domingo, 28 de dezembro de 2014

A ESPERANÇA NÃO É A ÚLTIMA QUE MORRE MAS É O QUE NOS MANTEM VIVOS... Exposição de Romanos 5: 5


    O sermão anterior a este, verificamos como desfrutamos da paz com Deus em meio ao sofrimento. Creio que ficou bem claro a todos nós o que Paulo afirma sobre gloriar-se na esperança da glória de Deus e principalmente nas tribulações. Antes mesmo de continuarmos a exposição no versículo 5, lembre-se do que se trata o capitulo cinco de Romanos: A justificação pela fé produz paz com Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo.

    Não teriam dias mais oportunos para averiguarmos que realmente fomos reconciliados com Deus do que as provações. O sofrimento não apenas faz parte da nossa vida como é necessário que passemos por dias difíceis, de perdas, de dores, de tristezas afim de sermos testados em nossa fé. Já havia dito e repito: Cristo nos ordena o sofrimento como parte da vida cristã. 'Quem não tomar a sua cruz e segui-lo não é digno de ser seu discípulo'.


    Para que você não se esqueça do que aplicamos, o sofrimento não deve ser oportunidade para se vitimizar, mas, para regozijar-se na esperança da gloria de Deus (Rm 5: 2). O verdadeiro cristão entende isto quando sabe que Deus usa a provação para produzir em nós a resistência ao pecado e ao mundo, a aprovação de nossa fé em meio a um teste e isto fortalece a nossa esperança (Rm 5: 3-4).

    E, a propósito desta última (a esperança), vamos continuar a exposição deste capítulo a partir do versículo 5 que nos diz: 'Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado'.

    Apesar do versículo 5 ser uma extensão dos versículos 3 e 4 e uma transição para o próximo ponto do versículo 6, creio ser muito rico o que podemos extrair como aplicação sobre como experimentamos a paz com Deus. É de extrema importância e necessidade falar o que vem a ser a esperança cristã a luz da Escritura.

    Creio que pela providencia divina seja necessário e oportuno falar deste tema já que estamos no último domingo do ano de 2014. Se você veio na expectativa de ouvir um sermão, ou, uma palavra que lhe traga um conforto, animo, encorajamento e esperança, então chegou o dia para isto.

Fico pensando em como o mundo e satanás são sutis em suas estratégias de engano. Veja que a forma de "sabedoria" do mundo sempre tende a se apresentar com afirmações ou ditados positivos, mas, na verdade, são em seu recheio destrutivos. Veja a forma mais absurda de se concluir o que é esperança. Como diz o ditado "A esperança é a última que morre".

    Na verdade, isto contraria totalmente o significado correto da palavra esperança. Se temos esperança em alguma coisa ou em alguém, significa que estamos vivos e não morreremos. Quem não tem esperança, não tem motivos para viver.

Ao contrário do que nos diz o ditado popular, a esperança ensinada nas Escrituras nos mantem vivos em Cristo Jesus. Não há esperança sem Cristo. Portanto, gostaria neste momento de analisar com os irmãos o que vem a ser a esperança cristã e por que ela não nos confunde e muito menos nos frustras.

    O modo como o apóstolo Paulo nos apresenta esta terceira tese no capitulo 5 é muito interessante. No versículo 2 ele já havia dito que devemos nos gloriar na esperança da glória de Deus, em seguida, no versículo 4 diz que nas provações, a aprovação da nossa fé produz a esperança.

    Agora, veja que temos aqui a sequência completa de como a obra redentora de Cristo imputada em nós. São basicamente três palavras chaves neste momento: fé, esperança e amor. Paulo usa a mesma tríade em 1Co 13: 13 e 1Ts 1: 3. Observe:



'Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor (1Co 13: 13).'

'Recordando- nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, (1Ts 1: 3)'

Percebe que este não é um ponto simplesmente aleatório ou isolado nas Escrituras e que a Bíblia enfatiza com precisão a necessidade do crente ter esperança? Ela faz parte da obra da salvação em nós. Sem a esperança, a obra salvífica não está completa no crente. Mas, vamos primeiro verificar o seu significado aqui no texto bíblico.

Vamos primeiro ao Antigo Testamento. A palavra 'esperança' tem sua ocorrência pelo menos mais de 146 vezes. 73 vezes ela se refere a esperança em Javé, ou seja, a esperança na salvação e na libertação do Povo de Israel através da vinda do Messias prometido. Veja alguns exemplos:


'Pois tu és a minha esperança, SENHOR Deus, a minha confiança desde a minha mocidade (Salmo 71: 5).'

'Aguardo o SENHOR, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra (Salmo 130: 5)'
'Perto está a minha justiça, aparece a minha salvação, e os meus braços dominarão os povos; as terras do mar me aguardam e no meu braço esperam (Isaías 51: 5)'

'Assim, há esperança para o pobre, e a iniquidade tapa a sua própria boca. Bem- aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo- Poderoso (Jó 15-16)'

'Quero trazer à memória o que me traz esperança' (Lamentações 3: 21)

Não se falou tanto de se ter esperança na história do povo de Deus como no Antigo Testamento especialmente quando o povo ou era acometido de grandes calamidades e sofrimentos, ou, quando o próprio Deus os castigava severamente para que abandonassem suas falsas esperanças em outros deuses e em si mesmos. Não é tão diferente o que o próprio apostolo Paulo faz aqui no capitulo 5 sendo ele um exímio conhecedor e intérprete do Antigo Testamento.

Mas, os autores dos livros vétero testamentário não falaram de esperança referindo-se as tribulações e os castigos divinos, mas, apontavam para uma pessoa. O Messias, o Salvador, o Redentor de nossas almas. A esperança do povo de Deus estava baseada e alimentada na vinda de Jesus Cristo como o redentor da Igreja.

Portanto a ideia que Paulo aplica de 'esperança' não se trata de uma mera expectativa ou anseio de dias melhores, ou, de situações futuras que possam ser mais prósperas, com mais alegria, mais fartura, sem sofrimento, sem perdas, mas a nossa ESPERA está na pessoa e obra do REDENTOR DE NOSSAS ALMAS.

Paulo usa a palavra 'esperança' não como uma espera humana ou circunstancial, mas de um desejo, ou, de um anseio, de um beneficio que nos é dado como garantia de nossa justificação pela fé em Cristo Jesus.

Neste caso, a esperança aqui mencionada no capitulo 5 é o benefício que Deus nos dá por meio de Cristo Jesus de sermos todos os dias alimentados, nutridos em nossa alma quanto a certeza, a segurança da nossa salvação. Isto é esperança aqui em Romanos. Esta é a esperança cristã.

Eu pergunto a você neste primeiro momento. É esta a esperança que habita em seu coração? De todos os dias, semanas e meses que se passaram até agora neste exato segundo, minuto e hora tem sido esta a esperança que te alimenta em relação as suas convicções, seus problemas, suas lutas, seus momentos de fraquezas e limitações, pecados, como também de alegrias, ganhos e regozijos?

Aqui vem uma constatação muito triste em nossos dias. Tendemos a demonstrar, ou, se interessar pela necessidade de alimentar alguma esperança quando estamos em perigo, ou, quando provocamos o perigo. Não é à toa que muitos tendem a procurar, ou, a frequentar as igrejas exatamente nesta época do ano.

Aqui temos um grande, mas grande problema! Pessoas assim depositam falsas esperanças. Elas não estão preocupadas em alimentar a certeza de que Cristo deve ser tudo na vida delas, mas, elas se apegam aos cultos, a igreja, e as pregações como um meio de serem favorecidas naquilo que lhes interessam. Usam a própria Bíblia como o seu amuleto, ou uma espécie de talismã.

Se você age assim, na verdade, ou, não tem esperança, ou então, você simplesmente depositou falsas esperanças. De todo modo, você ainda não recebeu Cristo como seu salvador e por isso, você não está seguro, não tem garantia de nada, está exposto, sozinho, entregue a pior de todas as situações, você está entregue a si mesmo e aos seus desejos pecaminosos.

Por isso, Paulo havia dito que algo extremamente importante sobre a esperança cristã. Ela não nos confunde e muito menos nos frustra. Este é o sentido de sua colocação no versículo 5. A palavra aqui usada é 'não confunde'. Ou seja, a esperança cristã antes de mais nada é verdadeira porque é alicerçada e fundamentada nas promessas de Deus em Sua Palavra.

Em seguida, a verdadeira esperança, sendo ela fundamentada no cumprimento da Palavra de Deus ao seu povo não traz vergonha, não humilha, não desonra e muito menos desanima, frustra, fracassa, e até mesmo não provoca a morte. Pessoas sem esperanças são pessoas mortas em suas almas. Podem até mesmo com seus desgostos pessoais e existenciais tirar literalmente a própria vida.

Veja o que Paulo nos mostra a luz das Escrituras. Que sendo a nossa esperança a pessoa de Cristo, o nosso redentor, em nenhum momento ele falha conosco. Não nos abandona, tira de nós o peso, o fardo, e até mesmo o cheiro da morte que estava sobre nós. Isto não é maravilhoso? Isto não te tranquiliza? Não lhe dá alguma expectativa ou vigor quanto ao seu futuro na eternidade?

Agora, você notou a época em que vivemos? Percebe como as pessoas estão tão saudosistas em relação a sua vida? Como elas sentem mais e mais a necessidade de se apegarem a alguma coisa ou em alguém? O sucesso das redes sociais em nosso país tem se explicado por dois motivos. O primeiro, a necessidade de rever pessoas, lugares, situações, história de infância. Sentem falta de coisas boas porque elas só querem coisas boas.

Em segundo lugar, a necessidade de mostrarem como elas são seguras em si mesmos. Postam fotos sempre sorrindo, em lugares que expressam um ambiente agradável. A quantidade de postagens com versículos bíblicos ou frases de efeito de algum pregador que na verdade, muitas vezes estão se auto afirmando de algo que não é verdadeiro.

Note uma outra questão interessante. Como as religiões místicas e esotéricas tem crescido em nossos dias. O Brasil é um prato cheio para estes grupos religiosos. O espiritismo é a religião que mais cresceu nos últimos 10 anos. Por incrível que pareça, no meio evangélico brasileiro, o segmento que mais recebeu novos adeptos foram os neo pentecostais.

