destrutivas a sua saúde espiritual e a dos outros também.
Na metade do século XX, especificamente, na década de cinquenta e sessenta, as igrejas americanas enviaram milhares de missionários ao redor do mundo especialmente nas regiões mais perigosas e de grandes conflitos políticos e armados. Surgiram várias organizações missionárias que atuavam em áreas específicas. Eram chamados de especialistas porque eram médicos, enfermeiros, pilotos de aviões, mecânicos, construtores de casas, engenheiros, administradores, tradutores e linguistas.
A média de jovens que sendo criados na igreja se desviavam dos caminhos de Cristo aumentava assustadoramente, mas, ao mesmo tempo muitos deles que retornavam de sua insanidade espiritual engajavam-se em missões de risco em suas profissões. Muitos deles morreram ou desapareceram no sudeste da Ásia e África.
Meus pais são missionários. Minha vinda a Porto Velho providencialmente foi pela instrumentalidade do trabalho deles com povos indígenas. Durante sete anos trabalharam entre os Masthanawas na divisa com o Brasil e o Peru. Posteriormente foram para o Timor Leste.
Meu pai foi como construtor de casas para refugiados enquanto minha mãe e minha irmã entraram como agentes de saúde. Minha irmã Camila que está se graduando em enfermagem foi indaga quanto a sua perspectiva profissional. Ela respondeu: "Gostaria de trabalhar como enfermeira no Timor Leste."
A missionária Elizabete Vencio, ainda jovem e graduada em linguística pela Universidade de Campinas pagou o preço de não se casar para evangelizar e traduzir a Bíblia para os Jarawaras, no interior do Amazonas, durante vinte e cinco anos de sua vida. Recentemente faleceu acometido de um câncer e solteira sendo assistida pelos seus amigos e irmãos em Cristo.
A minha pergunta é a seguinte. Eles desperdiçaram o tempo e investimento de toda uma vida pelas escolhas que fizeram? Uma jovem linguista que poderia ter prestigio profissional em sua área, mas preferiu a selva amazônica entre os índios perdeu tempo? Pense nisto! Mas em relação à você? O que você tem feito da sua vida em prol do evangelho?
Você está disposto até que ponto pela propagação do evangelho? Se a sua preocupação tem sido apenas o fato de correr riscos em sua careira cristã talvez ainda você não entendeu que ser cristão implica automaticamente em correr riscos. Ser cristão significa que os dias serão de mal a pior. Seja por causa da perseguição como também o sofrimento de ter de lutar contra você mesmo por causa da sua natureza pecaminosa.
Inevitavelmente os dias são de mal a pior. A única coisa que você precisa se perguntar é como você vai encarar isto. Como você vai seguir? Vai desperdiçar sua vida com futilidades, ou, vai seguir a carreira cristã que Deus lhe determinou? Qual será a sua postura diante do evangelho de Cristo? Amém!
Estamos diante da terceira exortação do apóstolo Paulo a Timóteo. Paulo escreveu esta carta com o intuito de estimular e encorajar o jovem pastor Timóteo a não ser persuadido por heresias disseminadas pelos gnósticos e principalmente, manter-se firme no evangelho.
Cada capítulo desta carta nos leva a um grupo de exortações. As duas primeiras levam Timóteo a refletir sobre o problema da vergonha e timidez em relação ao evangelho como também o risco enfraquecer suas convicções nas questões essenciais da fé cristã. Ou seja, a ideia é que Timóteo não se esquecesse do evangelho, de que, não o abandonasse. A terceira exortação torna a situação mais crítica do que já estava para Timóteo. Um alerta ao que estava por vir contra ele e a Igreja de Cristo. Se a situação não estava boa, ia ficar muito pior.
As palavras do apóstolo Paulo aumentam mais ainda carga de tensão no decorrer destas exortações. Eu considero esta terceira exortação o pico de toda a nervura das mais difíceis e tenras palavras de um mestre ao seu pupilo. A mais pesada de todas as lições que um pastor poderia deixar a sua ovelha. Em vez de um pastor, como em nossos dias dizer: "tenha fé, se você está com Cristo não vai passar por problemas", a escritura nos ordena a dizer: "Você vai sofrer!"
