segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A SUPERIORIDADE DE CRISTO EM RELAÇÃO AO JUÍZO E A MORTE. Exposição de Romanos 5: 18-19

No sermão anterior verificamos dos versos 15 a 17 a superioridade de Cristo em favor dos eleitos em relação ao legado de Adão sobre toda a raça humana. As palavras que estavam em contraste e análise aqui eram “ofensa” e “graça. ”

            Sendo assim, o que Paulo nos mostra aqui é a superioridade e a eficácia da graça sobre o pecado de Adão como de todos os pecados dos eleitos cometidos contra Deus. A graça, por meio de Cristo anulou o domínio e os efeitos da morte sobre o seu povo.

            Portanto, o raciocínio de Paulo segue na mesma perspectiva nos versos 18 e 19. Ele ainda continua a sua comparação entre as duas pessoas mais importantes da história da humanidade.

Seu objetivo é mostrar que o legado de Adão mesmo que tendo efeito terrível sobre a humanidade, ainda assim, Cristo pela sua expiação concedeu aos eleitos o livramento de todos os efeitos do pecado, da ofensa, da morte e do juízo sobre todos nós.

Agora vamos verificar o que Paulo nos revela sobre a superioridade de Cristo em relação as obras e o legado de Adão a partir do versículo 18 e finalizando no 19. Veja o que ele nos diz:

Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos

            Observe inicialmente as palavras que se encontram em contraste agora nestes dois versículos. No verso 18 você tem o contraste entre a palavra “juízo” e “graça”. A palavra “ofensa” com a expressão “ato de justiça” E, a palavra “condenação” com a expressão “justificação que dá a vida”.
            Mais uma vez, como se pode também verificar nos versículos 15 a 17 temos a graça sendo contrastada aqui com os efeitos das obras de Adão sobre a raça humana. Veja que mais uma vez, Paulo enfatiza no verso 18 que todos os homens receberam o juízo para a condenação.

            Que se esclareça mais uma vez que aqui existe também o contraste da quantidade e da qualidade dos efeitos de cada uma das duas obras. Seja a de Adão como a de Cristo. A obra de Adão, o pecado, produziu a ofensa que por sua vez o levou ao juízo de Deus para a condenação de todos os homens. Veja o efeito numérico da ofensa de Adão. Todos os seres humanos receberam o juízo.

            Não preciso me deter a este ponto porque o já fizemos quando estudamos todo o capitulo dois e o capitulo 3 desta epistola. Mas, para que você apenas rememore aqui, lembre-se do que Paulo disse:
Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Romanos 3: 9-12).”

Todos os homens de todas as tribos e povos, todos eles que estão divididos apenas em dois grupos universais – judeus e gentios, todos eles estão sob o juízo de Deus por causa de suas ofensas. Sendo assim, qual motivo eles teriam para serem salvos?

Tanto o gentio como o judeu possuem perspectivas, ou ideias diferentes sobre a necessidade de salvação. De modo geral, há gentios (quero dizer aqui os pagãos), que a remissão de sua alma é conquistada por meio de sua devoção aos seus deuses. Há aqueles pagãos que preferem acreditar na ideia de não necessitarem de redenção.

De alguma forma, os ateus modernos pensam assim. Ou alguns deles preferem pensar que se há alguma necessidade de redenção (por vias de regra, eles não acreditam na necessidade de redenção) ela é concedida pelo esforço de suas próprias conquistas e moralidade nata.

Pense agora no judeu, os religiosos. Eles por advirem de uma religião que outrora tinha a sua validade, também distorcem a necessidade de sua redenção. Confiavam cegamente na ideia de serem salvos por serem judeus, por terem a lei de Moises e por causa de sua religião (por meio da circuncisão) Pelo fato de serem judeus? Por causa da lei? Ou, por causa da circuncisão, sua religião e os seus ritos? Já vimos a resposta que Paulo nos dá sobre este ponto no capitulo 2.

Portanto quando Paulo diz que “veio o juízo sobre TODOS”, em outras palavras, o que você acha que pode lhe dar redenção?  O fato de ser judeu, ou de ser gentio (já que ambos se gabam de sua nacionalidade, de usa intelectualidade, cultura, estilo de vida, história, etc)? Como poderiam ostentar tal superioridade racial ou étnica? Seria isto evidência de que são livres do pecado e do juízo de Deus?

Cristo, não é desta estirpe, desta humanidade decaída e desgastada pelo pecado. Mas, mesmo não se contaminando, ou, nem mesmo se tornando em sua natureza igual a dos gentios e a dos judeus (serem pecadores de nascença), Ele se fez um de nós para conceder a “todos” (aqueles que são eleitos como pode ser identificado no verso 18) a redenção de nossos pecados. E esta é uma das características que torna válido a obra redentora de Cristo por nós.

Mas, em que sentido nestes versículos Cristo é superior a Adão? Retomemos aqui a nossa atenção aos efeitos da ofensa que provocou o juízo de Deus sobre todos, contudo, mais uma vez a graça tem muito mais efeito do que o juízo provocado pela ofensa.

A graça nos foi comunicada como um poder superior ao pecado e ao juízo por ser a obra de Cristo um ATO DE JUSTIÇA. Vamos nos deter um pouco sobre este ponto. O que Cristo fez por nós na cruz, ou seja, todo o seu sofrimento aqui na terra e no percurso do seu ministério, sua morte e a ira de Deus sobre ele é o que valida os efeitos da graça a nosso favor.

É extremamente importante o que Paulo fala aqui. A precisão com que ele usou esta colocação, esta única expressão faz toda diferença em todo este capitulo; UM SÓ ATO DE JUSTIÇA. Isto significa algumas coisas importantes aqui sobre a nossa salvação.

A superioridade de Cristo está na validade de seu sacrifício. O que quero dizer é que toda a sua vida, ministério como ato sacrificial só tem a sua total validade no momento em que ele voluntariamente se entrega a morte de cruz. Eu pergunto a você, o que poderia ser maior do que todas as nossas obras malignas para nos conceder a redenção de nossos pecados?

Se todos estão condenados e nenhum de seus atos tem algum valor sacrificial para salvar ao menos a si mesmo, temos alguma saída? Há salvação para nós? Paulo nos revela Cristo como aquele que recebeu a justiça divina para transferir de nós à si mesmo todos os nossos pecados como todos os efeitos deles.

Era necessário que Cristo, o único habilitado para tal expiação, recebesse todo o peso e a intensidade desta justiça punitiva para abrandar todos os efeitos punitivos de nossos pecados. E, a nós, esta justiça é revertida em redenção e perdão. Por isso a expressão – “por um só ato de justiça. ”

Eu pergunto a você, do que adiantaria, Jesus ter nascido em uma estrebaria, passar por todas as humilhações, constrangimentos, suportar os efeitos do pecado daqueles que lhes cercavam, ter de suportar as dores, os sofrimentos, as tentações, mesmo que não tivesse pecado algum, mas, de tudo isto não se submeter ao ponto central de toda a sua obra redentora que era sofrer a morte e a punição de todos os nossos pecados?