Agora, se espante. Eles não mudaram de religião por convicção, mas, por necessidade pessoal. Na verdade, muitos estão apenas circulando de uma religião para outra. Não querem se comprometer com os seus ensinamentos, querem apenas conselhos, curas, orientação espiritual, ou mera curiosidade de terem uma nova experiência religiosa.

O que isto significa? Que elas depositam seus anseios, desejos, expectativas em relação a sua vida em uma falsa esperança. Como o ser humano gosta de mentiras! Como as pessoas tem um forte apego a convicções tolas e absurdas! Mas este é exatamente o perigo que elas correm.

Cedo ou tarde, serão desenganadas e cairão na decepção, no constrangimento, na humilhação de terem sido enganadas por tanto tempo, ou, até mesmo por quase toda a vida e, de repente, descobrem que tudo o que fizeram e porque fizeram foi em vão. Meu Deus! Quão terrível é esta situação para muitas pessoas!

Por isso que a esperança está entrelaçada com a fé. As vezes elas se confundem quanto ao seu significado. Ambas apontam para a ideia de convicção, de comprometimento e de firmeza. Entretanto, a fé é a capacidade intelectual e espiritual de não apenas compreender, como também de aceitar Cristo como o nosso salvador. A esperança é o ponto de partida para que esta fé, este conhecimento e comprometimento da verdade seja mantida e a cada dia acrescida em nós.

Veja como é triste o fato de que os ímpios não possuem esta benção. Eles não discernem, não sabem, não conhecem, não sentem a presença de Deus por meio de Cristo, não andam, não falam, não pensam seguramente e em Deus. Por isso elas correm, correm, andam e andam, procuram de porta em porta, de casa em casa, por alguma coisa que lhes deem alguma segurança, mas, em algum momento elas se dão por conta que estão enganadas e perdidas.

Aqui está o contraste. A esperança em Cristo não confunde e não frustra por causa da fé que nos foi dada. Temos o conhecimento, o acesso a verdade do evangelho que nos revela abundantemente o amor de Deus por nós. Esta é a diferença entre eles e nós e, como faz diferença a fé bíblica baseada na razão. Posso dizer aqui sem medo de errar que o cristianismo bíblico e histórico é a única religião que de fato expressa uma razão pela qual devemos viver.

Enquanto toda a outra forma de devoção exige de seus seguidores sacrifícios e penitências de si mesmo para alcançar algum favorecimento ou mérito, o cristianismo é a única religião que nos assegura alguém que já fez isto por nós e que apenas a nosso trabalho e descansar e aguardar firmemente pelo Senhor.

Enquanto as outras formas de devoção às suas divindades obrigam seus adeptos a dar prova de amor pelos seus deuses senão eles irão puni-los por mero capricho, a Bíblia é a única que nos ensina ser Deus quem nos amou antes de todas as coisas e antes mesmo da nossa existência. Por isso a esperança cristã é baseada seguramente no amor de Deus como o próprio Paulo nos justifica aqui no versículo 5.

Veja o que Paulo ainda nos revela neste versículo. A esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração. O que Paulo está enfatizando aqui é que o amor de Deus não é mesquinho. Deus nos ama abundantemente. Originalmente a expressão ficaria: Deus nos ama de sobra. Não há como medir o Seu amor para com aqueles que são seus filhos.

O amor de Deus aqui significa o quanto Ele, em qualquer situação, e, especialmente nas grandes tribulações ou quando Deus usa o próprio sofrimento como sua severa disciplina, nos favorece com a comunicação de Sua imensurável graça. A comunicação desta graça é infinita e não há como medir o seu estoque. Nunca acaba.

Deixe-me dar aqui uma rápida e simples ilustração disto. Ele não nos dá o seu amor com um frasco de "conta gotas", mas, ele ordenou ao Espirito Santo que derramasse um grande e imenso balde de seu amor sem medida sobre cada um de seus filhos e filhas. Seu o seu amor fosse condicionado a algum critério ou exigência isto não seria amor, e, teríamos todos os motivos para conjecturarmos Dele. Não haveria esperança, mas desconfiança. Só há motivos para esperarmos por Ele porque Ele nos ama.

Se nós não temos como medir a intensidade e a complexidade do amor que uma mãe tem pelos seus filhos que dirá tentar medir a grandeza do amor de Deus por nós pecadores regenerados.

Na verdade, quanto não experimentaram o genuíno amor de Deus! Quantos talvez dos que se encontram aqui não receberam o privilégio de serem amados por Deus! 

Agora veja como Deus demonstra o seu imenso amor por nós. Ele não nos tira dos perigos e dos apuros que nos encontramos, mas, Ele nos livra dos predadores que se aproveitam da oportunidade para nos devorar. É assim que Deus nos ama.

Mas, Não se engane! Aqui vai um recado. Somente pecadores arrependidos e contritos, humilhados, constrangidos e desenganados pelas suas falsas esperanças é que podem experimentar o amor de Deus em Cristo Jesus. Quem não é frustrado e envergonhado de suas falsas convicções nunca irá experimentar o amor de Deus que nos traz a verdadeira esperança.

E aqui ainda vai outro recado. O amor de Deus que é implantado em nós pela ação do Espirito Santo nos leva a ama-lo de toda nossa alma e de todo o nosso entendimento. Não depositar confiança, expectativa e segurança no amor de Deus, significa que ainda amamos o mundo e o pecado. 

Estamos no final de mais um ano. Não dá mais tempo para nada meus caros. O ano de 2014 se foi. O que tinha de ser feito, se não fez, o tempo se foi. Se este foi um ano muito difícil para você, aguarde 2015. Não crie falsas esperanças ou expectativas sobre o próximo ano que entra sem pedir licença ou bater à porta.

Lembre-se, falsas esperanças também nos levam a amargar o sabor da tolice e da ignorância. Se você tem Cristo como sua esperança, você não precisa de mais nada porque já tem tudo o que lhe é necessário. Se o amor de Deus foi derramado abundantemente em você não há necessidade de demonstrar isto usando roupas brancas, amarelas ou verdes na passagem de ano. Não precisamos ir a beira do mar de dar sete pulinhos na onda para ter sorte em 2015.

Não pense que os dias serão melhores. Jesus nos fala que eles irão de mal a pior. Os dias que se aproximam serão terríveis. Será pai contra filho, filho contra seu pai, irmão contra irmão, não contra nação, Deus estenderá com mais força o punho de sua espada e juízo sobre a Terra. Sejamos realistas. Não se engane quanto aos dias que se aproximam.  

Talvez você questione. Mas por que tudo isto? Se os dias que se aproximam não serão melhores, que razão temos para ter esperança? Meu irmão e minha irmã, será que até aqui você ainda não entendeu que a nossa esperança, nossos anseios, nossas expectativas devem ser depositadas na gloria eterna? Devemos esperar pelo nosso Salvador em vez de dias meramente melhores.

Pelo que você espera? Diante de tudo isto, e quem você tem depositado esperanças? Em suas habilidades, seu potencial humano, seus méritos e obras? Você deposita esperança na possibilidade de melhorar seu comportamento, de ser uma pessoa melhor no ano de 2015? Ou a sua esperança está em Cristo? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no último domingo do ano de 2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – A CENTRALIDADE DA ESCRITURA NO MINISTÉRIO PASTORAL (Parte I)


 

II Timóteo 3: 14: 'Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste...'

No sermão anterior a este, havia pregado nos versículos 10 a 13. Não sei se todos aqui se lembram, mas, Paulo fez questão de enfatizar qual foi a formação cristã e ministerial de Timóteo.

Timóteo era considerado um genuíno pastor e pregador do evangelho por entender e se submeter a todos os ensinamentos que recebera de sua família como também do apóstolo Paulo. Mais ainda, Paulo reforçou com o seu próprio exemplo de vida e principalmente, em relação as circunstâncias em que não lhes eram favoráveis. Paulo estava preso e aguardando a sua execução.

Paulo havia tocado em um ponto um tanto que constrangedor, desgastante e não muito fácil de digerir para um cristão. Especialmente em nossos dias em que a ênfase que se tem dado nas variadas pregações em relação a um evangelho positivista e da prosperidade. Não é o prestigio, o sucesso, o reconhecimento pessoal que nos torna aprovados em nosso ministério, mas é o ao contrario disto: a perseguição.

Se tem alguma coisa que nós cristãos deveríamos ser reconhecidos, não é pela aceitação do que pregamos, porque se pregamos genuinamente o evangelho, na verdade seremos perseguidos. Deveriam lembrar de nós pelo sofrimento e as tribulações que passamos pelo evangelho.

Por isso Paulo disse: 'Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos' (2Tm 3: 12). Se em nossos dias a retaliação não tem sido a nossa companheira de todas as horas é porque o evangelho não tem se feito presente seja na vida como na pregação da Igreja.

Mas, agora, veja a conexão com os versículos seguintes (14-17). Por que devemos passar por todas estas tribulações no ministério pastoral? Qual a necessidade do sofrimento em tudo isto? É muito simples a resposta, mas, se prepare. Esta é uma resposta dura de se ouvir. A perseguição é o meio pelo qual Deus mostra quem são os verdadeiros e os falsos mestres. Eis o porquê que Paulo usou por duas vezes a expressão 'tu porem'.

'Tu porem' significa: mas, você Timóteo, não é igual a eles. Você é diferente deles Timóteo. Da mesma forma isto nos é aplicado com tamanha relevância para os dias em que vivemos e somos cada vez mais tentados a se conformar com este mundo. Nós somos ou não somo diferentes deles? Você caro presbítero é ou não diferente dos falsos profetas? Nós pastores, somos ou não diferente dos falsos pregadores?

Se somos diferentes deles, então tem-se aqui dois aspectos importantes a serem bem fundamentados. O primeiro é que se somos diferentes de todo o resto que predominam com o seu odor fétido sobre as multidões que os seguem não é porque a maioria nos apoia, mas, por causa da nossa fidelidade a Cristo Jesus.

Segundo, se somos diferentes dos falsos mestres isto não é motivo de orgulho, mas, de temor e responsabilidade quanto ao nosso chamado. Se somos o que somos não é por mérito ou força própria, mas, é por causa e por meio de Cristo. Se somos diferentes do mundo é por causa da Palavra de Deus que foi implantada em nós.