Portanto, o que basicamente vamos analisar neste momento em relação ao capítulo três é a necessidade de suportarmos o sofrimento pelo evangelho. Quanto mais o evangelho é disseminado pela sua pregação mais as pessoas são provocadas e instigadas a terem duas reações apenas. Ou são irresistivelmente traídas pelo seu anúncio e se curvam a Cristo, ou, elas se levantam com todo furor provocadas a mais intensa de todas as formas de violência e crueldade contra a Igreja.
Sendo assim, começo com um alerta. Prepare-se! Se você é cristão você vai sofrer! Pra que você não confunda as coisas, sofrimento não é inevitável apenas ao cristão, mas, é uma ordenança de Deus como evidência clara do verdadeiro evangelho sendo anunciado a pecadores. Penso ser este o primeiro ponto deste capítulo. O alerta. O despertar para que possamos abrir os nossos olhos espirituais e enxergar a realidade ensinada nas escrituras sobre a vida cristã.
Então, observe comigo o versículo inicial deste capítulo pra analisarmos esta primeira questão. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).
Em primeiro lugar, todo cristão deve sempre saber desta que considero uma inevitável realidade dos propósitos soberanos de Deus. É como Cristo nos falando. Vocês devem passar por aflições. O sofrimento não é apenas algo inevitável, mas, ela é necessário para nos deixar ágeis e precavidos.
Em outras palavras, "fique ciente, atento, vigilante!" Este é o chamado de Paulo com o qual inicia e também define o tema da terceira exortação. A diligência deve ser para a alma o que os olhos são para o corpo. Cristãos desatentos a esta realidade são equiparados a soldados despreparados. São como cegos.
O chamado de Paulo para nos tornarmos mais diligentes quanto a realidade do sofrimento é uma demonstração clara do quanto nós somos tão alienados e dispersos, e, por muitas vezes, a perseguição se torna a necessidade, o mal necessário para ficarmos alertas. Alertas o modo como aplicamos o evangelho em nossa vida. Alguns meses antes do comunismo ter sido instaurado no Vietnã, missionários de diversas igrejas que atuavam naquele país se encontravam em uma conferência sobre futuro da igreja quanto a realidade daquele país.
Um pequeno grupo da Aliança Cristã Missionária se manifestou dizendo que a igreja vietnamita não estava preparada para a crise política que estava por estourar e perseguir os cristãos. As tensões e os ânimos aflorados no cenário político em Hanói misturado as declarações de promessas do partido comunista em meio ao descontentamento por parte da população já eram sinais claros do que iria acontecer.
A maioria dos que se encontravam no plenário não concordaram e simplesmente não deram importância a fala desses missionários. Alguns meses depois inesperadamente, o partido comunista inicia uma revolução no norte do Vietnã e a partir daquele momento, muitos cristãos foram pegos de surpresa em suas casas, templos, escolas, escritórios, inicialmente sendo detidos, presos, interrogados, os missionários estrangeiros sendo deportados, outros detidos, interrogados, torturados, mortos.
Tenho a forte impressão de que, em nosso país isso também possa com o tempo acontecer. O nosso contexto parece não ser diferente do que foi em outros tempos e lugares como na União soviética, China, Sudeste Asiático, Leste Europeu, Oriente Médio, Coreia do Norte, Indonésia, Peru, Colômbia e México.
A igreja brasileira está dispersa. A causa disto tudo são os desvios doutrinários que substituem a fiel pregação do evangelho e abrem lacunas que são aos poucos preenchidas por outras ideais, práticas, ritos, costumes, hábitos, modificação na linguagem que não são cristãs.
Contudo, em segundo lugar, Paulo declara como serão os dias que se sucedem. Leia atentamente o que ainda diz o primeiro versículo: Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, (2Tm 3: 1).
Duas coisas precisam ser explicadas em relação a declaração de Paulo. Inicialmente, o que são os "últimos dias." Por seguinte em que sentido estes últimos dias serão difíceis. A ocorrência desta expressão nas escrituras se dá por pelo menos 20 vezes sendo 14 no Antigo Testamento e 6 no Novo Testamento. Esta expressão pode significar literalmente dias recentes ou fatos que ocorreram no dia anterior. Mas, especialmente no Novo Testamento e que é similar a expressão "ultima hora" indica o período em que vivemos na nova aliança da primeira à segunda vinda de Jesus Cristo.