Se ele não tivesse passado por esse processo expiatório (de sacrifício e morte) não haveria justificação. Se é que podemos assim dizer, sua obra redentora estaria incompleta, e, por implicação, não teria validade alguma.    

            O requisito a ser cumprido nos é revelado aqui nesta expressão; UM SÓ ATO DE JUSTIÇA. Ele deveria passar por todo este processo de humilhação por completo. Se ele não cumprisse todos estes requisitos seria como o primeiro Adão, um representante falível. Aliás, seria mais um representante falível.

            Me chama a atenção o que nos diz a pergunta 27 do Breve Catecismo. Veja o que ela nos ensina sobre este ponto. Em que constituiu a humilhação de Cristo? Resposta: Constituiu em (1) ele nascer de condição baixa, (2) feito sujeito a lei, (3) em sofrer as misérias desta vida, (4) a ira de Deus e a amaldiçoada morte na cruz,(5) em ser sepultado e debaixo do poder da morte durante certo tempo.

            Isto reflete um Filho integralmente, totalmente obediente ao seu Pai. Sua obediência é completa e sublime porque o Filho de Deus voluntariamente acatou os desígnios de seu Pai a nosso favor. Por isso dependemos totalmente de Cristo. Sem ele não podemos nos ver livres de nossos pecados contra Deus.

            Aqui nos é apresentado mais um motivo para se ter a certeza da nossa salvação e de que não a perdemos. A aplicação que Deus tem a nós em relação a esta verdade nos é muito simples, mas, de extrema importância quanto ao modo como devemos lidar com os nossos pecados.

            Por um só ato de justiça recebemos o perdão de todos os nossos pecados. Todos eles. Sendo assim, a maneira como devemos alimentar esta certeza da salvação é simplesmente, mas, verdadeiramente confessando todos estes pecados cometidos.

O verdadeiro eleito e salvo em Cristo ele todos os dias é consciente de que sempre deve contar com a misericórdia de Deus para vencer o pecado em sua vida. Mesmo que cada um de seus pecados lhe cause vergonha, tristeza, constrangimento, humilhação diante das pessoas e diante de Deus, não se cale, não tenha medo de confessar os seus pecados.

            Seja um pecado individual ou coletivo, seja um pecado íntimo do seu coração, ou, um pecado público. Seja um pecado mais grave ou simples, Seja qual for os seus pecados, apenas confesse todos eles diante de Deus. 

            Todos os nossos pecados diante de Deus por um só ato de justiça foram perdoados. Este é o sentido que nos leva a verificar a validade da obediência de Cristo como o versículo 19 nos mostra. Apenas por um só ato de obediência recebemos a benção de agora sermos declarados justificados, livres do pecado e da morte.

            Não há outra conclusão a ser tirada aqui a não ser que é uma benção quando confessamos os nossos pecados diante de Deus e por vezes, ou quando necessário diante dos homens. Você não confessa pecados para receber o perdão de Deus, mas, você os confessa todos os dias por ter certeza de todos eles já perdoados pela obra expiatória de Cristo.

            Então qual o motivo para você temer! Se Cristo é superior a todo o legado terrível de Adão, e por meio Dele recebemos a certeza de termos os nossos pecados apagados, por que você não a confessa?
            Infelizmente, por causa de nossa natureza pecaminosa, somos dominados pelo medo. O medo não é um sentimento adequado ao crente. Medo sempre deve ser tratado como um sentimento pecaminoso. Adão teve medo e se escondeu de Deus após ter desobedecido a sua lei.

            A pergunta que Deus fez a Adão, o representante da raça humana teve seu efeito redentiva: “Adão, onde estás?” O chamado que irresistivelmente atraiu Adão e sua esposa Eva a presença de Deus. O próprio Adão respondeu  - “Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.”

            Como alguém poderia ter medo de Deus só porque estava nú? Didaticamente Deus mostra que o problema do medo de Adão não era a sua nudez e sim a sua desobediência. Todo o medo que sentimos está direta ou indiretamente associado com os nossos pecados.

            É interessante o exemplo de Jacó ao saber que seu irmão, Esaú estava a caminho para encontra-lo. Você deve se lembrar o motivo que levou Jacó a fugir da casa de seu pai Isaque e se refugiar na casa de seu tio Labão – Esaú havia prometido lhe matar por ter lhe roubado a benção do primogênito.

            A reação de Jacó não foi outra senão que teve medo e se perturbou; O texto bíblico é claro em dizer que Jacó dividiu em dois bandos o povo que com ele estava, e os rebanhos, e os bois, e os camelos. Suas palavras aqui expressam o pavor na medida das consequências de seus pecados contra seu irmão. Ele sabia que a morte poderia atingir não apenas a sua vida, mas, Esaú poderia matar toda a sua família: Se vier Esaú a um bando e o ferir, o outro bando escapará.

            Eu não poderia me esquecer de Saul que depois de seu pecado e rebelião foi deposto de seu trono pelo próprio Deus. Daquele momento em diante, não houve outra reação por parte dele senão ser oprimido por espirito maligno e inevitavelmente ter medo. Aliás, o medo lhe dominava de tal forma que no desejo compulsivo de procurar a morte como seu alento, ele realmente a encontrou.

            O medo de Saul era tão grande que por seis vezes atentou contra a vida de seu próprio genro, Davi, se antecipou em várias batalhas perdendo todas elas, consultou uma feiticeira médium pensando falar com o espirito de Samuel. Mas, a todo o momento era a morte lhe cercando e o conduzindo a um encontro inevitável e trágico.

A título destes exemplos, não podemos esquecer que o medo sempre anda de mãos dadas com a morte. E por que? Por causa do pecado. Mas, o próprio apóstolo joão  é quem nos diz:

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1João 4: 16-19)

            Não se esqueçam das palavras do salmista: “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?”

            Eu pergunto a vocês, o que mais poderia vencer o medo diante dos horrores que o pecado causa em nossa vida? O que mais poderia nos trazer de volta o sossego da alma e a paz de espirito em vez de sentir pavor dos perigos que nos rodeiam? O que mais poderia nos tirar o medo da morte e do juízo que nossas ofensas provocaram a ira de Deus?

Aliás se tem algo realmente que você deve ter medo é de Deus por ter lhe ofendido com os seus pecados. E por isso mesmo Adão legitimamente teve medo. Não porque estava nú, mas a vergonha de sua nudez era a constatação clara de seu pecado contra Deus. E, ele realmente teve medo de Deus.

Mas, eu volto a pergunta de nossa aplicação. O que pode vencer todo o medo provocado pelas nossas transgressões? Somente Cristo! Cristo é superior aos efeitos de nossas ofensas contra Deus. Cristo nos cobre com o seu sangue derramado na cruz para aplacar a ira de Deus contra nós.

Por um só ato de justiça, Cristo nos traz de volta a paz que recebemos como comprovação clara de nossa reconciliação com Deus (Romanos 5: 1). Então eu lhe pergunto novamente. Se você foi justificado recebendo a fé em Cristo Jesus e agora sabendo mais uma vez que todos os nossos pecados foram perdoados na morte de Cristo, POR QUE VOCÊ TEM MEDO?