Veja que esta diferenciação, ou, até podemos dizer, comparação é feita desde o início do capitulo três. A comparação que Paulo faz em relação aos falso e verdadeiros mestres é entre os versículos 2 a 7 em relação aos versículos 10 a 13.

Primeiro Paulo expõe os pecados que os dominam, posteriormente revela a intenção maligna de seu comportamento e que eles não irão muito longe com suas mentiras. Segundo, Paulo mostra como é o comportamento e o cotidiano do verdadeiro pastor como também as virtudes que lhes são dadas pelo próprio Cristo. E isto inclui também a perseguição.

Observe que a comparação em relação aos que sofrem por causa do evangelho com os falsos mestres é do juízo que recebem da parte de Deus. Veja o que Paulo diz: 'Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados' (versículo 13).

Sabe o que significa isto? Os falsos pastores e mestres receberão na mesma medida e tempo aquilo que realizam contra a Igreja de Cristo. Eles serão entregues ao seu próprio engano. Serão degolados pelas próprias mentiras que ensinam.

Não é à toa que tantas heresias tem surgido em nossos tempos. Quantas delas se acumulam até mesmo no meio de nossas igrejas presbiterianas. Sabe como uma heresia surge? É Deus quem os entrega a sua própria irracionalidade a fim de puni-los e testar a fidelidade e a perseverança do seu povo. Como já disse antes, é o mal necessário.

Mas, como lidar com tudo isto, como aferir e descobrir como também combater estas diversas falsas doutrinas? Como não cair nelas? Dependemos dos pastores e presbíteros para isto? Aqui está a questão que envolve o texto de hoje. Não são os ministros e pregadores que serão a salvação de toda a Igreja, mas é a revelação de Deus para instrução de seu povo: A ESCRITURA. O centro de todo o contexto é a própria PALAVRA DE DEUS.

Não é o pregador em si que é indispensável, mas, é a ESCRITURA que nos é dada indispensavelmente. Precisamos de pregadores, porque foi assim que indispensavelmente Deus ordenou o modo como a Igreja de Cristo deve ser edificada pela sua poderosa Palavra. Os ministros da Palavra só são indispensáveis por causa da Palavra.

O que seria deles como de todos os outros membros da Igreja se não fosse a Palavra de Deus? Espero que vocês entendam o que acabo de dizer aqui. Não estou dizendo que o presbítero é dispensável na instrução da Palavra. Pelo contrário, de todos os dons e ofícios na igreja este é indispensável, não pode faltar. Mas, a sua existência e utilidade se dá por causa da Palavra de Deus.

Completando a minha afirmação anterior, aqui está a diferença entre o falso pastor e o verdadeiro pastor. A diferença é a fidelidade a Escritura. A Escritura é o ponto central no que diz respeito a diligência no ministério como determina o apóstolo Paulo. Sem ela nós presbíteros e também membros da Igreja de Cristo não somos nada, não podemos nos dar nem mesmo ao luxo de dizer que somos a Igreja de Cristo sem que a Palavra de Deus esteja sobre nós.

Por que os falsos mestres enganam e acabam por serem "vitimas" de seu próprio engano? Porque eles não receberam a Palavra de Deus. Eles não têm a Escritura como sua regra de fé e prática. Não a tem como o seu norte de conhecimento e prática de vida como os crentes possuem. Só os crentes é que receberam este privilégio da parte de Deus por meio de Cristo Jesus.

É a partir daqui que gostaria de analisar agora o que Paulo exorta mais uma vez a Timóteo: 'Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.'

Como em todos os quatros capítulos desta epistola, sempre o apóstolo Paulo encerra com uma exortação. Ao final do capitulo 3, Paulo disse a Timóteo: 'diferente dos ímpios Timóteo, você deve permanecer firme naquilo que você aprendeu' Vamos então observar algo importante aqui. A palavra permanecer contrasta com o versículo 13 em relação aos falsos mestres. Diferentemente deles que se afogam em suas próprias mentiras, Timóteo deveria continuar com sua mente fincada na verdade.

Onde está a verdade que nos revela Cristo? Está NAQUILO que Timóteo assim como eu e você recebemos: ESTÁ NA ESCRITURA. A verdade não é uma mera filosofia de vida, mas, é uma pessoa. A verdade é o próprio Deus revelado na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. 'Permanecer' significa persistir, não sair do lugar, não mudar de posição, estar firme.

Veja mais uma vez o contraste aqui entre os dois lados. Enquanto os hereges oscilam em suas ideias ao longo do tempo de sua existência, os verdadeiros pastores não são volúveis, não mudam suas ideias por qualquer motivo ou circunstância por mais opressora e terrível que ela possa se apresentar. Os volúveis são como roedores que saem perambulando pelas ruas da cidade atrás de algo que lhes agradem. Na verdade, achando que estão comendo coisas boas, estão empanturrados de restos de comida jogada nas latas de lixo.

O que posso neste momento dizer sobre isto senão que você meu irmão, ou, minha irmã que muitas vezes reclama do alimento que lhe é dado aqui nesta 'mesa' e, está fortemente tentado a procurar algo que lhe agrade, sinto muito, mas você está prestes a sair perambulando de porta em porta, de casa em casa, a comer restos jogado ao lixo.

O que você tanto almeja para sua alma, não é alimento saudável, é lixo. É isto que os falsos mestres oferecem por um alto preço a você que se ilude com os milagres, as falsas curas, as palavras que amaciam seus ouvidos e o seu coração como um travesseiro sob a sua cabeça.

Os verdadeiros pastores devem acima de qualquer situação ou ameaça resistir, não sair de seu posto, não mudar sua posição, permanecer convicto das verdades da Palavra de Deus. Devem estar seguros do que creem. Não podem, não devem jamais abandonarem as verdades do evangelho.

Deixe-me dizer algo sobre isto em relação aos nossos dias. A iniquidade tem aumentado consideravelmente fora como dentro das igrejas. Como já havia pregado em outro momento sobre os versículos iniciais deste capitulo em que os dias seriam de mal a pior, pois bem, estes dias desde a primeira vinda de Cristo tem se intensificado. A tendência é que uma grande maioria por influência mundana e diabólica, serão tomados de uma frieza espiritual tão grande que admitirão coisas consideradas absurdas e repugnantes à luz da Escritura.

Aliás, quantas ideias, práticas, ideologias, comportamentos, tendências tem-se já tem-se tornado coisas tão comum aos nossos dias. Vocês se assustariam com determinadas posturas por parte de muitos cristãos talvez a cinquenta anos atrás. Diriam que eles foram muito radicais em suas convicções e comportamento.

A começar do modo como realizavam seus cultos, as exigências quanto a sua vida pública e pessoal, sua mentalidade sobre tantas questões como, casamento, família, trabalho, lazer, roupas, comida, bebida, dinheiro, e mais ainda, como eram zelosos com a sua vida devocional, a leitura da Bíblia, a vida de oração.

Se hoje fossemos a determinadas igrejas locais ao redor do mundo, em especial algumas igrejas que a pouco tempo atrás nasceram debaixo de perseguição e sofrimento e que foram consolidadas pelo Espírito Santo ao longo de sua existência, ou, porque não dizer também determinadas igrejas em períodos de grande despertamento e avivamentos. Se procurássemos estas igrejas para ser membro delas com a mentalidade de nossos dias, não seriamos em hipótese alguma aceitos por elas. Certamente seriamos expulsos destas igrejas.

Se você pensa que isto acontece da noite para o dia, está redondamente enganado. Isto leva muito tempo para se infiltrar no meio do povo de Deus. Heresias acham guarida no meio da igreja as vezes ao longo de uma, duas, três ou quatro gerações. Grandes desvios doutrinários começam com ideias errôneas da Escrituras que aparentam serem inofensivas, mas aos poucos vão criando seus ninhos e expandindo pouco a pouco suas crias malditas sobre a igreja.

Como tem sido perigoso determinados conceitos sobre a pregação do evangelho neste século! Muitos missionários e pregadores tem se assentado sobre o escárnio de determinados aspectos culturais e transculturais com a desculpa de adaptar o evangelho a cultura daquele individuo, ou, daquele povo para que eles aceitem sua pregação. O que posso dizer disto é que, em vez de realmente pregarem o evangelho, estão enganando aquelas pessoas.

Veja a exortação que nos é dada. Mesmo que a iniquidade tome conta deste mundo de tal forma como foi nos dias de Noé, ou até pior do que isto, ainda assim, devemos permanecer firmes. Não devemos nos entregar. Não devemos vacilar. Permaneçam firmes! Resistam até o fim! Não negociem com o mundo! Fortifiquem-se na Palavra de Deus.

Mesmo que noventa e nove por cento da população dom mundo questione a veracidade, a inerrância, a inspiração e a autoridade da Escritura, mesmo que todos de sua casa neguem todo o seu conteúdo e a sua doutrina, ainda assim, a Bíblia continuará sendo a Palavra de Deus. Mesmo que a grande maioria das pessoas digam que a Bíblia é uma mentira, ainda assim, ela continuará sendo a VERDADE.

Podem modificar forçadamente o conteúdo da Bíblia como muitos fazem com o surgimento de tantas versões e linguagem como a Bíblia Freestyle que violenta de todas as formas possíveis o texto das Escrituras com seus palavrões e termos no mínimo inadequados até mesmo a uma pessoa ignorante e bronca. Passarão os céus e a Terra, mas a Palavra de Deus não passará, não mudará, não perderá a sua relevância, continuará poderosa em seu anúncio na conversão dos eleitos do Senhor na história da humanidade.

Como pregador do evangelho, o que tenho a lhe dizer é que mesmo que você mude de opinião quanto as doutrinas da Escritura, mesmo que você negocie sua promessa, seus votos de se submeter a autoridade da Palavra de Deus em qualquer circunstância da vida, a Palavra de Deus não negocia e não muda o que ela lhe promete.

Mesmo que você vacile em ceder as pressões do mundo quanto as suas convicções na sã doutrina, mesmo que você se torne uma pessoa volúvel, de ânimo dobre, se você dúvida e despreza algumas doutrinas e aceita outras por conveniência, lembre-se de que a Palavra de Deus não muda quanto ao que ela anuncia:


 

'Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; 19 e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro. 20 Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!' (Apocalipse 22: 18-20)

Amém!