Tudo já foi consumado pela morte e ressurreição de Cristo. O reino de Deus está inaugurado. Só resta uma última coisa a ser feita. Jesus Cristo julgar todos os povos e consumar totalmente a sua vitória sobre satanás condenando e os sentenciando ao lago de fogo.
Observe o que nos diz alguns textos bíblicos.
2 Pedro 3:3-4 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.
1Timóteo 4: 1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,
1 João 2:18 Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.
Não apenas os dias, mas, os próprios homens serão mais cruéis, pervertidos, depravados, insanos, violentos e sem qualquer resquício de misericórdia. Não haverá limites para a maldade e depravação do homem se hoje nos assustamos com o que tem acontecido, imagine para os próximos dias. Se você acha que já pode ter visto de tudo o que o homem é capaz, espere o dia de amanhã.
É comum em nossos dias atribuir como injusto e intolerante o próprio Deus ter ordenado matar e destruir os povos que circuncidavam o povo de Israel na terra prometida. Talvez~, você questione o fato de Deus ter estabelecido pena de morte para quase todos os pecados mencionados em Êxodo e Levítico. Parece muita crueldade Deus ter inundado a terra com dilúvio e ter destruído Sodoma e Gomorra com fogo.
Se analisarmos bem, aqueles dias não eram como os nossos. A severidade com que Deus agiu naqueles tempos não se compara com os dias de hoje. Deus tem sido implacável de modo que, naquela época, o povo de Israel estava autorizado a usar da espada para preservar a igreja da antiga aliança da malignidade dos povos pagãos. A igreja hoje, não pode usar outra arma a não ser a pregação do evangelho. Observe bem a lista mencionada nos versículos seguintes:
2 Timóteo 3:2-4 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,
Veja a preocupação de Paulo. Não era o sofrimento físico, mas, a mais terrível de todas as angústias é ver o homem descontroladamente imerso à corrupção e imoralidade. É vê-lo desenfreado em sua própria maldade.Quem são esses que Paulo diz nos afligir? Não são os de fora, mas, os que estão dentro da Igreja. Eles estão no nosso meio, se passam por crentes, falam a mesma linguagem que nós, parecem exercer grande piedade cristã, mas, na verdade, o caráter deles se revela maléfico conforme descrita nos versículos 2 e 3.
Bom, nos uma outra pergunta importante. Quer dizer que lideres e pastores que possuem estas características mencionadas por Paulo devem ser considerados falsos profetas? Exato!
Mas, se eles se declaram cristãos e pertencem a uma denominação cristã respeitada? Como posso considerar alguém que, por exemplo sendo batista, ou, se declara um pastor presbiteriano, uma pessoa de possui prestigio, respeito, notoriedade, cargos, pode ser um falso profeta?
Esse é o grande problema que enfrentamos hoje dentro das igrejas. A falta de entendimento e discernimento para lidar com esse tipo de gente tem nos feito ignorar os alertas que são anunciados pelo próprio evangelho. O engano se dá por duas coisas. Ignorância doutrinária ou, e, também por falta de maturidade cristã, discernimento e sabedoria.
Eu repito, mais uma vez: A igreja de hoje não está preparada para lidar com o que virá contra ela no decorrer dos anos. Até mesmo, me aproprio das palavras de Paulo no final do versículo 5 com respeito a isso: foge também desses. Em outras palavras, evitem a presença deles. Não seja atraído pela aparência externa deles, muitas vezes pelo desejo de ter mais pessoas agregadas a nossa congregação, não sendo criteriosos, acabamos por abrigar mal feitores, lobos vorazes, ladrões, em nossa casa.
Eu preciso reiterar, não se trata da bagagem de conhecimento doutrinário e de como você é habilidoso no manejo da Bíblia. Trata-se da sua maturidade, da sua percepção, discernimento em relação ao que está acontecendo a nossa volta e como determinadas ideias e doutrinas sutilmente vão criando formas através de determinadas práticas, modismos, que, inicialmente parecem inofensivos, mas, é veneno mortal.
Se você acha que as grandes seitas surgiram fora da igreja, está redondamente enganado. Elas foram desenvolvidas por pessoas que tinha respeitabilidade e eram prestigiadas pelos seus membros. Pelo menos no mundo moderno, algumas destas seitas surgiram entre presbiterianos. Charles Finney, por exemplo, era pastor presbiteriano, mas ensinava a doutrina semi pelagiana.