Você realmente ama a Cristo? Se você o ama, então não há motivo para ter medo de confessar os seus pecados e viver em conformidade com a vontade de Deus. Amém!

            

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O LUGAR DA PREGAÇÃO NA IGREJA

A pergunta chave ainda a ser feita dentro de todo o contexto deste capitulo é: POR QUE DEVO LEVAR A SÉRIO A PREGAÇÃO? Já vimos no versículo 1, Primeiro, a necessidade da pregação da Palavra para a Igreja, e, em segundo lugar, a seriedade e o risco que esta atividade nos envolve. Portanto, seguiremos a analise agora do versículo 2.

            O que nos é proposto agora é sobre o lugar da pregação contidas neste versículo. Antes de tudo, nos concentramos a expressão inicial aqui do versículo: “pregue a Palavra”.

            A palavra “pregue” indica uma atividade que não é comum em relação as outras do seu ramo. Bom, a expressão “pregação” por vezes pode se confundir com a ideia de aula, preleção e palestra, etc. Mas, não é o caso aqui. O que Paulo está claramente dizendo é: anuncie ortodoxamente e solenemente o evangelho.

            Trata-se de anunciar formalmente ou solenemente do o conteúdo da Escritura, seja Antigo e Novo Testamentos. Realmente esta não é um método qualquer. Mas, é um serviço (de onde vem a palavra “liturgia”). Trata-se de um escravo de toda confiança do seu Senhor para servir-lhe a mesa aos todos os seus filhos. E, deve ser, mas uma vez insisto, de total confiança de seu Senhor. Não pode ser qualquer escravo porque em vez de alimentar pessoas, pode envenená-las e mata-las.

            Mas, ainda, o sentido original da palavra “pregar” nos aponta para um outro aspecto que completa o raciocínio e a natureza da pregação. No grego, a palavra pronunciada é “kerusso” que significa; “anunciar publicamente”. Basicamente a pregação não é uma atividade individual, particular, dirigida apenas a uma pessoa informalmente. Por vezes esta atividade pode ser confundida com a evangelização.

            Contudo veja que não é o caso aqui. Ao usar esta palavra, Paulo está sendo claro quanto ao que vem a ser a pregação. É anunciar publicamente e solenemente todo o evangelho. Aqui já podemos ter ciência do lugar em que a pregação deve estar na vida da Igreja. Se ela é um serviço realizado de maneira ortodoxa (ritualmente aplicada a cada domingo) e se é proferida publicamente, não á outra coisa a dizer senão que, a pregação deve ter o seu lugar de proeminência (de destaque) apenas no culto solene.

            E mais, se é um serviço litúrgico, solene e público pessoas habilitadas para isto é quem deve com temor e a devida responsabilidade assumir a condução desta atividade. Não é qualquer pessoa que deve ou pode subir no púlpito e anunciar autoritariamente a Escritura. Somente homens ordenados para tal função são os responsáveis para a pregação.

            A pregação é ou deve ser considerada a atividade cúltica mais importante na adoração a Deus. Ela tem o seu lugar de destaque é há uma razão plausível para isto. Se a pregação consiste em expor (explicar, aplicar e exortar) toda a Escritura, e neste caso, trata-se da revelação de Deus a nós, e se, a pregação é o próprio Deus falando por meio da Escritura com todos os presentes no culto solene, então, como não poderia ser a parte mais importante do culto?

            Se a própria Escritura no diz que o meio pelo qual a salvação é comunicada aos eleitos do Senhor é a pregação, por qual razão não deveríamos considerar a pregação importante? Se este é o momento em que todos nós nos aquietamos para ouvir a voz de Deus, por que não deveria ter a pregação como a parte principal do culto?

Eu pergunto: O QUE PODERIA SER MAIS IMPORTANTE QUE A PREGAÇÃO? A música? A oração pública? Estas atividades não têm nenhum efeito se em nosso coração não houver a disposição em ouvir a voz de Deus. Se oramos e cantamos no culto solene não é para outra coisa senão que sejamos envolvidos com a voz de Deus no momento da pregação.

Mas também pergunto, em quais momentos deve haver a pregação da Palavra? A resposta é simples. Todas as vezes que for convocado culto solene. Aliás, o culto só tem o seu efeito espiritual se houver a pregação da Palavra. Sem a pregação, o culto está incompleto, ou, em vários casos não é válido, ou não é aceitável a Deus.

Agora, atente-se para um detalhe aqui no versículo 2 quando ele diz: “prega a Palavra, insta, quer oportuna ou não.” As palavras de Paulo à Timóteo parecem dizer que a pregação é uma atividade que pode ser realizada fora da adoração pública. Ou seja, além da pregação como uma atividade regular no culto, muitos tem interpretado este versículo como se a pregação fosse uma oportunidade para evangelizar as pessoas individualmente.

ERRADO! Não é este aqui o sentido aplicado no versículo 2. Paulo não está indiciando que a pregação fosse realizada na informalidade como se faz ao evangelizar. Lembre-se do que eu disse no início deste sermão. Não confunda pregar com evangelizar. São duas atividades, mesmo que comuniquem o evangelho a pessoas, são distintas entre si.

Contudo, o que Paulo está dizendo é insta, quer seja oportuno ou não, em outras palavras é como se ele dissesse: esteja sempre preparado seja a tempo ou fora do tempo. Esteja preparado Timóteo, porque todas as vezes que você pregar muitos vão ouvir, mas muitos também não vão gostar do que estão ouvindo. Esteja preparado caro Timóteo, porque nem tudo o que você disser seus ouvintes vão gostar.

Para ser mais preciso, o versículo 2 está ligado aos versículos 3 e 4 que nos diz: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. ”

Ainda me faz lembrar do contexto, o capitulo 3 quando no versículo 1, Paulo havia exortado Timóteo a suportar as perseguições per causa do evangelho. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis. ”

Em resumo, estes dias difíceis mencionados por Paulo à Timóteo serão aqueles em que a frieza espiritual tomará conta da Igreja de Deus de tal forma que veementemente irão rejeitar a pregação da Palavra. No tempo de Timóteo apesar das dificuldades que Timóteo enfrentava e da perseguição severa a Igreja, Paulo deixa claro que estes dias escatologicamente ainda não eram tempos difíceis.

Quanto mais se aproxima a volta de Cristo, mais os dias se tornam difíceis, tenebrosos, dias perigosos de se viver e falar alguma coisa. A cada dia que torna breve a volta de Cristo, mais os dias vão se tornando inoportunos a pregação da Palavra. Quanto mais se aproxima a volta de Cristo, menos as pessoas querem ouvir a pregação da Palavra.

A questão a ser aplicada neste ponto é a necessidade de nós pastores e presbíteros sermos firmes em nossas convicções à Palavra e a necessidade dela ser regularmente pregada em nossos cultos. Este é o sentido de a tempo, ou fora do tempo.

Mesmo que os membros de nossas igrejas locais a cada dia que passa não se interessem mais pela pregação da Palavra, mesmo assim, continue a pregar com intrepidez a Palavra. Mesmo que haja desinteresse, mesmo que haja bocejos, mesmo que cochilem, mesmo que seus pensamentos devaneiam em outras coisas que não seja a Palavra de Deus, pregue a Palavra.