 

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO – A FORMAÇÃO DO PASTOR: Exposição de II Timóteo 3: 10-13


    No último sermão analisamos os versículos 8 e 9 deste capitulo. Verificamos a necessidade de discernirmos o que é falso e verdadeiro. Quem são os falsos e os verdadeiros pastores. Você sabe discernir isto? Sabe o que eles tem ensinado? O falso ou verdadeiro evangelho? Pois bem, agora temos uma outra pergunta dentro do contexto do capítulo 3. Onde nossos pastores aprendem a serem pastores? Onde eles são formados e instruídos? Provavelmente você me responderia: "No Seminário teológico. É claro!"

    Sua resposta não está exatamente correta. Eles não são formados apenas no seminário. Não que as nossas escolas teológicas não tenham algum peso de influência sobre os nossos eles, mas, a questão é: qual é a base teológica destes pastores? Quem foram os seus pastores na infância? Quem foram os seus professores de Escola Dominical? Quem foram os seus conselheiros em tempos de crise? Quem são aqueles que o instruíram desde pequeno em sua formação teológica?

    Creio que agora você esteja entendendo onde quero chegar. A formação de um pastor começa em seu discipulado e instrução constante da liderança de sua igreja local como também de sua própria família. Mas, por que digo isto. Ora! A formação de um pastor pesa e muito em sua vida principalmente em dias de grande provação e de decisões difíceis. Veja que Paulo relaciona a instrução de Timóteo com o a provação de seu sofrimento na cadeia.

O que mais poderia incomodar Paulo, senão o fato de que ele estava sendo impedido de pegar o evangelho a outras pessoas, como também, que Timóteo fosse tentado a não prosseguir em seu ministério. Apenas estas duas coisas neste momento o deixava angustiado e preocupado. Anteriormente, Paulo havia chamado a atenção de Timóteo quanto as atitudes e os ensinamentos dos falsos mestres e a necessidade da igreja, principalmente seus pastores terem a habilidade de discernir quem são estes falsos mestres.

Qual é o contraste disto? Qual é a postura de um verdadeiro pastor? Comecemos pela sua formação e instrução. A escola em que ele estudou faz muita diferença. Timóteo e Tito aprenderam com Paulo. Cada um de nós temos a nossa escola. Inicialmente, a minha escola foi em casa mesmo. Algumas pessoas já me disseram o quanto eu me pareço com o meu pai no modo de agir e de pastorear, de falar, de subir ao púlpito. Talvez, alguém já tenha lhe perguntado o quanto você se parece com o seu pastor? Ou, com os seus pastores?

O tom com que Paulo escreve suas palavras nos versículos 10 e 11 é exatamente com esta intenção. Observe o que ele diz: "Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra" Vamos analisar as palavras de Paulo.

Em contraste com os falsos mestres, Timóteo não era como eles. Uns moribundos, forasteiros, homens que apareciam sem qualquer referência entre os cristãos e simplesmente usavam de suas habilidades de liderança e de boa eloquência para seduzir e aliciar pessoas as suas palavras venenosas e destrutivas. Geralmente esta é a característica de um falso mestre. Não sabemos de onde vem e nem para onde ele vai. A única certeza é que eles simplesmente chegam até nós e tentam se estabelecer e legitimar suas doutrinas.

Timóteo tinha referência e boa procedência. Não foi atoa que Paulo inicialmente o havia lembrado de sua mãe e de sua avó como as principais responsáveis pela sua formação cristã. As irmãs Loide e Eunice (2Tm 1: 5). Que diferença faz na vida de um homem a influencia de uma mulher desde a sua infância. Que privilégio tem aqueles que podem contar com a boa instrução e educação de sua mãe aos pés do Senhor. Em minha infância, minha mãe teve forte influência no desejo que alimentava em meu coração de exercer o pastorado.

Ela não nos deixava entregues a atividades fúteis, mas, fazia questão de nos contar histórias e mais histórias de pastores e missionários. Parece-me que minha mãe sempre foi um pouco mais habilidosa em falar do que até mesmo o meu próprio pai que é pastor. Mas eu tenho a impressão de que ela não se importou com outra coisa na igreja a não ser apenas usar toda esta habilidade para nos instruir.

Bom, eu estou falando de mim mesmo aqui. Mas, analise a sua própria vida e as suas origens. Dirijo estas palavras neste momento a você que teve este privilégio de ser instruído desde pequeno nos caminhos do Senhor. Onde começa a sua formação seja ela acadêmica, filosófica, moral, espiritual, profissional e relacional? Começa em casa e se estende na igreja. Aos que não tiveram este privilégio, não são diferentes dos outros. Vocês têm o privilégio de serem formados e instruídos na família da aliança a começar de seus pastores, presbíteros, professores, homens e mulheres idôneas e fieis a Palavra de Deus. Vocês têm agora o privilégio de concederem aos seus filhos aquilo que agora recebem do Senhor Jesus por meio do ensino do evangelho.

E é neste ponto que Paulo agora chama a atenção de Timóteo. Tu porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. Observe o contraste estabelecido nesta expressão inicial: Tu porém. Isto tem um significado muito forte para um cristão, especialmente aqueles que exercem o presbiterato. Significa nada mais nada menos que: você deve ser diferente deles.


O cristão não pode se assemelhar ao padrão do mundo. Sua vida está em oposição as coisas do mundo. Os ímpios são como são e viverão do jeito que são. Já vimos inclusive a lista de como eles vivem e o que realmente amam (2Tm 3: 2-4). Mas, o cristão vive totalmente contrário aos ímpios. Você deve analisar a sua vida e averiguar se realmente tens vivido diferente dos ímpios. Mais ainda os pastores de nossos dias. Quantos não são vencidos pela tentação de se render aos modismos de nossos tempos. Se fazem isso, ou se ao menos consentem tais práticas e estilo de vida contrário as Escrituras são como ímpios. Se confundem com estes perversos e correm o risco de se tornarem um deles.

Agora observe que Paulo pontua em quais aspectos Timóteo era diferente dos seus oponentes. Em primeiro lugar no ensino. Tens seguido de perto o meu ensino. A palavra "seguir" não se aplica a ideia de apenas se submeter aos ensinamentos de um mestre. A ideia originalmente é de alguém que sempre aferiu e testou aquilo que tem aprendido e ouvido de seu mestre. É como se Paulo dissesse: "Timóteo, você sabe o que eu tenho ensinado e você tem testado os meus ensinamentos para saber se são verdadeiros ou falso."

Paulo chama de certo modo desafia Timóteo a constatar se suas palavras são falsas ou verdadeiras. O que Timóteo sempre ouviu de Paulo era falso ou verdadeiro? O que podemos aqui aprender é que tudo o que nos é entregue seja do púlpito, da sala de aula, das conversas informais e formais devem ser testadas e provadas a luz das escrituras. A verdade sempre prevalece. É apenas com isto que podemos contar. E contamos com isto a partir do que é ensinado em nossas igrejas locais. Devemos averiguar se o que nos é passado é correto.

Timóteo viveu tanto tempo com Paulo. Desde o inicio de seu ministério. Timóteo era de Listra e conhecia Paulo de lá. Não seria possível que Paulo estivesse contradizendo em algum ensinamento? Ou, será que sempre ensinou as mesmas verdades. Que nunca as substituiu por qualquer outra teologia, teoria espiritualista, método de crescimento de igreja ou práticas litúrgicas estranhas ao princípio regulador do culto?

E mais, veja que não é apenas o que Paulo ensinou a Timóteo, o verdadeiro ensino é acompanhado de exemplos. Tens seguido o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos. A experiência de vida de Paulo era uma prova clara de que seus ensinos eram coerentes com o que vivia.

É como se Paulo estivesse olhando retrospectivamente para o seu ministério. Veja bem, ele sabia que a morte era uma realidade muito próxima. Ao mesmo tempo que instrui Timóteo, parece que ele mesmo sente a necessidade de ser lembrado em sua consciência até onde ele pode aguentar e suportar todo o sofrimento por causa do evangelho. Aliás, não é este o contexto deste capitulo de 2Timóteo? A presente exortação é exatamente está: Suporte as provações e os sofrimentos por causa do evangelho.

Quando Paulo usou as palavras propósito, fé longanimidade, amor e perseverança estava se referindo a sua firmeza em nunca mudar de direção em relação ao evangelho. Inclusive são estas as evidências, as virtudes que evidenciam o fruto do Espirito. Suas decisões, resoluções ministeriais e pessoais não oscilavam. Paulo não era levado por ventos de doutrinas. Suas convicções eram equilibradas e pautadas no evangelho. Veja como as palavras propósito e estão relacionadas entre si. As suas decisões eram muito bem definidas em sua convicção no evangelho de Cristo.

Como as pessoas oscilam. Muitos membros de igreja mudam suas convicções teológicas e bíblicas como uma criança que troca um brinquedo pelo outro apenas por uma questão de gosto pessoal. Muitos pastores trocam o ensino do genuíno evangelho por qualquer outra doutrina que seja mais funcional e lhes de mais resultado em sua carreira ministerial. Negociam princípios para obterem prestigio e elogios de seus seguidores. Quem assim procede não há outra coisa a constatar senão que no mínimo estas pessoas possuem um grave problema de caráter.

Agora observe ainda as outras virtudes mencionadas por Paulo. Firmeza em suas convicções no evangelho o levam a demonstrar uma pessoa paciente em seu juízo. A longanimidade é a virtude que expressa a lentidão de uma pessoa em fazer qualquer juízo vingativo contra alguém. Aquele que espera em seus pensamentos e julgamentos apenas pela verdade. A sua sobriedade espiritual é alimentada pelas duas virtudes anteriores: a firmeza e a fé.

Que podemos dizer do amor? Desejar o bem. Fazer o bem. Promover a benevolência em vez da contenda. Proceder com a misericórdia de Deus sobre aqueles que rejeitam a Cristo para que ao menos eles tenham uma singela percepção do que é viver sob o jugo da verdade.