E é neste ponto que isso tem a ver conosco. De onde eles saíram? Ora! Antes de serem pastores, lideres, mestres, eles eram membros de suas respectivas igrejas. Mas, como permitiram homens como esses serem eleitos ou conduzidos a liderança? Esta é a questão. Os oficiais e os líderes da igreja são eleitos e confirmados pela própria igreja. Se em nossos dias estamos elegendo e aprovando falsos pastores e mestres, lembre-se, eles saíram do seio da igreja, do nosso meio. Nós os aprovamos e os confirmamos. Entregamos a eles o poder de exercerem autoridade sobre nós por meio dos seus ensinamentos.
O que está em jogo em toda esta situação? É a pregação fiel do evangelho. Por isso que inicialmente, Paulo em sua segunda exortação declarou que Timóteo para não se esquecer do evangelho, se apropriasse dele por meio do ensino. Não existe outro meio de sermos precavidos e preservados desses homens, se não houver o ensino puro e sistemático do evangelho.
Mas, isto nos leva a outro grande problema. Temo que os membros de nossas igrejas, muitos deles, não estão preparados para isso. Não são maduros os suficientes. Outros, não receberam o ensinamento correto e coerente do evangelho. São neófitos! O que pode me dar mais desgosto e forte agitação, perturbação e terror a minha alma é o modo como muitos cristãos, especialmente os jovens e adolescentes de hoje que estão na igreja desperdiçam suas vidas e o seu futuro em coisas viciosas, perniciosas, supérfluas, imorais e destrutivas a sua saúde espiritual e a dos outros também.
Na metade do século XX, especificamente, na década de cinquenta e sessenta, as igrejas americanas enviaram milhares de missionários ao redor do mundo especialmente nas regiões mais perigosas e de grandes conflitos políticos e armados. Surgiram várias organizações missionárias que atuavam em áreas específicas. Eram chamados de especialistas porque eram médicos, enfermeiros, pilotos de aviões, mecânicos, construtores de casas, engenheiros, administradores, tradutores e linguistas.
A média de jovens que sendo criados na igreja se desviavam dos caminhos de Cristo aumentava assustadoramente, mas, ao mesmo tempo muitos deles que retornavam de sua insanidade espiritual engajavam-se em missões de risco em suas profissões. Muitos deles morreram ou desapareceram no sudeste da Ásia e África.
Meus pais são missionários. Minha vinda a Porto Velho providencialmente foi pela instrumentalidade do trabalho deles com povos indígenas. Durante sete anos trabalharam entre os Masthanawas na divisa com o Brasil e o Peru. Posteriormente foram para o Timor Leste.
Meu pai foi como construtor de casas para refugiados enquanto minha mãe e minha irmã entraram como agentes de saúde. Minha irmã Camila que está se graduando em enfermagem foi indaga quanto a sua perspectiva profissional. Ela respondeu: "Gostaria de trabalhar como enfermeira no Timor Leste."
A missionária Elizabete Vencio, ainda jovem e graduada em linguística pela Universidade de Campinas pagou o preço de não se casar para evangelizar e traduzir a Bíblia para os Jarawaras, no interior do Amazonas, durante vinte e cinco anos de sua vida. Recentemente faleceu acometido de um câncer e solteira sendo assistida pelos seus amigos e irmãos em Cristo.
A minha pergunta é a seguinte. Eles desperdiçaram o tempo e investimento de toda uma vida pelas escolhas que fizeram? Uma jovem linguista que poderia ter prestigio profissional em sua área, mas preferiu a selva amazônica entre os índios perdeu tempo? Pense nisto! Mas em relação à você? O que você tem feito da sua vida em prol do evangelho?
Você está disposto até que ponto pela propagação do evangelho? Se a sua preocupação tem sido apenas o fato de correr riscos em sua careira cristã talvez ainda você não entendeu que ser cristão implica automaticamente em correr riscos. Ser cristão significa que os dias serão de mal a pior. Seja por causa da perseguição como também o sofrimento de ter de lutar contra você mesmo por causa da sua natureza pecaminosa.
Inevitavelmente os dias são de mal a pior. A única coisa que você precisa se perguntar é como você vai encarar isto. Como você vai seguir? Vai desperdiçar sua vida com futilidades, ou, vai seguir a carreira cristã que Deus lhe determinou? Qual será a sua postura diante do evangelho de Cristo? Amém!