Mesmo que a sua pregação seja alvo de zombaria ou motivo de chacota, mesmo que você seja censurado, mesmo que a exposição fiel da Escritura lhe cause transtorno a sua vida pessoal, familiar e financeira, mesmo que você seja demitido da igreja em que você é pregador, pregue a Palavra.

Mas, a aplicação que trago aos que são ouvintes é muito simples. Você consegue fazer uma leitura correta do que está acontecendo em nossa volta. Você tem acompanhado a realidade das igrejas e denominações ao nosso redor? Por que muitas delas estão cheias de pessoas? Por que estão lotadas? Por que simplesmente estão indiferentes com a pregação fiel do evangelho.

Tudo começa com a sua disposição diária e semanal para ouvir a voz de Deus no dia do Senhor. Se em seu coração não há interesse para ouvir a pregação, então qual é o motivo pelo qual você vem ao culto no domingo? Se não há em seu coração a expectativa sincera e pujante de ouvir a voz de Deus pela exposição da Palavra, eu te pergunto: POR QUE ENTÃO VIR A IGREJA NO DIA DO SENHOR? Não seria melhor você ficar em casa?

Se a pregação é monótona, não lhe seria melhor assistir um programa de televisão ou ir ao cinema? Se a pregação lhe causa sono ou te faz cochilar, não seria melhor dormir mais e só acordar mais tarde, afinal, domingo é o único dia que você tem para isto. Se a pregação lhe causa tanto incômodo e te deixa muitas vezes irritado com a exortação anunciada, não seria melhor ler um livro de autoajuda ou passar o dia em um psicoterapeuta para massagear o seu ego?     

Mas ainda eu te pergunto, o que seria melhor? O que realmente seria proveitoso a sua vida? O que realmente seria o remédio para tratar suas feridas da alma? O que realmente seria melhor para tratar os seus sentimentos e pensamentos pecaminosos já alimentados no decorrer da semana? O entretenimento, a diversão, o lazer, ou, a pregação da Palavra no dia do Senhor? 

Amém!

               

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

QUAL A DEFINIÇÃO BÁSICA DE PREGAÇÃO?

Em poucas palavras com base em 2ª Timóteo 4: 1-5:

1. Não é uma palestra, preleção ou discurso persuasivo a um auditório, ou, em uma reunião formal, mas, é uma atividade solene. Um ato de adoração pública. É um elemento de culto. Ou seja, só é realizado no momento em que há a santa convocação pela Escritura para toda a congregação.

2. É uma atividade autoritativa. A pregação é o anúncio de toda Escritura com autoridade investida. Não é qualquer pessoa que pode pregar. Ela é designada apenas aos presbíteros, especialmente aqueles que receberam a atribuição da docência na igreja. Dentro disto, a pregação não é um dom (habilidade) mas, é um método ordenado por Deus para a instrução solene, autoritativa e didática ao seu povo.


3. Pregação não pode ser confundida com evangelização. Aquele jargão muito usado pelos evangélicos pós moderno: "todo o crente tem o dever de pregar o evangelho". ERRADO! Evangelizar tanto é um dever a todos os crentes, como também pode-se considerar em algumas pessoas um dom (naturalmente e com domínio ela evangeliza pessoas). Evangelizar é apresentar informalmente, individualmente e pessoalmente o evangelho a um incrédulo. Aqui cabe com muita propriedade o discipulado. Contudo, pregação é uma atividade que mesmo sendo autoritativa, todos participam ouvindo solenemente e publicamente a exposição da Escritura.

4. Pregação não aquele momento devocional de cinco minutinhos realizado antes de uma programação ou recreação das sociedades internas. Pregação não é entretenimento, mas, é uma atividade de risco. Todo pregador deve ter em mente que Deus nos julga severamente por nossas palavras ditas em nome Dele. Ele não deve falar nada além do que está prescrito em toda a Palavra de Deus. Como também, não deve temer ou se omitir no conteúdo de toda a Palavra de Deus.

5. A pregação demanda tempo, tensão e muito trabalho para esta atividade. O pregador deve se afadigar no preparo da exposição de seu sermão. É uma atividade que também demanda ou exige dos seus ouvintes um exercício da mente e da sua razão. De preferência, anote o resumo ou os tópicos das pregações de sua igreja local. Seja biblicamente movido pela razão em suas críticas e se fielmente a Escritura é pregada, obedeça!

6. A pregação como um método, consiste de pelo duas ações básicas: ENSINO e EXORTAÇÃO. Não desconsideraria a evangelização como uma ação presente nas pregações. Mas, por favor! não peça ao seu pastor ou presbítero que pregue um sermão evangelístico. O modelo bíblico de pregação na Escritura seja no antigo como no Novo Testamento, só estabelece apenas uma forma de pregação, aquela que fielmente explica e aplica o que está registrado nos 66 livros da Bíblia. E, não se esqueça! Não apenas os membros assentados no banco são os ouvintes, mas o pregador´, ao mesmo tempo que fala também ouve o que Deus está ouvindo a voz de Deus.

7. A pregação não pode ser limitada a ideia de falar apenas do amor de Deus e de salvação. O conteúdo da pregação (de todo o evangelho) também anuncia a morte, pecado e juízo. O conteúdo completo de toda Bíblia pressupõe uma audiência com o Supremo Juiz. É comparecer a um tribunal e ouvir as devidas sentenças de Cristo por meio de seu oficial: o Presbítero docente e na ausência dele, ou, quando solicitado, o presbítero regente.

8. Desta forma, nem sempre a pregação será do seu gosto, meu caro! Provavelmente serão ditas palavras e ideias que são repulsivas em nossa consciência pecaminosa. Não vamos gostar de muitas coisas ditas. Muitos vão odiar as exortações que serão feitas. Mas, mesmo que muitos rejeitem a pregação da Palavra, o objetivo não é agradar o paladar intelectual das pessoas, mas, é anunciar a sentença e juízo aos seus ouvintes. É interessante verificar que Deus não determinou aos seus pastores e presbíteros investigar e fiscalizar cada passo e as ações dos membros de sua Igreja, mas, simplesmente e poderosamente, Ele faz a aferição de cada coração, de cada ouvinte em sua consciência por meio apenas da fiel pregação da Sua Palavra. Por isso, não esqueça: Pregue a Palavra...