Não te parece estranho Paulo dizer que sempre procedia assim em relação aos seus adversários. Quantos deles não difamavam e caluniavam contra Paulo? Quantos deles não abandonaram Paulo? Quantos não o traíram e o delataram para as autoridades romanas e do sinédrio? Como proceder contra eles através da longanimidade e do amor? Simples a resposta. Porque é assim que eles são ao menos constrangidos, incomodados, afligidos, indignados com o evangelho.

O que mais os nossos oponentes fazem é nos provocar a ira, a discórdia, nos induzem a insensatez, a irracionalidade, a mentira, a promover a violência, o ódio. Eles são espertos e perspicazes. Paulo simplesmente mostra que aqueles que procedem como Cristo são perseverantes e não oscilam, não fraquejam e não se entregam a qualquer heresia propagada ao sabor dos ventos que sopram seja deque lado for.

Por último, Paulo menciona a perseguição e o sofrimento em seu ministério. Creio que quanto a isto é mais do que claro o lugar do sofrimento neste contexto. Este é o propósito do capitulo 3 de segunda Timóteo. Alertar-nos quanto ao sofrimento por causa de Cristo.

Mas, observe o que Paulo menciona sobre isto. Primeiro ele lembra Timóteo das perseguições sofridas em Icônio, Listra e Antioquia. O que estes lugares têm de tão especial assim para Paulo? Lembre-se de onde era Timóteo. De Listra. Estes são lugares muito familiarizados com o passado de Timóteo. A sua residência de origem. Uma forma de trazer a mente de Timóteo o que ele testemunhou e até mesmo vivenciou em relação a perseguição contra os cristãos.

Em segundo lugar, atente-se para a sua reflexão pessoal. É como se Paulo estivesse pensando alto. É como se seus pensamentos fossem projetados pra que todos possam sentir e ver o quanto ele tem sofrido e se desgastado fisicamente e mentalmente pelo evangelho. Mas a sua declaração final é conclusiva: De todas, entretanto, me livrou o Senhor.


Como alguém preso, sabendo que iria ser executado a pena de morte poderia dizer que de todas as perseguições o Senhor o livrou? Não se trata de ser libertado de uma cadeia com foi em Tessalónica junto com Silas. Mas, se trata do cuidado providencial e gracioso de Cristo como o seu conforto espiritual. Mesmo que Deus não nos livre de uma execução a morte teria o Senhor nos abandonado? É claro que não!

Aquelas crianças, jovens e adultos que são fuzilados nos países islâmicos foram por acaso abandonados por Deus? Não! Definitivamente Não! Cristo sempre esteve com eles como o consolo para suas almas mesmo diante da morte. Assim como foi com Daniel, Sadraque Mesaque Abdenego, assim como foi com Estevão no momento de sua execução por apedrejamento, também é assim com todos os servos de Deus.

Se você não sabe, a igreja de Cristo sempre foi perseguida de forma agressiva na história. Ela nunca deixou de ser violentada por causa do evangelho. Por ano morrem em média 115 mil cristãos por causa de sua fé em Cristo. Estes são dados divulgados pelo jornal Estadão e pela organização internacional Portas Abertas. Você tem noção do que vem a ser isto? A morte de pelo menos cem mil pessoas por ano por causa do evangelho?

Agora nos vem a exortação de Paulo: 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.


Espante-se! Mas o que Paulo nos diz aqui é profundamente estarrecedor. Todos quanto querem viver o cristianismo autentico serão perseguidos. A perseguição é inevitável. Seja em qual nível for. A perseguição é a credencial do verdadeiro cristão. Não deveríamos nos espantar com esta afirmação de Paulo.

Se não vemos a perseguição com bons olhos então estamos com sérios problemas em relação a nossa fé cristã. É possível que você esteja em sua consciência negociando, fraquejando, barganhando a suas convicções para não ser perseguido. Até onde você está disposto a chegar com essa conversa de ser cristão? Até onde você suportaria as consequências de se declarar seguidor de Jesus Cristo? Se a perseguição em nosso país fosse um pouco mais intensa e dura desconfio que muitas igrejas estariam vazias.

Mas, o que isto tem a ver com diligencia no ministério? Qual a relação entre a formação de um pastor e o sofrimento na vida cristã? A resposta é simples. Sito é um teste. Uma prova. Somos testados por Deus a todo momento. Aquilo que aprendemos é o que usamos em situações como esta de Paulo. Veremos quem realmente foi instruído no evangelho quando for colocado a prova. E a prova é o sofrimento, a perseguição.

Os falsos mestres não suportam o teste e por isso são arrancados para fora do rebanho do Senhor. Entenda que o sofrimento e a perseguição sobre a Igreja de Cristo não são para a sua destruição, mas, para a sua purificação. Como disse Paulo: Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.


A perseguição sana toda dúvida em relação aqueles que realmente amam Jesus Cristo. Os que estão na igreja por interesse serão expelidos porque não suportam a ideia de perderem suas vidas. Eles amam a si mesmos mais do que o próprio Senhor Jesus Cristo. A prova que podemos dar de devotarmos toda a nossa fé em Cristo é renunciando a nós mesmos e até mesmo ao nosso próprio corpo para que Cristo seja glorificado.

Eis o teste do que temos aprendido. Quantos pastores passariam no teste de sua fé em Cristo? Quantos presbíteros e diáconos seriam aprovados por sua perseverança e fé em Cristo Jesus? E você? Passaria no teste? Qual tem ido a sua postura diante do evangelho em relação à estão questão? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior
Sermão pregado no culto matinal de domingo em outubro de 2014


 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ONDE PODEMOS TER CERTEZA DA PAZ COM DEUS SENÃO NAS TRIBULAÇÕES? - ROMANOS 5: 3-4

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Já verificamos nos sermões anteriores alguns aspectos que envolvem o assunto tratado no capitulo 5. Creio que você deve se lembrar o tema deste capitulo: Quais são os benefícios da justificação pela fé. Lembrando também que toda a epístola de Romanos é a exposição de todo o conteúdo do evangelho de Cristo e que o seu tema central é: a manifestação da justiça de Deus por meio de Cristo para sua glória. 

Já vimos que a justiça de Deus atinge os ímpios de forma devastadora quando a sua ira e o seu juízo caem sobre eles e que ninguém está isento disto. Mas, especialmente nos eleitos, Deus manifesta a sua justiça graciosamente os salvando de sua condenação lhes dando a fé por meio de Cristo Jesus para que, agora, passem a viver de conformidade com a Sua justa vontade. E ASSIM DEUS FAZ JUSTIÇA.


Quanto aos benefícios da justificação pela fé, já sabemos o que é a paz com Deus por meio de Cristo Jesus. Paz significa reconciliação. Reconciliação com o Pai por meio de Cristo Jesus, o nosso mediador, o nosso intercessor. É Cristo que tem a autoridade, a habilidade e a competência de nos conduzir até o Pai, é Cristo quem nos assegura por meio de sua morte e ressurreição a reconciliação e a certeza de que estamos livres do pecado e perdoados por Deus.


Mas, me chama muito a atenção a parte final do versículo 2 quando ele diz: "e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." De certa forma, este trecho do versículo 2 cativou a minha atenção especial em todo este contexto. Primeiro veja que Paulo nos mostra ser todo o crente que foi justificado pela mediação de Cristo não ter outra reação diante de qualquer circunstância o regozijo, o imenso prazer de expressar toda a sua confiança e o descanso de sua alma no Senhor.


Aqui existe uma grande diferença entre o que é sagrado e o que é profano em nossa vida cristã. Só podemos nos gloriar na glória de Deus em nada mais do que isto. Você já reparou como é a vida de um crente e de um ímpio em relação a isto? O ímpio se gloria em suas obras, em suas habilidades, em uma falsa segurança seja, em pessoas, objetos, posses e as circunstancias. O ímpio se deleita em sua própria arrogância. Chega a satisfazer apenas quando derrama sangue de inocentes, age com violência, não tem limites em suas depravações e imoralidade.


Sabe como ele faz isto, nega o seu Criador conscientemente, o despreza por meio de sua incredulidade e idolatria, e mais ainda ostenta aos olhos de Deus todo seu atrevimento e ousadia com seus escárnios e com as suas ofensas mais agressivas. O ímpio não tem receio ou medo de Deus e de sua ira, pelo contrário, ele profana de todas as formas possíveis e criativas aquilo que é santificado ao Senhor. Quanto mais ele profana o nome do Senhor mais ele o odeia.


Mas, o crente entende algumas coisas básicas. 1) O Crente regozija-se com o ideal da bondade manifesta em sua vida: a providência de Deus. 2) ele se regozija com a graça e o amor de Deus incondicional aos eleitos. 3) ele reconhece que neste mundo são inevitáveis as tribulações e quanto maiores forem elas, mais seremos aperfeiçoados a semelhança de Cristo. 4) ele pressente os perigos e as fraquezas de sua pecaminosidade e luta contra elas confiante e seguro em Cristo.


Você consegue entender que, naquilo que o ímpio se esbalda de alegria, o crente sente profundo pesar e nojo e Aquele que o ímpio considera insuportável é o que satisfaz o coração do crente? E é a partir desta colocação de Paulo no versículo 2 que seguimos para os versículos 3 e 4 que nos diz assim: "3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e 1a experiência, esperança (Rm 5: 3-4)." Em suma, o que também nos diferencia dos ímpios são as circunstancias em que nos encontramos em relação a Deus e o mundo.


O que vamos analisar nestes versículos hoje é Em que momentos realmente podemos experimentar a paz com Deus. Quais circunstancias na nossa vida constatam se realmente desfrutamos da verdadeira paz com Deus? De que modo Deus confirma que realmente somos reconciliados com Ele?


Veja, então, como Paulo continua o seu raciocínio a partir do versículo 3: E não somente isto. Ou seja, a obra salvívica, especialmente a nossa santificação pela qual nos asseguramos de que fomos alcançados pela graça de Deus, não estaria completa se não passássemos pelas mesmas provações e tentações que Cristo também passou. A expressão "e não somente isto" nos revela um Paulo realista e avisado ao seu tempo. Alguém muito sábio e cheio do Espirito Santo.