Pr. Rogério Bernini Junior
(sermão pregado em setembro de 2014 no culto matinal de domingo)
sábado, 11 de outubro de 2014
HISTÓRICO DO REVERENDO OZEAS MACIEL PEREIRA – ALUSIVO A SUA JUBILAÇÃO COMO PASTOR PRESBITERIANO
A pedido do Rev. Ewerton, fui designado a escrever um breve histórico do ministério do Rev. Ozeas que atualmente faz parte da nossa equipe pastoral desde 2013. Me adianto a dizer que este nobre ministro do evangelho é o mais velho de todos os pastores presbiterianos ainda em atividade em nossa região Acre - Rondônia.
Por uma questão obvia de idade e experiência, não seria o mais cotado para a nobre tarefa, mas ainda assim, me disponho a relatar a vida e o ministério do nobre irmão e colega de ministério. Faço no temor do Senhor e a Deus toda honra e glória pela vida deste servo Dele. Segue abaixo com as devidas palavras a sua biografia.
"Reverendo Ozeas Maciel Pereira, filho de Teodoro Gaspar Pereira e de Dna Inês Maciel Pereira, nasceu aos dez dias de outubro de 1944 no município de Morros – MA. Com um ano de idade foi batizado pelo Reverendo Benedito Aguiar na mesma cidade. Fez sua publica profissão de fé na cidade de Cordata-MA em novembro de 1964 quando tinha 21 anos de idade sendo que, quatro anos mais tarde, no dia 31 de dezembro, já como membro comungante na Igreja Presbiteriana de Parnaíba é reconhecido pelo conselho daquela igreja como aspirante ao sagrado ministério.
Em 1968 o jovem aspirante conhece a sua futura esposa, a Dna Maria do Socorro Costa Pereira, casando-se em 26 de junho de 1970 na cidade de Parnaíba. Após ser reconhecido como candidato ao sagrado ministério, em 18 de janeiro de 1970, o presbitério do Piauí o envia para estudar no Seminário Presbiteriano do Norte na cidade de Recife-PE. Na 6ª Reunião Ordinária do Presbitério do Piauí na cidade de Terezina, Pr. Ozeas foi examinado e ordenado ao sagrado ministério em 02 de novembro de 1975.
No período em que o casal residiu na cidade de Recife, Deus lhes concedeu dois filhos. Ozeas Junior que nasceu no dia 20 de maio de 1971 e Roberto nascido em 27 de setembro de 1972. Após sua ordenação em 02 de fevereiro de 1975, O Rev. Ozeas foi cedido à Junta de Missões da IPB por um período inicial de dois anos. A família então muda-se para a cidade de Rio Branco – capital do Estado do Acre iniciando o trabalho presbiteriano na Avenida Ceará onde posteriormente foi organizada a Primeira Igreja Presbiteriana de Rio Branco que mais tarde se desmembrou e deu origem as duas igrejas locais – A Igreja Presbiteriana do Aviário e a Igreja Presbiteriana da Floresta. Atualmente, nas instalações da Av. Ceara funcionam apenas o Colégio Presbiteriano Joao Calvino. Ali eles permaneceram por um período de apenas um ano sendo designados em março de 1976 a assumirem o campo de Porto Velho.
Já em 1978, O Rev. Ozeas mudou-se com a família para a cidade de Pimenta Bueno, sendo designado pela JMN a assistir os trabalhos e as congregações do cone sul de nosso estado especialmente nas cidades de Cacoal, Espigão do Oeste e Rolim de Moura. Por diversas vezes foi requisitado a dar atos pastorais em outras cidades de nosso estado até porque a região carecia de pastores e missionários. Havia muitas congregações espalhadas nas linhas e nas áreas rurais que demandava um grande esforço para que todos os campos e trabalhos em nosso estado fossem assistidos pelos pastores que aqui se encontravam.