Que Deus tenha misericórdia de nós pregadores!

terça-feira, 19 de maio de 2015

POR QUE PRECISAMOS DE PRESBÍTEROS E DIÁCONOS - Exposição de 1ª Timóteo 3

Vamos começar com esta pergunta. POR QUE PRECISAMOS DE OFICIAIS NA IGREJA? QUAL A NECESSIDADE DE PRESBÍTEROS E DIÁCONOS? Você que talvez é membro desta igreja há algum tempo saberia responder esta pergunta? Devo levar em conta que, por você estar habituado a lidar com a figura dos pastores, presbíteros e diáconos pelo menos uma vez por semana isto já lhe daria algumas respostas. 
Mas, esta pergunta não pode ser respondida com base em sua opinião ou visão particular. questões que envolvem as coisas da Igreja devem ser respondidas pelo próprio Dono da Igreja. E, se você respondê-la por opinião própria, está correndo um grande risco quanto uma visão errada e antibíblica sobre a necessidade de oficiais na Igreja.
Contudo, mesmo que você não a vocalize, sua resposta é dada todos os dias no modo como interagimos com a figura do presbítero e do diácono. No modo como cada um de nós tratamos, falamos, respondemos as suas deliberações, resoluções, ordens, instruções já é suficiente para se ter a resposta que está em seu coração. Mas, agora, atentê-se as Escrituras. Verifique Nela, a própria Escritura a resposta dada pelo próprio Deus em Sua Palavra. De ante mão, as duas cartas enviadas a Timóteo já nos dão a devida resposta sobre esta questão. Em especial, a primeira carta, Toda ela está estruturada em três temáticas: 1) A saúde espiritual da Igreja de Deus; 2) O culto solene e; 3) O governo e o pastoreio da Igreja.
Para que você confirme com clareza isto, basta verificar cada temática dos seis capítulos de 1a Timóteo. Por exemplo: 1) O Capitulo 1, Paulo fala da ameaça que a igreja de Éfeso se encontra por causa dos falsos mestres e de suas heresias. 2) No capitulo 2, Paulo chama a atenção para a ordem no culto e, em especial o lugar da mulher seja na Igreja como no culto solene,3) Capitulo 3, quais os critérios para a eleição de presbíteros e diáconos. Quem realmente está apto para exercer o governo sobre a Igreja, 4) Capitulo 4, como deve proceder o bom ministro de Cristo e os cuidados que ele eve ter no ensino da sã doutrina, 5) e os capítulos 5 e 6, como ele deve tratar e instruir seja em publico como em particular cada membro de sua igreja local.
Em todas elas é perceptível a preocupação de Paulo em tratar destes três temas na vida cristã e no ministério de Timóteo e os três giram em torno dos presbíteros e diáconos. A necessidade de se ter oficiais na Igreja não por outra coisa senão preservar a Igreja de duas coisas: 1) Dos ladrões, salteadores e os lobos vorazes; 2) preservá-la de si mesma, de seu coração que muitas vezes tende a se inclinar para os desejos de seu coração pecaminoso e rebelde.
E esta preservação se dá por meio do ensino, pregação, governo, pastoreio,  disciplina, a ordem e a administradão do culto e a assistência as diversas necessidades espirituais e materiais de todos os membros da Igreja de Deus. Todos os membros da Igreja devem passar por este processo, até mesmo os seus oficiais, porque antes mesmo de serem pastores, presbíteros e diáconos, também são membros da Igreja.
Agora, observe no versículo um exatamente a sequência que Paulo estabelece do assunto tratado no capitulo dois para o capítulo três. Antes, ele havia mostrado a sua preocupação com duas coisas: a ordem do culto solene e o lugar da mulher na Igreja e no culto. Paulo deixa claro que a mulher está proibida de exercer os ofícios de presbítero e diácono.
A título de esclarecimento, em primeiro lugar, não é Paul oque determina esta proibição, mas, o próprio Deus. Em segundo lugar, tal determinação não é uma mera pretensão machista de Paulo, mas, o seu desejo é que a mulher assuma suas funções como mãe e esposa. Deus não a criou para exercer governo, mas, para completar e auxiliar seu esposo na educação e ensino de seus filhos.
Mas, veja como Paulo faz a conexão deste assunto tratado no capitulo dois com o capitulo três. Sua primeira declaração foi: Fiel é a palavra:se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja (1a Tm  3: 1).
Após uma determinação clara sobre a necessidade de homens assumirem o seu lugar no governo da Igreja, agora Paulo diz: Fiel é a Palavra! por cinco vezes usou esta expressão para mostrar que aquela não eram suas palavras ou conclusões particulares, mas, estas eram as Palavras do próprio Deus reveladas à Timóteo.
Talvez, esta fosse uma expressão poética, ou, em forma de provérbio muito comum em seus dias. Tais palavras, continham a sabedoria divina e por isso deveriam ser obedecidas. Seria como uma expressão de juramento ou confissão. Seria o mesmo que dizer: “Estas ordenanças devem ser aceitas e acatadas com toda devoção e reverência.”
Veja que a necessidade do governo por meio dos oficiais da Igreja de Deus não é mera invencionisse de homens, mas, é o próprio Deus quem estabelece esta necessidade por meio de Sua Palavra revelada e registrada nas Escrituras. O governo da Igreja e os seus ofícios não pode ser tratado como um assunto isolado de outras doutrinas bíblicas. Governo da Igreja é uma doutrina que deve ser tratada com a mesma seriedade que todas as outras doutrinas.
Portanto, é muito sério o assunto que adentraria o capítulo 3. Se a questão das mulheres não terem a prerrogativa de exercerem os ofícios na Igreja, mais sério ainda era tratar das qualificações e requisitos exigidos por Deus para ser considerado aprovado ao presbiterato e ao diaconato.  
Então, aqui vai uma segunda aplicação. Nem todos os homens serão considerados aptos a exercerem governo sobre a Igreja. Não apenas pelo fato de ser homem é que todos eles estão habilitados para estes dois ofícios. Paulo, nos chama a atenção para o chamado especial de Deus à alguns destes homens piedosos.
Agora vem a segunda parte de sua declaração: “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.” Cuidado ao interpretar as palavras de Paulo aqui. Ele não está dizendo que qualquer um que desejar ser um oficial na Igreja será considerado apto automaticamente. Mas, preste bem atenção em alguns de suas palavras aqui.
Veja que, se alguém aspira ao episcopado, ou seja, dentre todos os homens piedosos da Igreja, se encontram aqueles que são conduzidos em suas intenções e pretensões ao governo da Igreja, em primeiro lugar, eles anseiam por uma excelente obra.
Em outras palavras, não é errado um homem crente desejar o presbiterato ou o diaconato. Aqueles que se sentem vocacionados ou chamados para exercer um destes ofícios devem entender que esta é a mais honrosa de todas as profissões. É o mais sublime de todos os trabalhos no mundo. Sem depreciar ou desmerecer as outras profissões, mas esta deveria ser a mais desejada pelos homens da Terra.