Para que você possa entender melhor a intenção de Paulo entre os versículos 2 e 3, ele em primeiro lugar nos revela que a nossa alegria está na esperança do porvir. Os que são crentes seguramente olham para o céu. Não criam expectativas nas coisas deste mundo, mas, se deslumbra com o seu futuro glorioso.


Contudo, ele não fecha os seus olhos para os dias em que vive. O crente sabe que não pode escapar dos males do presente. Não tem como evitar ou fugir do sofrimento. Todos os dias, mais ou menos vezes lidamos com as tribulações. Um dia mais terríveis do que outros, as vezes dias que são mais insuportáveis do que outros passados.


Tragédias que nos surpreendem e que nos deixam sem direção e desnorteados, mas também, angustias e desgostos que nos consomem pouco a pouco que são prolongadas até mesmo por anos e lentamente vai consumindo o nosso vigor físico, mental e psicológico. Se tem algo que neste primeiro momento precisamos saber é que o sofrimento na vida do crente não é apenas algo inevitável, mas é uma normativa acrescida nas bênçãos que desfrutamos na salvação. 


Jesus mesmo disse isto aos seus discípulos de forma imperativa: "e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á (Mt. 10: 38-39)." Não foi ele mesmo que também declarou ser uma bem aventurança ser perseguido por causa da justiça? O sofrimento é uma normativa como uma benção na vida do cristão.


Imagine você perder seu filho, ou marido, ou esposa de forma trágica, e não bastasse a consternação ainda ser proibido de lamentar a morte deles? Olha o que Deus disse ao profeta Ezequiel:



"16 Filho do homem, eis que, às súbitas, tirarei a delícia dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. 17 Geme em silêncio, não faças lamentação pelos mortos, prende o teu turbante, mete as tuas sandálias nos pés, não cubras os bigodes e não comas o pão que te mandam. 18 Falei ao povo pela manhã, e, à tarde, morreu minha mulher; na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado (Ez. 24: 16-18)".

Esta é uma lição importante para que o crente não se vitime diante das provações. Nãos se considere um coitado que não tem culpa de nada e que não merece sofrer. Se existe alguma tribulação na sua vida que expresse a mais intensa dor e sofrimento que você possa sentir isso não é nada perto do modo como Deus justamente fere seus inimigos. A dor mais forte todas as dores na vida do crente, na verdade revela a intensidade da bondade e da benignidade de Deus em sua vida.


Mais ainda, a tribulação é o bendito remédio contra o orgulho ferido e a infantilidade. Somos conduzidos a maturidade cristã quando sofremos. Deus nos faz cair em terra. Nos tira aquilo que mais nos dá conforto para buscar refugio no Senhor. Ao contrário do ímpio que se afoga em seu próprio orgulho, o crente quando sofre, é quebrantado e Deus baixa sua servis para que ele se gloria na gloria de Deus.


Você não apenas vai sofrer como se faz necessário o sofrimento em sua vida. E veja o porquê. 1) Deus é bom e justo, 2) Não sofrimento em nossa vida que diminua um pecado ou transgressão da lei de Deus contra nós 3) o nosso sofrimento nos leva a entender nas escrituras que o sofrimento, a humilhação de Cristo e a sua morte de Cruz tanto é suficiente como eficaz para a nossa reconciliação com Deus.


Veja que isto também tem a ver com o seu caráter e a do ímpio. Os filhos de Deus são moldados conforme o caráter de Cristo e nada melhor do que as diversidades e as provações para isto. É a grande oportunidade de sermos mais parecidos com Cristo. Diferente do ímpio se não passamos por tribulações não progredimos na fé cristã. Ficamos estagnados e isto é um problema. Como é possível experimentar a paz com Cristo se não suportamos os ataques do mundo contra nós? Como fazer progresso na fé cristã se não passamos por testes e provações?


Por isso, observe como as tribulações na vida do crente nos levam a desfrutar da paz com Deus. Em primeiro lugar ele diz que devemos nos gloriar também nas tribulações. Em outras palavras, devemos nos alegrar quando passarmos pelo sofrimento. Jesus disse a mesma coisa em Mateus 5: 12: "Regozijai- vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."


Tiago também reafirma de maneira que suas palavras mesmo proferidas em outra época e local se harmoniza perfeitamente com as palavras de Paulo neste texto. Ele diz: "2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1: 2-4)."


Em primeiro lugar, temos a ordem de regozijarmos, de nos alegrarmos nas tribulações. Não soa meio que estranho esta ordem da Bíblia? Alegria e sofrimento não são duas palavras opostas em seus significados? Estas duas coisas aos nossos olhos parecem não combinarem.


Como é possível se alegrar quando se está enfermo, com um câncer terminal, com a perda de alguém que você tanto ama, com a perda do emprego, quando você é desprezado e perseguido, quando pais perdem seus filhos, quando esposas perdem seus maridos, quando maridos perdem a sua esposa, quando a sua empresa está quebrada e falida?


Veja bem, não é o sofrimento o objeto da nossa alegria. Paulo não disse que deveríamos gloriarmos por causa dos sofrimentos, ele disse gloriarmos NO SOFRIMENTO. A nossa alegria está na esperança DA GLORIA DE DEUS como diz o versículo 2. As tribulações são apenas o meio pelo qual recebemos os seguintes benefícios desta segurança em Cristo: perseverança, experiência e esperança.


O que vem a ser cada uma delas? A perseverança de forma mais direta aponta para a paciência. Mas, me deixe analisar o sentido mais amplo desta palavra. Originalmente os gregos usavam esta palavra para referir-se aos últimos sobreviventes de uma batalha ou guerra. Aqueles que não caíram e ainda permanecem em pé com suas espadas em punho, prontos para resistir o inimigo quantas vezes for necessário.


A palavra paciência na Bíblia tem este sentido meus irmãos, paciência não significa ser cordato ou alguém calmo ou sereno, mas, significa ser forte, resistir, esperar, aguardar quanto tempo for necessário a nossa vez. Após intensas batalhas, os soldados romanos que sobreviviam porque eram os mais fortes e os mais habilidosos na guerra, sabiam que deveriam ficar a postos e aguardar as próximas batalhas que se seguiriam até alcançarem o objetivo de sua conquista. Perseverança é aguardar aquilo que ainda não vemos.


A tribulação na vida do crente produz esta persistência, a espera. Ele não se vê cansado ou entregue pelas provações, mas, se vê cada vez mais atento e resistente. Ele fica mais habilidoso quanto as táticas do inimigo e a destreza de sua fé em Cristo. Você é assim? Você tem resistido? Tem aguardado o dia da consumação final de nossa conquista? Tem depositado a sua fé em Cristo? Você tem exercido a arte de esperar em Cristo? Você espera por Cristo ou a sua espera se limita apenas com o fim dos problemas e das tribulações?


Agora veja que a perseverança, ou seja, a paciência, a espera produz experiência. A ideia aqui é de alguém que é experimentado, ou provado. Uma palavra muito comum no meio jurídico romano. Nos tribunais quando alguém deveria provar a sua inocência de alguma acusação ou crime ele era experimentado por este tribunal.


Quem disse que não somos experimentados todos os dias quando somos acusados de tantas mentiras? O próprio Senhor Jesus nos disse que: "quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós (Mt 5: 11)". Não será o caso de no futuro bem próximo os nossos tribunais serem frequentados por muitos cristãos e pregadores que serão acusados de tantos absurdos porque a sociedade simplesmente normatizará comportamentos e ideias iníquas.


Por que é necessário todo este constrangimento e desgaste? Você está sendo experimentado meu caro irmão. Veja bem, você está sendo experimentado não pelos homens e seus tribunais, mas, você está sendo experimentado pelo supremo juiz de toda a terra. Somos testados em nossa fé em cristo Jesus. Quem nos julga é Deus e é Ele quem sonda o nosso coração. Ele sabe até que ponto você é capaz de resistir.


As pessoas nascem na época certa. Não sei se muitos de nós seriamos capaz de suportar as severas perseguições contra a Igreja seja nos primeiros séculos, seja no período da reforma, nos dias da cortina de ferro e porque não dizer em nossos dias em países ou lugares onde os islâmicos radicais e governos totalitários não admitem qualquer ideia sobre Deus.


Se somos crentes, Deus nos experimenta para confirmar em cada um de nós e a todos que somos aprovados por meio de Cristo. A lista de satanás contra cada um de nós no dia do Senhor é extensa e tensa. Mas, Cristo sendo o nosso propiciatório nos cobrirá com o seu sangue e nenhuma acusação poderá nos condenar diante de Deus porque fomos justificados e garantidos por Cristo.


É Por vezes que as tribulações são também chamadas de tentações. Somos testados quanto a nossa real intensão de servir a Cristo. Se você julga no direito de não sofrer lembre-se de uma coisa apenas: São nos dias mais difíceis da vida é que somos experimentados quanto a nossa fidelidade a Deus.


Eu sei que Deus muitas vezes não apenas permite, mas, envia e ordena que situações trágicas, difíceis e pavorosas nos abatem, nos deixem de cócoras, em estado de luto, curvados, afligidos, por vezes até mesmo desesperados e entregues a uma profunda depressão de nossa alma. É bem verdade que em determinadas situações as tribulações nos deixam amargurados, abatidos e feridos, mas veja o salmo 57 como a prova clara de um homem abatido, mas, experimentado e aprovado por Deus quanto a sua fé:



"Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. 2 Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. 3 Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem. Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade. 4 Acha- se a minha alma entre leões, ávidos de devorar os filhos dos homens; lanças e flechas são os seus dentes, espada afiada, a sua língua. 5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória. 6 Armaram rede aos meus passos, a minha alma está abatida; abriram cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. 7 Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. 8 Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. 9 Render- te- ei graças entre os povos; cantar- te- ei louvores entre as nações. 10 Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. 11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória."


Só nos resta um outro efeito. Paulo nos diz que a paciência e a experiência produzem a esperança. Esperança cristã não se limita a um otimismo qualquer. Se for assim nós não confiamos em Cristo e sim nas circunstâncias. Os ímpios é que são assim. Pensam em dias melhores sem o preço do devido sacrifício e renúncia. Eles não buscam paz, mas querem apenas manter a conveniência de seus pecados uns com os outros. É esse tipo de paz que eles buscam.