Em 1979, o Pr Ozeas foi eleito vice-presidente do Presbitério do Piauí sendo este o último período em que atuou sob a jurisdição eclesiástica daquele presbitério. Ainda, no mesmo ano, no dia 15 de setembro na cidade de Porto Velho, participou da organização do Presbitério de Porto Velho sendo eleito como o primeiro secretário executivo deste concílio. Quando este presbitério pertencia ao Sínodo Setentrional, em sua reunião ordinária entre os dias 15 a 19 de julho de 1981, o Rev. Ozeas participou como representante deste presbitério sendo eleito por aquele sínodo vice presidente. Em 22 de julho de 1983, na ocasião da trigésima quinta reunião do Sínodo Setentrional na Primeira Igreja Presbiteriana de Manaus, Rev. Ozeas foi eleito presidente para o mandato bienal entre 1983 e 1984.
Na quarta Reunião Ordinária do PPVH realizada no dia 15 de dezembro de 1984, o Rev. Ozeas foi designado por este presbitério como pastor titular da então Igreja Presbiteriana de Porto Velho sendo posteriormente eleito para o biênio de 1990 – 1991. Em 1994, O Rev. Ozeas foi designado pela Junta de Missões a assistir a Congregação de Candeias do Jamari denominado pela JMN de Campos do Jamari. No ano de 1995 até 1996 foi representante do Presbitério de Porto Velho junto ao Conselho Deliberativo do Instituto Bíblico de Rondônia (IBRO). E 1996 foi designado pastor evangelista na Congregação do Bairro JK em Porto Velho, período em que também, já licenciado em letras pela Universidade de Federal de Rondônia iniciou a sua atuação como educador no quadro de professores do Estado de Rondônia e posteriormente foi nomeado diretor da Escola Paulo Nunes Leal na cidade de Porto Velho. Permaneceu neste campo até o ano de 2001.
Já em 2002 o PPVH o designou para assumir a Igreja Presbiteriana de Guajará-Mirim até o ano de 2006. Posteriormente para o ano de 2007 retornou aos campos de Candeias do Jamari e da congregação do JK em Porto Velho onde permaneceu como relator até o ano de 2012. Em 2013 o Rev. Ozeas foi convidado pelo conselho da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho a integrar a equipe pastoral auxiliando o Rev. Ewerton na assistência ao campo especialmente nas escalas de pregações e os atos pastorais nas congregações de Jaci-Paraná e União Bandeirante. É importante destacar que O Pr. Ozeas atuou junto ao nosso presbitério assistindo às nossas Federações de SAFs e UPHs de 1999 até 2012 como secretário presbiterial.
O Rev. Ozeas como membro deste presbitério e do nosso Sínodo Noroeste do Brasil que ainda em tempo de seu vigor físico, mesmo com a idade de 71 anos, atua como o mais velho de todos os ministros de nossa região. Mesmo diante de adversidades e situações difíceis que possa ter enfrentado em seu ministério pastoral como as perdas que possam ter lhe causado tristeza, ainda assim, o Senhor Deus lhe preservou. Não apenas ele, mas a sua estimada esposa, querida irmã Socorro como também o seu precioso filho Ozeas Junior. O Rev. Ozeas é o exemplo claro de como Deus em qualquer tempo e situação guarda a vida daqueles que são verdadeiramente chamados ao ofício da pregação da Palavra.
Em uma região que ainda carece de homens idôneos e fieis a Cristo na exposição da Palavra de Deus e no governo da Igreja de Cristo, o Rev. Ozeas é considerado um dos pioneiros na implantação da Igreja Presbiteriana do Brasil na Amazônia Ocidental. Que Deus ainda lhe conceda vigor necessário para prosseguir em sua caminhada cristã e no exercício de seu ofício dado por Cristo.
Em dezembro de 2004 na ocasião do meu exame para candidato ao sagrado ministério em que o Rev. Ozeas foi o relator daquela comissão especial, após diversas perguntas quanto ao meu chamado, lembro-me de sua exortação muito clara e curta em 1º Corintios 4: 1-2 e, que agora com carinho e o devido respeito que um jovem pastor deve ter reitero ao nobre ministro do Senhor as mesmas palavras:"
A igreja não deve lhe reconhecer por outra coisa senão que você apenas pregue a Palavra e seja fiel ao chamado de Cristo. Se você tem certeza de seu chamado, você não deve se preocupar com outra coisa na vida a não ser fazer o que Cristo lhe manda. Apenas fazer o que Cristo lhe manda e nada mais.
A Deus toda gloria e toda honra
Assinar:
Postagens (Atom)