Bom seria se todos os homens piedosos desejassem sinceramente estes ofícios. Mas, me parece que estes são os que menos os homens procuram. Na verdade há uma serie de questões pessoais em jogo. Para alguns, não existe tanta nobreza assim em ser um presbítero ou um diácono, que dirá ser um pastor!
Portanto, não consideraria um erro se todos os homens da Igreja se prontificassem a participar das eleições como aspirantes à candidatos seja para o sagrado ministério, para o presbiterato, ou, para o diaconato. Se fizéssemos isto, estaríamos expressando o devido valor que estes ofícios ocupam em nosso serviço a Deus.
Talvez isso revele o quanto você compreende a necessidade deles. Talvez isso revele o quanto você se importa com os seus presbíteros e diáconos. Quem sabe isso revele o quanto você os reconhece como seus pastores. Provavelmente, você esteja demonstrando o quanto você se preocupa com a vida espiritual de sua igreja local. Provavelmente, isso revele o quanto você se preocupa com a sua vida espiritual.
Mas, realmente nem todos os homens são considerados habilitados para exercerem estes oficios. E, por isso, Paulo estabeleceu o primeiro critério, ou, o primeiro teste a sermos submetidos aqui. Não se trata apenas de uma função honrosa. Mas, agora vem o porque Paulo usou a expressão “excelente obra almeja”.
Foque sua atenção na palavra “obra” (em grego significa: ergon, ou trabalho duro, trabalho que exige muita resistência). Paulo não nos revela apenas o aspecto positivo dos oficios de presbítero e diácono. Mas, especialmente aqueles que são chamados ao presbiterato e a pregação da Palavra terão de sofrer as implicações negativas deste oficio.
Em outras palavras, “as coisas que são excelentes são igualmente árduas e difíceis” (Platão). Provavelmente, Paulo se apropriou de um proverbio dito pelo filósofo Platão. Nem todo homem por mais piedoso e crente que possa ser, não está qualificado, ou, preparado para exercer estes ministérios. Primeiro, porque trata-se de funções valiosíssimas aos olhos de Deus. Este é um trabalho de particular nobreza.
Segundo, Nem todo homem suportaria a pressão e as dificuldades destes ofícios. O presbiterato exige de seus vocacionados muito esforço e resistência para suportar as pressões, os assédios tanto de fora como de dentro da Igreja, as perseguições, as cobranças e as muitas inquietações da alma quanto as devidas cobranças que recebemos de nossas responsabilidades e fidelidade.
Você deseja o presbiterato? anseia por este ofício? anseia pelo diaconato? Então, veja o que disse o reformador João Calvino sobre este ponto: “Esta não é um profissão rentosa, e sim, uma obra. Este oficio não é qualquer obra e sim, uma excelente obra, e, portanto, espinhosa e saturada de dificuldades como na verdade, o é. Portanto, representar o Filho de Deus não é algo de pouco monta diante da gigantesca tarefa de erigir e expandir o reino de Deus, de cuidar da salvação das almas, as quais o Senhor mesmo condescendeu comprar com o seu próprio sangue, e de governar a igreja que é a herança de Deus.”
Penso que o maior de todos os fardos e riscos que corremos não é a desaprovação e a censura dos homens, apesar de que esta também nos causa grandes temores, tristezas, desânimo, as vezes o medo, o desejo de interromper o exercício deste ofício. Mas, o nosso maior fardo é saber que vamos prestar contas de nossa tarefa diante de Deus. Somos todos os dias cobrados de nossa fidelidade e competência em cuidar e governar um rebanho que não é nosso, mas de nosso Pai.  
Agora, a pergunta é: POR QUE TANTOS HOMENS NÃO DESEJAM MAIS ESTES OFÍCIOS? Por que tem diminuído o número de candidatos ao ministério pastoral, ao presbiterato e ao diaconato? Por que você é um destes que ao menos deveria se considerar um aspirante, mesmo que alguns não sejam vocacionados, mas não tem se quer considerado a possibilidade de ser um destes candidatos?
Por que na lista de profissões e vocações não temos mais um numero expressivo de meninos e rapazes que considerem a possibilidade de colocar a sua vida a disposição para o sagrado ministério? Por que será que nós , os pais, não desejamos que nossos filhos pleiteiem uma vaga nestes ofícios? Se a Bíblia nos diz que esta é uma excelente obra, que é um honroso trabalho. A mais sublime de todas as profissões, então, por que não desejamos que nossos jovens e rapazes se prontifiquem pelo menos aos testes para saber se são ou não aptos para estes ofícios?
Será que a culpa não é nossa mesmo como pais de nossos filhos? Será que não estamos mais interessados em dispor no coração deles as coisas de Deus? Será que estamos treinando ganhadores de dinheiro e prestigio pessoal em vez de ganhadores de almas e modestos anunciadores das grandezas de Deus? Será que a nossa postura como membros da Igreja não tem refletido um bom testemunho com os nossos oficiais e por isso, eles não vêem com bons olhos o governo da Igreja?
Será que a culpa é nossa como homens? A omissão, a covardia, a imaturidade, a negligência, seria uma falsa espiritualidade? desvios doutrinários em nosso coração e consciência? Mau testemunho? Somos péssimos exemplos como homens, cidadãos, patrões, empregados. Será que a culpa é nossa senhores presbíteros e diáconos? Temos sido omissos em alguma área da nossa vida, família, santidade, vida pessoal e moral? será que temos pecado em negligenciar os preceitos a serem ensinados com fidelidade as Escrituras?
Será que temos governado bem a nossa própria família? Será que nós, que temos o privilégio de ter filhos homens, será que eles não desejam seguir nossos passos porque passamos uma ideia errada do que é o presbiterato e diaconato? Será que eles sentem vergonha de nossas mais grotescas faltas e pecados públicos. Das chacotas e piadas denigrindo a nossa imagem e muitas vezes por consentimento nosso e o pior de tudo provocados por nossas falhas?
O que é certo, é que todos nós estamos neste processo. Tanto aqueles que são chamados para estes ofícios como aqueles que participarão do pleito em confirmar por seu voto os eleitos de Deus para estes ministérios. E, o que posso dizer neste momento, é que ponderem todas estas palavras aqui proferidas por mim. Avaliem suas vidas diante de Deus com sinceridade, temor, zelo, reverência e profunda tristeza pelos seus pecados em relação a este assunto. Orem constantemente sobre a sua situação em relação ao chamado de Deus para aqueles que devem exercer estes ofícios.
Por fim, pense com toda atenção, piedade e modéstia sobre as suas reais intenções em relação ao governo da Igreja. Este é o momento para quebrantamento diante de Deus em relação a sua vida e ministério. Você deve responder a seguinte pergunta: ESTOU APTO PARA O GOVERNO DA IGREJA? ESTOU QUALIFICADO PARA EXERCER ESTES OFICIOS? Amém!