Mas, a esperança aqui é a convicção na gloria eterna em Cristo Jesus. O que aguardamos e esperamos é a vinda de Cristo Jesus como o nosso Rei e juiz sobre toda terra para que por completo, sua justiça seja manifesta para sua gloria. Esta é a nossa esperança. Alguém que foi aprovado em um teste agora sossega a sua alma em receber a recompensa. Entende isto? Esperança significa aguardar a recompensa.


Você sabe o que é ter esperança? É um homem com um câncer maligno em seu corpo e que ao logo do tempo mesmo que orando para que Deus o cure e o livre daquela moléstia, mesmo que Deus não o cure fisicamente ele se regozija e se contenta em contar apenas com a graça de Deus em sua vida.


Mesmo que você perca tudo o que se pode desfrutar neste mundo, mas se apenas conta com a graça de Deus em sua vida você tem tudo o que precisa. A graça de Deus te basta. Mas, se você tem tudo o que o mundo pode te oferecer e não conta com a graça de Deus em sua vida, você está perdido. Eis um motivo para você se desesperar!


Como sempre tenho feito, minha pergunta final é muito simples e tenho feito ela desde o início da exposição deste capitulo. Você está em paz com Deus? Você realmente desfruta destes benefícios? Você realmente tem resistido e esperado no Senhor? Você tem sido experimentado em sua fé em Cristo? Sua confiança está na gloria eterna ou nas coisas do mundo? Amém!


Pr. Rogério Bernini Junior


Sermão pregado no culto vespertino

Dia do Senhor, 07 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A NOBREZA DOS QUE PREGAM A PALAVRA: SERMÃO INTRODUTÓRIO EM ISAÍAS 52: 7 EM OCASIÃO AO CULTO DOS 130 ANOS DA SOCIEDADE AUXILIADORA FEMININA - SAF


Confesso que nossas irmãs foram corajosas na escolha deste texto bíblico e, para mim um tanto difícil pregar nele. Primeiro, se você espera que eu pregue um sermão motivacional sobre a evangelização e missões não irei fazer isto aqui. Não posso. Se eu fizer isto, estarei indo contra o texto e enganando as minhas queridas irmãs. Logo vocês verão do que se trata realmente este texto e por providencia divina, apesar do assunto tratar da nobreza dos que exercem o ofício de pregadores, este é um tema relevante para as nossas mulheres cristãs especialmente nos dias em que vivemos.

Segundo, O sermão de hoje será introdutório do capitulo 52 e apenas uma explicação do que vem a ser o versículo 7 neste contexto. Há muita coisa para aplicar e pregar neste capítulo. Ele é muito rico quanto aos preceitos do evangelho no Antigo Testamento. Se a epístola aos Romanos é o que chamaríamos de o livro do Evangelho no Novo Testamento, Eu me arrisco a dizer que Isaías é o evangelho do Antigo Testamento. Por isso, eu me comprometo a expor todo este capítulo no decorrer do ano de 2015 caso continue como secretário da federação de SAFs de nosso presbitério.


Portanto, eu início este sermão fazendo um breve panorama histórico deste livro. Primeiro, de todas as informações que poderíamos obter deste livro, é importante mencionar a época em que esta profecia foi proferida por Isaías. Vamos retornar aos meados de 700 à 735 antes de Cristo.

Foram dias conturbados e difíceis naquela época. 

Isaías desenvolveu seu ministério profético em meados destes anos no reinado de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Especialmente, seu ministério se inicia no ano em que o rei Uzias havia morrido. Mais do que a morte do próprio rei, pairava sobre a nação de Judá a tensão política de uma simples pergunta: quem vai assumir o trono de Israel?


Veja que este era um problema de cunho interno. Mas, existiam as complicações externas. A Assíria já havia invadido e massacrado o reino do norte cuja a capital era Samaria, o reino do Norte composta pelas dez tribos de Israel que se dissentiram das duas tribos do sul; Judá e Benjamim.


A Assíria agora estava apostas as fronteiras do reino de Judá. Dias após dias, a todo momento chegavam mensageiros do rei assírio ameaçando Judá e coagindo-os agressivamente a se renderem por completo. Se acham que isto aconteceu em poucos dias, engano nosso. Na verdade, os monarcas assírios que ao longo do tempo causavam ameaças a Israel eram Tiglate-Pileser III, Salmaneser IV, Sargão e Senaqueríbe


De tempos em tempos, pouco a pouco, meses, e até alguns anos, a Assíria por meio destes reis provocavam uma espécie de guerra de nervos, de um terrorismo psicológico, provocando uma espécie de desestabilização política e social no reino de Judá.


Por dias e mais dias a pressão e o cerco aumentava, até que o exército de Senaqueribe sitiou toda a cidade de Jerusalém a postos para atacar a cidade. Imagine uma cidade cercada por um forte exército. Ninguém entrava e saia. A comida e a agua já estavam acabando e em breve eles morreriam de fome ou se renderiam aos seus inimigos. Foram nesses dias tensos e difíceis que Isaías foi convocado a exercer o oficio de profeta.


Deus livrou o povo de do reino do Sul das mãos do império assírio. Quando Senaqueribe sitiou Jerusalém, Deus enviou um anjo que matou pelo menos cento e oitenta e cinco mil homens e os que dormiam em suas tendas, fugiram pela manhã quando acordaram e viram seus companheiros mortos (Is. 37: 36-37).


Mas, duas questões devem ser consideradas mais sérias do que a situação que Judá enfrentou com o império assírio. A primeira era o anúncio de que Judá seria esmagada e escravizada pelo império babilônico. Os exércitos dos caldeus eram muito mais violentos, agressivos, perversos, cruéis do que foram os assírios. Se Senaqueribe causou pavor e medo, imaginem qual seria as impressões que o mundo de sua época teria de Nabucodonosor.


Eu resumiria a mensagem de Deus ao povo de Israel pelo profeta Isaías em pelo menos três pontos. Primeiro: a denúncia de seus graves pecados seja na esfera social, política, familiar, moral e religiosa. Segundo: O anuncio de uma má notícia. Deus iria punir severamente o seu povo. Toda Israel seria entregue nas mãos de seus inimigos. Atrocidades iriam acontecer com eles. Mas, o terceiro: A promessa de que Deus resgataria o seu povo da escravidão e da opressão de seus inimigos.


Veja algumas das evidencias claras de que Deus falara ao povo de Israel sobre o seu futuro. Primeiro, Deus anuncia o seu abandono, virar as costas para o seu próprio povo, entrega-los ao seu próprio coração perverso (Is. 2: 6). Segundo, Deus entregará este povo a um governo opressor e cruel (Is. 3: 4-5). Terceiro, Deus usará os seus inimigos como a força de sua mão contra o seu povo. Não haverá nenhuma outra reação senão correr, fugir, se desesperar, se esconder. Mas, isto não adiantará em nada (Is. 2: 19-21) .


Quarto e o mais terrível de todos, depois que os homens em condições de levantar sua espada caírem, as mulheres serão o alvo da crueldade dos caldeus (Is. 3: 16-26). Agora, vejam aqui as palavras claras do próprio Deus por meio de seu profeta. Vejam como elas são duras, pesadas o próprio Deus tratando com o peso de sua forte mão contra o seu povo:


Pois, tu, SENHOR, desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque os seus se encheram da corrupção do Oriente e são agoureiros como os filisteus e se associam com os filhos dos estranhos (Is. 2: 6).


Então, os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do SENHOR e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. 20 Naquele dia, os homens lançarão às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que fizeram para ante eles se prostrarem, 21 e meter- se- ão pelas fendas das rochas e pelas cavernas das penhas, ante o terror do SENHOR e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra. (Is. 2: 19-21)


Dar- lhes- ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles. 5 Entre o povo, oprimem uns aos outros, cada um, ao seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil, contra o nobre. (Is. 3: 4-5)


Diz ainda mais o SENHOR: Visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes, andam a passos curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés, 17 o Senhor fará tinhosa a cabeça das filhas de Sião, o SENHOR porá a descoberto as suas vergonhas. 18 Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos anéis dos tornozelos, e as toucas, e os ornamentos em forma de meia- lua; 19 os pendentes, e os braceletes, e os véus esvoaçantes; 20 os turbantes, as cadeiazinhas para os passos, as cintas, as caixinhas de perfumes e os amuletos; 21 os sinetes e as jóias pendentes do nariz; 22 os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas; 23 os espelhos, as camisas finíssimas, os atavios de cabeça e os véus grandes. 24 Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura. 25 Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes, na guerra. 26 As suas portas chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará em terra (Is. 3: 16-26).


Mas, a segunda coisa terrível sobre o povo de Deus foi o que causou tudo isto: o pecado. Se observarmos com atenção a quantidade de vezes que o profeta Isaías denuncia os diversos pecados cometidos pelo povo de Deus a começar do que registra com muito propriedade o capitulo um:


Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. 11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios?-- diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. 12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? 13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. 14 As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. 15 Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16 Lavai- vos, purificai- vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. 17 Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas. (Is. 1: 10-17).


    Por quantas vezes Deus repreendeu e advertiu o seu povo. Chamou-os de a esposa infiel que se comportou como uma meretriz. Os denominou de povo de Gomorra e Sodoma. Ser chamado assim era a pior de todas as ofensas que alguém poderia proferir contra um israelita. Disse tudo isto inicialmente para lembrar qual a necessidade do capitulo 52 de Isaías. Por que Deus proferiu estas palavras no capitulo 52? Porque agora este povo precisava ser salvo não apenas da assolação de seus inimigos, mas, principalmente de si mesmos, de seus pecados.


    Você já se perguntou por que Deus fez tudo isto com o povo de Israel? Será que havia necessidade de Deus fazer tudo isto com os judeus? O povo de Israel precisava entender claramente o que significava salvação. Qual a necessidade de ser resgatado de uma escravidão. A essência do capitulo 52 está exatamente neste ponto. O povo de Israel precisava saber da necessidade de salvação. Precisavam perceber a sua condição de escravos não apenas de um outro povo, mas, uma escravidão muito pior, escravidão do pecado e de sua própria maldade.