sábado, 24 de janeiro de 2015

DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - A Centralidade da Escritura Primeiramente no Lar. Exposição de II Timóteo 3. 15



Rapidamente, anteriormente analisamos o restante do versículo 14 desta que consideramos ser a terceira exortação de Paulo a Timóteo. Na verdade estamos inseridos nas palavras finais (do versículo 14 ao 16) desta terceira exortação. A mensagem do apóstolo Paulo a Timóteo no capítulo 3 é: suporte o sofrimento por causa do evangelho!


    Em resumo, a igreja corre sérios perigos quando a Palavra de Deus é deixada de lado. O grande desafio dos presbíteros e pastores é defender e lutar pela Palavra. Fazendo isto, primeiro, estão se dispondo para uma longa guerra contra o mundo. Segundo, estão defendendo a Igreja de Cristo.

    Veja que o ponto áureo aqui desta terceira exortação, não está no sofrimento e perseguição seja de Timóteo como de Paulo, mas, está na Centralidade da Escritura. A relação entre a questão do sofrimento e o Evangelho é a demanda de todo um esforço e risco que devemos assumir em prol da propagação e preservação da verdade na Igreja.

    Agora veja a diferença entre os hereges e os verdadeiros pastores da Igreja de Cristo. Quando são submetidos a tribulação, ou, ao sofrimento, os hereges não aguentam e fogem. Os verdadeiros pastores não oscilam em seus pensamentos e convicções. Eles se mantem firmes e não são volúveis aos modismos e as variedades de tantas falsas doutrinas que permeia o nosso meio.

    Por seguinte, a segunda distinção clara entre os falsos e os verdadeiros obreiros está no que assimilam em relação ao anuncio do evangelho. Os verdadeiros pastores aprendem, fixam os princípios tanto na teoria como na pratica diária. Eles não negociam com princípios com Deus, mas são fiéis.

    Você percebe aqui a diferença entre os que são falsos e os verdadeiros pastores? Os verdadeiros mestres são os que realmente APRENDERAM. Eles são discípulos de Cristo. Eles conhecem a Cristo. Ouvem a voz de seu Mestre. Cristo os instrui pela Escritura. E em nome do próprio Cristo, eles instruem outros discípulos a seguirem fielmente o seu Mestre.
    Falando em seguir e aprender com o Mestre, vamos seguir a análise do versículo 15 agora. Para melhor captarmos a ideia estabelecida por Paulo, vou me adiantar em uma pergunta simples.

Qual é o futuro da Igreja em nosso país? Qual é o futuro da Igreja Presbiteriana do Brasil? Que perspectiva temos para os próximos, talvez, 20 anos da igreja evangélica em solo brasileiro? Quer saber? Faça uma análise da sua própria vida e a da sua família. Então, você saberá qual será o futuro da igreja.

E aqui aprendemos uma coisa muito simples. A Igreja é o que você e sua família também é. A Igreja sempre será o reflexo de nossa casa. Mas, onde entra a Centralidade da Escritura neste ponto? A questão é se toda a Escritura faz parte da sua casa assim como aparentemente ela é tão enfatizada e usada em nossos cultos.

Voltando a pergunta inicial, um pastor muito conhecido em nosso meio nos deu uma singela e preocupante resposta. Veja o que ele diz:

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo "evangélica" de maneira ampla – confesso que sou incapaz de prever o que vem pela frente, Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja (Nicodemus, pg. 30)

    Quando a falta de alguma referência e identidade vai se perdendo na igreja, a única certeza que temos e de que estamos diante de um futuro duvidoso e incerto. Você sabe o que isto significa? Uma igreja sem perspectiva de futuro está em sérios apuros, ameaçada e também se torna uma grande ameaça a outras igrejas.

    Este era um dos grandes perigos que o apóstolo Paulo havia detectado em relação ao desânimo de Timóteo. A Igreja de Éfeso estava ameaça e também poderia ameaçar muitas outras igrejas porque, em primeiro lugar, ela era uma referência, um modelo, um ponto de apoio para muitas outras igrejas na região da Ásia Menor.

    Mas, em segundo lugar, A igreja de Éfeso estava em crise espiritual por causa da escassez de presbíteros, já que Timóteo deveria escolher urgente outros homens que fossem fieis a Cristo e os treinasse para que pudessem ensinar regularmente a igreja (II Tm 2: 1). Os gnósticos estavam se aproveitando a oportunidade para ocuparem os espaços vazios.

    Agora veja o perigo desta situação. Éfeso, uma igreja modelo para as outras. Mas, naquela circunstância, que modelo ela poderia ser? Atente-se ao grande perigo que diversas igrejas naquela região corriam. Observe atentamente a relação disto que estou frisando com o versículo 15: e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

    No primeiro momento, versículo 14, Paulo já havia dito que a Timóteo era diferente dos falsos mestres porque havia sido instruído na verdade. A sua instrução é propositalmente mencionada como mestre, o próprio apóstolo Paulo. E a razão é muito simples. Paulo não fala de si mesmo como autor de todos os ensinamentos entregues a Timóteo, mas, fala como o instrumento da revelação de Deus ao seu povo naquele momento.

    Na verdade, Paulo destaca a própria Palavra de Deus como sendo a razão em que Timóteo fora habilitado pregador e presbítero. Mas, me chama a atenção o devido valor que Paulo agora acrescenta a instrução que Eunice e Loide (mãe e avó) haviam dado a Timóteo. Paulo aqui é de uma sabedoria e didática em nos lembrar o processo ordinário para a instrução de uma pessoa na Igreja.

    Antes que Timóteo chegasse a Paulo, passou primeiro pela instrução de sua casa. Pode não ser tão importante assim, mas, veja que a palavra usada por Paulo para referir-se a sua infância é brephos que originalmente significa embrião humano, ou, um feto em formação no útero de uma mulher gestante.


    NA verdade, Paulo estava se referindo, claro que não se pode falar com precisão, mas a idade de uma criança antes dos seus cinco anos de idade. Talvez, quando Timóteo ainda era uma criança de uns dois ou três anos. Quem sabe um bebê. De qualquer forma, Paulo lembra a importância de uma pessoa passar pela instrução de sua fé desde seu nascimento.

    Algumas informações nos são muito interessantes aqui. Primeiro, aqui se tem uma forte evidência de que Timóteo era mesmo judeu. O era por causa de sua mãe e sua avó. Seu pai era um gentio. Tendo a pensar que, talvez, o pai de Timóteo não fosse crente. De qualquer forma, Timóteo recebeu a instrução de um menino judeu. Veja que o texto nos revela qual era a fonte de sua mãe e avó: AS SAGRADAS LETRAS.


    Paulo mencionou o Antigo Testamento. É importante frisar que eles não tinham o Novo Testamento, mas, apenas o Antigo Testamento. Algumas cartas apostólicas ainda estavam sendo escritas, e, sendo assim, o único texto inspirado e sagrado a fé cristã era o Antigo Testamento.

    Mas, considero extremamente precioso o que Paulo registra em suas palavras no versículo 15. Como foi de extrema importância Timóteo ter sido educado desde pequeno através do Antigo Testamento. Como foi importante para a sua formação até alcançar a juventude ser preparado a fé cristã a partir do entendimento da lei de Deus, da história do Seu povo e das profecias sobre Jesus Cristo.

    Sabemos que Paulo claramente considera o Antigo Testamento como parte da Escritura porque ele mesmo disse: sabes as sagradas letras, que podem tornar- te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Atente-se as suas palavras: As sagradas letras (O Antigo Testamento) tem o poder de tornar-te habilitado à salvação em Cristo Jesus.

    Em outras palavras: Timóteo, foi de grande importância sua mãe e avó lhe ensinar todo o Antigo Testamento porque é também a Palavra de Deus que anuncia a salvação em Cristo Jesus. Veja Timóteo, os gnósticos não apreciam estes textos sagrados. Eles o rejeitam. Baseiam seus ensinamentos em mitos, fábulas, imaginações, em magias, encantamentos e toda forma supersticiosa ou mística de religiosidade.

    Seria o mesmo que dizer: Timóteo você tem base, eles não. Você tem a pedra angular. Eles contam com as suas próprias imaginações e sofismo. São hábeis, mas, não na verdade. São hábeis na mentira. Sabem mentir como ninguém. Não obstante, no versículo 16, Paulo ressalta o que acabara de dizer: Toda a Escritura é útil. Em outras palavras, Tanto o antigo como futuramente seria completado a Palavra de Deus o novo testamento.