    De forma muito objetiva. O capítulo 52 nos remete ao terceiro ponto que havia mencionado no início: a promessa de que Deus resgataria o seu povo da escravidão de seus inimigos para que o nome do Senhor fosse honrado por meio deste povo. Antes mesmo de passarmos pelo versículo 7 deste capitulo, é importante saber que o capitulo 52 resume toda a mensagem do evangelho. Você sabe o que é o evangelho? Lembre-se daquelas três partes que mencionei sobre o livro de Isaias. 1) denuncia do pecado; 2) a ira de Deus e o seu castigo sobre o povo rebelde 3) o anúncio da promessa de libertação.


    Tenho aqui uma outra pergunta. Onde encontramos o evangelho nas Escrituras? Não são apenas os quatros livros iniciais do Novo Testamento, mas, o evangelho está em toda a Palavra de Deus seja no Antigo e no Novo Testamento. Inclusive, o evangelho é pregado pelos profetas, especialmente Isaias. O capitulo 52 é parte de todo o conteúdo do evangelho de Cristo.


    Se você talvez não sabe, o povo de Israel também cria no evangelho anunciado a eles. Portanto, agora podemos entender a essência do versículo 7 neste capítulo. Sem medo de errar, a atribuição dos profetas não era meramente anunciarem suas visões e previsões sobre o que aconteceria com o povo de Israel, mas todo o seu trabalho envolvia anunciar a vinda de Jesus Cristo e a sua obra redentora. O versículo 7, fala daqueles que Deus concedeu o ofício de serem portadores, embaixadores, pregadores, arautos do Rei Jesus Cristo. Quão preciosos são aqueles que são chamados para esta sublime tarefa. Quão importante é este ofício e aqueles que o ocupam na transmissão do evangelho.


    Observem então o todo deste capitulo. O conteúdo e o anúncio deste evangelho sendo propagado ao povo de Deus. Em primeiro lugar, todo o capitulo 52 é uma conclamação do Rei a se levantarem de sua condição de miseráveis e forasteiros sob a opressão de seus cruéis dominadores.


    Veja a linguagem que Isaías usa para este despertamento, ou podemos dizer avivamento no meio do povo de Deus (destaque do versículo 1: desperta, desperta e reveste-se...). Observe com atenção todo o cenário e circunstancia em que o povo de Deus é chamado a se levantarem, a acordarem de seu coma. De se libertarem de suas vestes rasgadas, de seus trapos imundos, de seus apetrechos inúteis e de seu pranto carregado de cantos sombrios e de luto.


    Deixe-me dar um exemplo. Ao final da segunda guerra mundial, os alemães abandonaram os campos de concentração. Muitos prisioneiros que haviam sobrevividos, especialmente os judeus, se viram perdidos, temerosos, aterrorizados diante de tantas torturas físicas, psicológicas e emocionais que sofreram com os horrores e a crueldade dos alemães. De um dia para o outro, muitos perceberam que seus opressores não estavam mais ali, haviam fugidos.


    Se você acha que a reação deles foi de fugirem também, está enganado. Eles estavam tão traumatizados com o que haviam sofrido que a única reação no momento foi de permanecerem ali. Não havia condições para discernirem se deveriam fugir, qual a direção mais segura, que medidas deveriam tomar para se defenderem. Estavam entregues à própria sorte. Não sabiam se estavam livres ou se morreriam.


    Talvez ficassem nesta situação tensa por dias ou no máximo por semanas. Mas, logo, se aproximava um oficial de baixa patente em seu cavalo ou em sua moto. Os prisioneiros que se encontravam no lado de fora do campo de concentração não sabiam como reagir diante da chegada daquele soldado. Presumo que reagissem com muito medo de ser algum de seus carrascos. O pavor era intenso naquele lugar. Não havia condições de perceberem a real intensão daquele oficial. Estrategicamente, este soldado e aproximava e aos poucos ia chamando os que estavam do lado de fora, os menos feridos e que estavam em melhores condições que os outros. E de pronto ele se apresentavam e dizia:


"Não tenham medo! Eu sou um oficial mensageiro do exercito aliado. Estou aqui para anunciar a derrota dos seus opressores. Os nossos exércitos já avançaram e derrotaram nossos inimigos. Estou aqui também para dizer que vocês estão livres. Não são mais prisioneiros neste campo. Mas, não saiam daqui. Não vão embora! O nosso exército está chegando. Em breve eles chagarão para resgatar todos vocês como os que estão feridos e levá-los de volta para casa. Aguentem firmes! Esperem a chegada de nosso exército! Não saiam! Não saiam! Aguentem firmes! Aguentem firmes!"


    A questão é se eles acreditariam ou não neste mensageiro. E se ele fosse um inimigo disfarçado de mensageiro? Mas, se desobedecermos suas ordens e sairmos daqui como ele mesmo disse, vamos morrer. O que fazer? Na verdade, a pergunta é também para você, e, ela reflete a essência da expressão usada por Isaías quando diz:


"Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas- novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! 8 Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz, juntamente exultam; porque com seus próprios olhos distintamente vêem o retorno do SENHOR a Sião (Is. 52: 7-8).


    O profeta enobrece este ofício pelos seguintes motivos. Primeiro: a nobreza está no que eles representam. Eles são arautos, são mensageiros, anunciam com autoridade investida de seu Rei a sua mensagem. Eles não falam, ou, não devem falar por si mesmos, devem apenas anunciar o que o Rei lhes manda.


    Segundo: o conteúdo do que anunciam. O evangelho nada mais é do que os decretos do Rei, as boas novas de nossa libertação da escravidão do pecado. O remédio e o alimento que nos cura e nos dá o vigor que necessitamos para sobreviver. Se eles anunciam com fidelidade estes decretos reais, então seremos curados e nutridos.


    Terceiro: A nobreza deste ofício também está no risco que correm. O ofício de profeta como o de sacerdote na antiga aliança eram profissões de risco. Aqui há dois riscos. Primeiro, de serem censurados e rejeitados pelo que pregam e anunciam. O segundo risco, e este é o mais terrível de todos eles, se suas profecias e ensinos fossem mentirosos e destrutivos a fé e a vida do povo de Deus, eles deveriam morrer.


    Deixe-me aplicar isto aos que são chamados para ESTE OFÍCIO. O texto aqui fala deles. Se nós pregadores corremos O RISCO DE SERMOS INFIÉIS A PREGAÇÃO DO EVANGELHO em nosso ministério, não se esqueça de quem é o seu juiz. Quem lhe julga não são os que ouvem, mas, o seu Senhor. O seu Rei. Eu conclamo encarecidamente aos pregadores de hoje: NÃO SEJAM OMISSOS! NÃO SEJAM COVARDES! NÃO ABUSEM DO PODER E AUTORIDADE QUE LHES FORAM DADOS POR CRISTO!


    Se por aquilo que fielmente pregamos e anunciamos ao povo de Deus e por isso, sofremos alguma retaliação e perseguição, isto é uma honra aos servos do Senhor. Eles são obedientes ao chamado de Cristo, o seu Rei. Aqui está a nobreza de nosso ofício. Se corremos o risco de sermos até mesmo mortos ou trucidados pelo que pregamos ao povo de Deus, lembre-se do profeta Isaías no capitulo seguinte:


Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? 2 Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo- lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. 3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. 4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. 


Posteriormente leia todo o capitulo 53, e se você deseja alguma motivação para o seu ministério, não se esqueça de uma coisa. VOCÊ VAI SER MOÍDO, VOCÊ VAI SOFRER, Você VAI SER PERSEGUIDO POR CAUSA DE CRISTO E COMO CRISTO! Quer motivação melhor do que esta? Não existe. Esta é a mais sublime e a mais nobre de todas as motivações que o evangelho nos dá. 


    Gostaria de encerrar este sermão dizendo duas coisas importantes. A primeira, é que este sermão é apenas um preambulo, uma introdução do que realmente este capítulo nos aplica. Caso por providencia do Senhor eu permanecer como secretário desta federação, me comprometo a expor este capitulo em todos os nosso momentos devocionais e estudos que faremos.


    Segundo, talvez, por causa do que o texto nos propõe aqui neste versículo as nossas irmãs se sintam desestimuladas a não se debruçarem com deleite em seus estudos devocionais, seja em particular ou quando estiverem juntas neste quadriênio. Mas, por favor, este texto tem haver com o contexto de nossas mulheres cristãs, especialmente as nossas irmãs da SAF.


    Eu temo que alguns falsos profetas em nosso meio evangélico em nosso país estejam estimulando as nossas mulheres cristãs a terem uma outra mentalidade sobre o que o versículo sete nos aplica aqui. Se determinadas funções quanto a propagação do evangelho que não são designadas as vocês porque tem se tornado uma forte tendência a covardia e a omissão dos homens em suas responsabilidades, eu temo que estejamos colocando as minhas queridas e amadas irmãs em risco. 


Se elas ocuparem as responsabilidades que não lhes foram outorgadas, isto significa que estão desprotegidas e a culpa é nossa, os homens. Será que não nos basta o próprio exemplo do povo de Israel? Será que já esquecemos o que verificamos no contexto do livro de Isaías? Deus os entregou a um governo infantil, tolo e opressor depois que todos os homens foram mortos e trucidados, os seus inimigos atacaram, violentaram e mataram cruelmente as mulheres, crianças e idosos que estavam indefesos. Será que a Igreja vai repetir a mesma história?


    Se tenho aqui pregado com fidelidade a Palavra do Senhor o que posso lhes dizer sobre tudo o que o evangelho nos anuncia e que com mais detalhes nós iremos estudar no decorrer do ano de 2015, a única coisa que posse lhes dizer como este oficial, este soldado, este mensageiro do Rei que aqui está diante de cada uma de vocês:


Eu rogo que não abandonem seus postos quanto ao chamado que Deus lhes concede enquanto servas do Senhor. Aguentem firmes! Atendam o chamado de seus verdadeiros pastores! Se eles têm seguidos com os pés fiel as Escrituras, ouçam o que eles lhes ensinam e fiquem firmes! Aguentem firmes até que o nosso redentor volte e nos leve de volta para casa, para o lar celestial. Aguentem firmes! Aguentem Firmes! Amém!


 

Pr. Rogério Bernini Junior

 

Culto em Ação de Graças pelos 130 anos da SAF – Sociedade Auxiliadora Feminina.