    Você já percebeu que as seitas em geral fazem questão de selecionarem determinados trechos, livros e porções da Bíblia para criarem suas heresias? Em geral rejeitam e distorcem diversas passagens bíblicas para contraditoriamente simularem uma espécie de "coerência" e "sabedoria" humana que, na verdade eles não tem.

    Mas, o pior de tudo isto, é que muitos crentes são influenciados a fazerem o mesmo. Denominações cristãs inteiras estão em sérios apuros e a beira de sua extinção justamente porque estão rejeitam o conteúdo, a hermenêutica correta, a pregação e aplicação fiel de toda Escritura. Eles estão imitando as mesmas fabulas, mitos, imaginações, visões, sonhos, certos milagres que disfarçam as suas magias e encantamentos. As gritarias e as palavras de ordem que disfarçam seus encantamentos ocultos.

    Sobre isto deixe-me dar mais uma informação. Tem se tornado comum o crescimento de determinadas seitas "evangélicas" que misturam a religião cristã com as práticas, danças, cantos e ritos do candomblé e da Umbanda. Os católicos já não estão mais sozinhos nesta empreitada. Já faz um certo tempo em que os evangélicos agora também são sincréticos e pluralistas em sua religião.

    Mas, e a Igreja Presbiteriana em nosso país? Temo que também esteja correndo os mesmos riscos. É notório nos presbitérios, sínodos e na IPB de forma geral a dissidência de grupos já bem nomenclaturados. De ideias nitidamente bem divergentes. De práticas anti-bíblicas escancaradas ao público, mas que em nada causam algum efeito na maioria dos que são os responsáveis por estes grupos, pastores e igrejas.

    Mas, onde tudo isto começa? Simples. Começa em casa. Veja que Paulo ressalta ser Timóteo instruído desde a sua infância. Desde pequeno. Talvez, desde quando era um bebe. Entre os judeus, os pais tinham a obrigação de educarem seus filhos até os 12 anos em casa. Em seguida, quando havia a possibilidade, eram conduzidos a um mestre ou escola que lhes proporcionassem um ensino mais avançado nas Escrituras. E, foi assim que aconteceu com Timóteo.

    Vejam aqui a importância e a necessidade da Palavra de Deus ser constantemente e exaustivamente ensinada aos nossos filhos. A Centralidade da Escritura em uma igreja começa na família. Não se enganem! O mundo tem caminhado para um declínio intelectual sem medidas. A cada dia que passa, a ignorância tem tomado conta da consciência das pessoas.

    Quando falo que a irracionalidade e a ignorância têm aumentado, me refiro a desconstrução de princípios e conceitos básicos em diversas áreas. Determinadas atrocidades como o aborto sendo pouco a pouco considerado não uma questão ética mas de saúde publica.

A sexualidade precoce sendo estimulada nas crianças a partir de 6 anos sendo tratado como liberdade de expressão em vez de ser tratado como uma questão moral. A correção com o uso da vara e do chinelo é considerado uma violência contra criança em vez de ser tratado como uma questão necessária na educação familiar. A sociedade quer tirar qualquer possibilidade de limites na formação das pessoas. É isto que chamo de irracionalidade.

Por isso Paulo havia dito que a irracionalidade dos hereges o distinguia de Timóteo porque as sagradas letras lhe habilitariam ao entendimento e a vivência da salvação em Cristo. Ele era um homem sábio comparados aos outros homens de seu tempo. Como o apóstolo já havia dito desde o capitulo 2, a única coisa que nos resta e que produz o efeito necessário para uma igreja fiel a Cristo é o ensino sistemático da Palavra.

Outra questão importante a ser aqui aplicado. O ensino da Palavra de Deus no lar deve ser estendido a todas as esferas da vida humana. A Bíblia deve ser aplicada em todos os temas possíveis. Nossos filhos devem ser preparados em qualquer ciência, profissão que irão seguir, a mentalidade que desenvolverão sobre a sociedade, comportamento, ética com fundamentação bíblica.

Se temos experimentado uma intensa crise intelectual e literária que já perdura mais de 40 anos em nosso país, infelizmente os evangélicos tem contribuído para esta decadência. Se experimentamos uma decadência moral e ética nas instituições e organizações de nossa sociedade é porque a igreja brasileira também a igreja tem feito parte disto.

Caso contrário, seriamos intensamente perseguidos. Sofreríamos mais por causa da nossa convicção e amor pelo evangelho. A seleção para ser parte da igreja seria bem mais rigorosa. O problema talvez, não seja mais o que estamos ensinando as nossas crianças, mas, a minha maior preocupação é se realmente estão ensinando a Escritura a elas. Mais ainda, tenho a forte impressão de que os pais de modo geral, estão transferindo esta responsabilidade pesadamente a igreja, as escolas e ao Estado.

 Entenda uma coisa. O governo e as escolas não irão fazer por você aquilo que é de sua responsabilidade. O próprio Estado de modo geral já tem experimentado uma extensa crise na educação formal desde o ensino fundamental até as universidades. Os governos já estão pedindo socorro seja a quem for para suprir a demanda de uma educação praticamente falida. 

Ouvir esta semana de um governante em nosso Estado de Rondônia algo muito simples. O problema não é dinheiro, ou, verba. Mas, o nosso problema na educação são os nossos alunos e a sua relação com a necessidade de levarem a sério os seus estudos. As escolas são do século dezenove, os professores do século vinte e estes alunos são do século vinte e um.

Eu pergunto a você. A boa formação de nossas crianças e jovens dependem de que e de quem? Do Estado? O Estado brasileiro não tem preocupação de ensinar a Bíblia aos seus filhos. É da escola que ele estuda? Com algumas exceções, até mesmo as escolas particulares e que se dizem confessionais já estão secularizadas. A responsabilidade é da igreja? Em parte e o que cabe a ela, sim. Mas ela é a tutora primaria na educação de seus filhos?

De quem e do que depende a formação de seus filhos? A responsabilidade direta não é dos seus pastores, dos seus presbíteros, muito menos do governo e da escola que ele estuda, mas, a responsabilidade é de vocês senhores pais. Ainda espero pelo dia em que não serão mais os pastores os responsáveis pelo discipulado de nossos adolescentes e jovens que desde pequenos foram criados na igreja. Ainda tenho a esperança de que eles sejam continuamente discipulados pelos seus pais desde pequenos até o dia da sua publica profissão de fé. Você tem discipulado seus filhos?

Qual será o futuro da Igreja Presbiteriana em nosso país? Como vai ser a Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho daqui 20 anos? A resposta está exatamente na sua casa. A Escritura é o centro de nossa consciência e formação familiar? A Palavra de Deus tem sido o texto base na formação de nossa família? Eles realmente leem e aprendem a Escritura? Temos ensinado sistematicamente a eles a Palavra de Deus? Amém!

Pr. Rogério Bernini Junior

Sermão pregado no culto matutino do dia 18 de janeiro de 2015